Recentemente, vários autores têm pesquisado a utilização de um enxerto alógeno de MDA como possível substituto do tecido conjunto palatino. Esse biomaterial é obtido por meio de um processamento rigoroso da pele de doadores humanos. São removidos a epiderme e os elementos celulares da derme, resultando numa matriz de tecido conjuntivo intacta e biocompatível (Callan, 1996; Silverstein & Callan, 1996; Harris, 2000)
Um dos pesquisadores pioneiros dessa técnica cirúrgica foi Callan (1996), que utilizou a MDA (Alloderm®) com o objetivo de aumentar a largura de tecido gengival ceratinizado ao redor dos implantes. Após confecção de um leito na LMG, a MDA foi reidratada durante 15 minutos em solução salina, posicionada e suturada nessa área. Como resultado, obteve um aumento de tecido gengival ceratinizado de 5 a 12mm nos sítios tratados. O autor concluiu que a MDA poderia ser utilizada em substituição ao tecido gengival do palato, pois é de fácil utilização e oferece menor desconforto no pós-operatório.
Silverstein & Callan (1996) utilizaram o enxerto de MDA para recobrimento radicular e possível ganho de MCI adjacente a uma área com recessão periodontal. Após seis semanas do procedimento, observaram recobrimento completo da recessão periodontal, ganho de tecido ceratinizado e o contorno gengival normal. Os autores concluíram que o enxerto dérmico dispensa o segundo sítio cirúrgico pode ser utilizado em uma variedade de procedimentos.
Silverstein (1997), em um relato de caso clínico, utilizou a MDA em um paciente que apresentava recessão periodontal com pequena faixa de MC. O autor concluiu que a utilização da MDA na terapia de recobrimento radicular aumenta o tecido ceratinizado, oferecendo segurança e previsibilidade.
Dodge et al. (1998) utilizaram a MDA nos procedimentos de recobrimento radicular para tratar recessões periodontais. Foram selecionados 18 pacientes com recessões unitárias e múltiplas, com média de profundidade de 3mm. Nesse estudo, utilizaram a técnica de Langer & Langer (1985) modificada. Obtiveram uma média de 96% de cobertura radicular e 100% de recobrimento em 16 dentes tratados. Diante desses resultados, concluíram que a MDA poderia ser utilizada para recobrimento radicular unitário ou múltiplo, em um único tempo cirúrgico.
Tal (1999), num relato de caso clínico, empregou a MDA para recobrimento radicular em um paciente, que apresentava recessão periodontal em um incisivo central mandibular com profundidade de 4mm. Foram realizados raspagem e alisamento da superfície radicular e o condicionamento químico, com solução de tetraciclina durante dois minutos e meio. Um retalho trapezoidal de espessura total foi rebatido e a MDA preparada. Esta foi posicionada e suturada na área receptora. Sendo o retalho posicionado coronalmente e suturado, possibilitando o recobrimento da MDA. O paciente recebeu acompanhamento após a primeira, segunda, terceira, quarta, sexta e oitava semanas e três, quatro e oito meses. O tecido se apresentava com aparência normal após três meses. Foi constatado que essa poderia ser utilizada para substituir o ETC.
Harris (2000), em um relato de caso clínico obteve 100% de cobertura radicular em dois dos três defeitos tratados com o enxerto alógeno de MDA
associado ao retalho posicionado coronalmente. Os resultados demonstram a efetividade do desse procedimento, podendo esse, substituir o ETC no tratamento das recessões.
Henderson et al. (2001) realizaram um experimento clínico para determinar se a face utilizada da MDA (correspondente ao complexo da membrana basal ou tecido conjuntivo) afetaria o recobrimento radicular. Foram selecionados 10 pacientes com recessões periodontais múltiplas, classe I ou II de Miller, com profundidade ≥3 mm. O grupo teste recebeu o enxerto de matriz dérmica com a face correspondente ao complexo da membrana basal voltada para o dente, e grupo controle recebeu o enxerto dérmico com a face correspondente ao tecido conjuntivo voltada para o dente. Os parâmetros clínicos avaliados foram: índice gengival, PS, NCI, quantidade de MC e "creeping attachment". Os resultados não demonstraram diferenças quanto aos procedimentos realizados, relacionados às faces utilizadas da matriz dérmica acelular. Também, um aumento de MC foi observado. No entanto, o "creeping attachment" foi mínimo nesses procedimentos, diferentemente do que ocorre nos enxertos de ETC.
Grisi et al. (2001) realizaram um estudo clínico comparativo com grupo teste (ETC) e controle (MDA), em oito pacientes, totalizando 30 recessões classe I ou II de Miller. Os parâmetros clínicos foram registrados duas semanas após terapia periodontal básica e três meses após procedimentos cirúrgicos, por um único examinador devidamente calibrado. A técnica cirúrgica utilizada, foi a mesma em ambos os grupos. O enxerto de MDA foi transferido para o leito receptor, de forma que o lado da membrana basal ficasse em contato com o periósteo Harris (1998). Sendo este estabilizado com sutura em suspensório, com fio bioabsorvível. Posteriormente, o retalho foi posicionado e suturado coronalmente para recobrir o
enxerto dérmico. Com relação à PS os resultados foram: as médias iniciais corresponderam a 1,52mm e 1,29mm para o grupo controle e 1,29mm no grupo teste. Após três meses, a média foi 1,54mm e 1,38 respectivamente, não havendo diferença significativa entre os dois grupos. Quanto ao NCI a diferença entre os dois grupos aos três meses, não foi estatisticamente significativa. Já MC encontrada inicialmente foi 2,46mm e 2,60mm respectivamente no grupo controle e teste e aos três meses de pós-operatório, a média foi de 3,33mm no grupo controle e 2,83mm no grupo teste, sendo esta diferença estatisticamente significativa. Os autores concluíram que a matriz dérmica poderia ser, provavelmente, um substituto para o ETC no tratamento das recessões.
Novaes Jr. et al. (2001) realizaram um estudo comparativo entre o enxerto de tecido conjuntivo gengival e a MDA no tratamento de recessões periodontais. Foram tratados nove pacientes, totalizando 30 recessões, igualmente divididas em dois grupos. Os parâmetros clínicos avaliados foram: PS, NCI, RPCA e faixa de MC. As avaliações foram feitas duas semanas antes dos procedimentos cirúrgicos, nos três e seis meses de pós-operatório. Os resultados dos parâmetros clínicos não demonstraram diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos, exceto a MCI que aos três meses demonstrou um ganho superior no grupo que recebeu ETC. Os autores concluíram que a MDA pode substituir o ETC nos procedimentos de recobrimento radicular.
Paolantônio et al. (2002) em um estudo clínico de um ano de acompanhamento, trataram 30 recessões periodontais igualmente divididas em dois grupos. O grupo 1 recebeu o ETC, e o grupo 2 recebeu MDA. As mensurações dos parâmetros clínicos foram realizadas antes e um ano após os procedimentos cirúrgicos. Ambos os grupos resultaram em redução significativa das recessões
periodontais. Também, foi observado um aumento significativo da espessura da gengiva e da faixa de MC e melhora significativa no NCI. O grupo tratado com ETC apresentou uma média de 88,8% de cobertura radicular, e o MDA apresentou uma média de 83,3%, sendo a diferença não significativa estatisticamente. Somente a faixa de MCI apresentou diferenças significantes entre os grupos, apresentando o grupo ETC um ganho médio de 1,93mm de MCI, e o grupo MDA obteve uma média de 0,53mm. Os autores concluíram que ambos os procedimentos produzem resultados semelhantes na terapia de recobrimento radicular.
Harris (2002c) realizou um estudo com o enxerto de MDA, no tratamento de 47 recessões periodontais. Os parâmetros clínicos avaliados foram: PS, NCI, faixa de MCI e grau de cobertura radicular. As mensurações dos parâmetros foram realizadas e avaliadas no exame inicial, quatro e 18 meses pós-cirurgia. As recessões periodontais apresentaram uma média de 91,7% de cobertura radicular aos quatro meses e de 87% aos 18 meses de observação. Essa diferença não foi estatisticamente significativa. A PS apresentou uma redução em média de 1,8mm aos quatro meses e 1,0mm aos 18 meses, sendo essa diferença significativa. O autor concluiu que a MDA apresentou estabilidade nos procedimentos de cobertura radicular ao longo do tempo, confirmando sua previsibilidade no tratamento das recessões.
Tal et al. (2002), em um estudo comparativo realizado em sete pacientes, totalizando 14 recessões, com profundidade ≥4mm, randomicamente selecionadas e tratadas com MDA e ETC. Os parâmetros clínicos iniciais foram registrados e aos 12 meses, novos registros foram feitos. Esses foram analisados e comparados com os iniciais. Foi observado cobertura radicular de 4,57mm, correspondendo a 89,1% no grupo MDA e 4,29mm de
cobertura no grupo ETC (88,7%) e um ganho de MC, de 0,86mm (36%) e 2,14mm (107%) respectivamente, nos grupos MDA e ETC. Os autores concluíram que os resultados foram semelhantes em ambos os grupos, exceto para MC que resultou em uma diferença estatisticamente significativa no grupo ETC (p<0,05).
Cunha et al. (2003) trataram oito pacientes, idade entre 18 a 50 anos, de ambos os sexos e não fumantes, totalizando 36 recessões maxilares bilaterais dividas igualmente de forma aleatória em dois grupos: MDA e ETC. Os parâmetros clínicos foram avaliados no período inicial, 45, 90 e 120 dias. Os resultados revelaram redução significativa na PS nos dois grupos. Quando comparado os valores entre os dois grupos, verificaram diferença maior no grupo MDA. Quanto à RP no sentido corono-apical, não foram encontradas diferenças significativas. No grupo MDA a média obtida foi 2,9mm no exame inicial; 1,0mm aos 45 dias; 1,0mm aos 45 dias; 0,8mm aos 90 dias e 0,6mm aos 120 dias. Já o grupo tratado com ETC a média foi: 3,4mm, 0,7mm, 0,7mm e 0,4mm nos períodos inicial, 45, 90, 120 dias, respectivamente. Com relação ao diâmetro mesio-distal, observaram diferenças significativas entre os dois grupos. O grupo tratado com MDA obteve média inicial de 3,4mm e o grupo ETC 2,7mm. Nos períodos de 45, 90, 120 dias o grupo MDA manteve uma média de 0,9mm. Também, o grupo ETC manteve uma média de 0,5mm nos períodos de 45, 90, 120 dias. Foi constatada uma redução significativa no NCI a cada avaliação. O grupo MDA a média obtida foi de 3,9mm no exame inicial, 1,9mm, 1,7mm e 1,6mm nos períodos de 45, 90 e 120 dias, respectivamente. O grupo ETC apresentou média de 4,4mm no exame inicial; 1,3mm aos 45 dias; 1,1mm aos 90 e 120 dias. Em relação à quantidade de MCI não foram constatadas diferenças significativas entre os dois grupos. O grupo MDA apresentou média de
2,7mm no exame inicial mantendo a média de 2,8mm aos 45, 90, e 120 dias. Observaram aumento significativo em cada avaliação para o grupo ETC, sendo a média 2,2mm no período inicial, 2,6mm, 2,7mm e 2,8mm para os períodos de 45, 90 e 120 dias respectivamente. Não houve relação significativa entre RP nos sentidos corono-apical e mesio-distal. Observaram que as mudanças nas mensurações das recessões não sofreram influência da espessura do retalho e do enxerto. Os autores concluíram que a MDA e o ETC podem ser utilizados no tratamento das recessões com alta previsibilidade de sucesso.