• Nenhum resultado encontrado

Estabelecimento Comercial

No documento Sebenta Direito Comercial (páginas 90-98)

 

É a organização do empresário mercantil, o conjunto de elementos reunido e organizado pelo empresário para através dele exercer a sua atividade comercial, de produção ou circulação de bens ou prestação de serviços.

O que pressupõe um estabelecimento comercial?

► Um titular: ele é um conjunto de meios predestinados por um empresário, titular de um determinado

direito sobre ele, para exercer a sua atividade.

► Um acervo patrimonial: engloba um conjunto de bens e direitos, das mais variadas categorias e

naturezas, que têm em comum a afectação à finalidade coerente a que o comerciante os destina.

► Um conjunto de pessoas: pode reduzir-se à pessoa do empresário o seu suporte humano, nas formas

mais embrionárias de estrutura empresarial; mas normalmente engloba uma pluralidade de pessoas,

congregadas por diversos vínculos jurídicos, para atuarem com vista à prossecução da finalidade comum da empresa.

► Uma organização: os seus elementos não são meramente reunidos, mas sim entre si conjugados,

interrelacionados, hierarquizados, segundo as suas especificas naturezas e funções especificas, por forma que do seu conjunto possa emergir um resultado global: a atividade mercantil visada.

► Uma organização funcional: a sua estrutura e configuração, a sua identidade própria advém-lhe de um determinado objecto, que é uma atividade de determinado ramo da economia; atividade que, entretanto, será necessariamente uma atividade de fim lucrativo das que cabem na matéria mercantil, ou seja, no âmbito material do direito comercial. Só assim se pode falar de um estabelecimento comercial (sem embargo de, com aquela, se poderem conjugar atividades de outra ordem).

Estabelecimento Comercial

O termo estabelecimento admite no nosso direito positivo diversos significados, que podem ser observados na nossa lei em dois artigos:

Art. 1112º do Código Civil

«Transmissão da posição do arrendatário».

1 – É permitida a transmissão por ato entre vivos da posição do arrendatário, sem dependência da autorização do senhorio:

a) No caso de trespasse de estabelecimento comercial ou industrial; b) A pessoa que no prédio arrendado continue a exercer a mesma profissão liberal, ou a sociedade profissional de objectivo equivalente.

2 – Não há trespasse:

a) Quando a transmissão não seja acompanhada de transferência, em

conjunto, das instalações, utensílios, mercadorias ou outros elementos que

integram o estabelecimento;

b) Quando a transmissão vise o exercício, no prédio, de outro ramo de

comércio ou indústria ou, de um modo geral, a sua afectação a outro destino. 3) A (...)

Estabelecimento

Comercial

Outro sentido pode ser observado no art seguinte: Art. 95º do Código Comercial

«Armazéns ou lojas abertas ao público»

 

Considerar-se-ão, para os efeitos deste Código, como armazéns ou lojas de venda abertos ao público:

1) Os que estabeleceram os comerciantes matriculados; 2) Os que estabeleceram os comerciantes não

matriculados, toda a vez que tais estabelecimentos

se conservem abertos ao público por oito dias

consecutivos, ou hajam sido anunciados por meio de avisos avulsos ou nos jornais, ou tenham os respectivos letreiros usuais.

Estabelecimento

Comercial

Os elementos do estabelecimento comercial:

O Art. 1112º do Código Civil, já citado, conclui-se

sem esforço que o estabelecimento compreende,

além do direito à locação do respectivo local

(obviamente, quando o comerciante não seja seu proprietário ou dele não disponha a outro titulo: usufruto, comodato, etc.), também as

Elementos do

Estabelecimento Comercial

► Elementos corpóreos: Nesta categoria devem considerar-se as mercadorias, que são bens móveis destinados a ser vendidos, compreendendo as

matérias-primas, os produtos semiacabados e os produtos acabados.

Incluem-se também as máquinas e utensílios, ou seja, a maquinaria, os veículos.

Abrangem-se, ainda, outros bens móveis (bem

fungível e indispensável por excelência: o dinheiro em caixa) e imóvel onde se situem as instalações, quando o seu dono seja o comerciante, pois, se o não for, apenas integrará o estabelecimento o direito ao respectivo uso.

Elementos do

Estabelecimento Comercial

► Elementos Incorpóreos: Aqui deveremos considerar os direitos, resultantes de contrato ou de outras fontes, que dizem respeito à vida do estabelecimento. São nomeadamente, os casos:

 

- do direito ao arrendamento; - dos direitos reais de gozo;

- dos créditos resultantes de vendas, empréstimos, locações, etc.;

- dos direitos resultantes de certos contratos estritamente relacionados com a esfera de atividade mercantil, como o de agência, o de distribuição, o de concessão, os contratos de edição;

- dos direitos emergentes dos contratos de trabalho e de prestação de serviços com os colaboradores do comerciante no estabelecimento;

- em especial, dos direitos de propriedade industrial, que têm em comum a

característica de terem sido instituídos e regulados na lei especificamente com vista à proteção da empresa e quer destes direitos seja diretamente titular o comerciante, quer a fruição deles advenha de contratos de transmissão ou de licença.

E, evidentemente, são também elementos incorpóreos do estabelecimento as obrigações do comerciante a ele relativas, quer o seu passivo, ou seja, as dividas resultantes da sua atividade comercial, quer as demais obrigações que formam o correspectivo ou a face oposta dos direitos dos tipos acima mencionados.

Elementos do

Estabelecimento Comercial

► A clientela: Existe um direito à clientela

quando assenta em contratos de fornecimento, ou quando resulta de cláusulas de protecção

específica (cláusulas de não-estabelecimento ou de não-concorrência), consagradas em contratos de trespasse ou cessão de exploração, bem como em contratos de trabalho, de concessão

comercial, etc.

A clientela constitui um elemento juridicamente

Elementos do

Estabelecimento Comercial

► O aviamento: Distinto da clientela é o aviamento do estabelecimento, ou seja, a capacidade lucrativa da empresa, a aptidão para gerar lucros resultantes do conjunto de factores nela reunidos.

O aviamento resulta do conjunto de elementos da empresa, mas também de certas situações de factos que lhe potenciam a lucratividade, como são as relações com os fornecedores de mercadorias e de crédito, as relações com os clientes, a eficiência da organização, a reputação comercial, a posição mais ou menos forte no mercado, etc. O aviamento exprime, pois, a capacidade lucrativa e este confere ao estabelecimento uma mais-valia em relação aos elementos patrimoniais que o integram, a qual é tida em conta na determinação do montante do respectivo valor global.

Note-se, porém, que as situações de facto acima referidas são elementos do

estabelecimento, mas o aviamento não é em geral considerado propriamente como um elemento, mas sim como uma qualidade do estabelecimento, à imagem do que

acontece com a fertilidade de um terreno.

Não se confunda, pois, o aviamento com a clientela, já que esta é um elemento do estabelecimento e pode, quando muito, ser utilizada pragmaticamente como índice significativo do aviamento.

 

O conceito moderno de stakeolders representa o conjunto de entidades que se

relacionam com as empresas comerciais – acionistas, clientes, fornecedores, entidades supervisão e regulação.

No documento Sebenta Direito Comercial (páginas 90-98)

Documentos relacionados