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4. MATERIAL E MÉTODOS

4.5. C ÁLCULOS

4.5.1. Estrutura Horizontal

Para o levantamento da estrutura horizontal no estrato arbustivo-arbóreo adulto, foram estimados os parâmetros fitossociológicos clássicos (MUELLER-DOMBOIS e ELLEMBERG, 1974):

I. Densidade Absoluta (ind. ha-1) e Relativa (%) Densidade Absoluta (DA):

Da𝑖𝑖 = 𝑁𝑁𝑖𝑖 𝐴𝐴

(Ni) = número de indivíduos de uma determinada espécie;

A = área amostrada em hectare.

Densidade Relativa (DR) é a relação entre o número de indivíduos de uma espécie e o número de indivíduos de todas as espécies, em que:

𝐷𝐷𝐷𝐷𝑖𝑖= 𝐷𝐷𝐴𝐴𝑖𝑖

(∑𝑛𝑛𝑖𝑖−1𝐷𝐷𝐴𝐴𝑖𝑖)× 100

21 DAi = número de indivíduos da espécie i;

Σ DA = somatório das densidades.

II. Frequência Absoluta (%) e Relativa (%)

Frequência Absoluta (FA) é a relação entre o número de parcelas em que determinadas espécie ocorre e o número total de parcelas amostradas, em que:

𝐹𝐹𝐴𝐴𝑖𝑖 = �𝑃𝑃𝑖𝑖

𝑃𝑃𝑡𝑡�× 100 Pi = número de parcelas com ocorrência da espécie i;

Pt = número total de parcelas.

Frequência Relativa (FR) é a relação entre a frequência absoluta de determinada espécie e a soma das frequências absolutas de todas as espécies, em que:

𝐹𝐹𝐷𝐷𝑖𝑖= 𝐹𝐹𝐴𝐴𝑖𝑖

�∑𝑛𝑛𝑖𝑖−1𝐹𝐹𝐴𝐴�× 100 FAi = frequência absoluta da espécie i;

Σ FA = somatório das frequências.

III. Dominância Absoluta (m² ha-1) e Relativa (%)

Dominância Absoluta (DoAi) expressa a área basal de uma espécie i, em que:

𝐷𝐷𝐷𝐷𝐴𝐴𝑖𝑖 = �∑𝑛𝑛𝑖𝑖−1𝐴𝐴𝐴𝐴𝑖𝑖

𝐴𝐴 �

Abi = área basal da espécie i;

A = área amostrada em hectare.

Dominância Relativa (DoRi) é a relação da área basal total de uma espécie i e da área basal total de todas as espécies (G):

𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝑖𝑖 = � 𝐷𝐷𝐷𝐷𝐴𝐴𝑖𝑖

𝑛𝑛 𝐷𝐷𝐷𝐷𝐴𝐴𝑖𝑖

𝑖𝑖−1 � ∗100

IV. Valor de Importância

Valor de Importância (VI) revela a posição sociológica de uma espécie na comunidade analisada:

𝑉𝑉𝑉𝑉𝑖𝑖 = (𝐷𝐷𝐷𝐷𝑖𝑖+𝐹𝐹𝐷𝐷𝑖𝑖+𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝑖𝑖)/3

22 4.5.2. Estrutura Vertical

Para análise da estrutura vertical, a vegetação foi dividida em três estratos de altura, conforme estratificação proposta por Souza et al. (1998):

Estrato 1 (inferior): 𝐻𝐻1< (𝐻𝐻𝑚𝑚− 𝑠𝑠)

Estrato 2 (médio): (𝐻𝐻𝑚𝑚− 𝑠𝑠)≤ 𝐻𝐻1< (𝐻𝐻𝑚𝑚+𝑠𝑠) Estrato 3 (superior): 𝐻𝐻1≥(𝐻𝐻𝑚𝑚+𝑠𝑠)

Em que:

H1 = altura total de determinado indivíduo;

Hm = média das alturas dos indivíduos amostrados; e s = desvio padrão das alturas totais.

Desse modo, o estrato 1 ou inferior incluiu indivíduos com altura menor ou igual a 2,5 m; o estrato 2 ou intermediário, árvores com altura entre 2,5 e 4,7 m; e o estrato 3 ou superior, indivíduos com altura maior ou igual a 4,7 m.

A partir da análise de distribuição dos indivíduos entre os estratos verticais foi calculado o valor fitossociológico (VF) por estrato e por espécie e, em seguida, a Posição Sociológica Absoluta e Relativa de cada tratamento, segundo Finol (1971):

I. Valor Fitossociológico (VF) e Posição Sociológica Absoluta e Relativa (PSA e PSR)

VFij = valor fitossociológico da i-ésima espécie no j-ésimo estrato;

VFj = valor fitossociológico simplificado do j-ésimo estrato;

nij = número de indivíduos de i-ésima espécie no j-ésimo estrato;

Nj = número de indivíduos no j-ésimo estrato;

N = número total de indivíduos de todas as espécies em todos os estratos;

PSAi = posição sociológica absoluta da i-ésima espécie;

PSRi = posição sociológica relativa (%) da i-ésima espécie;

S = número de espécies;

m = número de estratos amostrados.

23 4.5.3. Diversidade

Em seguida, calculou-se o índice de diversidade Shanon (H’) e a equabilidade de Pielou (J), conforme as seguintes fórmulas:

I. Shannon-Weaver (H’) N = número total de indivíduos amostrados;

S = número de espécies ou riqueza;

pi = abundância relativa de cada espécie, calculada por: 𝑛𝑛𝑖𝑖 𝑁𝑁

II. Equabilidade de Pielou (J)

𝐽𝐽= 𝐻𝐻 𝐻𝐻𝑚𝑚á𝑥𝑥

Em que:

Hmáx = ln(S);

S = número de espécies ou riqueza;

H’ = Índice de Diversidade de Shannon-Weaver

A fim de comparar os índices de diversidade de Shannon entre os tratamentos ao longo dos anos de monitoramento, foi aplicado o teste-t de Hutcheson ao nível de confiança de 95%

(p < 0,05). Este método tem como objetivo verificar a diferença entre os valores de diversidade obtidos para duas amostras. Desse modo, comparações dois a dois foram realizadas entre os tratamentos para 2021 e entre os sete levantamentos periódicos.

1.6.5. Volumetria

Foi calculado o volume cilíndrico a altura do peito (G.H), o volume real em metros cúbicos (V) e estimado o volume empilhado em estéreo (Vst), considerando valores predefinidos para fator de empilhamento e fator de forma. Para isso, as seguintes fórmulas foram utilizadas (PAREYN et al., 2015):

I. Volume cilíndrico

𝐺𝐺.𝐻𝐻= �𝜋𝜋 ∗ 𝐷𝐷𝐴𝐴𝑃𝑃2 40000 � ∗ 𝐻𝐻 G.H = volume cilíndrico (m3 ha-1);

24

G.H = volume cilíndrico na altura do peito;

ff = fator de forma de 0,9 (ZAKIA et al., 1992).

III. Volume empilhado

𝑉𝑉𝑠𝑠𝑉𝑉=𝑉𝑉 ∗ 𝑓𝑓𝑓𝑓 Vst = volume empilhado em estéreo (st ha-1);

V = volume real (m³);

fe = fator de empilhamento de 3,32 (PAREYN et al., 2015).

1.6.6. Dinâmica

As variáveis de dinâmica foram calculadas para a comunidade arbustivo-arbórea com base em Sheil et al. (1995; 2000), por meio das taxas anuais médias de mortalidade e recrutamento, em número de indivíduos, e taxas anuais médias de perda e ganho, em área basal, conforme as equações:

N0 e Nt = respectivamente, as contagens inicial e final de indivíduos;

Nm e Nr = respectivamente, o número de árvores mortas e recrutas;

25 AB0 e ABt = respectivamente, área basal inicial e final;

ABm e ABr = respectivamente, área basal das árvores mortas e recrutas; e ABd e ABg = respectivamente, decremento e incremento em área basal dos indivíduos sobreviventes.

Para expressar a dinâmica global, foram calculadas as taxas de rotatividade (turnover) em número de indivíduos (TN) e de área basal (TAB), obtidas a partir das seguintes expressões (WERNECK e FRANCESCHINELLI, 2004):

𝑇𝑇𝑁𝑁 = �(𝑀𝑀+𝐷𝐷)

2 � 𝑇𝑇𝐴𝐴𝐴𝐴 = �(𝑃𝑃+𝐺𝐺) 2 �

As taxas de mudança líquida para número de indivíduos (ChN) e área basal (ChAB) foram calculadas a partir das seguintes equações (KORNING e BALSLEV, 1994):

𝐶𝐶ℎ𝑁𝑁 = ��𝑁𝑁𝑡𝑡

𝑁𝑁0

1𝑡𝑡

−1 � ∗100 𝐶𝐶ℎ𝐴𝐴𝐴𝐴= ��𝐴𝐴𝐴𝐴𝑡𝑡

𝐴𝐴𝐴𝐴0

1𝑡𝑡

−1 � ∗100

26

Resultados e Discussão

_____________________________

27 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1. Florística e Diversidade

No levantamento conduzido no ano de 2021, 26 anos após aplicação dos tratamentos silviculturais, foram registrados 808 indivíduos nas 12 unidades amostrais, distribuídos em seis famílias botânicas: Euphorbiaceae (5), Fabaceae (5), Apocynaceae (1), Burseraceae (1), Nyctaginaceae (1) e Rhamnaceae (1); sendo 14 espécies lenhosas (Tabela 4).

Tabela 4. Lista geral de espécies lenhosas reconhecidas na Unidade Experimental Venâncio Zacarias, em Macau/RN no ano de 2021.

Espécie Nome Popular Hábito CR CS1 CS2 CS3

APOCYNACEAE

Aspidosperma pyrifolium Mart. & Zucc. Pereiro Árv x BURSERACEAE

Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B.Gillett Imburana-de-cambão Árv x x x x EUPHORBIACEAE

Cnidoscolus quercifolius Pohl Faveleira Árv/Arb x

Croton blanchetianus Baill. Marmeleiro Árv/Arb x x x x

Croton nepetifolius Baill. Marmeleiro-branco x

Jatropha mollissima (Pohl) Baill. Pinhão-bravo Árv x x x

Manihot glaziovii Müll.Arg. Maniçoba Árv x x x x

FABACEAE

Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud. Mororó Árv x

Cenostigma pyramidale (Tul.) Gagnon & G.P.Lewis Catingueira Árv x x x x Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth. Jurema-vermelha Árv x x x Pityrocarpa moniliformis (Benth.) Luckow & R.W.Jobson Catanduva Árv x x x x Piptadenia retusa P.G.Ribeiro, Seigler & Ebinger Jurema-branca Árv x x x x

NYCTAGINACEAE

Guapira laxa (Netto) Furlan João-mole Árv/Arb x x

RHAMNACEAE

Sarcomphalus joazeiro (Mart.) Hauenshild Juazeiro Árv/Arb x x Legenda: Árv: árvore; Arb: arbusto.

As famílias Fabaceae e Euphorbiaceae destacaram-se pelo número de espécies reconhecidas. Devidos às suas características morfológicas e fisiológicas, espécies principalmente da família Fabaceae são abundantes em áreas de FTSS, capazes de suportar baixa disponibilidade de água e temperaturas elevadas. Um exemplo disso é a associação entre espécies de Fabaceae e bactérias do gênero Rhizobium, apresentando maior capacidade de fixação de nitrogênio no solo, promovendo aumento da fertilidade dos solos na

28 região semiárida e tornando as condições do solo mais favoráveis à macro e microfauna (FREITAS et al., 2011; TAVARES -JÚNIOR et al., 2015; SILVA et al., 2020).

Em outros estudos realizados no Bioma, essas famílias também demonstraram relevância florística (FERRAZ et al., 2013; SANTANA et al., 2016; LIMA e COELHO, 2018;

SOUZA et al., 2020), o que ressalta a importância desses táxons à estrutura da vegetação em áreas de Caatinga. Fabaceae, com 2.756 espécies e 54,7% de endemismo, é a família com maior riqueza nos domínios da Caatinga e da Floresta Amazônica, estando entre as 10 principais famílias em todos os seis biomas brasileiros (BFG, 2015).

A elevada ocorrência de Croton blanchetianus (Marmeleiro) também foi observada por Lopes (2018) ao analisar uma área de floresta tropical seca submetida ao manejo florestal por corte raso no Ceará que, após 15 anos de regeneração, apresentou elevada abundância da espécie. C. blanchetianus possui características, como elevado número de sementes, fácil dispersão e alta capacidade de rebrota, que a tornam uma pioneira típica da Caatinga (PEREIRA et al., 2001). Além de C. blanchetianus, destacaram-se: Pityrocarpa moniliformis (Catanduva), Cenostigma pyramidale (Catingueira) e Piptadenia retusa (Jurema-branca), pela elevada densidade.

Ao realizar análise estatística par a par entre os tratamentos e os respectivos anos de monitoramento, foi notada a baixa diversidade inicial para o CS3, período anterior ao corte, distinguindo-se das demais áreas (Tabela 5). Porém, após 9 anos de regeneração, a vegetação submetida ao CS3 superou a diversidade inicial, com ingresso de 2 espécies.

Tabela 5. Teste t de Hutcheson para o Índice de Diversidade de Shannon (H') nos sistemas silviculturais, ao longo dos anos de monitoramento, na UE Venâncio Zacarias, Macau/RN.

CR CS1 CS2 CS3

29

Legenda: ns – não significativo pelo Teste t de Hutcheson, ao nível de probabilidade de 5%; ** significativo.

Após 26 anos de regeneração, as áreas submetidas aos sistemas silviculturais apresentaram os seguintes índices de equabilidade (J): CR – 0,719; CS1 – 0,645; CS2 – 0,617; e CS3 – 0,633. O valor superior encontrado para o CR decorre, possivelmente, da menor ocorrência de espécies raras neste bloco, aliada a uma menor riqueza florística, o que possibilita uma distribuição mais uniforme de abundâncias por espécie. Segundo Connel (1978), áreas sob intenso distúrbio natural ou antrópico tendem a apresentar baixa riqueza, devido ao incipiente número de espécies que possuem capacidade de colonização de áreas perturbadas.

Outros estudos em Caatinga apontam valores superiores aos encontrados, variando de 1,95 a 3,47 nats ind.-1 (BEZERRA e PEREIRA, 2017; SANTOS et al., 2017; LIMA e COELHO, 2018; COSTA, 2020), enfatizando a baixa variedade de táxons nesta área de estudo. Considerando a equabilidade, Lima e Coelho (2018) estimaram um valor de 0,53, em contrapartida, o número de espécies do estudo foi bastante superior (36), apesar do baixo H’

observado (1,59 nats ind.-1).

Todavia, para melhor compreensão dos resultados observados, alguns fatores devem ser analisados, como: gradiente nutricional do solo, características edáficas e índices de precipitação. Em todo caso, a presença de animais (bovinos, ovinos e caprinos) na área pode ser apontada como um dos agravantes na regeneração natural da comunidade, afetando a riqueza e diversidade de espécies.

É possível observar um dos efeitos do sistema silvicultural sobre a comunidade vegetal ao comparar a diversidade inicial da área e o comportamento desta ao longo dos anos. Para o CR, por exemplo, após aplicação dos tratamentos, a diversidade inicial foi superada - em termos estatísticos - no ano de 2015, aos 20 anos de regeneração (Tabela 6). Em contrapartida, embora com a menor diversidade inicial, o corte seletivo provocou no CS3 aumento da diversidade já aos 9 anos de regeneração.

30 Tabela 6. Teste t de Hutcheson para o Índice de Diversidade de Shannon (H') entre o levantamento inicial da área (anterior ao corte) e os anos de monitoramento para cada tratamento (linhas) da UE Venâncio Zacarias, Macau/RN.

1995 – 2004 1995 – 2007 1995 – 2011 1995 – 2015 1995 – 2021

CR 0.368 ns 1.314 ns 1.300 ns 1.893 ** 2.063 **

CS1 -1.165 ns -1.204 ns -1.732 ns -0.778 ns 1.831 **

CS2 0.517 ns -0.247 ns 0.280 ns 0.468 ns 1.395 ns

CS3 2.578 ** 3.165 ** 2.975 ** 3.413 ** 4.337 **

Legenda: ns – não significativo pelo Teste t de Hutcheson, ao nível de probabilidade de 5%; ** significativo.

As baixas na diversidade do CS1 (valores negativos da Tabela 6) podem ser justificadas pelas elevadas dominâncias de C. blanchetianus (Marmeleiro) após o corte. Este tratamento se assemelha ao CR pois resultou no corte de mais de 96% dos fustes presentes na área. Tal atividade promoveu o desenvolvimento significativo do Marmeleiro, espécie com tendência à alta dominância nos estágios iniciais de regeneração, sendo bastante comum em áreas sob intensa perturbação (PEREIRA et al., 2001).

Dentre os tratamentos, apenas o CS2 não apresentou perda florística permanente em relação à cobertura vegetal inicial. Ao longo dos levantamentos periódicos, após a exploração, não foram encontrados representantes das espécies: B. cheilantha (Mororó) no CR; C.

nepetifolius (Marmeleiro-branco) no CS1; e P. marginatum (Embiratanha) no CS3. Em contrapartida, quanto ao ganho na riqueza florística de cada sistema, os tratamentos CS1 e CS3 se destacaram pelo aumento de 6 espécies, enquanto CS2 apresentou ganho de 5 espécies e, o CR, 2 espécies.

5.2. Distribuição Diamétrica

Considerando a distribuição diamétrica da vegetação, todos os tratamentos apresentaram elevada densidade e dominância nas classes iniciais de DAP, até 7,2 cm.

Contudo, na Figura 3 se observa uma expressiva distinção entre os blocos, com diferentes amplitudes e arranjos.

31 Figura 3. A-D: Distribuição diamétrica da densidade (DA) dos indivíduos e da dominância (DoA) em m²/ha, por tratamentos (CR, CS1, CS2 e CS3), na Unidade Experimental Venâncio Zacarias, em Macau/RN.

A representação gráfica sugere distribuições diamétricas similares ao “J-invertido”, comum em áreas de floresta nativa (LIMA e LEÃO, 2013). Para Meyer et al. (1961), a distribuição diamétrica em florestas naturais deveria ser sempre balanceada, onde o estoque em desenvolvimento tende a conservar a diversidade, havendo decréscimo progressivo constante do número de indivíduos por classe.

5.3. Estrutura Horizontal e Vertical

Os parâmetros fitossociológicos calculados demonstraram elevada importância das espécies P. moniliformis, C. pyramidale e C. leptophloeos para o CR, somando 70,6% do VI;

P. moniliformis, C. pyramidale e C. blanchetianus para CS1, CS2 e CS3, com VI acumulado de 75,0%, 73,4% e 74,0%, respectivamente (Tabela 7).

0.0

32 Tabela 7. Parâmetros fitossociológicos calculados após 26 anos da aplicação dos tratamentos silviculturais da Unidade Experimental Venâncio Zacarias, em Macau/RN.

CR – Corte raso Pityrocarpa moniliformis 72 600 34,45 0,2391 1,9928 57,72 36,60 46,08 Cenostigma pyramidale 33 275 15,79 0,1089 0,9077 26,29 19,91 21,04

Croton blanchetianus 76 633 36,36 0,0056 0,0468 1,36 18,46 18,86

Piptadenia retusa 18 150 8,61 0,0495 0,4121 11,94 10,77 10,27

Jatropha mollissima 2 17 0,96 0,0066 0,0551 1,60 2,81 1,28

Manihot glaziovii 3 25 1,44 0,0023 0,0189 0,55 2,62 0,99

Sarcomphalus joazeiro 2 17 0,96 - 0,0000 - 2,28 0,48

Guapira laxa 1 8 0,48 0,0015 0,0121 0,35 2,24 0,41

Mimosa ophthalmocentra 1 8 0,48 0,0004 0,0037 0,11 2,16 0,29 Commiphora leptophloeos 1 8 0,48 0,0004 0,0035 0,10 2,15 0,29

Total 209 1.742 100 0,4143 3,4527 100 100 100

CS2 – Corte seletivo (DNB > 10 cm)

Jatropha mollissima 1 8 0,53 0,0004 0,0034 0,08 2,05 0,30

Total 189 1.575 100 0,5418 4,5149 100 100 100

CS3 – Corte seletivo (DNB entre 5 e 10 cm)

Espécies N DA (n/ha) DR (%) G (m²) DoA

(m²/ha) DoR

(%) VI (%) VC (%) Pityrocarpa moniliformis 71 592 31,70 0,3709 3,0910 61,22 35,97 46,46 Cenostigma pyramidale 48 400 21,43 0,1365 1,1371 22,52 19,65 21,98

Croton blanchetianus 81 675 36,16 0,0240 0,2000 3,96 18,37 20,06

Commiphora leptophloeos 9 75 4,02 0,0321 0,2675 5,30 8,11 4,66

Jatropha mollissima 2 17 0,89 0,0027 0,0227 0,45 3,78 0,67

Total 224 1.867 100 0,6058 5,0487 100 100 100

Legenda: N – número de indivíduos; DA – densidade absoluta; DR – densidade relativa; G – área basal; DoA – dominância absoluta; DoR – dominância relativa; VI – valor de importância; VC – valor de cobertura.

33 Verificou-se uma densidade mínima de 1.550 ind ha-1 para o tratamento CR e, máxima, de 1.867 ind ha-1 para CS3. Esses valores são considerados baixos quando comparados a outras áreas de FTSS (SANTANA et al., 2016; LIMA e COELHO, 2018; COSTA, 2020; SOUZA et al., 2020). Pereira Júnior et al. (2016), por exemplo, calcularam uma densidade de 3.738 ind ha-1 para um fragmento com 35 anos de regeneração, em Iguatu/CE, com clima semiárido quente e precipitação média de 867 ± 304 mm ano-1; enquanto Lopes (2018) estimou 4.389 ± 578 ind. ha-1 em um fragmento com oito anos de regeneração, no município de General Sampaio/CE, área de clima semiárido quente, com precipitação média anual de 780 mm.

Considerando os anos decorridos de regeneração natural, as baixas densidades podem ser justificadas por fatores antrópicos, como a presença de bovinos e ovinos na área, conforme relataram os moradores das adjacências, e a existência de trilhas estreitas, feitas por caçadores locais. Em uma área de Caatinga antropizada, utilizada para pastejo de bovinos e ovinos durante 5 anos, em Buíque/PE, cuja temperatura média anual é de 23°C e precipitação de 300-500 mm, Cavalcante et al. (2020) concluíram que a atividade antrópica causou redução na atividade enzimática da β-glicosidase, urease e arilsulfatase, diminuindo a disponibilidade de água no solo durante o período chuvoso.

Considerando como parâmetro o valor de importância (VI), destacaram-se as espécies: Pityrocarpa moniliformis, Cenostigma pyramidale e Croton blanchetianus, cuja significância é comum em estudos na Caatinga (FERRAZ et al., 2013; LIMA e COELHO, 2018;

COSTA, 2020; SOUZA et al., 2020), demonstrando a importância desses táxons na composição florística e estrutural do Bioma. Ao considerar a disposição das espécies na comunidade vegetal (Figura 4), por exemplo, nota-se a formação de dois grupos, onde o primeiro grupo abrange as referidas espécies, cujos valores de importância somam 73,07%

da fitossociologia geral.

Foi possível observar a elevada abundância da espécie P. moniliformis (Catanduva) em todos os tratamentos, de acordo com o gradiente de cores da Figura 4. Trata-se de ocorrência contínua ao longo dos anos, pois, de acordo com Araújo e Silva (2010), as espécies Catanduva e Marmeleiro apresentavam as maiores dominâncias e abundâncias nesta área, em 2004.

34 Figura 4. Dendrograma de agrupamento (distância euclidiana) de dominância das espécies na Unidade Experimental Venâncio Zacarias, em Macau/RN.

A diferença estrutural entre os tratamentos foi confirmada pela análise estatística dos dados de área basal e volume (Tabela 8). As menores médias foram verificadas para o CR, enquanto os cortes seletivos, principalmente CS2 e CS3, expressaram valores significativos e superiores.

Tabela 8. Análise de variância e comparação de médias para os dados de dominância (DoA), volume real e empilhado (Vr e Vst).

Tratamento DoA (m² ha-1) Vr (m³ ha-1) Vst (st ha-1)

CR 0.0337 b 0.1202 c 0.4100 c

CS1 0.0356 a 0.1272 b 0.4337 b

CS2 0.0519 a 0.2455 a 0.8371 a

CS3 0.0478 a 0.1943 b 0.6627 b

P-valor 0.00484 0.00052 0.00052

Médias seguidas pela mesma letra, na coluna, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Mann-Whitney a 5% de probabilidade.

As menores proporções de dominância e rendimento lenhoso observados no CR e CS1 podem estar associadas à semelhança desses tratamentos silviculturais, uma vez que ambos resultaram em uma remoção de 100% e 96% da cobertura vegetal, respectivamente.

35 Com isso, denota-se o efeito negativo do corte raso sobre o estoque de biomassa lenhosa na área.

De modo semelhante, a análise de agrupamento demonstrou distinção entre os parâmetros de composição florística e de abundância entre os tratamentos. A Figura 5A evidencia a dissimilaridade entre CR e os demais tratamentos em relação à abundância;

enquanto, na Figura 5B, se observa maior similaridade em termos de composição florística entre CR e CS1 e maior distanciamento de CS2 e CS3. Possivelmente devido a semelhança destes tratamentos na remoção de 100% e 96%, respectivamente, da cobertura vegetal da área, provocando alterações na dinâmica sucessional das espécies arbóreas, como predomínio de espécies pioneiras.

Figura 5. Dendrogramas de agrupamento dos tratamentos na Unidade Experimental Venâncio Zacarias, em Macau/RN, para os parâmetros de abundância (A), pelo índice de similaridade de Bray-Curtis, e composição florística (B), pelo índice de similaridade de Jaccard.

Os tratamentos CS2 e CS3 obtiveram as melhores médias de área basal e volume (Tabela 8), demonstrando maior similaridade em composição (Figura 5) e estrutura. A manutenção da cobertura do solo nesses tratamentos pode ter favorecido o seu processo regenerativo, por meio do desenvolvimento dos indivíduos remanescentes. Um exemplo disso são as maiores dominâncias da espécie C. leptophloeos nestes blocos, cuja ocorrência é mais abundante em ambientes equilibrados (ANDRADE et al. 2005).

Notadamente, os efeitos antropogênicos e edafoclimáticos também refletiram sobre a estrutura vertical da cobertura florestal. Em geral, valores fitossociológicos (VF) maiores foram obtidos para o estrato inferior, formado pelas árvores abaixo de 2,5 m (Tabela 9). A escassez de indivíduos no estrato superior, observada para CR e CS1, corrobora com os dados de área basal e volume, reforçando a predominância dos estratos arbustivo e subarbustivo e sugerindo uma menor dinâmica de regeneração e menor capacidade de desenvolvimento vertical, mesmo após 26 anos da exploração. Em contrapartida, o maior VF no estrato superior

A. B.

36 foi observado para o tratamento CS3, indicando a existência de maior número de indivíduos e espécies com altura ≥ 4,7 m quando comparado aos demais tratamentos.

Tabela 9. Dados da Posição Sociológica das espécies entre os tratamentos da UE Venâncio Zacarias, em Macau/RN.

Legenda: N – número de indivíduos; INF – estrato inferior; MÉD – estrato médio; SUP – estrato superior; VF – valor fitossociológico; PSA – posição sociológica absoluta; PSR – posição sociológica relativa

37 5.4. Dinâmica Florestal

Ao comparar as mudanças temporais sobre os parâmetros de densidade, dominância e volume da vegetação entre os tratamentos, nota-se menores valores gerais para a área submetida ao corte raso, em detrimento aos sistemas de corte seletivo (Tabela 10). Embora o CR tenha recuperado e superado a densidade inicial de indivíduos aos 9 anos de regeneração, a dominância atingida correspondia a 65%, enquanto o volume era 37% do original.

Tabela 10. Mudanças ao longo de 26 anos de regeneração nos parâmetros de densidade (ind./ha), dominância (m²/ha) e volume (m³/ha) dos tratamentos da UE Venâncio Zacarias, em Macau/RN.

1995 1996 2004 2007 2011 2015 2021

O monitoramento da vegetação compreende medições realizadas a partir do ano de 1995 (momento anterior ao corte), intercorrendo 26 anos de regeneração natural. Assim, ao comparar os estoques de biomassa lenhosa em cada tratamento, ao longo dos anos de monitoramento (Figura 6), é possível inferir sobre a dinâmica de recuperação da vegetação e as alterações estruturais entre os períodos.

38 Figura 6. Comparação da área basal (A – m²/ha) e do volume (B – m³/ha) de cada tratamento nos anos de monitoramento na UE Venâncio Zacarias, em Macau/RN.

A.

B.

A princípio, observa-se que a área submetida ao manejo por corte raso apresentou recuperação do estoque volumétrico inicial somente após 20 anos de regeneração. Com efeito, ainda no período de 2011 (16 anos após o corte) a vegetação lenhosa havia recuperado o valor inicial de área basal, porém, o volume atingido foi de 80%. Quando comparado ao crescimento expressivo nos tratamentos CS2 e CS3, denota-se os efeitos do corte raso sobre o estrato lenhoso e a inviabilidade deste sistema em ciclos de 15 anos nesta área, assim como em sítios semelhantes a este.

O incipiente desenvolvimento da área submetida ao corte raso, principalmente entre 2004-2011 (Figura 6), pode ser atribuído, dentre outros fatores, à exposição do solo às intempéries climáticas, causada pela remoção total da cobertura vegetal. Segundo Guerra et al. (1982), a redução na proteção do solo (provocando alta incidência solar, temperaturas elevadas e redução da umidade) torna o ambiente edáfico menos favorável à sobrevivência e reprodução dos organismos.

1995 1996 2004 2007 2011 2015 2021

0.0

1995 1996 2004 2007 2011 2015 2021

39 Em uma área de FTS sob manejo por corte raso, no Ceará, de clima semiárido quente e precipitação anual média de 744 mm, Lopes et al. (2020) constataram que a vegetação alcançou o estoque médio da biomassa original aos 8 anos de regeneração. Contudo, embora o estoque inicial tenha sido recuperado 7 anos antes do ciclo de corte, a cobertura vegetal ainda era bastante jovem, com maior parte da biomassa ocupando a primeira classe de diâmetro (2-5,99 cm). Neste estágio, conforme apontam os autores, a exploração resultaria em uma biomassa de baixa qualidade, com elevada presença de fustes finos, ocasionando perdas na eficiência energética (YAN et al., 2018).

Examinando a Figura 6, notou-se que a recuperação dos valores originais se deu, inicialmente, para os tratamentos CS2 e CS3, aos 9 anos de regeneração. Araújo e Silva (2010), ao comparar os levantamentos de 1995 e 2004 nesta área, relataram que a recuperação do volume cilíndrico no tratamento CS3 provavelmente não se deu em virtude

Examinando a Figura 6, notou-se que a recuperação dos valores originais se deu, inicialmente, para os tratamentos CS2 e CS3, aos 9 anos de regeneração. Araújo e Silva (2010), ao comparar os levantamentos de 1995 e 2004 nesta área, relataram que a recuperação do volume cilíndrico no tratamento CS3 provavelmente não se deu em virtude