FIGURA 4.3 Composição do Plenário do Conama 101 Membros (Dec nº 3.942/01)
5. INSTRUMENTOS DA POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE Neste capítulo, procurou-se trabalhar onze instrumentos da Política Nacional de Meio
5.3 INSTRUMENTOS COERCITIVOS
5.3.2 Estabelecimento de padrões de qualidade ambiental
A qualidade ambiental, segundo Macedo (1991: 14)
[...] é o resultado da dinâmica dos mecanismos de adaptação dos mecanismos de auto-superação dos ecossistemas. [...] A qualidade ambiental de um ecossistema expressa as condições e os requisitos básicos que ele detém, de natureza física, química, biológica, social, econômica, tecnológica e política, de modo a que os fatores ambientais que o constituem em qualquer instante, possam exercer efetivamente as relações ambientais que lhes são naturalmente afetas, necessárias à manutenção de sua dinâmica e, por conseguinte, da dinâmica do ecossistema de que fazem parte.
Entende-se por padrão de qualidade ambiental “as condições limitantes da qualidade ambiental, muitas vezes expressas em termos numéricos, usualmente estabelecidos por lei e sob jurisdição específica, para a proteção da saúde e do bem-estar dos homens” (MUNN111, 1979 apud FEAM, 1991).
Como um dos instrumentos da política ambiental brasileira, o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental concede, ao órgão ambiental, competência para propor ao conselho de meio ambiente o estabelecimento de níveis mínimos ou máximos de poluentes e/ou de determinadas substâncias toleráveis pelo homem e o meio ambiente. Os padrões podem ser estabelecidos para a qualidade do ar e da água, influenciando no lançamento de efluentes, nas emissões de poluentes atmosféricos, no processo produtivo entre outros.
Existem, atualmente, diversos padrões de qualidade ambiental estabelecidos, como: (i) de balneabilidade das águas interiores e das praias – definem os usos de cursos d’água interiores e das praias para recreação; (ii) os de qualidade do ar – estabelecem os limites de poluentes toleráveis no meio ambiente; (iii) os de qualidade da água – fixa, a partir de determinados parâmetros, a qualidade que a água deve ter para determinados usos; (iv) padrões de efluentes (líquidos) – definem quais os padrões a serem obedecidos pelas
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atividades poluidoras para lançamento de seus efluentes no meio ambiente; (v) padrões de emissão – referem-se à qualidade máxima de poluentes que é permitida lançar no ar por uma única fonte poluidora; (vi) padrões de produto e de processo – são limitações de lançamentos de poluentes – sólidos, líquidos ou gasosos – no ambiente, dados ou por unidade de produto ou a partir de processos industriais específicos; e, (vii) os padrões de desempenho – são estabelecidos para um determinado poluente, que deverá ser removido ou reduzido dos efluentes lançados no ambiente (FEEMA, 1991).
Esse instrumento começou a ser operacionalizado no País, por meio de portarias ministeriais, antes da vigência da política ambiental; e, posteriormente, por resoluções do Conama e de leis. A primeira portaria estabelecendo padrões de qualidade do ar foi baixada pelo Ministro do Interior – Portarias MINTER 13 e 231, de 1976. Também foi definida a expressão padrões de qualidade do ar, como “as concentrações de poluentes atmosféricos que, ultrapassadas, poderão afetar a saúde, segurança e bem-estar da população, bem como ocasionar danos à flora e à fauna, aos materiais, e ao meio ambiente”.
Em 1986, o Conama, por meio da Resolução 018, que instituiu o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), fixou limites máximos de emissão de poluentes do ar para os motores e veículos automotores. A Resolução foi complementada pela de nº 003, de 1989, que fixou o limite máximo de emissão de aldeídos presentes no gás de escapamento de veículos automotores leves do Ciclo Otto; e a de nº 004/89, que fixou os valores típicos de emissão de hidrocarbonetos, por veículos automotores leves equipados com motor a álcool.
Outras resoluções do Conama estabeleceram padrões, como: de classificação das águas, segundo seus usos preponderantes (020, de 1986); de emissão de ruídos (001, de 1990), qualidade do ar (003, de 1990); limites máximos para emissão de fuligem à plena carga dos veículos a diesel (226, de 1997); limite máximo de emissão de material particulado para veículo leve comercial (242, de 1998); limites para emissão de poluentes pelo escapamento de veículos a diesel (251, de 1999); limites máximos de ruído com os veículos em aceleração, para os veículos automotores nacionais e importados (252, de 1999 e 272, de 2000); limites para emissão de poluentes pelo escapamento para motociclos e veículos similares novos (297, de 2002 e a 242, de 2003); e a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes (357, de 2005).
O principal foco desse instrumento está direcionado a indústrias automobilísticas e isto é comprovado pelo alto número de Resoluções do Conama, que trata da redução de poluentes por veículos automotores e dos níveis de ruídos com os veículos em aceleração, enquanto para outros tipos de indústrias não se observou essa mesma atenção.
Consta de uma proposta de Consolidação da Legislação Ambiental Brasileira112 que os padrões de qualidade ambiental serão estabelecidos para “o ar; as águas em seu estado natural; e os níveis de ruído, de acordo com o uso do solo, serão expressos em valores numéricos e deverão ser qualitativos ou objetivos e sempre que possível, deverão levar em conta as características e peculiaridades regionais113. Considera, ainda que tais padrões devem “assegurar condições ambientais adequadas à vida das pessoas, às atividades econômicas e à preservação da biota”.
Pode-se inferir que o governo procurou incorporar na política ambiental brasileira os mesmos padrões de qualidade ambiental que vigoravam nos países industrializados desde a década de 1970. No entanto, nenhum estudo vem sendo realizado com vistas a definir novos parâmetros para as diferentes regiões do País. Exceção apenas àqueles direcionados exclusivamente para a indústria automobilística, que vem cumprindo com os mesmos padrões de emissão de poluentes e ruídos, estabelecidos pelos países desenvolvidos, enquanto as demais indústrias e atividades continuam carentes de novos padrões de emissões, a serem estabelecidos pelo Conama ou por Lei específica.
5.3.3 Criação de espaços territoriais, especialmente protegidos pelo Poder Público