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3 BUILDING INFORMATION MODELING (BIM) E SUA INTEGRAÇÂO

3.3 Modelagem BIM e o Processo de Orçamentação

Segundo Shen e Issa (2010), no modo tradicional de estimativas baseado em papel, o tempo gasto no levantamento quantitativo pode ser dividido em três etapas: (a) identificação de itens e suas inter-relações nos projetos e nas especificações; (b) busca das dimensões (leitura direta ou inferência a partir de outros desenhos); e (c) cálculo e agregação das quantidades, comprimentos, áreas e volumes dos itens identificados.

Devido à complexidade desse processo e tendo em conta os seus desvios associados, a estimativa de custos ainda é uma atividade demorada e propensa a erros (FIRAT et al., 2010). Por isso, muitas ferramentas foram desenvolvidas para ajudar o estimador a executar esse trabalho com agilidade e com maior precisão.

Uma dessa ferramentas é o BIM, o qual é capaz de gerar levantamentos quantitativos, contagens e medições diretamente de um modelo (EASTMAN et al., 2011). Para os referidos autores, o principal benefício de aplicar BIM como ferramenta para estimativa de custos ocorre na etapa de levantamento de quantitativo, já que torna o processo mais rápido e preciso.

Além da possibilidade de extrair automaticamente os dados de quantitativos, as visualizações 3D geradas a partir das informações do BIM também podem fornecer informações importantes, pois permite ao estimador analisar a configuração de desenho do empreendimento de diferentes maneiras (HARTMANN et al., 2012). Segundos os referidos autores, o BIM deve atender os seguintes requisitos para uso em estimativa de custos:

 detalhes suficientes devem ser fornecidos para gerar uma estimativa;

 as estimativas devem permitir a extração de quantidades dos componentes de construção agrupado por EAP da empresa;

 o levantamento quantitativo deve fornecer quantidades precisas para cada um dos itens de custo definido pela EAP.

Os orçamentistas devem selecionar um método de trabalho com BIM que se adapte melhor a seus processos de orçamentação, e de acordo com Eastman et al. (2011), as principais opções de método para extração de quantitativos com softwares BIM, são:

 exportar quantitativos de objetos para um software de orçamentação - a maioria das ferramentas BIM possui essa funcionalidade, muitas vezes, esses dados são exportados para uma planilha do Microsoft Excel;

 conexão direta entre componentes BIM e o software de orçamentação - os softwares com essa funcionalidade são capazes de associar os objetos do modelo de construção diretamente a uma base de dados externa de custos unitários por meio de plugins. Assim, o orçamentista associa os componentes do modelo BIM a montagens, composições ou itens do orçamento. Essas montagens e composições definem quais passos ou recurso são necessários para a construção dos componentes do empreendimento. Além das atividades, elas podem também incluir o tempo gasto e os custos associados à construção do componente. Devido à grande quantidade de software de orçamentação é necessário que haja uma

efetiva comunicação entre essas ferramentas para minimizar a perda de dados.

 usar uma ferramenta de levantamento quantitativo – essa ferramenta extrai as informações do modelo BIM, sem que haja necessidade de se manipular o modelo.

A Figura 4 apresenta um resumo esquematizado entre o método tradicional de estimativa de custo e aqueles baseados em BIM apresentados anteriormente.

Figura 4 - Diagrama dos processos tradicional e baseado em BIM para levantamento de quantitativo

Fonte: Eastman et al. (2014)

Dentre os principais benefícios do uso do BIM 5D, pode-se citar a oportunidade de aumentar o valor dos serviços, simular cenários e entender o impacto das mudanças (SMITH, 2014), além da redução da incerteza associada ao levantamento quantitativo e otimização de preços (EASTMAN et al. 2014).

Apesar dos benefícios identificados, alguns estudos realizados com a aplicação de BIM 5D identificaram, também, alguns entraves à sua utilização. Dentre estes estudos, Wu et al. (2014) apresentaram alguns desafios encontrados na literatura, principalmente, no trabalho de Sabol (2008) para estimativas baseada em BIM:

Desenhos 2D em papel, fornecido pela equipe de

projeto/engenharia Modelos 3D/ BIM da equipe de projeto quantificados Levantamento manual e verificação “condições” Associe manualmente a informação do levantamento de quantitativos com itens de montagens Cálculo de orçamento propriedades adicionais de itens Banco de dados de custos Software de orçamentação Processo de orçamentação baseado em 3D/BIM

Conexões digitais, alterações são atualizadas

automaticamente Conexão manual, alterações devem ser atualizadas pelo planejador Associe informações do levantamento digitalizado com montagens e composições de componentes Extrair quantidades dentro de uma ferramenta BIM Extrair manualmente quantidades com ferramenta especializada de levantamento/ orçamentação

Associar com itens de montagens

Autoextrair e associar com itens

de montagens Preços do fornecedor/ subempreiteiro Orçamento Processo de orçamentação

 Modelos BIM precários e informações inadequadas: os modelos BIM, frequentemente, não correspondem exatamente às necessidades dos estimadores de quantidade em termos de qualidade e informação, principalmente no que tange ao nível de detalhe empregado, o que cria dificuldades ao gerenciar os custos e buscar informações requeridas dentro do modelo.

 Questões relacionadas à troca de dados: muitos programas não suportam uma troca bidirecional de dados para atualização de informações. Quando há uma ligação bidirecional, os modelos BIM permanecem atualizados ao longo do seu desenvolvimento, uma vez que quando são inseridas novas informações no modelo, as informações de custo podem ser atualizadas automaticamente. Contudo, muitos softwares permitem apenas que os dados de quantitativos sejam automaticamente atualizados quando o modelo é alterado, sem atualizar as informações de custo associadas.

 Falta de padronização e um formato inadequado para atribuição de custos: a quantidade de informações da construção que o modelo BIM pode abrigar, muitas vezes, é superior ao necessário para estimativa de custos na fase de concepção do projeto. O excesso de informações no momento errado, ou seja, nos processos inicias de estimativa de custos, pode conduzir à tomada de decisão incorreta e a um planejamento irreal.

3.4 BIM e a Integração dos Processos de Planejamento e Orçamentação