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5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1. F LORÍSTICA E D IVERSIDADE

No levantamento conduzido no ano de 2021, 26 anos após aplicação dos tratamentos silviculturais, foram registrados 808 indivíduos nas 12 unidades amostrais, distribuídos em seis famílias botânicas: Euphorbiaceae (5), Fabaceae (5), Apocynaceae (1), Burseraceae (1), Nyctaginaceae (1) e Rhamnaceae (1); sendo 14 espécies lenhosas (Tabela 4).

Tabela 4. Lista geral de espécies lenhosas reconhecidas na Unidade Experimental Venâncio Zacarias, em Macau/RN no ano de 2021.

Espécie Nome Popular Hábito CR CS1 CS2 CS3

APOCYNACEAE

Aspidosperma pyrifolium Mart. & Zucc. Pereiro Árv x BURSERACEAE

Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B.Gillett Imburana-de-cambão Árv x x x x EUPHORBIACEAE

Cnidoscolus quercifolius Pohl Faveleira Árv/Arb x

Croton blanchetianus Baill. Marmeleiro Árv/Arb x x x x

Croton nepetifolius Baill. Marmeleiro-branco x

Jatropha mollissima (Pohl) Baill. Pinhão-bravo Árv x x x

Manihot glaziovii Müll.Arg. Maniçoba Árv x x x x

FABACEAE

Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud. Mororó Árv x

Cenostigma pyramidale (Tul.) Gagnon & G.P.Lewis Catingueira Árv x x x x Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth. Jurema-vermelha Árv x x x Pityrocarpa moniliformis (Benth.) Luckow & R.W.Jobson Catanduva Árv x x x x Piptadenia retusa P.G.Ribeiro, Seigler & Ebinger Jurema-branca Árv x x x x

NYCTAGINACEAE

Guapira laxa (Netto) Furlan João-mole Árv/Arb x x

RHAMNACEAE

Sarcomphalus joazeiro (Mart.) Hauenshild Juazeiro Árv/Arb x x Legenda: Árv: árvore; Arb: arbusto.

As famílias Fabaceae e Euphorbiaceae destacaram-se pelo número de espécies reconhecidas. Devidos às suas características morfológicas e fisiológicas, espécies principalmente da família Fabaceae são abundantes em áreas de FTSS, capazes de suportar baixa disponibilidade de água e temperaturas elevadas. Um exemplo disso é a associação entre espécies de Fabaceae e bactérias do gênero Rhizobium, apresentando maior capacidade de fixação de nitrogênio no solo, promovendo aumento da fertilidade dos solos na

28 região semiárida e tornando as condições do solo mais favoráveis à macro e microfauna (FREITAS et al., 2011; TAVARES -JÚNIOR et al., 2015; SILVA et al., 2020).

Em outros estudos realizados no Bioma, essas famílias também demonstraram relevância florística (FERRAZ et al., 2013; SANTANA et al., 2016; LIMA e COELHO, 2018;

SOUZA et al., 2020), o que ressalta a importância desses táxons à estrutura da vegetação em áreas de Caatinga. Fabaceae, com 2.756 espécies e 54,7% de endemismo, é a família com maior riqueza nos domínios da Caatinga e da Floresta Amazônica, estando entre as 10 principais famílias em todos os seis biomas brasileiros (BFG, 2015).

A elevada ocorrência de Croton blanchetianus (Marmeleiro) também foi observada por Lopes (2018) ao analisar uma área de floresta tropical seca submetida ao manejo florestal por corte raso no Ceará que, após 15 anos de regeneração, apresentou elevada abundância da espécie. C. blanchetianus possui características, como elevado número de sementes, fácil dispersão e alta capacidade de rebrota, que a tornam uma pioneira típica da Caatinga (PEREIRA et al., 2001). Além de C. blanchetianus, destacaram-se: Pityrocarpa moniliformis (Catanduva), Cenostigma pyramidale (Catingueira) e Piptadenia retusa (Jurema-branca), pela elevada densidade.

Ao realizar análise estatística par a par entre os tratamentos e os respectivos anos de monitoramento, foi notada a baixa diversidade inicial para o CS3, período anterior ao corte, distinguindo-se das demais áreas (Tabela 5). Porém, após 9 anos de regeneração, a vegetação submetida ao CS3 superou a diversidade inicial, com ingresso de 2 espécies.

Tabela 5. Teste t de Hutcheson para o Índice de Diversidade de Shannon (H') nos sistemas silviculturais, ao longo dos anos de monitoramento, na UE Venâncio Zacarias, Macau/RN.

CR CS1 CS2 CS3

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Legenda: ns – não significativo pelo Teste t de Hutcheson, ao nível de probabilidade de 5%; ** significativo.

Após 26 anos de regeneração, as áreas submetidas aos sistemas silviculturais apresentaram os seguintes índices de equabilidade (J): CR – 0,719; CS1 – 0,645; CS2 – 0,617; e CS3 – 0,633. O valor superior encontrado para o CR decorre, possivelmente, da menor ocorrência de espécies raras neste bloco, aliada a uma menor riqueza florística, o que possibilita uma distribuição mais uniforme de abundâncias por espécie. Segundo Connel (1978), áreas sob intenso distúrbio natural ou antrópico tendem a apresentar baixa riqueza, devido ao incipiente número de espécies que possuem capacidade de colonização de áreas perturbadas.

Outros estudos em Caatinga apontam valores superiores aos encontrados, variando de 1,95 a 3,47 nats ind.-1 (BEZERRA e PEREIRA, 2017; SANTOS et al., 2017; LIMA e COELHO, 2018; COSTA, 2020), enfatizando a baixa variedade de táxons nesta área de estudo. Considerando a equabilidade, Lima e Coelho (2018) estimaram um valor de 0,53, em contrapartida, o número de espécies do estudo foi bastante superior (36), apesar do baixo H’

observado (1,59 nats ind.-1).

Todavia, para melhor compreensão dos resultados observados, alguns fatores devem ser analisados, como: gradiente nutricional do solo, características edáficas e índices de precipitação. Em todo caso, a presença de animais (bovinos, ovinos e caprinos) na área pode ser apontada como um dos agravantes na regeneração natural da comunidade, afetando a riqueza e diversidade de espécies.

É possível observar um dos efeitos do sistema silvicultural sobre a comunidade vegetal ao comparar a diversidade inicial da área e o comportamento desta ao longo dos anos. Para o CR, por exemplo, após aplicação dos tratamentos, a diversidade inicial foi superada - em termos estatísticos - no ano de 2015, aos 20 anos de regeneração (Tabela 6). Em contrapartida, embora com a menor diversidade inicial, o corte seletivo provocou no CS3 aumento da diversidade já aos 9 anos de regeneração.

30 Tabela 6. Teste t de Hutcheson para o Índice de Diversidade de Shannon (H') entre o levantamento inicial da área (anterior ao corte) e os anos de monitoramento para cada tratamento (linhas) da UE Venâncio Zacarias, Macau/RN.

1995 – 2004 1995 – 2007 1995 – 2011 1995 – 2015 1995 – 2021

CR 0.368 ns 1.314 ns 1.300 ns 1.893 ** 2.063 **

CS1 -1.165 ns -1.204 ns -1.732 ns -0.778 ns 1.831 **

CS2 0.517 ns -0.247 ns 0.280 ns 0.468 ns 1.395 ns

CS3 2.578 ** 3.165 ** 2.975 ** 3.413 ** 4.337 **

Legenda: ns – não significativo pelo Teste t de Hutcheson, ao nível de probabilidade de 5%; ** significativo.

As baixas na diversidade do CS1 (valores negativos da Tabela 6) podem ser justificadas pelas elevadas dominâncias de C. blanchetianus (Marmeleiro) após o corte. Este tratamento se assemelha ao CR pois resultou no corte de mais de 96% dos fustes presentes na área. Tal atividade promoveu o desenvolvimento significativo do Marmeleiro, espécie com tendência à alta dominância nos estágios iniciais de regeneração, sendo bastante comum em áreas sob intensa perturbação (PEREIRA et al., 2001).

Dentre os tratamentos, apenas o CS2 não apresentou perda florística permanente em relação à cobertura vegetal inicial. Ao longo dos levantamentos periódicos, após a exploração, não foram encontrados representantes das espécies: B. cheilantha (Mororó) no CR; C.

nepetifolius (Marmeleiro-branco) no CS1; e P. marginatum (Embiratanha) no CS3. Em contrapartida, quanto ao ganho na riqueza florística de cada sistema, os tratamentos CS1 e CS3 se destacaram pelo aumento de 6 espécies, enquanto CS2 apresentou ganho de 5 espécies e, o CR, 2 espécies.