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4 PERCEPÇÕES SOBRE A GESTÃO E O CONTROLE SOCIAL DO

4.3 PROCESSOS DE DISCUSSÃO

4.3.3 Espaços de Transversalidade

Este critério pretende analisar se há espaços que atravessam setores para integrar diferentes pontos de vista.

Para responder esse critério, questionamos se os temas relevantes para discussão tinham ligação com as demandas da população ou vinham das instituições representadas. Quatro conselheiros (C08, C02, C11 e C18) expressam que as demandas vinham da população, outros trezes conselheiros (C01, C03, C05, C06, C09, C10, C12, C13, C14, C15, C19, C20, C21, C22) se posicionaram de maneira adversa, cabendo destacar os seguintes relatos:

Eu acho que em geral era das instituições ligadas, mais eu acho que algumas se preocupavam com a comunidade [...] (C01).

Vinham das instituições pelo que eu observei assim não era algo muito para a população, eram alguns projetos específicos pra planejamento (C03). Na verdade era mais de demandas das instituições que se faziam presentes, não era tanto consultado a população, era levada as instituições (C12).

Eu vejo que provém mais dos pleitos apresentados, tanto pelos prefeitos, pelos representantes do legislativo, enfim, são mais pleitos pontuais (C21).

Ainda de maneira diferente, três conselheiros (C04, C07, C16) se posicionaram da seguinte forma:

Tinha um pouco dos dois (C04).

Não, sempre com a ligação, a população sempre em primeiro lugar, principalmente nas minhas ideias, no que eu fosse colocar sempre defendi o que não atendesse a uma única região ou uma única cidade e sim nós trabalhamos com um plano de desenvolvimento regional, porque as vezes o que é melhor naquele momento, a princípio, parece que é melhor pra Rio Rufino, mais não pode só parecer, tem que ser bom pra toda região, aí se tomava sempre esse cuidado, pra tentar não ser bom só pra um, mais sim pra região (C07).

Aí dependia né, dependia o que que era o assunto, se era assunto de governo, se era assunto da população, se ia discutir lá, isso era viável (C16).

Para C17 “na verdade a instituição ela representa a população né e

diretamente ela reflete na população”. Entendemos que o processo de planejamento

deve envolver o maior número de atores possíveis, sendo de vital importância a participação dos membros da sociedade civil não organizada, pois são eles que sabem a exata realidade cotidiana e os seus problemas e, inclusive, são eles os maiores prejudicados e/ou beneficiados por questões que permeiam o espaço do Conselho de Desenvolvimento Regional, por isso, a participação popular no CDR deveria não apenas acontecer, como ser estimulada e apoiada para que as indicações tenham credibilidade perante toda sociedade.

Perguntamos aos conselheiros se existe um meio de divulgação das atas e ações do CDR e seis conselheiros (C05, C12, C18, C19, C20, C22) afirmaram que não existe nenhum meio de divulgação das atas e ações do Conselho de Desenvolvimento Regional. Treze entrevistados (C01, C02, C03, C04, C06, C07, C08, C10, C14, C15, C16, C17, C21) relataram que não sabiam responder se existe ou não um meio de divulgação das atas e ações. Apenas quatro entrevistados (C09, C11, C13, C23) responderam corretamente informando que existem canais de divulgação das atas e ações do CDR, sendo que, metade, ou seja, dois entrevistados trabalham no Governo do Estado.

De acordo com o artigo 22, parágrafo 2º do Decreto nº 856 de 2016 que estabelece o Regimento Interno, “o Secretário do CDR deverá disponibilizar a ata, no site da ADR, no prazo máximo de 3 (três) dias úteis após sua aprovação” (SANTA CATARINA, 2016b), desta forma, dos 23 (vinte e três) entrevistados, os 19 (dezenove) que responderam que não existia ou que não sabia da existência de um canal de divulgação, correspondem a um total de 82,6% que demonstrou não possuir conhecimento do Regimento Interno do Conselho.

Também questionamos se os entrevistados conheciam alguma instituição, além do Conselho de Desenvolvimento Regional, que atuasse de forma semelhante e nove entrevistados responderam que conheciam, sendo que, três entrevistados (C01, C10, C19) referenciaram a própria instituição que eles representam dentro do conselho como uma instituição que atua de forma semelhante. Ainda desses nove entrevistados, três (C03, C16, C20) citaram a Associação dos Municípios da Região Serrana (AMURES), um entrevistado (C17) indicou uma instituição que faz parte da iniciativa privada (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina – FACISC), e outros dois entrevistados (C15 e C16) citaram o Conselho de Turismo

Serra Catarinense (CONSERRA) e o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural (CMDR), respectivamente.

Os entrevistados C02, C04, C05, C07, C08, C09, C11, C12, C13, C14, C18, C21, C22, C23 afirmaram não conhecer nenhuma outra instituição que atue de forma semelhante. O fato de não haver ou de não ser conhecida nenhuma outra instituição que mobilize os atores sociais das regiões em um espaço conjunto para discutir questões relativas ao desenvolvimento regional ressalta ainda mais a importância do trabalho e da existência de um Conselho de Desenvolvimento Regional. De outro ângulo, o desconhecimento de outras instituições de âmbito regional demonstra também a desarticulação existente entre os diversos atores sociais que visam o desenvolvimento regional.

Por fim, para analisar se ocorrem espaços de transversalidade com o intuito de integrar diferentes pontos de vista, questionamos se os temas passam por discussão além do espaço do conselho e C02 informou que os temas passam por discussão em outros espaços, porém não aprofundou, diferente de C05, C19 e C23 que responderam que:

Não, alguma coisa era levado pelos municípios, discutia no município e levava lá pro conselho pra daí entrar em discussão (C05).

Alguns sim, o que eu falei, as vezes quando fica alguma coisa que a gente ficou meio, eu converso com o prefeito, eu converso com o da câmara de vereadores, a gente tem uma conversadinha sobre o assunto, a gente tem facilidade de se encontrar aqui, é tudo pertinho, então a gente tem um pouquinho de discussão (C19).

Alguns temas sim outros, não. Os temas de abrangência governamental eram previamente discutidos nas reuniões de Colegiado de Governo, composto pelos gerentes da ADR e gestores dos órgãos governamentais da região: CELESC, CASAN, EPAGRI, CIDASC, FATMA, Polícia militar, Polícia Civil, Corpo e Bombeiros, Defesa Civil, Fazenda Estadual (C23).

Os outros dezenove entrevistados (C01, C03, C04, C06, C07, C08, C09, C10, C11, C12, C13, C14, C15, C16, C17, C18, C20, C21, C22) informaram que os temas eram discutidos apenas no âmbito do conselho, não havendo outro espaço de discussão além do CDR.