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A Estratégia Nacional de Defesa apresentou ao EB novos cenários e

desafios, os quais orientaram Força Terrestre na busca por soluções inovadoras.

Neste sentido o EB iniciou em 2008, (Brasil, 2012, p.8), o denominado Processo

de Transformação do EB que objetivava levar o Exército da Era Industrial para a

Era do Conhecimento, de forma a alcançar e manter a capacidade operacional

exigida para o cumprimento de suas missões constitucionais. Conforme Brasil

(2012):

O Processo de Transformação do EB em execução, iniciado a partir da

percepção da necessidade de ampliação da capacidade Institucional

de proteção ao Estado brasileiro, preconizada na Estratégia Nacional

de Defesa, tem por finalidade adequá-lo à importância do Brasil, que

assume função de protagonista no cenário internacional. (BRASIL,2012,

p.3)

A analise da situação, realizada na época pelo Comando da Força,

mostrou que a forma adequada para alcançar a transformação institucional era

por meio de projetos, os quais teriam por finalidade comum trazer uma nova

condição ou situação às organizações demandantes, principalmente quando a

ação que originava o projeto era de cunho estratégico, pois levava a instituição

a um novo patamar. Este caso enquadra-se na situação dos objetivos almejados

com os projetos estratégicos do Exército ao impulsionarem mudanças na Força

Terrestre, conforme a figura 15 ilustrativa do PMBOK (2017), abaixo:

Figura 15: Transição organizacional por meio de projetos.

Desta forma, pode-se inferir que a evolução e até mesmo a sobrevivência

de uma organização está diretamente relacionada ao sucesso de seus projetos.

Com efeito, o êxito dos projetos está vinculado à capacidade de gestão eficiente

e eficaz dos processos inerentes ao gerenciamento de projetos.

Logo, a Força Terrestre focou seus esforços no sentido de melhor realizar

os projetos que conduziriam à condição futura almejada para o atendimento da

Estratégia Nacional de Defesa. A importância dada pelo EB à metodologia de

gerenciamento dos Projetos Estratégicos (PE) pode ser medida pelas palavras

do antigo Comandante do Exército, Gen Enzo Peri (2012), quando indagado

sobre a relação entre a metodologia de gestao de projetos e a transformação da

Força Terrestre:

Quando se busca implementar uma transformação por meio de um

projeto, há muito mais planejamento de detalhes, monitoramento e

controle dos resultados, permitindo empregar os recursos públicos com

a certeza de se obter o melhor resultado ao final. (BRASIL,2012, p.6)

A atenção dada pelo EB ao processo de transformação, tendo os projetos

como indutores, provocaram mudanças organizacionais progressivas. Uma

evidência disso foi a criação do Escritório de Projetos do Exército (EPEx) por

meio da Portaria nº 134, do Estado-Maior do Exército, de 10 de setembro de

2012, que implanta o Escritório de Projetos do Exército, por transformação da

Assessoria Especial de Gestão e Projetos (AEGP)

16

, que havia sido criada em

em 7 de abril de 2010.

Segundo Oliveira (2014), os projetos estruturantes são anteriores à

criação do Escritório de Projeto do Exército Brasileiro (EPEX) o que demonstra

a percepção da Força Terrestre sobre à relevância da gestão de projetos.

O esforço de desenvolvimento da Nova Família de Blindados do EB foi

iniciado no ano de 1998, entretanto, a Portaria de aprovação do Projeto

GUARANI, que regulamenta aquele esforço como um projeto estratégico da

Força, só foi publicada em 2013.

O Exército Brasileiro atualmente utiliza muitos fundamentos do PMI em

suas Normas para Elaboração, Gerenciamento e Acompanhamento de Projetos

no Exército Brasileiro (NEGAPEB) e nas Normas de Elaboração, Gerenciamento

16

Disponível em: Portal do EPEx, < http://www.epex.eb.mil.br/index.php/historico>,

acessado em 15 de agosto de 2018.

e Acompanhamento do Portfólio e dos Programas Estratégicos do Exército

(NEGAPORT – EB).

De acordo com Oliveira (2014), a NEGAPEB é significativamente

aderente às orientações colocadas no PMBOK. Desta forma, o EB busca fazer

uso das melhores práticas na gestão dos projetos estratégicos, gerando uma

maneira adequada de dar continuidade aos projetos e obtendo o produto final

almejado.

A execução simultânea de vários projetos é uma realidade nas empresas

e instituições. Os projetos podem ser executados de forma descentralizadas e

não padronizadas, mas, por vezes, as instituições empregam os chamados

Escritórios de Projetos (EP) que podem ter as funções de centralizar, padronizar,

conduzir ou/e coordenar os empreendimentos de interesse da organização.

As organizações buscam aprimorar a atividade de gerenciamento de

projeto por meio da especialização da gestão. A criação de Escritórios de

Projetos é uma ação comum a várias instituições que procuram padronizar e

implementar as boas práticas nessa área.

Segundo Kerzner (2010), o tipos de escritórios de projeto são os que

seguem abaixo:

Escritório de Projetos Funcional: Esse tipo de escritório de projetos

é utilizado em uma área ou divisão funcional de uma organização, tais

como sistemas de informação. A principal responsabilidade desse tipo

de escritório de projetos é gerenciar um conjunto crítico de recursos

(gerenciamento de recursos).

Escritório de Projetos de Grupo de clientes: Esse tipo de escritório

de projetos objetiva um melhor gerenciamento e comunicação com

clientes. Clientes ou projetos comuns são agrupados para possibilitar

um melhor relacionamento e melhores relações. Podem existir vários

escritórios de projetos de grupos de clientes ao mesmo tempo e eles

podem acabar funcionando como uma organização temporária. Na

prática, atua como uma empresa dentro de uma empresa.

Escritório de Projetos Corporativos: Esse tipo de escritório de

projetos atende toda a corporação e concentra-se em questões

estratégicas e corporativas, e não em assuntos funcionais. (KERZNER,

2010, P. 274)

Segundo a análise realizada por Oliveira, (2014), o Escritório de Projeto

do Exército Brasileiro (EPEX) enquadra-se na condição de Escritório de Projetos

Corporativos, conforme segue abaixo:

Dessa forma, pode-se inferir, dentro da classificação proposta por

KERZNER (2010) [...], que o EPEx se classifica como um Escritório de

Projetos Corporativo, voltado para o Exército Brasileiro, como um todo,

e concentrado em questões estratégicas e corporativas. (OLIVEIRA,

2014, p. 38).

Os Projetos Estratégicos do Exército (PjtEE) apresentaram características

peculiares para a condução exitosa dos mesmos. Os PjtEE caracterizaram-se

por pontos marcantes, em especial: o enorme volume de recursos, a

necessidade do emprego de alta tecnologia. São exemplos disso: O SISFRON,

que exige alto índice de integração e o desenvolvimento da família de blindados

Guarani, que tem o prazo de entrega das viaturas estipulado de 20 anos e

envolve fornecedores estrangeiros. Estas condições nortearam o EB na

aplicação de técnicas específicas da área de gerenciamento de projetos para

garantir a maior probabilidade possível de sucesso dos projetos.

Conforme BRASIL (2017), os PjtEE são os seguintes:

 ASTROS 2020.

 DEFESA ANTIAÉREA

 GUARANI.

 PROTEGER

 SISFRON.

 RECOP (atual OCOP – Obtenção da Capacidade

Operacional Plena).

 DEFESA CIBERNÉTICA.

A continuidade da execução dos PjtEE consolidou novos conhecimentos

para o EB na área de gestão de projetos. A absorção desta nova competência

apresentou a possibilidade de avaliação dos trabalhos em execução. Neste

sentido, percebeu-se que o “ Exército possui projetos, programas, subportfólios

e um portfólio. ” (BRASIL, 2017, p. 7).

Nesse sentido, o PMBOK (2017), apresenta a seguinte ideia quanto à

forma de execução de um projeto dentro da organização,

Um projeto pode ser gerenciado em três cenários distintos:

como projeto autônomo (fora de um portfólio ou programa), dentro de

um programa ou dentro de um portfólio. Os gerentes de projetos

interagem com os gerentes de portfólio e programa quando um projeto

pertence a um programa ou portfólio. Por exemplo, vários projetos

podem ser necessários para atingir um conjunto de metas e objetivos

de uma organização. Em situações assim, os projetos podem ser

agrupados em um único programa.(PMBOK, 2017, p. 11).

E este mesmo guia orienta da seguinte forma o entendimento da definição

de projeto: “Projeto é um esforço temporário e empreendido para criar um

produto, serviço ou resultado único. ” (PMBOK, 2017, p. 4).

E ainda apresenta a definição de programa,

Um programa é definido como um grupo de projetos,

programas subsidiários e atividades de programa relacionados,

gerenciados de modo coordenado visando a obtenção de benefícios

que não estariam disponíveis se eles fossem gerenciados

individualmente. Os programas são projetos de grande porte. (PMBOK,

2017, p. 11).

E por fim a definição de portfólio, “Um portfólio é definido como projetos,

programas, portfólios subsidiários e operações gerenciados em grupo para

alcançar objetivos estratégicos. ” (PMBOK, 2017, p. 11).

Assim conforme descrito no Portal do EPEx

17

, ocorreu o entendimento de

que os PjtEE do EB eram, na verdade, um portfólio integrado por subportfólios e

programas.

Desta maneira, o Exército realizou estudos para definir o seu Portfólio de

programas e projetos e os benefícios esperados para cada um deles. O resultado

desse estudo está resumido na figura abaixo e foi normatizado por meio da

Portaria Nº 054, de 30 de janeiro de 2017, do Gabinete do Comandante do

Exército.

Figura 16: Portfólio, os Subportfólios e os Programas.

Fonte: Portal do EPEx

18

17

Disponível em: http://www.epex.eb.mil.br/index.php/texto-explicativo>, acessado em

23 de agosto de 2018.

18

Disponível em: Portal do EPEx,

<http://www.epex.eb.mil.br/index.php/component/content/article?id=462>, acessado em 15 de

agosto de 2018.visitado em

Em síntese, o objetivo descrito na Estratégia Nacional de Defesa

determinou que o EB atingisse novas capacidades de forma a cumprir suas

missões frente aos desafios impostos pela era do conhecimento. Decorrente

dessa determinação surgiram os projetos estratégicos que alavancariam o

processo de transformação da Foça Terrestre da Era Industrial para a Era do

Conhecimento.

A percepção pelo Exército Brasileiro da dimensão dos projetos e da

obrigação de não errar levaram a instituição a investir nas técnicas de

gerenciamento de projetos a serem normatizadas e difundidas pelo Escritório de

Projetos do Exército, o EPEx, tendo também a relevante tarefa de coordenar

e/ou conduzir a execução do Portfólio de programas e projetos Estratégicos do

EB.

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