I. REVISÃO DA LITERATURA
3. Mapas de Conceitos
3.5. Estrutura dos Mapas de Conceitos
Os mapas de conceitos são de fácil utilização e podem ser efetivos na avaliação da compreensão de conceitos complexos (Novak, 2010). Podem ser realizados à mão, numa folha de papel ou podem ser realizados com a ajuda de um software (Hay et al., 2010). Um dos softwares mais utilizados é o CMaps Tool, desenvolvido no Institute for Human and Machine Cognition (IHMC) na Universidade de West Florida.
Tal como referem Cañas et al. (2004), a tecnologia facilita a construção dos mapas de conceitos, permitindo assim uma melhor gestão das representações de diversos domínios mais complexos do conhecimento, bem como a partilha por grupos de pessoas na sua construção.
Enquanto ferramenta metacognitiva de grande utilidade que promove a compreensão da interação estabelecida entre o novo conhecimento e a estrutura cognitiva preexistente (Novak, 2003), pretende-se que a sua construção torne explícitas as perceções do aluno e que não se baseie exclusivamente na reprodução de factos memorizados (Kinchin & Hay, 2000). Desta forma, a escolha que o aluno faz acerca dos conceitos a incluir no mapa representa a compreensão que tem relativamente à terminologia (mais formal ou mais informal) de determinado domínio do conhecimento e o que é ou não considerado relevante (Popova-Gonci & Lamb, 2012). A estrutura do mapa de conceitos tornar-se-á assim única para quem o realiza, refletindo crenças, experiências
e tendências, para além do entendimento que o aluno faz acerca de determinado domínio do conhecimento (Kinchin & Hay, 2000).
A terminologia escolhida para representar a estrutura do mapa de conceitos é crucial para a aprendizagem significativa, implicando diferentes níveis de integração do conhecimento. Sendo assim, esta escolha pode conduzir a uma aprendizagem em que o conhecimento não está integrado e é do tipo declarativo; por outro lado, uma aprendizagem em que o conhecimento está integrado de forma pobre e em alternativa, uma aprendizagem em que o conhecimento está fortemente integrado e é representativo de um nível de aprendizagem considerada superior (Popova-Gonci & Lamb, 2012). Também Hay e Kinshin (2007) defendem que a estrutura morfológica dos mapas de conceitos é indicativa de diferentes estadios no desenvolvimento da compreensão.
Desta forma, o conhecimento que é explicitado nos mapas de conceitos poderá ser apresentado de 3 formas distintas em termos da sua estrutura básica: em raio, em corrente/em cadeia e em rede (Kinchin & Hay, 2000, 2007; Kinchin, Hay & Adams, 2000). Tendo em conta o tipo de estrutura escolhida pelo aluno e a classificação que lhe é atribuída, encontra-se implícita, em qualquer um dos casos, a integração gradual de um determinado quadro concetual, sendo que este terá fortes implicações no mecanismo da aprendizagem significativa, apresentando características bastante distintas (Kinchin & Hay, 2000).
A estrutura em raio é uma estrutura em que todos os aspetos relacionados com determinado domínio do conhecimento estão diretamente ligados ao conceito chave, mas não se encontram diretamente relacionados uns com os outros (Kinchin & Hay, 2000). Esta é então uma estrutura que é muitas vezes associada à estratégia de aprendizagem do aluno que se encontra numa fase inicial da sua aprendizagem (Kinchin & Hay, 2007), fornecendo a base mais flexível através da qual o aluno poderá construir mais conhecimento (Kinchin & Hay, 2005). É indicativa de que se pode adquirir nova informação para ser mais tarde integrada, sem existir a necessidade de reestruturar o conhecimento atual (Kinchin, Lygo-Baker & Hay, 2008). Em termos hierárquicos é apenas apresentado um nível e o processo de associação é simples, sem qualquer compreensão acerca do mesmo ou das interações estabelecidas (Kinchin & Hay, 2000). Quanto ao nível de complexidade, a capacidade de integração é bastante reduzida, com os conceitos a poderem ser adicionados sem qualquer consequência na integridade do mapa. Em termos do desenvolvimento concetual, a visão que se tem acerca de determinado domínio do conhecimento é também bastante reduzida ou até mesmo nula, na medida em que a adição ou retirada de ligações tem pouco impacto na visão global do aluno (Kinchin & Hay, 2000, 2005). No entanto, Kinchin et al. (2008) afirmam que a promoção inicial deste tipo de estrutura poderá ser um bom ponto de partida para muitos cursos de transição.
Fonte: Kinchin e Hay (2000)
Por outro lado, a estrutura em corrente/cadeia é uma estrutura em que o aluno constrói apenas a ligação entre as ideias mais básicas, num formato que representa a memorização (Kinchin & Hay, 2007), sendo que nesta sequência linear, cada conceito se liga apenas ao conceito que se encontra imediatamente acima ou abaixo deste (Kinchin & Hay, 2000). Este tipo de estrutura é visto como uma consequência face ao tipo de perceção que os alunos têm do processo de ensino, sem qualquer relação entre as sequências, motivo pelo qual se torna particularmente problemático a reestruturação do seu conhecimento à luz de novas informações (Kinchin & Hay, 2005). Kinchin et al. (2008) referem que este tipo de estrutura caracteriza os alunos que sabem “o quê”, mas que não compreendem “o porquê”, orientada para o objetivo em que apenas se seleciona a informação essencial e que está disponível, ignorando tudo o resto. A natureza hierárquica de muitas das ligações do mapa de conceitos não é considerada válida, apesar de serem apresentados muitos níveis. No processo de associação é mostrada uma sequência temporal sem interações complexas entre os conceitos. Quanto ao nível de complexidade, a integridade do mapa não permite novas inserções, especialmente junto ao início da sequência; em termos do desenvolvimento concetual a visão acerca do domínio do conhecimento é limitada, sugerindo uma compreensão isolada dos conceitos, em que a perda de uma ligação poderá levar à incompreensão do significado de toda a corrente (Kinchin & Hay, 2000).
Figura 3 - Estrutura morfológica em raio de um mapa de conceitos
Fonte: Kinchin e Hay (2000)
Quanto à estrutura em rede, é uma estrutura que revela uma compreensão profunda acerca de determinado domínio do conhecimento, com diversos níveis hierárquicos e perfeitamente justificáveis (Kinchin & Hay, 2000), sendo indicativo de aprendizagem significativa, já que há uma maior integração das ideias envolvidas (Kinchin & Hay, 2007). O grau de interligação que existe no mapa de conceitos confere um grau de estabilidade, permitindo também o seguimento de diversas rotas e que é necessário quando visualizamos um determinado aspeto através de uma perspetiva alternativa (Kinchin & Hay, 2005). Quanto ao processo de associação, são apresentadas interações complexas em diferentes níveis concetuais. Em termos do grau de complexidade, a integridade do mapa é elevada, onde a inserção de um ou mais conceitos em pouco interfere com a sua estrutura; o seu desenvolvimento concetual pode suportar a reorganização da estrutura, de forma a realçar alguns dos seus aspetos ou para compensar a eventual ausência de uma ligação (Kinchin & Hay, 2000).
Figura 4 - Estrutura morfológica do mapa de conceitos em corrente/cadeia
Fonte: Kinchin e Hay (2000)