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Espécies eficazes no âmbito da engenharia natural

2. CAPÍTULO II – A RESTAURAÇÃO ECOLÓGICA DE LINHAS DE ÁGUA

2.6. A restauração ecológica de linhas de água

2.6.4. Espécies eficazes no âmbito da engenharia natural

Os sistemas fluviais da região mediterrânica, com as suas dinâmicas específicas e condições ambientais, menos exigentes do que os sistemas envolventes, englobam um mosaico de habitats com um elevado grau de biodiversidade e servem como meio de migração para muitas espécies de fauna e flora. Também têm um papel importante na vida das comunidades humanas, que utilizam os seus recursos e beneficiam destes espaços como lazer (Prada e Arizpe, sem data). As espécies de vegetação ripícola que se encontram na região mediterrânica estão listadas na Tabela 2.10.

40 Tabela 2.10. Espécies de vegetação ripícola mediterrânicas (adaptado de Prada e Arizpe, sem data).

Espécie Nome comum Família

Alnus glutinosa (L.) Gaertn amieiro-comum* Betulaceae

Arbutus unedo L. medronheiro Ericaceaie

Celtis australis L. lódão-bastardo Ulmaceae

Cercis siliquastrum L. olaia, árvore de judas* Fabaceae

Clematis vitalba L. Clematis** Ranunculaceae

Clematis flammula L. Clematis** Ranunculaceae

Coriaria myrtifolia L. coriaria Cornaceae

Crataegus monogyna Jacq. pilriteiro, espinheiro-alvar* Rosaceae Dorycnium rectum (L.) Ser. erva-mata-pulgas** Leguminosae Flueggea tinctoria (L.) G.L. Webster tamuxo** Euphorbiaceae

Frangula alnus Mill. sanguinho-da-água** Rhamnaceae

Fraxinus angustifolia Vah l. freixo-de-folhas-estreitas* Oleaceae

Hedera helix L. hera* Araliaceae

Humulus lupulus L. engatadeira** Cannabaceae

Laurus nobilis L. loureiro* Lauraceae

Ligustrum vulgare L. alfenheiro Oleaceae

Liquidambar orientalis Mill. liquidâmbar-oriental Altiginaceae

Lonicera etrusca G. Santi Madressilva** Caprifoliaceae

Lonicera implexa Aiton madressilva** Caprifoliaceae

Myrtus communis L. murta** Myrtaceae

Nerium oleander L. loendro** Apocynaceae

Pistacia lentiscus L. aroeira Anacardiaceae

Platanus orientalis L. plâtano-oriental Plantanaceae

Populus alba L. álamo-branco, choupo-branco* Salicaceae

Populus nigra L. choupo-negro* Salicaceae

Populus tremula L. choupo-tremedor Salicaceae

Prinis mahaleb L. cerejeira-de-santa-lúcia Rosaceae

Prunus spinosa L. abrunheiro-bravo, ameixeira* Rosaceae

Rubus ulmifolius Schott silva* Rosaceae

Salix spp. salgueiro, borrazeira* Salicaeae

Sambucus nigra L. sabugueiro* Caprifoliaceae

Tamarix spp. tamargueira Tamaricaceae

Ulmus minor Mill. negrilho, ulmeiro* Ulmaceae

Viburnum tinus L. folhado** Caprifoliaceae

Vitex agnus-castus L. agnocasto, árvore-da-castidade Verbenaceae Vitis vinefera subsp. sylvestris (C.C.

Gmelin) Hegi

labrusca, videira-brava* Vitaceae

* Espécies existentes em Portugal.

** Espécies existentes em Portugal e na zona Centro.

A seguinte descrição das espécies vegetais ripícolas provem da classificação dos Habitats Naturais e Semi-naturais de Portugal Continental (Alves et al., 1995). Nesta classificação, apesar da divisão dos regimes hidrológicos dos cursos de água em cursos de débito permanente e temporário, tem-se em consideração a existência das flutuações climáticas anuais pelo que, determinados troços dos cursos, que em situação normal, manteriam o

41 caudal permanente, acabam por secar em anos de fraca pluviosidade. Pretende-se apenas uma abordagem geral do tipo de espécies encontradas nos habitats ripícolas (Tabela 2.11).

Tabela 2.11. Habitats e agrupamentos vegetais característicos dos ecossistemas ripícolas em Portugal (adaptado de Alves et al., 1995).

Habitat Regime

hidrológico

Tipo de comunidade Estrato Descrição e espécies

Habitats dulçaquícolas de águas correntes Débito permanente Comunidades dos leitos de cheia Juncos, tamargueiras, salgueiros, choupos e amieiros Comunidades ripícolas Arbóreo Salgueiros, amieiros,

choupos, freixos, ulmeiros, lodão-bastardo, sanguinhos, tramazeiras Arbustivo Loendros, tamargueiras, tamujos, sabugueiros, silvas, caniços, canas e

adelfeiras Herbáceo Bunhos e tabúas Comunidades submersas enraizadas na vaza Comunidades flutuantes Débito temporário Azevém-baboso, rabaça, loendro, silva, tamujo

Bosques e florestas naturais

Com espécies de folha caduca e marcescente

- ripícola

Bétula, sanguinho-de- água, sabugueiro, tramazeira, negrilho As comunidades vegetais próprias dos leitos de cheia, os quais podem ficar cobertos por água durante um certo período do ano e que, em regra, mantêm uma humidade edáfica elevada mais ou menos constante, dependem precisamente destes altos teores de água no solo e suportam a cobertura total ou parcial temporária pelas águas das cheias (Alves et al., 1995). No nosso país, as comunidades dos leitos de cheia mais características são os juncais, os tamujais, alguns salgueirais, choupais e amieirais, podendo ocorrer também casos de formações turfosas, depressões húmidas, lagoas e lagoachos de planície e charcos temporários, em situação marginal a cursos de água, que são periodicamente inundados em épocas de cheia (Alves et al., 1995).

As comunidades ripícolas ou de margem possuem algumas semelhanças com as acima mencionadas, desempenhando uma importante função ecológica de fixação e manutenção das margens, bem como de regularização e retenção de águas em picos de cheia, para além de constituírem habitats próprios para muitas espécies animais. As formações vegetais de margem podem apresentar porte arbóreo, arbustivo ou herbáceo, consoante a idade e a situação geográfica e topográfica (Alves et al., 1995).

42 A ocorrência das espécies características das formações arbóreas ripícolas, segundo Alves et al. (1995) depende das características edáficas e microclimáticas, do regime hídrico do curso de água, e é fortemente condicionada pelo grau de intervenção humana que se faz sentir num dado local. O mesmo se passa com as formações arbustivas ripícolas. A vegetação herbácea ripícola é mais típica de situações de águas paradas embora também possa ocorrer em margens espraiadas ou em meandros e braços mortos de cursos de água corrente.

Por bosques e florestas naturais entende-se, segundo Alves et al. (1995) pequenos bosques ou bosquetes, frequentemente situados em encostas declivosas de zonas montanhosas, ou encaixados em vales fluviais apertados, em terrenos com acessibilidade problemática, rochosos ou pedregosos, de fraca ou nula aptidão agrícola e silvícola, o que representa o principal factor responsável pela sua não destruição.

Os bosques e florestas naturais com espécies de folha caduca e marcescente podem constituir- se ao longo das margens dos cursos de água, de lagos ou outros locais húmidos, formando as conhecidas “floresta-galeria”. Para Alves et al. (1995) a composição específica destas é muito idêntica dos bosques e florestas naturais com espécies de folha caduca e marcescentes aluvionares:

(i) Bosques ripícolas mistos, carpetano-ibérico-leoneses, com Quercus pyrenaica (carvalho- negral) e Fraxinus angustifolia (freixo);

(ii) Galerias ripícolas termo-mesomediterrânicas, em solos siliciosos, com Fraxinus angustifolia (freixo), Ranunculus ficaria (ficária) e, por vezes, Tamarix africana (tamargueira);

(iii) Bosques em galeria, termo-mesomediterrânicos, nas margens de rios de caudal irregular, em solos siliciosos, de aluviões limosos, a sul do Tejo, com Salix atrocenerea (borrazeira-preta) e Salix salvifolia spp. australis (borrazeira-branca);

(iv) Salgueirais meso-supramediterrânicos, em solos siliciosos, com Salix lambertiana (salgueiro-de-casca-roxa) e Salix salvifolia (borrazeira-branca);

(v) Salgueirais de rios tipicamente mediterrânicos, de águas eutrofizadas, com Salix neotricha;

(vi) Salgueirais, em solos arenosos, com Salix atrocinerea (borrazeira-preta) e Vitis vinifera spp. sylvestris.

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