3.2 Observac~oes experimentais
3.2.1 Espalhamento de neutrons
Apesar dos neutrons n~ao apresentarem o termo de monopolo eletrico, possuem outros termos de multipolo [2] que conferem a eles um raio giromagnetico e, por- tanto, um spin. A sec~ao de choque dos neutrons e formada pela contribuic~ao de espalhamento nuclear, onde os neutrons interagem com um potencial local do tipo
VN(
R
) =b(r
n;R
) (3.2)e por uma parte de espalhamento magnetico causada pela interac~ao do neutron com o momento angular orbital e com o spin dos eletrons desemparelhados. O potencial espalhador dessa interac~ao pode ser escrito como [15]:
b Vm(
r
) = X l 1 c bA
n(r
l);bj
(r
l) (3.3) onde bA
n(r
l) = 2un bS
n;r
n;r
l jr
n;r
lj 3 ;e o potencial vetor do n-esimo neutron calculado em relac~ao a posic~ao do l-esimo eletron eb
j
(r
) o operador de corrente dos eletrons desemparelhados escrito na re-presentac~ao de posic~ao. O elemento de matriz deb
j
na base de auto-estados hr
jai do centro espalhador e 1 c abj
a =io( arl a; arl a) + 2orl aS
b l a . (3.4) O primeiro termo corresponde a contruibuic~ao orbital e a segunda ao termo de spin.A sec~ao de choque diferencial em teoria de espalhamento e derivada diretamente a partir da regra de ouro de Fermi, como uma contribuic~ao do modulo quadrado dos elementos de matriz do potencial espalhador, que no caso e dado pela soma
b
V
N +V
bm. O calculo e feito numa base de estados do sistema que inclui os auto-
estados da Hamiltoniana do centro espalhadorjai. Alem deles, ela deve incluir uma
base de ondas planas de momento
k
e uma base completa de spin ji associadasdiretamente a func~ao de onda do neutron espalhado. A sec~ao de choque diferencial e d2 d!dE = 2~ k0 k haj b
V
N kk0 + bV
mkk0 bV
N kk0+ bV
mkk0 jai (3.5)O traco sobre a express~ao indica media de ensemble sobre os estados jai.
Admitindo que os neutrons n~ao s~ao polarizados, os termos de interfer^encia da parte nuclear e magnetica se anulam. Como consequ^encia, a sec~ao de choque diferencial da amostra sujeita ao bombardeio de um feixe de neutrons com spins orientados ao acaso e simplesmente a soma dos termos de espalhamento nuclear e magnetico:
d2 d!dE = d 2 N d!dE + d 2 m d!dE (3.6)
Este resultado e particularmente importante, uma vez que ele permite distinguir as duas contribuic~oes. Alguns termos adicionais devidos ao espalhamento incoeren- te provocado pela presenca de isotopos no cristal, ou causados pelo espalhamento magnetico do spin do nucleo ser~ao ignorados.
A menos de alguns fatores de extinc~ao, o tipo do padr~ao de difrac~ao produzido por espalhamento magnetico e bastante semelhante ao do espalhamento nuclear, que pode ser entendido atraves dos planos de Bragg. Os picos de difrac~ao de neutrons s~ao construdos no espaco recproco a rede, gerado por vetores normais aos planos de Bragg e que s~ao denidos pela variac~ao do momento do neutron antes e depois de ser espalhado,
Q
=k
0;
k
. Na fase magnetica plenamente ordenada,o padr~ao de difrac~ao e coerente. Efeitos de utuac~ao termica sobre a orientac~ao relativa entre os spins, no entanto, provocam um espalhamento de fundo altamente incoerente, cuja distribuic~ao de intensidade espalhada com o ^angulo de sada da amostra e um patamar homog^eneo que atenua a amplitude dos picos da parte coerente. Este efeito indesejavel pode ser facilmente eliminado, bastando para isso medir o espalhamento de fundo na fase desordenada e subtrair do padr~ao obtido
na fase ordenada.
Observando os picos de espalhamento nuclear da amostra no espaco
Q
= (h;k;l) em unidades de ; 2 a;2 b ;2 c, vamos xar uma base de modo que (0;0;0), (1;0;0) e (0;1;0) correspondam a pontos da rede recproca coma,becos par^ametros de rede do cristal nas direc~oes x, y e z respectivamente. A presenca de anti-ferromagnetismo em uma direc~ao tem como efeito duplicar o volume da celula unitaria no espaco real, o que consequentemente dobra a periodicidade dos picos de espalhamento magnetico na mesma direc~ao, no espaco recproco. Assim, supondo que os spins quem alinhados anti-paralelamente nas direc~oes x e y de um plano, deve-se es- perar o surgimento de picos de difrac~ao magneticos nas posic~oes (1
2; 1 2;0), ( 1 2;0;0), (0;1
2;0) e simetricas na zona de Brillouin. Na verdade, n~ao e necessario que todos
eles aparecam no diagrama de espalhamento. No caso em que as duas subredes magneticas apresentam fatores de forma iguais e spins de mesma magnitude, porem alinhados em sentidos opostos, o fator de estrutura e maximo na posic~ao central (1
2; 1
2;0) e zero nas demais. Isto signica que a ordem magnetica e detectada no
diagrama de espalhamento atraves do pico
Q
m = (1 2;1 2;0)
No caso do aparecimento de estruturas na rede que multipliquem n vezes o comprimento da celula unitaria original, o padr~ao de difrac~ao deve registrar novos picos com esparcamento de 2
nd, ondede a dist^ancia de separac~ao entre os planos de
Bragg, naquela direc~ao. A presenca de domnios na ordem antiferromagnetica de um cristal, por exemplo, constitui uma reduc~ao da simetria translacional magnetica na direc~ao
t
transversa a interface entre os domnios. O volume da celula unitaria agora tem o volume n2 vezes maior que o da congurac~ao magnetica original, com os
spins alinhados antiferromagneticamente. Admitindo por hipotese que
t
= (1;0;0) e que o antiferromagnetismo se d^e no plano XY, e de se esperar que aparecam picos nas posic~oesQ
m(p
n;0;0), com pnatural < n=2.
O calculo dos fatores de estrutura, no entanto, imp~oe algumas restric~oes sobre a exist^encia e detectabilidade desses picos. As \leis de extinc~ao " decorrentes desses fatores proibem a exist^encia de picos de ordem p par. Alem disso, a intensidade dos fatores decai muito rapidamente com a ordem dos picos [15]. Na pratica, os experimentos geralmente detectam apenas os picos \satelite", que correspondem aos de primeira ordem. Desse modo, o efeito de uma superestrutura cristalina de periodicidade n ao longo de uma direc~ao
t
no diagrama de espalhamento consiste no aparecimento de um par de picos simetricos em relac~ao aos pontos da rederecproca, situados nos pontos
Q
c 1n
t
da zona de Brillouin, conquanto que existao pico de Bragg na posic~ao
Q
c correspondente. No caso de uma superestruturamagnetica, o que ocorre e o esplitamento do pico
Q
m nos picosQ
m 1n