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4.1 ELEMENTOS DA EXPERIÊNCIA ESCOLAR AFETADOS PELOS LIVROS

4.1.2 O livro didático e a dimensão da imagem do professor

Quanto ao livro ser um facilitador do trabalho do professor, a maioria dos pesquisados da segunda etapa (89,3%) concordou (33,3% total e 56,0% parcial) com a afirmação de que “Para os professores, fica mais fácil trabalhar com o livro”.

Segundo a opinião da maioria dos pesquisados da segunda etapa, há uma tendência para a ideia de que o ensino depende pouco da presença do livro, mas depende muito do professor. Isto se torna evidente quando 68% dos pesquisados concordam (25,3% totalmente e 42,7% parcialmente) com a afirmação apresentada a eles de que “O ensino depende muito do professor e pouco da presença do livro”.

Este mesmo ponto de vista foi evidenciado quando os participantes da primeira etapa, alunos do Ensino Médio, respondem que o professor tem o principal papel no ensino, que é o professor que expõe o conhecimento por explicações:

(...) se um professor souber ensinar não precisa necessariamente de um livro (Aluno, 3ª. série, 1ª etapa: 1ª fase, 2009);

(...) porque apenas prestando atenção na explicação você já aprende

(Aluno, 3ª. série, 1ª etapa: 1ª fase, 2009);

(...) Porque o que faz a diferença é a explicação do professor, o livro apenas ajuda a complementar o estudo (Aluno, 3ª. série, 1ª etapa: 1ª fase, 2009);

(...) acho que vale mais uma boa explicação no quadro, experiências entre outras, do que só ficar com o livro que tem uma linguagem que nem sempre conseguimos entender. (Aluno, 3ª. série, 1ª etapa: 1ª fase, 2009);

Eu acho que é melhor para aprender, porque se o professor explicar e o aluno não entender quando chegar em casa é só ler sobre a matéria, que vai aprender também. (Aluno, 3ª. série, 1ª etapa: 1ª fase, 2009);

Acho que [o livro] vai me ajudar quando eu não entender muito bem a matéria, ai posso procurar o livro. Mas na verdade o que muda é se o professor for bom ou não (Aluno, 3ª. série, 1ª etapa: 1ª fase, 2009);

Na minha opinião não tem diferença passar na lousa ou usar o livro, pois se o professor usar o livro e souber dar aula dá na mesma, eu só não aprendo se o professor não sabe dar aula, que não é o caso de Física (Aluno, 3ª.

série, 1ª etapa: 1ª fase, 2009);

Acho que o professor ensina a matéria muito bem, por isso entendo a matéria e acho que não será necessário o uso do livro (Aluno, 3ª. série, 1ª

etapa: 1ª fase, 2009).

Desta forma, a partir deste ponto de vista, o livro passa a ter um valor secundário no ensino, sendo consultado quando não se entende a explicação do professor, passando a contribuir para complementar os estudos. Assim, se o professor souber ensinar, o livro não precisa necessariamente estar presente no trabalho com os conteúdos a serem ensinados e aprendidos. No caso das respostas acima, por serem alunos da 3ª. série e terem passado dois anos do Ensino Médio sem a presença dos livros de Física, tem-se, conforme argumentam Garcia, Garcia e Pivovar (2007), o reforço da ideia de que a construção deste modelo de ensino ocorreu pela experiência social desses alunos sem os livros.

Corroborando estes pontos de vistas, a maioria dos pesquisados (60%) da segunda etapa concordou (16,0% totalmente e 44,0% parcialmente) com a afirmação que “Um professor que domina bem os conteúdos não precisa de livro

didático”, assim como com a afirmação que sugeria que “As anotações do professor às vezes são melhores que os textos dos livros”, com 92% de concordância (37,3% total e 54,7% parcial). Parte-se da ideia, portanto, de um modelo de ensino no qual é o professor que provê o caminho ao ensino e ao conhecimento. Destaca-se que, dentro deste modelo de ensino, o professor como produtor de seus textos é mais bem visto que aquele professor que utiliza os livros didáticos.

No entanto, é também significativa a compreensão de que os resultados dependem de um trabalho do professor com o livro, pois 73,3% dos sujeitos da segunda etapa concordam (32,0% totalmente e 41,3% parcialmente) com a afirmação de que “Os livros são excelentes, às vezes os professores é que não os utilizam bem”. Portanto, dentro deste ponto de vista, o trabalho do professor como mediador entre o livro e o aluno passa a desempenhar um papel fundamental para a aprendizagem. Esta questão também ficou evidente quando, na primeira etapa da pesquisa, os alunos do Ensino Médio destacaram a importância do professor na mediação entre o livro didático, o aluno e o conhecimento, corroborando com sua aprendizagem:

Na verdade nenhum livro é exatamente perfeito, sempre tem algo que falta, que o professor tem que complementar, ou seja, o livro deveria ter mais figuras, perguntas mais claras e textos mais claros, pois a maioria dos textos que raramente a gente utilizou, não deixa o assunto claro, acaba complicando mais o assunto, na maioria dos assuntos apenas desenhos e nenhuma observação, é onde dificultava o nosso entendimento e gerava dúvidas, principalmente nas Leis de Newton, que havia ilustrações que o professor era obrigatoriamente necessário que desse uma explicação mais aprofundada, pois havia desenhos de difícil entendimento (Aluno, 1ª. série,

1ª etapa: 2ª fase, 2009);

Achei que [o livro] me ajudou bastante, tem explicações antes de cada conteúdo que são bem específicas. Como eu escrevi no começo não usamos muito o livro, acho que poderíamos ter usado mais, mas deu para aprender o necessário. O livro me ajudou com as explicações do professor foi assim para eu entender: professor com o livro, senão não conseguiria entender só lendo (Aluno, 1ª. série, 1ª etapa: 2ª fase, 2009);

O livro me ajudou a ser uma pessoa de como praticar a Física. Eu acho que quem quer estudar tem a chance de saber o que é Física, pois com a ajuda de um professor e o livro com certeza você consegue aprender (Aluno, 1ª.

série, 1ª etapa: 2ª fase, 2009);

Usando somente o livro, não entendi muito, mas com a ajuda do professor aprendi melhor sobre os assuntos trabalhados, do que o ano passado

A falta de desenhos em alguns temas atrapalharam no entendimento e conclusão do livro. Mas com a ajuda do professor facilitou, e muito o aprendizado (Aluno, 1ª. série, 1ª etapa: 2ª fase, 2009);

Antes eu não entendia nada, da onde a força vinha muito menos em relação à gravidade, mas depois com o auxílio do livro e do professor, mudou totalmente minha forma de pensar, antes eu achava que Física, era só matemática com um nível diferente, mas entendi que a Física está além da matemática, ela ensina também as coisas associadas ao nosso dia-a-dia.

(Aluno, 1ª. série, 1ª etapa: 2ª fase, 2009).

Desta forma, como destacado pelos alunos, com o professor explicando, aprofundando alguns assuntos presentes no livro, é pelo uso que faz o professor do livro didático que a dimensão da imagem do professor é afetada. Este resultado está de acordo com o que ressaltam Martínez, Valls Montés e Pineda (2009) no caso do estudo da disciplina de História. Segundo esses autores, os discentes apreciam a formação do professor, as estratégias que podem ser desenvolvidas para o estudo da disciplina escolar, e, também, apreciam a desenvoltura do professor ao utilizar o livro didático e seu comprometimento com o ensino.