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CAPÍTULO 4 – PERCURSO METODOLÓGICO

4.4 Estratégias e instrumentos de coleta de dados

O período de coleta dos dados foi de 05/05/2018 a 31/05/2018, após a aprovação do estudo pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFVJM. Foram utilizados dois instrumentos para a coleta de dados: a pesquisa documental e a entrevista semiestruturada. Conforme Severino (2016), as técnicas são os procedimentos operacionais que servem de mediação prática para a concretização das pesquisas, devendo ser compatíveis com os métodos e paradigmas adotados. A classificação entre técnica e instrumento para coleta de dados muitas vezes se correspondem, de modo que o que determinado autor classifica como técnica, outro autor pode definir como instrumento, e vice-versa.

A pesquisa documental, ou documentação, enquanto técnica de coleta de dados, objetiva o levantamento e a exploração de documentos fontes do objeto pesquisado e o registro das informações extraídas dessas fontes, as quais serão utilizadas no desenvolvimento do estudo (SEVERINO, 2016). Tal técnica foi utilizada para a obtenção de informações em banco de dados do IFNMG sobre os afastamentos por motivos de saúde dos seus servidores. Tais dados foram obtidos a partir de relatórios específicos gerados pelo sistema SIAPE-Saúde,

tendo como ponto forte seu baixo custo operacional. Além do sistema SIAPE-Saúde, outras informações foram obtidas por meio do Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (SIAPE) da Instituição. A pesquisa documental também foi utilizada para o conhecimento de informações acerca das políticas e ações voltadas para a saúde dos servidores no âmbito do IFNMG mediante pesquisa em documentos normativos institucionais.

Quanto à parte quantitativa da pesquisa, optou-se por realizar um estudo que fizesse uso de dados objetivos fornecidos pelos sistemas institucionais, devendo tais informações constituir-se num importante instrumento de uso sistemático para o gerenciamento da saúde dos servidores do IFNMG. Afinal, tem sido uma tendência em estudos tanto nacionais quanto internacionais a utilização de dados objetivos sobre ausências no trabalho por doença como indicador da saúde dos trabalhadores. Contudo, são frequentes também pesquisas baseadas em informações autorreferidas, em razão muitas vezes da dificuldade de acesso a banco de dados oficiais. Essas pesquisas, contudo, apesar de permitirem a coleta de informações diversas e uma melhor observação da associação entre variáveis, são mais difíceis de serem realizadas, demandando mais tempo e recursos (CUNHA; BLANK; BOING, 2009).

A escolha do ano de 2016 como referência para os dados acerca dos afastamentos por razões de saúde dos servidores do IFNMG se deu em razão da base de dados de tais informações ter começado a ser alimentada somente a partir de outubro de 2015, quando a Instituição se tornou sede de uma Unidade do SIASS, sendo o ano de 2016 o primeiro ano completo a partir do qual ocorreu o registro sistemático de informações acerca dos afastamentos por motivos de saúde dos servidores do IFNMG. No presente estudo, foi considerado afastamento por motivo de saúde aquele decorrente de agravos à própria saúde do servidor afastado, concedido por perícia médica e registrada no sistema SIAPE-saúde. Não foram considerados nesta pesquisa dados de afastamentos de servidores decorrentes de doença em pessoa da família ou dependente.

Os dados quantitativos referentes ao absenteísmo dos servidores por motivos de saúde se relacionaram a três variáveis, sendo elas: número de afastamentos, que corresponde ao número de licenças médicas concedidas; número de servidores afastados, que se refere ao quantitativo de indivíduos que se afastaram por razões de saúde; e número de dias de afastamento, que traduz o tempo de afastamento, expresso em número de dias, dos servidores afastados. Além do quantitativo geral dos afastamentos dos servidores por motivos de saúde na Instituição, foram apresentados também os quantitativos de afastamentos considerando as

seguintes variáveis relacionadas aos servidores: sexo (masculino e feminino), categoria profissional (Professores e Técnicos), faixa etária; unidade de lotação (campus e Reitoria); e grupos de diagnósticos segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – 10ª Revisão (CID-10), os quais se encontram listados no Quadro 5.

Quadro 5 – Grupos de CID Grupos de diagnósticos

(códigos) Denominação

A00-B99 Algumas doenças infecciosas e parasitárias C00-D48 Neoplasmas (tumores)

D50-D89 Doenças do sangue e dos órgãos hematopoiéticos e alguns transtornos imunitários E00-E90 Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas

F00-F99 Transtornos mentais e comportamentais G00-G99 Doenças do sistema nervoso

H00-H59 Doenças do olho e anexos

H60-H95 Doenças do ouvido e da apófise mastoide I00-I99 Doenças do aparelho circulatório J00-J99 Doenças do aparelho respiratório K00-K93 Doenças do aparelho digestivo

L00-L99 Doenças da pele e do tecido subcutâneo

M00-M99 Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo N00-N99 Doenças do aparelho geniturinário

O00-O99 Gravidez, parto e puerpério

P00-P96 Algumas afecções originadas no período perinatal

Q00-Q99 Malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas R00-R99 Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não

classificados em outra parte

S00-T98 Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas V01-Y98 Causas externas de morbidade e de mortalidade

Z00-Z99 Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde U00-U99 Códigos para propósitos especiais

Fonte: CID-10 (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL da SAÚDE, 2008).

Segundo Di Nubila e Buchalla (2008), a CID veio sendo estruturada por mais de um século, inicialmente como forma de responder à necessidade de se conhecer as causas das mortes. Com o tempo seu uso foi ampliado para codificar situações de pacientes hospitalizados, consultas de ambulatório e em atenção primária, de forma que seu uso foi sedimentado também para diagnósticos de morbidade. A sua Décima Revisão é a mais recente revisão da “Classificação de Bertillon”, ou “Lista Internacional de Causas de Morte” de 1893, que era em princípio uma classificação de causas de morte. Somente a partir da Sexta Revisão é que foi iniciado seu uso em morbidade, passando a incluir todas as doenças e causas de consultas.

Com a aprovação e publicação oficial da OMS, em 1989, a CID-10 foi adotada pelos países membros para propósitos de apresentações estatísticas das causas de morte

(mortalidade) ou de doenças (morbidade). A CID consiste numa codificação alfanumérica que padroniza e sistematiza as entidades mórbidas e os problemas relacionados à saúde em categorias com o intuito de registro, arquivamento e análise das informações. Constitui a classificação diagnóstica padrão internacional para fins epidemiológicos e administrativos da saúde, objetivando a análise da situação geral de saúde de grupos populacionais, bem como o monitoramento da incidência e prevalência de doenças e outros agravos à saúde. A finalidade da CID é permitir a análise sistemática, o registro, a interpretação, a comparação e o controle de dados de morbidade e mortalidade nos diferentes países e áreas da saúde (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL da SAÚDE, 2008).

A classificação nuclear da CID é um código de três caracteres, que é o nível de codificação exigido para informes e comparações internacionais gerais. Cada uma das categorias de três caracteres da CID pode ser dividida em até dez subcategorias de quatro caracteres. Tais subcategorias, embora não exigíveis em nível internacional, têm seu uso recomendado por razões diversas (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL da SAÚDE, 2008). O número de dígitos da CID indica o grau de especificidade do diagnóstico, ou seja, a utilização de quatro dígitos indica um maior grau de especificidade na classificação (MENDONÇA et al., 1990). Os diagnósticos (denominações) devem ser alocados nas categorias e subcategorias da classificação, de forma que cada diagnóstico estabelecido deve ser o mais específico e informativo possível, sendo importante que se utilize sempre a subcategoria de quatro caracteres.

A entrevista utilizada nesta pesquisa foi a semiestruturada, com questões direcionadas e previamente estabelecidas, a qual foi aplicada aos participantes para a obtenção de informações conforme os objetivos propostos no estudo. Para Lakatos e Marconi (2017), a entrevista semiestruturada, ou assistemática, antropológica e livre, é aquela em que o entrevistador tem liberdade para desenvolver o tema da interação em qualquer direção que considere adequada, de forma a poder explorar mais amplamente a questão, sendo assim a que os investigadores qualitativos mais utilizam.

Segundo Severino (2016), a entrevista consiste numa técnica de coleta de informações diretamente solicitadas aos sujeitos pesquisados, visando apreender o que eles pensam, sabem, representam, fazem e argumentam, estabelecendo-se uma interação entre o pesquisador e o pesquisado. O principal interesse do pesquisador ao utilizar a entrevista qualitativa é compreender as perspectivas e experiências dos entrevistados, bem como o significado que esses participantes atribuem aos eventos e fenômenos do seu cotidiano utilizando seus termos e linguagem próprios. A entrevista qualitativa, junto com a observação

participante, constitui a técnica mais usual na investigação qualitativa (LAKATOS; MARCONI, 2017).

Esta pesquisa apresentou alguns indicadores de absenteísmo por doença dos servidores do IFNMG referentes ao ano de 2016. O Quadro 6 identifica os indicadores levantados segundo as nomenclaturas e definições propostas pela Permanent Commission and International Association on Occupational Health (1973) e por Hensing et al. (1998).

Quadro 6 – Nomenclatura, forma de cálculo e definição dos indicadores de absenteísmo por doença

Indicador Fórmula de cálculo Definição

Frequência de Trabalhadores com Licença Médica (FTLM) Nº de servidores afastados x 100 Nº total de servidores no período

analisado

Indica o percentual de servidores afastados em relação ao total de servidores do IFNMG no período em

estudo. Frequência de Licenças Médicas (FLM) Nº de episódios de afastamento x 100 Nº total de servidores no período

analisado

Retrata o percentual de episódios de afastamentos em relação ao total de servidores do IFNMG no período em

estudo. Índice de Gravidade do Absenteísmo (IGA) Nº de dias de afastamento Nº total de servidores no período

analisado

Refere-se ao número médio de dias de afastamentos por cada servidor do

IFNMG no período em estudo. Índice de Duração do

Absenteísmo (IDA) Nº de dias de afastamento Nº de episódios de afastamento

Indica o número médio de dias de afastamento por episódio de afastamento no período em estudo.

Índice de absenteísmo por Doença (IAD)

Nº de dias de afastamento x 100 Nº total de servidores no período

analisado x Nº dias úteis

Expressa o percentual de dias de afastamento em relação à soma dos dias de trabalho previstos para todos os servidores do IFNMG no período

em estudo.

Fonte: SIAPE; SIAPE-Saúde; Permanent Commission and International Association on Occupational Health (1973); Hensing et al. (1998).