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sa seria bom meio de pressão contra a família ou clã a que pertencia. A comuni-

dade vitoriosa recebia um~ com aquela finalidade, o qual era conduzido

 pela comunidade vencida com as mãos às costas, ligadas, para que ele não pu-

2 . : ' :

desse defender-se. No segundo momento, o de dação de refém aplicada ao co-

mércio, o

 pater, e.g.,

  recebe um cavalo por dez libras de cobre. Mas, sucede que

ele, naquele instante, não possui as libras necessárias. Então ele ata, liga as mãos de seu filho e o transfere ao credor. Ambas as partes acordam, sendo uma delas em receber de volta o filho e a outra em haver as peças de cobre.

J~. Na terceira fase, já existe ordem jurídica: aquele que entregar o refém

 pode, com auxílio estatal, reavê-lo. O refém, no ato de transferência, fica por  alguns momentos atado, mas depois lhe é devolvida a liberdade fática. Sepa- ram-se direito (direito de propriedade) e posse. Ligação e transferência trans- formam-se de ato praticamente útil em símbolo.

Até o momento em que, necessariamente, o refém deveria ficar na casa e, sob o poder do credor, devedor e refém eram pessoas diversas, pois, do contrá- rio, como poderia o devedor efetuar a prestação que o liberaria? Depois que se admitiu o refém faticamente livre, nasceu a figura e a possibilidade de dar-se o  próprio devedor como refém. Finalmente, a propriedade sobre o devedor-re-

fém somente surge com a "quebra do contrato". Torna~se possível um contrato

obrigacional com dupla autodação de refém.t7t

A despeito dos aspectos subjetivos que possam ser revelados pela teoria de Beseler, tem a doutrina como certo que, em princípio, o negócio jurídico

com o

 praes,

  ou refém, gerava somente a responsabilidade, devendo, este, sub-

meter-se ao direito de ataque do credor, do qual poderia liberar-se com entrega

do objeto principal da

 res.

Surgiu, em época posterior, a possibilidade do devedor livrar-se com a entrega de uma soma em dinheiro, liberação que dependia do nuto do credor.

Em outro momento, o arbítrio em aceitar, ou não, transformou-se em dever,

tendo, assim, o devedor a possibilidade

  (facultas altemativa)

de escolher entre a

efetivação da prestação ou do seu equivalente, evitando a execução que iria recair sobre o seu próprio corpo.

Desenvolveu-se, então, o conceito de débito, de dever prestar, a que

corresponde o direito de exigir do credor, tra~ando-se a responsabilida-

de pessoal em patrimonial.

l7l  Beitrãge zur Kritih der rómischen Reehtsquellen, IV, 1920, p. 93-94.

A prestação, a que corresponde o débito, denomina-se, hoje, prestação  primária; e secundária a que corresponde à responsabilidade.

 No direito brasileiro, o devedor não possui essa

 fac ulta s alte ma tiva ,

  pois

ou ele satisfaz o devido ou caberá ao credor ~ específica

  (proecise agere)

ou perdas e danos. Na Idade Média, com a glosa, aumentou-se o círculo de

hipóteses de condenação específica prevista no direito romano até abranger as

decorrentes da

 actio empti.

Azo e Búlgaro eram contrários à admissão do

  proecise agere

 fora dos casos

em que o direito romano o permitia. Martino houve como possível exegese ampliativa, tirando argumento analógico da situação jurídica relativa à reivin-

dicação.172 Acúrsio seguiu na glosa ao

  Digesto

a Azo e a Búlgaro, mas na das

 Inst itui çõe s

  admitiu a possibilidade de exigir-se o cumprimento específico. Esta

última exegese, a respeito da

 actio empti,

  bem como de outras

  actiones,

  vulgari-

zou-se através de Durantis e Bártolo.

 Não faz muito, discutiu-se, entre nós, se era possível, em certas hipóte- ses, exigir a própria prestação, ou se, no caso de recusa do devedor em prestar,

somente caberia ação de perdas e danos pelo inadimplemento. Livre de qual-

quer dúvida, pode o credor optar entre haver a prestação ou perdas e danos. A prestação primária corresponde ao débito; e a prestação secundária, a

qual se relaciona com perdas e danos, constitui a responsabilidade.

É

 preciso,

 porém, ter presente que a responsabilidade é elemcr;.to da obrigação e coexiste

com o débito. Não é totalmente correto afirmar que a responsabilidade surge,

apenas, quando se manifesta adimplemento insatisfatório ou recusa em adimplir. Em tal caso, pode o credor prejudicado pôr em atividade um dos dois elemen- tos que formam a obrigação perfeita: débito e responsabilidade.

Caracteriza-se a I9brigação perfeita lpela possibilidade que tem o credor 

de poder exigir (pretensão) o adimplemento ou perdas e danos. O conceito de

 pretensão, que se deve a Windscheid,173 constitui grande descoberta para a

172  D. 6, 1,68. Vd. Lange,  Sehadensersatz und Privatstrafe in der mittelalterliehen Rechtstheorie, 1955,  p. 11. No direito inglês, a  comlllon lawadmitia somente ação para haver as damages.  Mas a equity  passou

a permitir ação para haver a prestação  (speeifie performance).

173  Deve-se  a Windscheid a descoberta de  que,  no direito romano, a possibilidade de obter uma  actío condicionava, como  prius, a existência de um direito subjetivo,  mero posterius. Ele o diz expressamente: "a ordem jurídica nãoéordem de direitos subjetivos, mas  ordem depretensões exigíveis judicialmente" ("Die  Rechtsordnung ist nicht die Ordnung der   Rechte, sondem die Ordnung der   gerichtlich verfolgbaren AnspTÜche") - in:  Die "acHo" des rómisehen Civilrechts, 1856, p. 3; cf. Peter,  Actio und  Writ, p: 56. O conceito de  pretensão nasceu  desse estudode  Windscheid, o qual apontou a circunstãncia de que o direito material, no direito romano, estava em~undo plano. Por   esse  motivo,. não se conhecia o conceito de  pretensão, ao qual Windscheid  chegou  pelãTapídação dos elementos  processuais contidos na  aaio  (vd.

ciência do direito, possibilitando a sistematização em matéria que até então se

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