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- Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA

Esta seção trata da legislação relativa especifi camente às crianças e adolescentes, abordando os direitos garantidos e as penalidades possíveis de serem aplicadas nos casos de infrações cometidas por eles. O conhecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente por parte dos profi ssionais auxilia grandemente na tomada de decisões relativas a esta população.

2.1 Contexto social e político de criação do ECA

Você sabe em que contexto o Estatuto da Criança e do Adolescente foi criado? Realmente o ECA tem uma abordagem muito mais protetora que punitiva, isso se dá pela conjuntura da época em que foi elaborado e pelos seus objetivos.

O Estatuto da Criança e do Adolescente faz parte da Constituição Federal (lei 8069/90) e merece algumas considerações contextuais antes de abordar seu conteúdo específi co.

Historicamente, o início do século XX, sob a autoridade do código Penal de 1890, estabelecia a inimputabilidade (impossibilidade de sofrer pena) absoluta até os 9 anos de idade; dos 9 aos 14 anos, os indivíduos que cometessem delitos com discernimento, ou seja, conscientemente, seriam levados a estabelecimentos industriais, porém, por falta de organização de tais estabelecimentos, os chamados menores eram recolhidos em prisões comuns. Dos 14 aos 17 anos, a idade funcionava como atenuante para as penas. O Código Penal de 1940, reformado em 1984, estabeleceu a maioridade penal aos 18 anos.

Dentro desse período, porém, mais precisamente em 1927, decretou-se o Código de Menores, reformado posteriormente em 1943. O texto, ainda com expressões claramente pejorativas,

estabelecia tratamentos diferenciados para menores abandonados ou delinquentes, vadios ou vadios não habituais e ainda os pervertidos, entre outros.

Por fi m, após concluir-se que o Código em sua totalidade havia se tornado obsoleto, editou-se a Lei 8069/90, o Estatuto da Criança e do Adolescente. O Estatuto substituiu o direito de menores pelos direitos da infância e da juventude, excluiu o termo “menor” e procurou direcionar seu texto à proteção integral das crianças (indivíduos com até 12 anos de idade) e dos adolescentes (dos 12 aos 18 anos incompletos).

É de suma importância que o profi ssional de saúde que se dispõe a trabalhar com adolescentes tenha conhecimento dessa Lei e familiaridade com ela. Este capítulo visa abordar e discutir os principais artigos contidos no Estatuto da Criança e do Adolescente.

2.2 Título II – Das Medidas de Proteção

Art. 98 – As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados.

O ECA sugere que, na escolha da medida aplicada, sejam levadas em conta as necessidades pedagógicas, preferindo aquelas que visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários (Art. 100).

As medidas de proteção compreendem, dentre outras:

I. Encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;

II. Orientação, apoio e acompanhamento temporários;

III. Matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento ofi cial de ensino fundamental;

IV. Inclusão em programa comunitário ou ofi cial de auxílio à família, à criança e ao adolescente;

V. Requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial;

VI. Inclusão em programa ofi cial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos.

VII. Abrigo em entidade;

VIII.Colocação em família substituta.

2.3 Título III – Da Prática de Ato Infracional

E quando o agressor é o próprio adolescente? Existe punição para adolescentes? Na verdade, o ECA não trabalha com punição, por isso os adolescentes são chamados de inimputáveis, ou seja, caso cometam algum delito, a recomendação é que sejam inseridos em alguma das medidas socioeducativas, que visam prioritariamente à reeducação do adolescente e à sua reinserção na sociedade.

Sabe-se, no entanto, que a falta de estrutura física e de pessoal qualifi cado em quantidade sufi ciente impossibilita a implementação desta política em sua íntegra.

O ECA procura especialmente estabelecer um sistema de preservação da educação, sem abandonar as exigências de defesa social. Impõe-se a punição pelo ato praticado, mas as medidas se destinam essencialmente a impedir que o adolescente volte a delinquir. As medidas têm, por isso, um caráter mais subjetivo que objetivo, mais educativo que repressivo (ALVES, 2005).

Art.112- Medidas aplicáveis:

Advertência- Consistirá em admoestação verbal, que será reduzida a termo e assinada.

Tem a fi nalidade de fazer o adolescente compreender a gravidade do ato cometido e suas consequências e funciona como uma ameaça de aplicação de medidas mais severas caso volte a infringir.

Reparar o dano- Restituir a coisa, promover o ressarcimento do dano ou, por forma, compensar o prejuízo da vítima.

Caso seja comprovado ser impossível para o adolescente reparar o dano, a medida não será aplicada.

Prestação de serviços à comunidade- Realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por no máximo 6 meses, em hospitais, escolas, ou programas governamentais, com jornada máxima de 8 horas semanais, aos sábados, domingos e feriados ou dias úteis, contanto que não prejudique a frequência à escola ou a jornada normal de trabalho.

Liberdade assistida- Tem a fi nalidade de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente.

A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, que tem como prazo mínimo 6 meses. Compete a esta pessoa (orientador), dentre outras ações, cuidar da matrícula e da frequência do adolescente à escola, buscando sua inserção no mercado de trabalho.

Semiliberdade- Pode ser determinada desde o início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitando a realização de atividades externas, independentemente de autorização judicial. É obrigatória a frequência à escola e pode durar até 3 anos.

Internação- Medida privativa de liberdade, com período máximo de três anos e manutenção reavaliada a cada 6 meses.

Não existe cadeia para adolescentes e sim internação em regime fechado, embora muitas unidades não tenham nenhuma diferença das prisões, seja na estrutura física ou no tratamento prestado.

§5º- Liberação compulsória aos 21 anos de idade.

Art. 122- Só poderá ser aplicada quando:

I. Tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa;

II. Por reiteração de outras infrações graves;

III. Descumprimento injustifi cável da medida anteriormente imposta. Neste caso não pode ser superior a 3 meses.