4 MÉTODO DE PESQUISA
4.1. Estratégia de Pesquisa
O presente trabalho adotou a abordagem metodológica Design Science Research (DSR), por ser capaz de orientar a construção do conhecimento e aprimorar práticas em várias disciplinas relacionadas ao campo gerencial e tecnológico da ciência da informação (BAX, 2014).
Manson (2006) define o DSR como um processo de uso do conhecimento para projetar e criar artefatos úteis e, em seguida, usando vários métodos rigorosos analisa-se o porquê, ou o porquê não, um artefato, em particular, é efetivo. O entendimento adquirido durante esse processo de análise constrói o corpo de conhecimento da área estudada.
Os tipos de contribuições de conhecimento podem ser: uma invenção, através da construção de novos conhecimentos e/ou soluções para novos problemas; uma melhoria, desenvolvendo novos conhecimentos e/ou soluções para problemas já conhecidos; e uma adaptação, através do uso não trivial ou inovador de conhecimento e/ou soluções conhecidos para resolver novos problemas (GREGOR; HEVNER, 2013).
O conhecimento e a compreensão de um domínio do problema e sua solução são alcançados graças à construção e aplicação de um artefato projetado, o qual pode ser constructos, arcabouços, modelos, métodos e instâncias de sistema de informações, conforme Quadro 2. Estes artefatos objetivam resolver novos problemas práticos (BAX, 2014; MARCH; SMITH, 1995).
Quadro 2 - Descrição dos tipos de Artefatos
Tipos de Artefatos
Constructos Constructos ou conceitos formam o vocabulário de um
domínio. Eles constituem uma conceituação utilizada para descrever os problemas dentro do domínio e para especificar as respectivas soluções.
Modelos Um modelo é um conjunto de proposições ou declarações
que expressam as relações entre os constructos. Ele pode ser visto como uma descrição, ou seja, como uma
representação de como as coisas são.
Frameworks Guias reais ou conceituais para servir como suporte
Arquiteturas Estruturas de alto nível de sistemas
Princípios de projeto Princípios e conceitos fundamentais para orientar o projeto
Métodos Um método é um conjunto de passos (um algoritmo ou
orientação) usado para executar uma tarefa. Métodos baseiam-se em um conjunto de constructos subjacentes (linguagem) e uma representação (modelo) em um espaço de solução. Além disso, os métodos são, muitas vezes, utilizados para traduzir um modelo ou representação em um curso para resolução de um problema.
Instanciações Uma instanciação é a concretização de um artefato em seu
ambiente. Instanciações operacionalizam constructos, modelos e métodos. No entanto, uma instanciação pode, na prática, preceder a articulação completa de seus constructos, modelos e métodos. Instanciações demonstram a viabilidade e a eficácia dos modelos e métodos que elas contemplam.
Teorias de Projeto Um conjunto prescritivo de declarações sobre como fazer
algo para atingir um determinado objetivo. Uma teoria geralmente inclui outros artefatos abstratos, como
construções, modelos, frameworks, arquiteturas, princípios de projeto e métodos
Fonte: Adaptado de March; Smith (1995) e Vaishnavi; Kuechler (2015)
O DSR é prescritivo ao invés de descritivo, ou seja, procura prescrever maneiras de fazer as coisas mais eficientemente (MANSON, 2006). Suas principais atividades se dividem basicamente em construir e avaliar. Construir refere-se à construção do artefato para um propósito específico, enquanto que avaliar refere-se ao desenvolvimento de critérios para avaliação do desempenho dos artefatos (MARCH; SMITH, 1995). Segundo os referidos autores, quando estes artefatos são métodos sua avaliação deve considerar a operacionalidade, eficiência, generalização e facilidade de uso.
O ciclo regulador do DSR descrito por Vaishnavi e Kuechler (2015) é apresentado na Figura 7, sendo indicadas as etapas do ciclo com suas respectivas saídas e os fluxos de conhecimentos associados.
Este ciclo regulador é composto das seguintes etapas: (a) Conhecimento do Problema; (b) Sugestão; (c) Desenvolvimento; (d) Avaliação; e (e) Conclusão.
Figura 7 - Descrição geral do Design Science Research
Fonte: Adaptado de Vaishnavi; Kuechler (2015)
Na etapa de Conhecimento do problema são solicitadas informações para entendimento do problema sem que ocorra, neste momento, alterações no problema original (WIERINGA, 2009). O resultado desta fase é uma proposta, formal ou informal, para um novo encaminhamento de pesquisa (VAISHNAVI; KUECHLER, 2015).
A etapa de Sugestão é um passo criativo onde diferentes pesquisadores podem chegar a diferentes teorias para explicar o mesmo conjunto de observações. É durante esta fase que o pesquisador apresentará um ou mais projetos provisórios, o qual pode ser entendido como uma tentativa de implementar o artefato de acordo com a solução sugerida (VAISHNAVI; KUECHLER, 2015). Segundo Wieringa (2009), chamar esta etapa de projeto da
solução é uma visão otimista, pois outras “soluções” podem ser desenvolvidas caso a implementação resulte em algo pior que o esperado.
Durante a etapa de Desenvolvimento, o pesquisador constrói um ou mais artefatos, onde as técnicas de implementação utilizadas variam amplamente, dependendo dos artefatos que estão sendo construídos. O resultado desta etapa é o próprio artefato criado (VAISHNAVI; KUECHLER, 2015).
Na Avaliação da solução, o artefato é avaliado de acordo com critérios explicitados na proposta de solução. Os desvios quantitativos e qualitativos em relação esperado são cuidadosamente anotados e explicados. Diante disso, os resultados desta fase e as informações adicionais obtidas na construção e execução do artefato são reunidas e alimentadas de volta a outra série de sugestões (VAISHNAVI; KUECHLER, 2015).
Vaishnavi e Kuechler (2015) destacam que as etapas de Sugestão, Desenvolvimento e Avaliação são frequentemente realizadas iterativamente ao decorrer da pesquisa. Os referidos autores destacam também que tanto a etapa de Desenvolvimento como a de Avaliação podem gerar contribuição de novos conhecimentos através da circunscrição. A circunscrição pode ser entendida como um método formal e lógico que pressupõe que cada fragmento de conhecimento é válido apenas em determinadas situações. Assim, quando o pesquisador descobre e aprende que os resultados não funcionaram de acordo com o esperado pela teoria, ele é forçado a voltar a fase inicial de conhecimento do problema, com esse novo conhecimento, para refinar os limites de teoria que foram utilizados para desenvolver o artefato (VAISHNAVI; KUECHLER, 2015).
A Conclusão indica o término de um projeto em DSR. Nesta etapa, os resultados do esforço de pesquisa são consolidados e escritos, e mesmo que possa haver desvios no comportamento do artefato originado das múltiplas e revisadas hipóteses, os resultados são jugados como “bons o suficiente”. E o conhecimento adquirido no esforço é frequentemente categorizado como "firme" (VAISHNAVI; KUECHLER, 2015).
Van Den Akker et al. (2006) trazem algumas das características desse tipo de pesquisa, as quais são apresentadas a seguir:
Intervencionista - a pesquisa visa projetar uma intervenção no mundo real;
Iterativa - a pesquisa incorpora uma abordagem cíclica de desenvolvimento, avaliação e revisão do artefato;
Processo direcionado - o foco está na compreensão e na melhoria das intervenções propostas;
Utilidade direcionada - o mérito de seu artefato também é avaliado pela sua praticidade para usuários em contextos reais; e
Teoria direcionada - o artefato é baseado, nem que seja parcialmente, em proposições teóricas, e testes de campo que contribuem para a construção do conhecimento teórico.
Apesar dos esforços para obter neutralidade, sendo o projetista e o avaliador do artefato as mesmas pessoas, a pesquisa livre de juízo de valor é dificultada. Portanto, o pesquisador deve ter o cuidado de considerar seu papel em influenciar e modelar os fenômenos que está estudando (VAN DEN AKKER et al., 2006).
Devido à presença do pesquisador, os participantes podem reagir de maneira diferente durante as atividades de avaliações, seja pela alteração do comportamento ou por reagirem conforme esperado pelo pesquisador. Além disso, em alguns casos, os participantes hesitam em ser completamente abertos aos pesquisadores de contextos culturais diferentes dos seus. Para atenuar esses efeitos, o pesquisar deve tentar manter o ambiente de pesquisa o mais natural e genuíno possível (VAN DEN AKKER et al., 2006).
Diante do que foi exposto, o presente trabalho enquadra-se na estratégia de pesquisa Design Science Research, já que há escassez de métodos que propõem a integração do fluxo de informações dos processos de Modelagem BIM, Orçamentação, Planejamento e Acompanhamento da produção, sendo este um problema real encontrado no levantamento bibliográfico e em muitas empresas da área de construção civil. Este problema de integração é mais evidente quando se trata do fluxo de informações entre os processos realizados entre o escritório e o campo. Para desenvolvimento e implementação do artefato proposto neste trabalho, foi necessário um processo interativo e cíclico de
proposição de sugestões e adaptação dos métodos, o qual esteve baseado na cooperação mútua entre a pesquisadora e os envolvidos nos processos estudados.