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Gruppi45 assevera que a perspectiva moderna do Estado se inicia a partir de Maquiavel, que intentou elaborar uma teoria sobre as características do Estado, embora a palavra em questão já fosse utilizada.

Bobbio46, analisa que o Estado se constitui de três elementos: poder político, povo e território. “[...] o Estado é um poder político que se exerce sobre um território”, sendo a maior organização política que a humanidade conhece 47. Para o autor, o Estado moderno nasce na segunda metade do século XV na França, Inglaterra e Espanha, apresentando três características: a plena soberania do Estado; a distinção entre Estado e sociedade civil e a separação entre o público e o privado.

Bobbio48 afirma que é imprescindível a História das Instituições Políticas e a História das Doutrinas Políticas para se compreender as concepções sobre o Estado. Hobbes49 analisa a concepção do Estado absoluto; Locke50, a monarquia

45BOBBIO, Noberto. Estado, governo, sociedade: por uma teoria geral da política. Tradução de Marco Aurélio Nogueira. 8. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

46 GrUPPI. Tudo começou com Maquiavel. Porto Alegre – RS: L&PM Editores Ltda. 1980.

47Idem.Tudo começou com Maquiavel. Porto Alegre – RS: L&PM Editores Ltda. 1980, p. 07.

48BOBBIO, N. Op. cit.

49 HOBBES, Thomas. Leviatã ou Matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. TRAD. DE JOÃO PAULO MONTEIRO E MARIA BEATRIZ, 1999.

50 O Estado é soberano, mas sua autoridade vem somente do contrato que o faz nascer: este é o fundamento liberal do pensamento de Locke. O Governo civil contará com o poder Legislativo como sendo o mais importante entre os demais, a ele caberá a elaboração das leis, tendo como sustentação o poder delegado pelo povo tornando possível a existência de "leis e regras estabelecidas como guarda e proteção às propriedades de todos os membros da sociedade, a fim de limitar o poder e mudar o domínio de cada parte e de cada membro da comunidade; pois não se poderá nunca supor seja vontade da sociedade que o legislativo possua o poder de destruir o que todos intentam assegurar-se entrando em sociedade e para o que o povo se submeteu a legisladores por ele mesmo criados". LOCKE pp. 77- 96-127.

25 parlamentar; Montesquieu,51 o Estado limitado, Rosseau52, a democracia; Hegel,53 a monarquia constitucional.

Bobbio54 enfatiza que a compreensão das leis que regem o Estado torna-se relevante, para se compreender a função do Estado, visto que os imperativos de lei regulam as relações entre governantes e governados.

Conforme a análise de Hobsbawm, “Nações não fazem Estados e nacionalismo, mas ao contrário”; assim, pode-se existir uma “minoria agitadora”

antes que se crie um Estado, mas o sentimento de nacionalidade associado ao recrutamento da “massa de apoio” exige uma concepção de Estado. Para esse objetivo, “o Estado foi um mecanismo que teve de ser acionado”55. Góngora, por sua vez, afirma que em seu país “a nação não teria existido sem o Estado, que o moldou através dos séculos XIX e XX”56.

Rousseau57 ao discutir sobre a origem e o progresso da desigualdade entre os homens, como também acerca do abuso das sociedades políticas, assevera que o estabelecimento da propriedade e das leis torna-se estável e legítima, influenciado pelos progressos do espírito humano, cujas formas de governo tem origem nas diferenças “[...] eu provaria que a concordância ou o conflito dessas forças diversas é a indicação mais segura de um Estado bem ou mal constituído”58.

51 No Livro XI, encontra-se a famosa fórmula da separação dos poderes como método para assegurar a liberdade. Para solucionar o problema, daquilo que Montesquieu chama de "verdade eterna", à medida que "qualquer pessoa que tenha o poder tende a abusar dele", o autor sugere um antídoto infalível: "Para que não haja abuso, é preciso organizar as coisas de maneira que o poder seja contido pelo poder".

52 Para Rousseau o único órgão soberano é a Assembleia e é nesta que se expressa a soberania. A assembleia, representando o povo, pode confiar para algumas pessoas determinadas tarefas administrativas, relativas à administração do Estado, podendo revogá-las a qualquer momento. Mas o povo nunca perde sua soberania, nunca transfere para um organismo estatal separado.

53 Hegel evidencia a realização do Estado como reino da liberdade pela determinação político-administrativa enquanto monarquia, instância do universal pela qual a ideia concretiza-se por meio do espírito tomando consciência de si na história. Nessa perspectiva político-filosófica, o mundo constituído pelo espírito germânico tem a tarefa de realizar o reino da razão quando efetiva a realização da vontade que, não sendo particular, mas universal, desdobra-se na realidade histórica, na concretização do mundo político.

54 Idem. Estado, governo, sociedade: por uma teoria geral da política. Tradução de Marco Aurélio Nogueira. 8. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

55HOBSBAWN, E. J. Nations and Nationalism Since 1780: Programme, Myth, Reality (Cambridge, Eng.: Cambridge University Press, 1990) p. 10, 12, 96. A mesma questão foi abordada sobre um período muito anterior por Guenée em States and Ruler in Later Medieval Europe, p. 20.

56 GÓNGORA, Mario. Ensayo histórico sobre la noción de estado en Chile en los siglos XIX y XX. 2d ed. (Santiago: Editorial Universitária, 1986), p. 25.

57 ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM, 2010.

58 Idem. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens.

Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM, 2010, p.108.

26 A relação entre Estado e sociedade caracteriza-se na concepção funcionalista, destacando-se pela preocupação em conservar o sistema. A concepção marxista preocupa-se, essencialmente, em provocar mudanças sociais.

Marx59 critica o Estado, estabelecendo relações entre a sociedade política e o Estado, como expressão da sociedade civil. Como afirma Gruppi60: “[...] é a sociedade civil, entendida como o conjunto das relações econômicas, as quais são, justamente, a anatomia da sociedade civil, que explica o surgimento do Estado, seu caráter, a natureza de suas leis”.

A sociedade civil exerce uma função importante no desempenho do Estado, participando dos conflitos existentes entre os governantes e os governados com vistas à superação da desigualdade social que se determina pelas relações econômicas. Bobbio61 analisa os três poderes do Estado no sistema social: o econômico, o ideológico e o político. Esses poderes contribuem, de forma distinta, para manter sociedades em superiores e inferiores, pois “[...] aparece direta ou indiretamente articulado em três subsistemas: a organização das forças produtivas, a organização do consenso, a organização do poder coativo”.

As políticas públicas refletem essa articulação, ao instituir por meio do poder econômico, o interesse da classe dominante, ao mesmo tempo em que investe em um processo de convencimento ideológico para que, por meio das leis, se efetive o que foi determinado. O Estado, enquanto sistema político, deve ser representado pela sociedade civil.

As teorias das Relações Internacionais fundamentam-se em escolas de pensamento, cujas origens remontam a diversos Estados. As teorias dizem respeito às concepções contextuais das Relações Internacionais, de cada momento, não obstante da analise do comportamento estatal, de como os países inter-relacionam-se e da perspectiva da inter-relacionam-segurança internacional; além do estudo dos valores e dos interesses que se diferem de um país para o outro62.

Compreende-se que a epistemologia com vistas a explicar as Relações Internacionais, adequa-se à realidade política específica de cada país e ao mundo,

59 MARX, K. O Capital: crítica da economia política. 28ª ed. Tradução de Reginaldo Sant’Anna. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2011. 2v.

60 GRUPPI, L. Tudo começou com Maquiavel. Porto Alegre – RS: L&PM Editores Ltda. 1980.

61 BOBBIO. Op. Cit. p. 83.

62 SARAIVA. J. F. S. Relações internacionais. Dois Séculos de História. Brasília: IBRI, 2001, p.

108.

27 de modo que conhecer as Relações Internacionais é um instrumento útil ao poder, pois possibilita a prevenção de ameaças externas para o Estado, bem como possui os elementos analíticos adequados, para a formulação de políticas de interesse nacional.

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28 2 CONCEPÇÕES SOBRE A SEGURANÇA

Eis a segurança, importante tópico para a presente pesquisa e para o estudo da Política Internacional.

2.1 Introito

No tópico 2.2, haverá exposição conceitual de segurança que se intenta na pesquisa; no tópico 2.3, discutem-se as considerações histórico-conceituais a respeito da União de Nações Sul-Americanas – UNASUL e de seu Conselho de Defesa Sul-Americano, CDS.