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A investigação, de natureza qualitativa, foi desenvolvida a partir de 2009 e estruturou-se sobre os resultados de um trabalho empírico que foi desenvolvido em duas etapas:

a) Primeira etapa: desenvolvida em 2009 junto ao Núcleo de Pesquisas em Publicações Didáticas (NPPD/ UFPR), e que consistiu em um estudo que objetivou investigar o que os alunos do Ensino Médio pensavam sobre os livros didáticos que receberam pelo Programa Nacional do Livro Didático do Ensino Médio (PNLEM).

b) Segunda etapa: desenvolvida em 2010/2011, e realizada com alunos da graduação em Física. Retomando os resultados do primeiro estudo, definiu-se que nesta etapa os alunos seriam ouvidos a partir das suas recordações das experiências escolares. Buscou-se compreender o seu ponto de vista enquanto

ex-alunos do Ensino Médio, no qual cursaram a disciplina de Física, tentando captar elementos de suas relações com o livro e os significados a ele atribuídos.

Na primeira etapa da pesquisa, o os dados foram obtidos a partir de respostas a um questionário aplicado aos alunos da 3ª. série do Ensino Médio, em duas escolas da rede pública da Região Metropolitana de Curitiba. Por meio desse instrumento de pesquisa, buscou-se compreender parte da situação da experiência escolar, do ensino e do aprendizado em Física com a presença dos livros didáticos desta disciplina escolar.

Dentre os resultados dessa primeira etapa, pode-se constatar que a maioria dos alunos tinha expectativa de aprender os conteúdos da Física de forma diferente, ao início do ano letivo de 2009, com a presença do livro de Física, especialmente porque o livro permitiria compreender e aprofundar melhor os conteúdos. Tal expectativa pode ser justificada tendo em vista que nos anos anteriores, sem a universalização da distribuição dos livros didáticos pelo Governo Federal, grande parte dos alunos da 3ª. série do Ensino Médio das escolas públicas estudava Física a partir das anotações dos professores no quadro de giz.

Os resultados obtidos ao final do ano letivo de 2009, na situação examinada empiricamente, mostraram que cerca de 85% (65 alunos de um total de 77 participantes desta fase) indicou que o livro didático de Física foi utilizado em poucas situações nas aulas, e, cerca de 80% dos alunos, em todas as séries, indicou ter “raramente ou nunca” utilizado o livro em casa. Apenas cerca de 12% dos alunos, a maior parte das 1ªs. séries, indicou ter utilizado “muito”.

Dessa forma, os dados indicaram que a presença dos livros de Física na escola investigada não significou a incorporação deste artefato nas atividades de sala de aula seja como guia, recurso ou como apoio para a realização de atividades dos alunos. Um dos fatores que pode contribuir para explicar a baixa frequência de uso dos livros didáticos de Física nas aulas e em casa relaciona-se à ideia de que este artefato não está ainda incorporado às dinâmicas das aulas no Ensino Médio, uma vez que apenas em 2009 as escolas passaram a receber livros de Física do PNLD-EM.

Esses resultados também mostraram que é complexa a relação que os alunos estabelecem com o livro didático, pois não basta somente olhar que tipo de

trabalho é realizado com o livro de Física, mas há uma necessidade de buscar compreender o conjunto diverso de elementos que compõem a dinâmica das salas de aula.

Evidenciaram, por outro lado, contribuições para o prosseguimento da pesquisa, conforme argumentam Garcia, Garcia e Pivovar (2007), quando ponderam que

(...) os estudos sobre as relações entre os sujeitos e os diferentes elementos que compõem o contexto em que se dá a experiência de escolarização tem sido um desafio aos pesquisadores no campo do ensino e, nesse sentido, os estudos exploratórios trazem grande contribuição não apenas para a revisão da estrutura das questões, mas também para a produção de outras, derivadas das experiências registradas nas questões abertas pelos participantes. (p.8).

Dessa forma, finalizada essa etapa, passou-se a buscar compreender alguns elementos das dinâmicas nas aulas de Física, visando, sobretudo, estabelecer que papéis os livros didáticos de Física do Ensino Médio têm desempenhado na experiência escolar e que usos têm sido feitos no ensino de Física, segundo o ponto de vista dos alunos, respondendo assim ao problema da investigação.

Considerando-se a importância que os sujeitos escolares assumem na produção das aulas e os conhecimentos em pauta no contexto de sua escolarização, foram também levantadas algumas questões: qual o papel didático-pedagógico atribuído aos livros didáticos no contexto escolar? O que os alunos pensam a respeito dos livros didáticos? Como o livro de Física está afetando o ensino?

A realização de trabalho de campo que estabelecesse uma aproximação com o espaço de produção do conhecimento escolar na aula, em algumas escolas públicas e com professores da disciplina curricular de Física do Ensino Médio exigiria uma estratégia para identificar escolas e professores que estivessem utilizando livros didáticos de Física em suas aulas. Premido pelo tempo, concluiu-se, entretanto, sobre a inviabilidade de uma consulta extensiva na Região Metropolitana de Curitiba, espaço em que se desejava realizar o estudo empírico.

Por outro lado, a partir de observações durante as aulas da disciplina de Metodologia de Ensino de Física na qual eu estava realizando o estágio de

docência9 evidenciou-se que os alunos recém-ingressados na graduação poderiam

ser colaboradores da pesquisa sobre a presença dos livros nas práticas de Física no Ensino Médio, nível de ensino que a maior parte deles acabara de concluir. Em uma atividade realizada pelo professor regente com os alunos, ao serem perguntados a respeito dos recursos que seus professores do Ensino Médio utilizavam em sala de aula, foi possível registrar que o quadro de giz, os livros didáticos e as apostilas, respectivamente, foram os primeiros e principais recursos utilizados em seus estudos.

Nesse sentido, foi organizado um instrumento de pesquisa na forma de um questionário para ser aplicado aos alunos recém-ingressos na graduação em Física na universidade e, portanto, ex-alunos do Ensino Médio. Por um lado, o objetivo principal do instrumento consistiu em buscar informações a respeito do Ensino Médio destes alunos, a localização das escolas em que estudaram e se, nas atividades de ensino, o livro didático de Física esteve presente em sua escolarização. Por outro, visando caracterizar os participantes da investigação, também foram incluídas questões que privilegiaram informações sobre os alunos, para conhecer alguns elementos da cultura do grupo familiar, trajetórias da escolarização e sua relação com os livros didáticos de modo geral.

A hipótese inicial era que haveria alguns alunos que ingressaram no curso de Física em 2011 que recentemente teriam concluído o Ensino Médio em escolas públicas, na qual a presença dos livros didáticos de Física devido às “primeiras” distribuições aos alunos pelo PNLD-EM, em 2009 e 2010, já traria alguns elementos com relação à utilização dos livros de Física.

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Disciplina optativa para o mestrado, na qual o mestrando desenvolve atividades e acompanhamento das ações de um professor no ensino superior em uma disciplina de uma Instituição do Ensino Superior.