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Segundo Kernzer (2010), o CMMI foi criado pelo Instituto de Engenharia de

Software (SEI)

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no ano de 1990, tendo sido desenvolvido para oferecer às

empresas de desenvolvimento de sistemas de TI um “meio estruturado e objetivo

de avaliar processos de desenvolvimento de uma organização de software e de

comparar resultados com práticas tidas como ideais” (KERZNER, 2010, p. 202),

sendo que as empresas que utilizaram o CMMI tornaram-se mais competitivas.

Sobre o modelo em questão, Cleland e Ireland (2002) detalham que o SEI

criou o CMMI como modelo de maturidade que orientasse o aprimoramento das

empresas de desenvolvimento de software, para isto “O CMMI de SEI usa a

gerência de projetos dentro da sua estrutura para atingir um ‘processo repetível’ e

tentar obter resultados previsíveis a partir de esforços de trabalho. ” (CLELAND e

IRELAND, 2002, p. 293).

Para Nery Junior, De Moura e Teixeira Filho (2018) o CMMI foi criado com o

objetivo de integrar diversos sistemas em uso pela SEI. De forma semelhante, a

tese de doutorado de Teixeira Filho (2010), explica que

A missão da equipe de produto do CMMI (Capability Maturity Model

Integration) foi combinar todos os modelos CMM (SEI, 1993) em um único

framework e torná-lo um mecanismo de apoio à melhoria de processos, e

também um guia para garantir estabilidade, capacidade e maturidade

desses processos [...] (TEIXEIRA FILHO, 2010, p. 60).

O fato do CMMI ter sido criado a partir da integração de vários modelos de

maturidade trouxe o benefício do aproveitamento de várias boas práticas oriundas

dessa união de metodologias, pois “O CMMI possui um conjunto de modelos

integrados, um método de avaliação e produtos de apoio. ” (NERY JUNIOR; DE

MOURA; TEIXEIRA FILHO, 2018, p. 71).

O CMMI, segundo Nery Junior, De Moura e Teixeira Filho (2018), é um

modelo de maturidade que pode ser utilizado integrado a vários processos de

gerenciamento de projetos e com a possibilidade de ser empregado “[...]em muitos

setores, tais como, bancário, software, aeroespacial, indústria automobilística,

telecomunicações etc.” (NERY JUNIOR; DE MOURA; TEIXEIRA FILHO, 2018, p.

70).

Neste sentido, Kerzner (2010), informa que o CMMI recebeu instrumentos,

ferramentas e processos de guias como o PMBOK de forma a possibilitar a sua

utilização em setores diversos, não sendo resumido às empresas desenvolvedoras

de software.

Do apresentado até o momento sobre o CMMI, pode-se resumir que o

modelo surgiu da integração de diversos modelos de CMM, sendo a integração

conduzida pelo SEI. No início o CMMI atendia perfeitamente à empresa de

software, produzindo bons resultados para as organizações que a adotaram. Por

fim foram feitas modificações que transformaram o modelo de forma a atender

outros setores.

Para Nery Junior, De Moura e Teixeira Filho (2018), o CMMI propicia a

abordagem da maturidade por meio de duas representações diferentes: a primeira

é a contínua e a segunda é por estágios.

Para Teixeira Filho (2010), “A representação contínua permite selecionar a

sequência de melhorias que melhor atende aos objetivos de negócio e reduz as

áreas de risco da organização. ” (TEIXEIRA FILHO, 2010, p. 60). Assim, a forma

contínua pode ser entendida como personalizada, pois a organização pode

escolher que processos deseja aperfeiçoar. A evolução é marcada por meio de

níveis de capacidade. A figura 9 apresenta a esquematização gráfica da

representação contínua do CMMI.

Figura 9: Representação gráfica da abordagem contínua do CMMI.

Fonte: Adaptado de Quintella e Rocha, 2006.

A abordagem da representação por estágios do CMMI faz uso de conjuntos

pré-definidos de processos, assim está representação “[...] oferece uma sequência

comprovada de melhorias, começando com práticas básicas e progredindo por um

caminho pré-definido que serve de base para alcançar o próximo nível. ” (TEIXEIRA

FILHO, 2010, p. 60), este tipo de uso do CMMI acaba por representar um menor

risco para a organização em sua aplicação, pois emprega práticas testadas e

aprovadas. O quadro 5 apresenta uma comparação entre as representações

contínua e por estágios.

Quadro 5: Comparação entre as representações contínua e por estágios.

Representação Continua Representação por estágios

Permite livre escolha da sequência de

melhorias, de forma a melhor satisfazer

aos objetivos estratégicos e mitigar as

áreas de risco da organização.

Permite que as organizações tenham um

caminho de melhoria predefinido e

testado.

Permite visibilidade crescente de

capacidade alcançada em cada área de

processo.

Foca em um conjunto de processos que

fornece a organização uma capacidade

específica caracterizada por cada nível

de maturidade.

Permite que melhorias em diferentes

processos sejam realizadas em

diferentes níveis.

Resume o resultado de melhorias de

processos em uma forma simples: um

único número que representa o nível de

maturidade.

Reflete uma abordagem mais recente

que ainda não dispõe de dados para

demonstrar seu retorno.

Baseia-se em uma história de processo

relativamente longa de utilização, com

estudo de casos de dados que

demonstram o retorno do investimento.

Na metodologia CMMI com representação por estágios são previstos cinco

níveis de maturidade:

1. Inicial.

2. Repetido.

3. Definido.

4. Gerenciado.

5. Otimizado.

A figura abaixo apresenta a evolução dos níveis de maturidade no CMMI.

Figura 10: Representação dos níveis de maturidade no CMMI.

Fonte: Adaptado de Nery Junior, De Moura e Teixeira Filho, 2018.

O primeiro nível de maturidade no CMMI é o Inicial, neste estágio os

processos de gerenciamento de projetos são caóticos e a “organização não fornece

um ambiente estável para apoiar os processos. ” (NERY JUNIOR; DE MOURA;

TEIXEIRA FILHO, 2018, p. 73), também caracterizam este nível a competência

individual do gerente de projeto como forte fator de sucesso nos projetos.

Ainda no nível 1, a organização consegue de forma aleatória produzir bons

resultados ao entregar produtos e serviços planejados nos projetos, porém existe

uma boa frequência de ocorrências de prazos descumpridos e custos

ultrapassando os orçados inicialmente.

O nível 2 do CMMI é denominado Repetitivo. Para Claro (2012), “ A

organização está concentrada em incutir disciplina e implementar procedimentos

nas atividades do processo. ” (CLARO, 2012, p. 17).

Em linha similar Nery Junior, De Moura e Teixeira Filho (2018), caracterizam

nível 2 desta metodologia dizendo que “ [...]todos os projetos da organização

asseguram que, produtos e serviços são gerenciados e que os processos são

planejados, executados, medidos e controlados. ”, (NERY JUNIOR; DE MOURA;

TEIXEIRA FILHO, 2018, p. 73).

Neste estágio da maturidade é possível perceber alguns aspectos positivos

para a organização. Segundo, Nery Junior, De Moura e Teixeira Filho (2018), o

segundo nível apresenta características interessantes para a alta e média

administração organizacional, pois é possível acompanhar a situação real de cada

projeto, permitindo a ação de correção do projeto, caso seja necessário.

E ainda é possível identificar a disciplina implementada pelos procedimentos

padronizados produz uma maior estabilidade da forma de gerenciar os projetos,

aliada ao trabalho de identificação e partes interessadas, que, por fim, eleva a um

incremento dos indicadores de sucesso dos projetos.

O nível 3 de maturidade do CMMI é chamado de Definido. Neste nível, no

entendimento de Nery Junior, De Moura e Teixeira Filho (2018), a organização

alcança uma integração entre os processos técnico e de gestão, sendo utilizado um

software de gestão de projetos padronizados.

Em pensamento similar, Quintella e Rocha (2006) citam que “Os processos

padrão de desenvolvimento e manutenção em toda a organização são

documentados, incluindo padrões de gestão, sendo que esses processos são

integrados de forma coerente. ”, (QUINTELLA; ROCHA, 2006, p.301).

Logo, o terceiro nível de maturidade do CMMI é caracterizado não pela

padronização dos processos, mas principalmente pela integração racional dos

processos técnicos e de gestão, relacionados ao gerenciamento de projetos.

Porém, enfatiza-se que a utilização de um software de gestão é uma

consequência da integração dos processos de gerenciamento de projetos tanto

técnico, como de gestão, não sendo, portanto, indicador decisivo de que a

organização está no nível 3 do CMMI.

O quarto nível de maturidade em GP do CMMI é o Gerenciado. Neste estágio

de amadurecimento organizacional Teixeira Filho (2010), caracteriza por meio de

“[...] subprocessos fundamentais para o desempenho geral do processo são

selecionados. Esses subprocessos passam a ser controlados por meio de técnicas

estatísticas ou outras técnicas quantitativas. ” (TEIXEIRA FILHO, 2010, p. 62).

Neste raciocínio, Nery Junior, De Moura e Teixeira Filho (2018), detalham o

nível 4 com quatro características fundamentais, sendo que a primeira é a gestão

de projetos e faz uso de metas quantitativas de qualidade dos produtos e serviços.

Estas metas são definidas por meio da identificação das necessidades dos clientes,

usuários finais dos produtos dos projetos, executantes dos processos e da própria

organização.

A segunda característica do nível quatro é a medição da produtividade das

atividades importantes para o projeto, ou seja, os processos de gerenciamento de

projeto passam a constituir um programa organizacional de medidas, facilitando o

acompanhamento e controle do projeto.

A característica seguinte do nível 4 do CMMI é que a gestão de projetos na

organização alcança o controle de seus produtos e processos em todo o ciclo de

vida do projeto, trazendo como consequência a redução da variação no

desempenho dos processos por meio do uso de ferramentas estatísticas, o que,

por fim, coloca a variação dos resultados dentro de limites quantitativos aceitáveis

pela organização.

A quarta característica presente no nível quatro do CMMI é uma eficiente

gestão de riscos em projetos, isto é a organização faz uso da gestão de riscos para

o planejamento dos projetos de novos produtos, logo os riscos são reconhecidos e

tratados.

O quinto nível de maturidade em gerenciamento de projetos, segundo o

CMMI, é o Otimizado. Para Teixeira Filho (2010) no quinto nível “[...]os processos

são melhorados continuamente por meio de melhorias tecnológicas inovadoras e

incrementais. ” (TEIXEIRA FILHO, 2010, p. 62).

Neste mesmo sentido Nery Junior, De Moura e Teixeira Filho (2018),

entendem que o último nível do CMMI é conhecido por otimizado, pois faz uso de

meios tecnológicos inovadores e de aperfeiçoamentos constante em gestão de

processos que propiciam a organização estabelecer objetivos de crescimento no

gerenciamento de projetos estando, ainda, alinhados com a estratégia da

organização.

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