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Estrutura do livro

No documento Terras de Sol e de Vento (páginas 45-49)

Este livro encontra-se dividido em 10 capítulos que procuram propor- cionar uma visão abrangente da dimensão social das energias renováveis, em particular a solar e a eólica, em Portugal. Se alguns dos capítulos se focam mais particularmente nos resultados dos estudos de caso locais e outros no enquadramento nacional das energias renováveis, procurou-- se em todo o caso tecer pontes entre estas duas escalas e compreender este fenómeno de forma integrada e como incorporado num contexto internacional. Apesar de os capítulos terem sido redigidos primordial- mente por determinados membros da equipa do projeto, consoante os seus interesses e competências específicas, optou-se por não individuali- zar a sua autoria, uma vez que o livro é produto de um trabalho conjunto de investigação e redação.

Tabela 1.4 – Listagem das entrevistas do estudo de caso da central solar fotovoltaica

Central Solar da Amareleja

Presidente da Câmara Municipal de Moura Vice-Presidente da CM de Moura 1 Vice-Presidente da CM de Moura 2

Presidente da Junta de Freguesia da Amareleja Ex-Presidente da JF da Amareleja

AMPEAI Associação de Micro, Pequenos e Médios Empresários do Alentejo Interior

Sociedade Filarmónica Amaralejense Associação Recreativa Amarelejense Renatura (Mário Baptista Coelho) Acciona

Amper Solar Lógica Hotel local Rádio Planície

10 moradores de Moura, 9 moradores da Amareleja Administração local Associações locais e regionais Empresas Jornais Moradores

Após a presente introdução (capítulo 1), o capítulo 2 centra-se nas ações e discursos políticos sobre as energias renováveis em Portugal. São elencadas as principais medidas de política ao longo das últimas décadas e o seu impacte no desenvolvimento do sector, e analisados os discursos tecidos em torno destas medidas, por parte de membros do governo e da oposição, mas também por stakeholders, nomeadamente, organizações ONGA e associações empresariais. São ainda contrastados os diferentes fóruns em que estes discursos têm lugar, comparando as formas e os con- teúdos de expressão política em contextos mais formais (Parlamento) e menos formais (blogues políticos).

O capítulo 3 proporciona um contraponto ao capítulo anterior. Saindo da arena política mas não da sua esfera de influência, neste capí- tulo são analisadas, por um lado, as representações mediáticas sobre ener- gias renováveis e, por outro lado, as tendências de opinião pública (me- didas por inquéritos internacionais) sobre o mesmo tema. A forma como a imprensa escrita retrata as energias renováveis é notoriamente influen- ciada pelo debate político, mas, por sua vez, também serve para marcar a agenda e dar saliência a alguns atores e temas (e menos a outros). Ou- trossim, a opinião pública sobre energias renováveis é certamente in- fluenciada pelos discursos políticos e mediáticos, mas, por sua vez, tam- bém pode ser tomada como barómetro do apoio dos cidadãos às políticas que estão a ser seguidas e às opções de futuro.

O capítulo 4 procura dar relevo à preocupação de base em que se ra- dicou o projeto de investigação: tomar as energias renováveis como um ponto de observação privilegiado para entender as relações entre ciência, tecnologia e sociedade. É feita uma síntese do estado da investigação em energias renováveis em Portugal, procurando-se compreender o seu ali- cerçamento na dimensão política e económica e na divulgação do co- nhecimento científico para o público. É prestada particular atenção ao caso da Central Solar da Amareleja como exemplo do potencial contri- buto da ciência e da tecnologia das energias renováveis para o desenvol- vimento local.

O capítulo 5 debruça-se sobre as «terras do vento», ou seja, descreve os três estudos de caso de parques eólicos. São examinadas as caracterís- ticas socioeconómicas das localidades onde se situam, as características técnicas das infraestruturas, a cronologia da sua implantação, os atores locais envolvidos e respetivas posições, as controvérsias que se travam antes e depois da construção. A «terra do sol», ou seja, o caso da Central Solar Fotovoltaica da Amareleja, é o tema central do capítulo 6, perse- guindo objetivos similares aos do capítulo anterior.

No capítulo 7, o mote é dado pelo tema da participação pública em matéria de energias renováveis. Partindo de uma análise global da con- sulta pública em Estudos de Impacte Ambiental relativos a parques eó- licos e afunilando para os quatro casos específicos estudados, pretende- -se avaliar como tem sido promovida a participação dos cidadãos na tomada de decisão de construção destas infraestruturas, identificando as suas limitações e constrangimentos.

O capítulo 8 é dedicado ao impacte das energias renováveis sobre o desenvolvimento rural e local. Combinando tanto a perspetiva dos atores nacionais como dos stakeholders e dos residentes locais, são examinadas as dinâmicas e representações do efeito de parques eólicos e centrais so- lares na economia das localidades, incluindo em particular o sector do turismo, os interesses divergentes e o equilíbrio (ou, mais frequente- mente, desequilíbrio) na distribuição de benefícios.

As perceções sociais das energias renováveis patentes no discurso dos atores locais nos estudos de caso são o ponto focal do capítulo 9. Tendo passado em revista as representações políticas, mediáticas e científicas das energias renováveis, não se poderia omitir a perspetiva dos que de perto efetivamente convivem com elas. Opiniões sobre aspetos ambien- tais e económicos, representações dos artefactos tecnológicos, impactes percebidos sobre a paisagem e a identidade local compõem uma visão sobre as renováveis que é multifacetada e amiúde ambivalente, indisso- ciável dos interesses e valores dos diferentes agentes.

Finalmente, o capítulo 10 (Conclusão) faz uma síntese dos principais resultados desta investigação e lança pistas sobre o (muito) que ainda ficou por explorar neste tema particularmente pertinente para as socie- dades contemporâneas.

Capítulo 2

Ações e discursos políticos

No documento Terras de Sol e de Vento (páginas 45-49)