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Estudo de caso concreto (Cesare Battisti)

O caso chama a atenção internacional em face da conduta do Supremo Tribunal Federal – Corte Suprema da justiça brasileira, ao decidir pela legalidade da extradição do ex-terrorista de extrema esquerda, Cesare Battisti, mas deixar a critério do chefe de Estado decidir sobre a extradição em si.

Cesare Battisti foi condenado pela justiça italiana por quatro homicídios atribuídos ao grupo PAC – Proletários Armados pelo Comunismo, no fim da década de 70. Viveu foragido na França até fevereiro de 2004, quando foi autorizada sua extradição, antes que o Decreto fosse assinado, fugiu para o Brasil aonde está desde então.

Ubiratan Pires Ramos (2010, p. 5) denomina a como imbróglio a conduta adotada pelo Supremo Tribunal Federal, no caso em tela. Uma vez que Cesare Battisti é reclamado pela Itália desde 2007, baseado no tratado de extradição firmado entre Brasil e Itália e vigente desde 1993.

Uma situação delicada, muito principalmente porque o quanto decidido a seu respeito, certamente, influirá na imagem de nossa Nação perante a comunidade internacional. Poderá se constituir tanto como título que

ratifique a honradez do País, como também que o desacredite perante as demais nações. Trata-se da extradição do senhor Cesare Battisti, cidadão de nacionalidade italiana, foragido da justiça de seu país, que - por encomenda, a não ser que as evidências sejam traidoras - aqui se encontra de há muito homiziado (quando livre acobertado por autoridades; e depois de preso não lhe faltaram a solidariedade e os afagos dessas mesmas autoridades). Não fossem os misteriosos interesses nela envolvidos, essa questão seria, à luz da lei brasileira, de fácil solução. Esse cidadão é reclamado pela Itália, pela via de processo extradicional, fundado em tratado de extradição que o Brasil mantém com aquela nação e que vigora desde o dia 1º de agosto de 1993. (RAMOS, 2010, p. 5).

Em síntese, o pedido extradicional foi apresentado na vigência do Estatuto do Estrangeiro – Lei nº. 6.815, de 19 de agosto de 1980. O Supremo Tribunal Federal decidiu pela extradição do indivíduo reclamado, contudo, adotaram uma postura incomum, de questionar a quem compete cumprir a decisão, ou seja, conceder a extradição.

A Lei nº 6.815/80, no art. 77, parágrafo 2º, e art. 83, defere ao STF competência exclusiva para se pronunciar sobre a legalidade e procedência da extradição requerida. Em momento algum é atribuída competência ao Presidente da República para emitir pronunciamento sobre o pleito. E não poderia ser diferente. (RAMOS, 2010, p. 6).

Ainda que a orientação do STF ao então Presidente da República na época era de cumprir o Tratado de Extradição entre Brasil e Itália, o chefe de Estado, com fulcro no art. V do Tratado, não concedeu a extradição sob fundamentação da violação dos direitos fundamentais do extraditando. (Folha de São Paulo, 2011).

No final do ano de 2008, o então Ministro da Justiça brasileiro, concedeu a Cesare Battisti o status de refugiado político, sob o argumento do temor de perseguição, o que foi considerado ilegal, pelo Supremo Tribunal Federal.

Novo desdobramento no caso se apresenta, em decorrência da afirmação da Procuradora-geral da União que afirma que o atual Presidente da República pode extraditar o ex-ativista Cesare Battisti.

Como escreve Letícia Casado (2018), de acordo com a Procuradora-geral Raquel Dodge, a decisão sobre a extradição é política e não do Judiciário, ainda, afirma que não há ilegalidade na ação civil pública em curso na Justiça Federal, promovida pelo Ministério Público Federal.

Conforme art. XIV, nos itens 2 e 3, do Tratado de Extradição entre Brasil e Itália, uma vez concedida a extradição a parte requerida informará a requerente, especificando o lugar e data da entrega do extraditando, não podendo ser num prazo superior a vinte dias.

Porém, ao decidir quanto á legalidade da extradição no caso em tela, o Supremo Tribunal Federal, informou ao presidente da República sobre a decisão, ao invés de adotar o procedimento legal e informar o Ministério das Relações Exteriores para as devidas providências.

Não se encontra em texto legal pertinente que tem o Supremo de noticiar a extradição por si concedida diretamente ao Presidente da República e muito menos que o STF faculte ao Presidente da República o cumprimento ou não de decisão por si prolatada em processo extradicional, ou outro qualquer. A notícia da decisão, segundo se depreende do quanto contido na lei 6.815/80, art. 86, deve ser transmitida ao Ministério das Relações Exteriores. Mas no tratado Brasil-Itália estabeleceu-se, no art. 10, que a comunicação pode ser feita ao Ministério da Justiça ou ao Ministério das Relações Exteriores. (RAMOS, 2010, p. 6).

Atualmente, Cesare Battisti vive em Cananéia, cidade de São Paulo – SP com sua esposa. O caso ainda não está encerrado, portanto, ainda há como remediar a situação posta, para permitir que a Itália possa impelir seu condenado à pena imposta. Para o país requerente, o alívio de se fazer cumprir suas decisões, ao país requerido, a busca pela honradez de sua justiça.

CONCLUSÃO

A extradição é entendida como ato de cooperação internacional, e consiste na entrega de pessoa acusada ou condenada ao país que a requisitou, para que neste a mesma responda ao processo criminal contra ela instaurado ou cumpra a pena já imposta decorrente de processo judicial.

O procedimento extradicional é simples, em que pese formal, possui tramitação célere. O processo de extradição, depois de verificada sua admissibilidade e preso o extraditando, é encaminhado diretamente para o Supremo Tribunal Federal, órgão judicial competente para a análise da legalidade do pedido.

A extradição visa repelir a impunidade do indivíduo, sendo aceito pela maioria dos Estados como uma manifestação da solidariedade e da paz social entre os povos, pois, ocorre que alguém pretende livrar-se de uma provável punição, foge buscando amparo em outro país, tentando embaraçar o cumprimento de pena imposta por delito cometido no país aonde praticou a desordem.

Para dar andamento ao pedido de extradição, é necessário que o Estado requerente possua com o Brasil um acordo ou tratado de extradição, no qual conste os termos específicos sobre a possibilidade de pedido e tramite processual. Caso o país não tenha um acordo, ainda é possível pedir a extradição, com um documento denominado promessa de reciprocidade.

Obviamente que o instituto da extradição não é regulamentado apenas por tratados, a legislação brasileira normatizou o instituto com o zelo que o mesmo

exige, haja vista tratar-se de privação de liberdade do indivíduo, afrontando direito fundamental deste.

A extradição deve destinar-se, em tese, a crimes graves. Diferente da extradição, tem-se a expulsão e a deportação que não devem ser confundidas entre si. A expulsão consiste num ato pela qual o estrangeiro, com entrada ou permanência regular no Brasil, é obrigado deixar o País. A expulsão é uma medida político-administrativa, e depende de uma condenação do acusado.

Ainda que a previsão da celeridade do processo tramita no Brasil um caso polêmico, e eivado de questionamentos, o caso Cesare Battisti. Trata-se de um ex- terrorista dos anos 70, de nacionalidade italiana, que se refugiou no Brasil, desde 2004, para ficar impune às penas impostas pelos crimes a ele atribuídos.

No caso em tela, o Supremo Tribunal Federal atuou em concordância com a lei, e reconheceu a legalidade do pedido de extradição apresentado pela Itália, ou seja, reconheceu a possibilidade de extradição do indivíduo. Contudo, dissipou sua credibilidade, ao não dar o andamento correto ao processo.

A legislação pertinente, vigente à época, determinava que da decisão do STF, deveria ser comunicado o Ministro da Justiça, ou o Ministro das Relações Exteriores. Por ser o extraditando refugiado político, o STF fez a comunicação da decisão para o chefe do Executivo, o Presidente da República, que, contrariou a decisão não autorizando a extradição do condenado.

Ainda que cumpridos todos os requisitos legais e constantes do tratado entre os dois países, a Itália, ainda não pode fazer valer sua decisão e aplicar a penalidade ao criminoso, por que o Brasil, num ato de proteção não o entrega para o cumprimento da pena imposta.

A partir desse estudo verificou-se que a extradição, apesar de ser procedimento simples e célere, é um instituto que pauta suas relações em normatizações internacionais e nacionais, exigindo, especialmente do legislador e do judiciário brasileiro, muito zelo para normatizá-la e aplicá-la. Entendeu-se que a

mesma via, especialmente, a impunidade de agentes delituosos, ocasionadas pela fuga do país aonde infringiu as normas para outros países. Nesses casos, tal instituto visa também reformar os laços de cooperação e solidariedade entre os Estados desse envolvidos.

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