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A escolha pública dos poderes no mesmo orçamento: perspectiva incremental

Variável X Variável Y

4. RESULTADOS E ANÁLISES

4.1. Análise das escolhas públicas dos poderes executivo e legislativo na alocação de recursos nas etapas da LOA

4.1.2 A escolha pública dos Poderes no mesmo orçamento

4.1.2.1 A escolha pública dos poderes no mesmo orçamento: perspectiva incremental

Nesta primeira parte buscou-se evidenciar se eventuais variações em determinada etapa são acompanhadas nas demais etapas. Foram consideradas variações brutas e percentuais. As Tabelas 21 a 27 mostram os resultados.

Tabela 21: Resultados dos Testes de Friedman e Kendall da escolha pública do Executivo e do Legislativo nas

etapas: de elaboração; discussão, votação e aprovação; e de execução da LOA – perspectiva incremental

Ranking

analisado Relação analisada

Teste de Friedman Teste de concordância de Kendall χ2 P-value W P-value BMa

Escolha pública do Executivo e do Legislativo orçamento de 2009 para todos os programas nas etapas: de elaboração, de discussão e de execução – perspectiva incremental.

366,551 0,016 0,393 0,016

BNa

Escolha pública do Executivo e do Legislativo orçamento de 2010 para todos os programas nas etapas: de elaboração, de discussão e de execução – perspectiva incremental.

445,749 0,000 0,478 0,000

BOb

Escolha pública do Executivo e do Legislativo orçamento de 2009 para os programas finalísticos nas etapas: de elaboração, de discussão e de execução – perspectiva incremental.

209,831 0,510 0,331 0,510

BPb

Escolha pública do Executivo e do Legislativo orçamento de 2010 para os programas finalísticos nas etapas: de elaboração, de discussão e de execução – perspectiva incremental.

241,346 0,074 0,381 0,074

Fonte: Elaboração própria

Legenda: a) K = 3 e N = 312; b) K=3 e N = 212.

A partir dos resultados obtidos na Tabela 21, considerando como valores críticos de

χ2: 356,13 para 311 graus de liberdade e 245,89 para 211 graus de liberdade, observa-se na perspectiva incremental que:

-Os rankings BM e BN (escolha pública nas etapas de discussão e execução nos orçamentos de 2009 e 2010), a hipótese nula do teste de Friedman foi rejeitada, logo se pode afirmar que os valores da amostra não provieram do mesmo universo para o conglomerado composto por todos os programas;

-Os rankings BO e BP (escolha pública nas etapas de: discussão e execução nos orçamentos de 2009 e 2010), a hipótese nula do teste de Friedman não foi rejeitada para o

ranking BO (variação entre 2008 e 2009), mas foi rejeita para o ranking BP (variação entre

2009 e 2010) que se referem ao conglomerado composto apenas pelos programas finalísticos. Diante do exposto, pode-se afirmar para o ranking BP que os valores da amostra não provieram do mesmo universo.

Observa-se significância estatisticamente na perspectiva incremental que existe uma concordância estatisticamente significativa das variações orçamentárias no mesmo orçamento nas etapas da Elaboração e de Execução da LOA.

Isso significa que no orçamento de 2009, para o conglomerado de todos os programas (ranking BM), as variações nas alocações de recursos em relação ao orçamento de 2008 realizadas na etapa de Elaboração do PLOA foram acompanhadas nas Etapas: de Discussão,

Votação e Aprovação e de Execução Orçamentária e Financeira na LOA 2009 em relação à LOA de 2008 com uma concordância de até 39,3%.

Quando se consideram as variações no orçamento de 2010 em relação ao ano de 2009, para o conglomerado de todos os programas (ranking BN), houve uma concordância de 47,8% entre as três etapas da LOA.

Estes resultados mostram que o orçamento federal não é uma ficção como Souza (2008), Aguiar (2008), Santos, Machado e Rocha (1997) afirmam. Se assim o fosse, as variações ocorridas na etapa de elaboração, não se refletiriam nas variações da etapa de execução. Isso porque segundo os autores, o Executivo é autorizado e não obrigado a cumprir o orçamento elaborado e aprovado; e dessa forma, subverteria na etapa de execução, por meio de créditos adicionais e contingenciamentos, o orçamento da forma que bem entendesse.

Tabela 22: Resultados dos testes de correlação de Spearman da escolha pública do Executivo e do Legislativo

no orçamento de 2009-2008 nas etapas: de elaboração; discussão, votação e aprovação; e de execução da LOA – perspectiva incremental

Variação da LOA 2009-2008

Fenômeno-objeto analisado Testes

Resultados por

ranking

BMa BOb

Variação do PLOA 2009-2008 e Variação das emendas 2009-2008

Rho de

Spearman -0,181 -0,002

P-value 0,000 0,978 Variação do PLOA 2009-2008 e Variação das despesas empenhadas

2009-2008

Rho de

Spearman 0,483 0,081

P-value 0,000 0,238 Variação das emendas 2009-2008 e Variação das despesas

empenhadas 2009-2008

Rho de

Spearman -0,034 -0,088

P-value 0,553 0,203

Fonte: Elaboração própria Legenda: a) N = 312; b) N = 212.

Tabela 23: Resultados dos testes de correlação de Spearman da escolha pública do Executivo e do Legislativo

no orçamento de 2010-2009 nas Etapas: de Elaboração; Discussão, votação e aprovação; e de Execução da LOA – perspectiva incremental

Variação da LOA 2010-2009

Fenômeno-objeto analisado Testes

Resultados por ranking

BN BP

Variação do PLOA 2010-2009 e variação das emendas 2010-2009 Rho de Spearman 0,008 0,005

P-value 0,884 0,943 Variação do PLOA 2010-2009 e variação das despesas empenhadas

2010-2009

Rho de Spearman 0,439 -0,025

P-value 0,000 0,717 Variação das emendas 2010-2009 e variação das despesas empenhadas

2010-2009

Rho de Spearman 0,202 -0,236

P-value 0,000 0,001

Fonte: Elaboração própria

Prosseguindo na análise da perspectiva incremental, as Tabelas 22 e 23 mostram a aplicação do teste de correlação de Spearman. Observa-se que houve resultado significativo

em ambas as Tabelas apenas para o conglomerado de todos os programas na relação entre a variação na etapa de Elaboração e variação na etapa de Execução.

Observa-se que quando se considera a variação dos valores alocados do PLOA de um ano para outro e a variação das despesas empenhadas de um ano para outro existiu uma correlação de 0,483 no orçamento de 2009 e uma correlação de 0,439 no orçamento de 2010. Dessa forma, observa-se que as variações no PLOA são refletivas nas variações da execução da LOA ainda que de forma fraca.

Este resultado reforça o disposto na Tabela 21, de que o orçamento não é uma ficção como Souza (2008), Aguiar (2008), Santos, Machado e Rocha (1997) afirmam, pois as variações ocorridas na etapa de elaboração se refletem com uma correlação superior a 0,40 para o conglomerado composto por todos os programas.

Quanto aos demais resultados que foram significativos, observa-se na Tabela 22 que quando se considera a variação do PLOA 2009-2008 e a variação das emendas 2009-2008 existe uma correlação de -0,181. Dessa forma, variações no PLOA são refletivas nas variações da discussão, votação e aprovação do PLOA. Observa-se na Tabela 23 que quando se considera a variação das emendas ao PLOA 2010-2009 e a variação das despesas empenhadas 2009-2008 existe uma correlação 0,202 para o conglomerado composto por todos os programas e uma correlação de -0,236 para o conglomerado apenas dos programas finalísticos. Este primeiro resultado já havia sido observado na Tabela 21.

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