• Nenhum resultado encontrado

6. CONSTRUÇÃO DO MODELO DE ESTÍMULO À CRIAÇÃO DE EMPRESAS

6.8. Apresentação dos Resultados Modelo para o Estímulo à Criação de Spin-offs

6.8.1. Arranjos Institucionais

6.8.1.1. Escritório de Transferência de Tecnologia

Para este modelo, conforme discutido anteriormente o ETT ocupa uma posição central e outros atores do ecossistema o circundam e se conectam entre si e a ele. A justificativa para a posição central foi realizada anteriormente. É imprescindível para o bom desenvolvimento do ecossistema que todos eles possuam conexões entre si. O fato do ETT ocupar uma posição central, não representa que este seja o ator mais importante do ambiente. Para algumas realidades, este pode sim, ser o órgão mais desenvolvido em estímulo ao empreendedorismo nas ICTs brasileiras, mesmo que essa não seja uma regra.

Após a criação, a atuação desse órgão segue uma evolução das atividades, começando geralmente pela proteção da propriedade intelectual, passando para a transferência de tecnologia por meio de parcerias com organizações já estabelecidas e por último tem-se a promoção do empreendedorismo. Este é o caminho natural desses órgãos no Brasil, embora algumas estruturas como incubadoras de empresas ou empresas juniores já possam existir. Embora estes escritórios trabalhem com o estímulo ao empreendedorismo, também desenvolvem diversas outras funções entre as quais tem-se a proteção da propriedade intelectual, o licenciamento de inventos desenvolvidos pela universidade para empresas atuantes no mercado; parcerias para o desenvolvimento de projetos conjuntos, entre outras atividades.

Apesar da relevância das ações de proteção da propriedade e concretização de parcerias, é preciso que esses escritórios enfatizem ações de estímulo à criação de empresas para então conseguir promover o desenvolvimento da região em que estão alocados.

Outro ponto a se considerar é que mesmo que o empreendedorismo traga resultados para a região, as empresas nascentes enfrentam dificuldades tanto em seu processo de criação quanto de desenvolvimento. Ou seja, é um processo benéfico, mas não fácil. As principais barreiras

encontradas estão na falta de uma cultura empreendedora que impulsione os estudantes a empreender, no fraco conhecimento do mercado, na falta de recursos iniciais, tanto financeiros como de capital humano, na falta de experiência dos empreendedores, nas fragilidades de políticas de estímulo e apoio, entre outros.

Para os ETT recém criados o trabalho é ainda maior, pois é necessário que seja realizado um projeto de conscientização da comunidade acadêmica, já que os pesquisadores estão mais preocupados com seus resultados de publicações científicas e muitos ainda não conseguem enxergar o valor das patentes e outras modalidades de proteção. Ademais, nesses casos não há modelos definidos, ou seja, não há na comunidade um grupo de pesquisadores com patentes, ou outras modalidades de propriedade intelectual de destaque, que alcancem visibilidade entre os pares, resultando em uma tendência mais passiva nesse sentido, e a busca permanente por publicações acadêmicas.

Deste modo, esses escritórios seguem um processo natural de evolução, costumam iniciar com atividades apenas de proteção da propriedade intelectual. Em uma segunda etapa iniciam o processo de interação universidade-empresa, com a execução de projetos conjuntos e transferência de tecnologia para empresas já existentes. Após a consolidação dessas ações iniciais é que se parte para o estímulo à atividade empreendedora, como um fluxo natural dos escritórios do Brasil. E mesmo assim, a prática empreendedora estréia com a conscientização da comunidade acadêmica da importância do empreendedorismo para a região. O processo de conscientização se dá por meio da organização de eventos e palestras inicialmente. Em seguida algumas disciplinas na universidade começam a abordar o tema, para que os estudantes comecem a se familiarizar com o conteúdo e somente em momentos futuros parte-se para ações mais empreendedoras.

O ETT que deseja estimular a criação de spin-offs se estrutura para isso. No estágio inicial cria uma equipe interna dedicada ao trabalho com estímulo de novos empreendimentos. Esta equipe precisa estar capacitada para orientar questões principais sobre a concepção de um novo negócio, bem como possuir conhecimento de outras estruturas de estímulo ao empreendedorismo na instituição, para que possa indicar aos interessados quem e quais apoios se deve procurar na ICT. Caso um pesquisador se interesse pelo assunto e entre em contato com o escritório, ele também precisa ser capaz de fornecer as orientações iniciais. Outro aspecto é que essa equipe precisa ser capaz de identificar negócios potenciais em pesquisas desenvolvidas nas instituições, alertando pesquisadores sobre a possibilidade de experimentar a criação de um novo negócio e orientar quanto a outros apoios que a ICT poderia oferecer nos Centros de Empreendedorismo, nas Escolas de Negócio, nos Clubes de Empreendedorismo, entre outros.

Na ausência desses arranjos, o escritório mesmo pode atuar na capacitação desses estudantes ∕ pesquisadores na utilização de algumas ferramentas de modelagem de negócio, de gestão, apoio no planejamento financeiro, assessoria jurídica, orientações quanto ao processo formal de abertura de empresas, orientações quanto aos financiamentos à inovação tecnológica, busca por capital semente, entre outros. O importante é que o empreendedor saiba que ele não está sozinho diante desse desafio e que há uma equipe na instituição para ampará-lo. O´Gorman et al (2008) relatam o caso de um escritório na Irlanda que fornecia orientações iniciais antes do interessado partir para um processo de incubação, além de apoiar o contato direto com investidores interessados criando assim, as pontes para o processo de cooperação com as empresas emergentes – ou seja, esse ETT atuava com parceiros dos empreendedores acadêmicos. O ETT também teria por meta um trabalho de prospecção tecnológica, não apenas para identificar tecnologias que poderiam ser protegidas, como identificar novas propostas de negócios, provenientes de pesquisas acadêmicas.

O escritório de transferência de tecnologia da Universidade do Porto (UPIN) possui uma área específica responsável por ações de estímulo ao empreendedorismo, o UPIN Ventures, que realiza atividades de diagnóstico e avaliação da ideia; aconselhamento para a criação de spin- offs; preparação para apresentação dos projetos a entidades financiadoras; validação dos planos de negócios; apoio na busca por capital semente e apoio na negociação com entidades financiadoras, entre outras ações de apoio aos empreendedores iniciantes. Outras estruturas estão presentes na instituição, mas a UPIN não dissipa qualquer oportunidade por cativar um estudante a se tornar empreendedor.

No estágio intermediário espera-se que o escritório realize uma articulação dentro da ICT para a construção de outros arranjos institucionais – o centro de empreendedorismo, a escola de negócio, as incubadoras de empresas e parques tecnológicos, o clube de empreendedores, empresas juniores, entre outras estruturas, caso estas não existam.

Em um estágio mais maduro a equipe do ETT, juntamente com empresários locais, podem atuar como mentores. Isso porque para os iniciantes, tomar decisões iniciais, além de impactantes para o futuro do negócio, é um processo complicado para quem passou muito tempo distante das demandas do mercado. Um agente de transferência de tecnologia capacitado poderia auxiliar nesse processo, pois já estão inseridos no mercado, diferentemente dos pesquisadores.

Além disso, em etapas mais evoluídas o escritório pode trabalhar na busca por ações mais complexas como a criação de uma rede de empreendedores, no estabelecimento de um programa de prova de conceito e financiamento de projetos inovadores para spin-offs

utilizando-se de recursos provenientes dos royalties e de outros recursos da instituição, já que agora ele possui um papel mais atuante e fortalecido na ICT. O resumo das ações em cada estágio de desenvolvimento pode ser observado no Quadro 6.1:

Quadro 6.1: Evolução das ações empreendedoras dos Escritórios de Transferência de Tecnologia

Estágio de

desenvolvimento Açõe a serem desempenhadas pelo ETTs

Inicial - Conscientização da comunidade acadêmica pelo ETT visando estimular o empreendedorismo;

- Criação de uma área específica para trabalhar com novos empreendimentos; - Elaboração e apoio a eventos, palestras e oficinas sobre o tema;

- Identificação de potenciais empreendedores nos grupos de pesquisa ou entre os inventores que protegem a propriedade intelectual;

- Orientações iniciais quanto à modelagem de negócio; processo formal de abertura de empresa, questões jurídicas, financeiras e de gestão.

Intermediário - Articulação com outros órgãos da ICT para criação do Centro de Empreendedorismo para capacitação de novos empreendedores, da Incubadora de Empresas∕Parques Tecnológicos, Escola de Negócios e de Empresas Juniores firmando um ambiente de inovação.

Maduro - Criação de programas de mentorias para os empreendedores iniciantes; - Criação da rede de empreendedores;

- Estabelecimento de um Programa de Prova de Conceito;

- Criação de um fundo para o financiamento de projetos inovadores para spin- offs.

Documentos relacionados