E STUDO E MPÍRICO
VARIÁVEL PSICOLOGICA A UTO ESTIMA
5. Está satisfeita com o tempo que passa com a sua
Concluimos portanto que o estudo da consistência interna do instrumento, para o nosso estudo, aproxima-se dos resultados de Duarte (2001), cit. in Gonçalves (2010) através da aplicação do alfa de Cronbach, se os comparamos com a original, o que nos in- dica uma boa consistência interna de acordo com a classificação apresentada por Pestana & Gageiro (2008).
5.3.2 - Escala de Autoestima (Self Esteem Scale) de Rosenberg (1965), versão portu-
guesa de Santos e Maia (2003).
A autoestima relaciona-se a construtos psicológicos como bem-estar e autoconceito, sendo amplamente investigada no campo da psicologia da personalidade. É considerada um dos principais preditores de resultados favoráveis na adolescência e na vida adulta, tendo implicações em áreas como sucesso ocupacional, relacionamentos interpessoais e desem- penho académico (Sánchez & Barrón, 2003; Martín-Albo, Núñez, Navarro & Grijalvo, 2007; Schmitt & Allik, 2005, Trzesniewski, Donnellan & Robins, 2003; cit. in Sbicigo; et. al, 2010).
A Rosenberg Self-Esteem Scale (RSES) foi desenvolvida por Morris Rosenberg em 1965 para avaliar a autoestima global (Santos P., 2008). Trata-se de uma medida unidimen- sional, que avalia explicitamente a autoestima global, medindo o valor que o individuo atribui a si mesmo como pessoa, e é baseado no modelo de Guttman, ou seja, baseia-se na ideia que os itens pertencem ao mesmo universo de conteúdo e vão representando progressivos graus de força relativamente ao conflito (Romano; et. al, 2007).
Santos e Maia (1999, 2003), traduziram e adaptaram a RSES para português, con- cluindo que a RSES avalia um constructo unidimensional, como sugerido originalmente por Rosenberg (Valente, 2012).
Do ponto de vista teórico, a dimensionalidade da autoestima também vem sendo questionada. Ainda que existam controvérsias sobre o conceito de autoestima e sua estrutu- ra fatorial, a EAR tem apresentado bons índices de consistência interna em pesquisas inter- nacionais, que foram realizadas com amostras de adolescentes e adultos (Aluja e cols., 2007; Donnellan e Cols. 2005, cit. in Sbicigo; et. al, 2010).
A RSES encontra-se disposta em dez declarações no formato Likert de quatro pon- tos, em que cinco itens são de orientação positiva e cinco de orientação negativa. Para cada afirmação existem quatro opções de resposta, correspondendo uma pontuação mínima de 1 e máxima de 4 (concordo plenamente = 4, concordo = 3, discordo = 2 e discordo plenamen- te = 1), sendo exceção os itens invertidos: 2, 5, 6, 8 e 9 (concordo plenamente = 1, concordo = 2, discordo = 3 e discordo plenamente = 4). Após as devidas inversões, a média dos 10
itens dá-nos a cotação da escala cujos scores totais podem variar entre 10 e 40 (Romano; et. al., 2007).
Os valores mais altos refletem uma autoestima elevada, deste modo, as pessoas consideram-se pessoas de valor, orgulham-se do que são, sem se sentir, necessariamente, superiores aos outros. Em contrapartida, os valores mais baixos refletem uma baixa autoes- tima, onde as pessoas sentem-se desvalorizadas, insatisfeitas e sentem falta de respeito dos outros (Santos & Maia,2003; cit. in Rodrigues M. I., 2011). Considerando Rosenberg (1979), cit. in Maçola; et. al (2010), da cotação total resultam pontos de corte que permitem classificar os inquiridos em:
A EAR apresentou boa consistência interna no estudo de validação original, realiza- do com 5.024 jovens de Nova Iorque (α=0,92), e em pesquisas brasileiras, nas quais o coe- ficiente alfa de Cronbach variou entre 0,68 (Avanci & Cols., 2007) e α=0,86 (Hutz, 2000; Santos & Maia, 2003); cit. in (Sbicigo; et. al, 2010).
Romano et al. (2007, p. 107), cit. in Valente (2012), procederam à validação da esca- la numa amostra de adolescentes da região interior norte de Portugal, tendo aplicado o ins- trumento a uma amostra de 501 adolescentes, com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos, que frequentavam o ensino básico e secundário na região anteriormente mencio- nada. Após o estudo das características psicométricas, a escala apresentou uma consistên- cia interna considerada satisfatória, com um alfa de Cronbach de 0,63 para o fator 1 (auto- estima negativa) e de α=0,74 para o fator 2 (autoestima positiva). A sua estrutura fatorial é bidimensional (contrariando a versão original do constructo a qual é unidimensional), expli- cando 46, 03% da variância total. A análise fatorial confirmatória corroborou o modelo de dois fatores. O fator 1 agrupa os itens de orientação negativa (itens 2, 5, 6, 8 e 9), que expli- cam 33,43% da variância. O fator 2 composto pelos itens de orientação positiva (itens 1, 3, 4, 7 e 10) explica 12,68% da variância total (Romano et al., 2007, p. 109 e 110; cit. in Valente, 2012).
Estudo psicométrico
De forma a estudar a consistência interna da escala, analisando a homogeneidade dos itens para o nosso estudo, procedeu-se a determinação do coeficiente de correlação de
Auto-estima
Satisfatória: >= 30 pontos
Pearson das diversas questões com a nota global e á determinação do coeficiente alfa de Cronbach.
Assim, expomos no quadro 2 as estatísticas e as correlações obtidas entre cada item e o valor global. Verificamos que os valores médios oscilam entre 1.71, item 9 “Em termos gerais, estou inclinada a achar que eu sou um fracasso”, e 2,92, item 2 “Por vezes, eu acho que não sou boa em tudo”; sendo que o que apresenta maior variabilidade é o item 5 “Sinto que não tenho muito do que me orgulhar”, com um desvio padrão de 0,898.
Quanto aos resultados da correlação de cada item com a nota global, ressalta que todos os indicados apresentam um valor positivo, sendo igual ou superior a 0,2, razão pela qual não foi eliminado qualquer dos itens. O valor mínimo obtido foi de (r= 0,200) no item 2 “Por vezes, eu acho que não sou boa em tudo” que explica 17.9% da sua variabilidade com a pontuação global, e o máximo é de (r=0,759) no item 9 “Em termos gerais, estou inclinada a achar que eu sou um fracasso” que explica 62.9% de variabilidade.
Os valores de alfa de Cronbach são classificados de bons, pois variam entre α=0,830 e α=0,873, constatando-se um valor de consistência interna global igualmente bom (α=0.861). Os índices de consistência interna obtidos pelo método das metades “split-half” revelaram-se fracos para a primeira metade (α=0,682), e bons para a segunda metade (α=0,806) (cf. Quadro 2).
Quadro 2 - Consistência interna da escala de avaliação da autoestima Nº
Itens Itens Média
Desvio Padrão R/item Total R 2 Alpha s/item 1. No geral, estou satisfeita comigo mesmo. 2,02 0,707 0,524 0,327 0,851 2. Por vezes, eu acho que não sou boa em
tudo.
2,92 0,643 0,200 0,179 0,873
3. Eu sinto que tenho uma série de boas