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4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

4.2 Apresentação e análise de dados da escola A

4.2.3 Estabelecimento das condições de trabalho

As condições de trabalho dizem respeito às estruturas físicas do local de trabalho, aos recursos e materiais adequados e disponíveis para realização do mesmo. É importante analisar como se dão as condições de trabalho na escola A, uma vez que, para Vidal et al. (2015) um melhor ambiente de trabalho corresponde a uma área de concentração que diz respeito à criação da valor para os grupos de interesses.

De acordo com o exposto no PPP (2016, p.62),

os espaços das instituições de educação infantil devem ser pensados e organizados como um lugar rico de materiais e instrumentos, que estimule as vivências diversificadas das crianças com as diferentes linguagens, bem como o contato com a produção cultural da humanidade (PPP, 2016, p.62).

Dessa forma, ainda segundo o documento interno da escola A, toda a estrutura física da escola deve ser organizada de forma a permitir a livre movimentação das crianças na escola. Sendo assim, deve-se dispender esforços para organizar as salas, materiais e brinquedos de forma adequada, para dispor o mobiliário das mesmas, verificar a altura adequada dos móveis e dos painéis (chamada, calendário, números, alfabeto, rotina etc) e

transformar a sala de aula em um ambiente alfabetizador, com músicas, poemas e textos coletivos, valorizando sempre a produção dos alunos (PPP, 2016).

Ainda segundo o PPP (2016), além da sala de aula, outros espaços também são importantes para o processo educativo das crianças. Dessa forma, é imprescindível que outros espaços estejam disponíveis e adequados para as crianças realizarem atividades, como por exemplo: banho de sol, ducha, atividades motoras, brincadeiras, contato com a natureza, convívio com crianças de outra faixa etária etc. Também, os espaços externos à sala de aula, como: jardins, laboratórios de informática e de Ciências, pátios, quadras, bibliotecas, assim como espaços externos e vizinhos à escola, como parques e praças, devem ser explorados pedagogicamente pelos alunos e professores, uma vez que instigam ricas experiências pedagógicas.

Estas orientações sugeridas no PPP puderam ser observadas durante as visitas realizadas à escola, a qual possuía salas de aula organizadas e espaços externos adequados e bem cuidados (pátio, quadra, laboratórios de informática, bibliotecas, dentre outros). Na biblioteca encontra-se também a sala do PIP, local reservado, onde os professores trabalham atividades com alunos que eventualmente apresentem alguma dificuldade pedagógica. Existe também uma horta na escola, entretanto, uma vez que houve desistência da Cargill em ajudar a cuidar da mesma, este projeto encontra-se praticamente parado. Ainda que estes espaços da escola A, como o pátio, quadra, biblioteca estivessem sendo amplamente utilizados durante o período de realização das visitas, não foi observado, durante este período, nenhum contato dos alunos com os ambientes externos e vizinhos à escola, como parques e praças.

Além das condições de trabalho dos alunos, observou-se também como eram as condições de trabalho dos funcionários da escola A. As gestoras possuem sala de aula com cadeiras, mesas e materiais adequados para a execução de seus trabalhos e em bons estados; as auxiliares de serviços gerais possuem materiais adequados para seu trabalho (toucas de cabelo, luvas, talheres, panelas etc) e bancos para descansarem nos momentos de intervalos de suas atividades; os oficiais administrativos, durante o período de realização das visitas, possuíam materiais suficientes e disponíveis para realização de seus trabalhos; os pedagogos e professores possuem uma sala de aula ampla e dotada de computadores, mesas e cadeiras para realizarem atividades durante seus módulos e intervalos entre suas aulas (nesta sala os professores e pedagogos também se reúnem com as gestoras para discutir assuntos relacionados à escola e lancham durante os recreios das turmas). Na sala dos professores e pedagogos nem na sala da diretora e das vice-diretoras não há telefones para os funcionários se comunicarem, apenas a secretaria possui o aparelho para comunicação. Ainda, as cadeiras

da sala dos professores não possuem encostos ajustáveis para manter um bom apoio lombar, nem existe apoio de pés para que não haja pressão e compressão nas coxas, diminuindo eventuais problemas de circulação sanguínea dos colaboradores. Também no tocante aos materiais e recursos disponibilizados para os funcionários da escola, a secretaria da mesma adota alguns documentos de registro específicos, conforme anexo 11.

Ainda que, pelas observações diretas, a escola A aparentemente possui condições adequadas de trabalho tanto para os alunos quanto para os funcionários da mesma, um ponto negativo das atuais condições físicas da escola A foi citado durante a fala de um entrevistado: O CNE (Conselho Nacional de Educação) estipula que deve haver no máximo 20 alunos por sala, entretanto existem em média 25 alunos por sala, para atender a demanda dos bairros que a escola atende (VICE-DIRETORA A, 2016)

Outro ponto observado durante as visitas à escola A, referente às condições de trabalho da mesma, foi a condição de trabalho do agente patrimonial. Este agente não é funcionário da escola, mas sim um funcionário terceirizado que trabalha por período determinado na escola, com a função de permitir a entrada e saída dos alunos (portaria). O mesmo possui apenas um banquinho para se sentar enquanto não está realizando sua atividade principal de cuidar da portaria da escola A. O agente patrimonial não possui uma sala ou livre acesso às salas da escola.

Dessa maneira, a respeito desta categoria, pode-se inferir que no geral é dada devida importância para as condições de trabalho dos alunos e funcionários da escola A, uma vez que as mesmas são adequadas e pensadas de forma a atender as necessidades dos interessados (VIDAL et al,, 2015). Entretanto, o mesmo não acontece para os funcionários terceirizados (como o agente patrimonial), sendo este um ponto de deficiência da escola A, visto que devem ser atendidas as necessidades de todos os grupos de interesses da escola, e não apenas daqueles considerados como sendo os principais.