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Membranas reabsorvíveis no tratamento da recessão

Em 1994, Genon et al. utilizaram pela primeira vez uma membrana de ácido polilático (GUIDOR

) no tratamento das recessões em humanos.

Rachlin et al. (1996), num relato de caso clínico, avaliaram a utilização das membranas de copolímeros de ácidos glicólico e polilático (VICRYL

) e obtiveram uma redução da recessão de 2,9mm ± 1,3mm e ganho de inserção de 3,4 ± 2,1mm com cobertura média de 59,6%.

Rocuzzo et al. (1996), em um estudo comparativo, realizaram procedimentos com membrana bioabsorvível (GUIDOR®), segundo a técnica de Pini Prato et al. (1992) modificada (grupo teste) e membrana PTFEe (Gore-Tex®) segundo a técnica original (grupo controle). Foram tratados 12 pacientes que apresentavam recessões classe I e II de Miller. Esses receberam acompanhamento nos períodos correspondentes a uma, duas, quatro, oito, 12 e 16 semanas para o polimento supra-gengival profissional, quando necessário. As membranas do grupo controle foram removidas quatro semanas após os procedimentos cirúrgicos iniciais. Os parâmetros clínicos (cobertura radicular, ganho clínico de inserção, recessão periodontal em altura, PS e quantidade de MC foram reavaliados e comparados ao final de seis meses. Não foram encontradas diferenças significativas entre os dois procedimentos. As recessões foram reduzidas em média de 3,9mm e 4mm, ganho do NCI médio foi 4,3 e 4,4mm e cobertura radicular de 82% e 83%, respectivamente, nos grupos teste e controle. Os autores concluíram que as membranas bioabsorvíveis causam menos desconforto, estresse e custos para os pacientes. Também resultam em menor tempo de trabalho para o profissional, apresentam bons resultados e boa previsibilidade. A seleção dos defeitos e dos pacientes são

quesitos importantes para o sucesso da terapia de recobrimento radicular com a técnica de RPG.

Em um estudo clínico, Waterman (1997) também avaliou uma membrana bioabsorvível de ácido polilático (GUIDOR

) na terapia de recobrimento radicular, em 13 pacientes, totalizando 17 recessões classe I e II de Miller com profundidade entre 2 a 7mm. Obteve um aumento significativo de cobertura radicular. Após um ano de acompanhamento, ao realizar procedimentos cirúrgicos próximos às regiões anteriormente tratadas, o autor constatou que em 11 dos sítios tratados havia formação de tecido ósseo.

Matarasso et al. (1998) trataram 20 pacientes com média de idade de 32 anos e recessão classe I ou II de Miller, divididas aleatoriamente em dois grupos com 10 pacientes. Os grupos teste e controle receberam tratamento de RPG com membrana (GUIDOR

), que foi estabilizada e suturada a 1mm abaixo da JCE. No grupo teste, a membrana foi recoberta por retalho de espessura total de papila dupla, sendo preservado 3mm das papilas. No grupo controle, a membrana foi recoberta por um retalho avançado coronal. Nenhum paciente relatou complicação no pós-operatório. O grupo teste apresentou recessão inicial variando entre 3 a 7mm, com média de 4,6mm. O NCI inicial variou de 5 a 8mm, com média de 5,8mm. A MC inicial foi de 1 a 3mm, com média de 1,7mm. Aos doze meses e meio os parâmetros clínicos foram novamente avaliados. Foi observado que a recessão no grupo teste variou de 0 a 2mm, com média 1,2mm.; um aumento significativo do NCI, variando de 1 a 4mm com média de 2,7mm, correspondendo a um aumento de 53,5%; um aumento significativo de MC variando de 2 a 5mm com média de 3,7mm, correspondendo a um aumento de 117,6%. Foi observada uma média de cobertura radicular de 73,9%. No grupo controle a recessão inicial foi de 3-6mm, média de

4mm; o NCI inicial foi de 5-7mm com média de 5,5mm; a MC inicial foi de 1-3mm; média de 2,1mm. Após 12 meses e meio a RP variou entre 0-3mm, média de 1,5mm; houve um ganho de NCI de 1-4mm; média de 2,7mm, equivalente a 50,9%; a MC apresentou um ganho significativo de 1-7mm; média de 3mm, correspondendo um aumento de 42,9%. A média de cobertura radicular foi de 62,55%. Os autores concluíram que não houve diferença significativa entre as duas técnicas com relação à cobertura radicular, ressaltando a possibilidade de ocorrer exposição da membrana na técnica de papila dupla devido a uma menor resistência na área que envolve a sutura das papilas; também, nesta técnica pode ocorrer recessão residual na área doadora. Já o procedimento cirúrgico com retalho posicionado coronal, além de promover um maior aumento de MC, apresenta menor fator de risco de exposição da membrana quando comparado com a outra técnica.

Trombelli et al. (1998a), realizaram um estudo comparativo em 12 pacientes que apresentavam recessões pareadas, classe I ou II de Miller. As recessões foram randomicamente selecionadas e tratadas com RPG, utilizando a membrana de ácido poliglicólico e ácido lático (RESOLUT

), e o ETC. Aos seis meses, os parâmetros clínicos foram avaliados, e os resultados obtidos foram comparados com os dos parâmetros iniciais. Observaram um decréscimo significativo na média da RP; no grupo RPG, de 3,1mm inicial para 1,5mm aos seis meses, correspondendo a 48% de cobertura radicular; no grupo ETC, de 3,0mm inicial para 0,5mm aos seis meses, correspondendo 81% de cobertura radicular. A redução da recessão foi mais significativa no grupo ETC. Houve um aumento significativo do NCI nos dois grupos, com média de 1,7mm no grupo RPG e 2,3mm no grupo ETC aos seis meses. Porém, o mesmo não aconteceu com relação a PS, não ocorrendo diferenças significativas nos dois grupos. Todavia, observaram um

aumento significativo de MC nos dois grupos, sendo mais significativo no grupo ETC. Os autores concluíram que ambos os tratamentos produzem, clinica e estatisticamente, resultados significativos nas condições dos tecidos moles das recessões; os resultados encontrados no grupo ETC foram mais significativos na redução da profundidade da recessão, no aumento de cobertura radicular e de MC, quando comparados com RPG.

Trombelli et al. (1998b) relataram a evolução dos resultados encontrados no tratamento das recessões em humanos, utilizando a cirurgia mucogengival associada à membrana bioabsorvível. Foram tratados seis pacientes, totalizando 11 recessões classe I ou II de Miller. A técnica utilizada consistiu de biomodificação da superfície radicular com ultrassom e solução de cloridrato de tetraciclina (10mg/ml), durante quatro minutos. Um retalho de espessura total e posteriormente parcial foram rebatidos, segundo a técnica do envelope. A membrana (GUIDOR

) foi posicionada na JCE para recobrir completamente a área da recessão e do osso marginal à esta. Posteriormente o retalho foi posicionado coronalmente para recobrir a membrana. Foram avaliados os parâmetros clínicos seis meses pós-cirurgia e comparados com os iniciais. Estatiscamente, os resultados mostraram uma redução da recessão inicial de 2,3±0,2mm no período inicial para 0,8± 0,5mm e aos seis meses (p=0,001), representando uma média de cobertura radicular de 65%; ganho do NCI de 1,5±0,5mm (p=0,0009). Houve um aumento de 0,3±0,6mm da MC. Os resultados clínicos indicam que a técnica do envelope associada à membrana bioabsorvível é efetiva no tratamento da RP, sendo a membrana um suporte natural para reconstrução do tecido mucogengival.

Borghetti et al. (1999) trataram 14 pacientes, com média de idade de 37,5 anos, com 14 recessões pareadas, Classe I de Miller. Um grupo recebeu ETC técnica de Langer & Langer (1985) e outro, RPG com membrana (GUIDOR®) segundo a técnica realizada por Genon et al. (1994), constituindo-se de incisão horizontal na JCE, interligada às incisões verticais, que se estenderam a LMG. A membrana foi posicionada na JCE e completamente recoberta pelo retalho. Os resultados aos seis meses demonstraram uma média de redução da RPMD e RPCA de 2,89mm nos dois grupos, correspondendo a 76% de cobertura radicular no grupo ETC e 70,2% no grupo RPG, diferenças essas estatisticamente não significativas entre os dois grupos. Houve um ganho significativo no NCI nos dois grupos; ETC com 2,81mm e RPG com 2,88mm. Porém, não houve diferença significativa entre os dois grupos. Foi observado um ganho significativo (p = 0,0001) de MC no grupo ETC (2,3mm), resultado esse não alcançado no grupo RPG (0,43mm). Os autores concluíram que não houve diferenças significativas nos dois procedimentos com relação à cobertura radicular no tratamento da recessão, Classe I de Miller. Aos seis meses, observaram aumento significativo da MC apenas no grupo ETC.

Amarante et al. (2000) realizaram um estudo comparativo em 20 pacientes, que apresentavam média de idade de 38,4 anos, recessões bilaterais, pareadas e simétricas, profundidade ≥3mm nos caninos e pré-molares. Participaram desse estudo 12 pacientes não fumantes e oito fumantes (20 cigarros/dia ou mais). Os grupos foram divididos igualmente, sendo cada um formado por 20 recessões. Trataram o grupo 1 com a técnica de RPG com membrana bioabsorvível (GUIDOR®) e retalho posicionado coronal. Já no grupo 2, utilizaram (RPC) sem a membrana. Registraram os parâmetros clínicos nos períodos inicial, três e seis meses pós- cirúrgicos. Os autores observaram que ambos os procedimentos resultaram em um

aumento estatisticamente significativo (p<0,0001) de cobertura radicular. Aos três meses, o grupo 1 alcançou cobertura de 2,7mm (p<0,0001) no sentido RPCA e o grupo 2, 2,6mm (p<0,0001); já aos seis meses, grupo 1 e grupo 2 obtiveram, respectivamente, 2,3mm e 2,5mm, correspondendo a 56,1% e 69,4% de cobertura radicular. Com relação a RPMD, aos três meses, observaram uma redução significativa no grupo 1 de 1,6mm e 2,2mm no grupo 2. Aos 6 meses 1,4mm (p<0,01) no grupo 1 e 2,3mm no grupo 2 (p<0,0001). Houve um aumento significativo no NCI (p<0,001), mas essa diferença não é significativa quando comparados os grupos. Os valores para NCI foram, aos três meses, de 0,6mm no grupo 1 e 1,5mm no grupo 2; aos seis meses, 1,3mm (p<0,001) no grupo1 e 1,5mm (p<0,0001) no grupo 2. Quanto à PS, houve uma pequena redução, mas não significativa nos dois grupos. Nas avaliações de MC, houve um aumento de 0,6mm em ambos os grupos após três meses, sendo (p<0,01) no grupo 1 e (p<0,001) no grupo 2. Aos seis meses, os resultados foram 0,5mm (p=0,0142) no grupo 1 e 0,4mm (p<0,01) no grupo 2. Os autores concluíram que a técnica de RPC é previsível nos procedimentos de cobertura radicular. Porém, quando associada a RPG, os resultados não são expressivos.

Jepsen et al. (2000) realizaram um estudo em 20 pacientes, utilizando uma membrana de ácido polilático no tratamento das recessões periodontais, classe I, II ou III de Miller com profundidade média de 4,0±1,2mm, variando entre 2,0±6,8mm. A técnica realizada foi descrita da seguinte forma: raspagem e alisamento da superfície radicular e condicionamento químico em solução de cloridrato de tetraciclina a 10%; realizaram retalho trapezoidal muco-periosteal; recobrindo com membrana a área, correspondente à recessão e ao osso subjacente. O retalho posicionado coronal recobriu a membrana. Doze meses pós-cirurgia,

novamente realizaram os registros dos parâmetros clínicos. Ocorreu exposição de oito membranas (1 a 2mm) nos períodos entre duas a seis semanas. No entanto, poucos sinais de inflamação foram observados. Comparando os resultados dos parâmetros clínicos iniciais com os das avaliações realizadas 12 meses pós-cirurgia. Observaram que houve um ganho significativo (p<0,0001) do NCI de 4,2mm cobertura radicular (p<0,0001) e recessão residual com média de 0,4 ± 0,5mm, correspondendo a uma média de cobertura radicular de 91,9%. Também encontraram um ganho de MC de 2,9±0,7mm e uma redução da PS de 2,2mm para 1,7mm. Os autores concluíram que os resultados obtidos são favoráveis para a utilização da membrana no tratamento das recessões.

Tatakis & Trombelli (2000) trataram 12 pacientes, com média de idade de 38 anos, que apresentavam recessões pareadas, classe I ou II de Miller. Esses foram randomicamente selecionados e divididos em dois grupos, sendo o grupo 1 tratado com RPG, utilizando membrana (GUIDOR®); e o grupo 2 com ETC. A técnica consistiu de incisão horizontal na JCE, preservando a papila interdental, do dente envolvido com a recessão. Duas incisões oblíquas foram estendidas até a mucosa alveolar. Realizaram um retalho com espessura total de 3 a 4mm apical à crista óssea e, a partir desse ponto, um retalho parcial. A membrana foi posicionada e estabilizada na JCE, estendendo-se 2 a 3mm além da crista óssea. O retalho coronal, livre de tensão, recobriu a membrana. O defeito contra-lateral foi tratado com o mesmo protocolo, recebendo ETC. As cirurgias foram realizadas em um mesmo tempo cirúrgico e os pacientes não apresentaram complicações no pós- operatório. Observaram um decréscimo estatisticamente significativo da RP nos dois grupos. No procedimento com RPG, a média inicial em altura foi de 2,5mm e, ao final de seis meses, 0,5mm, correspondendo a 81% de cobertura radicular. A largura

inicial foi de 4,4mm inicial para RPG e aos seis meses 1,3mm. No grupo ETC, a média em altura inicial da RP foi de 2,5mm para 0,1mm, e a média inicial em largura foi de 4,2mm para 0,4mm aos seis meses, correspondendo a 96% de cobertura radicular. A MC inicial no grupo RPG foi de 2,5mm, mantendo-se ao final de seis meses. Já no grupo ETC, foi de 3,3mm para 3,0mm. A média do ganho do NCI foi de 2,0mm no grupo RPG e 2,2mm no ETC. Estatisticamente, não houve diferença significativa entre os grupos com relação à altura e largura da RP, NCI e MC. Os autores concluíram que os resultados obtidos indicam que a RPG e ETC promovem ganho de NCI e cobertura radicular significativa aos seis meses.

Harris (2002b), em um estudo retrospectivo realizado em 12 pacientes com média de idade de 40,4 anos, totalizando 17 recessões, avaliou a estabilidade dos resultados da RPG com a membrana (GUIDOR®) em um período (média) de 25,3 meses, pacientes com idade média de 40,4 anos, totalizando 17 recessões. Obteve mudanças significativas no nível de inserção e PS. Porém, alcançou uma média de cobertura de 92,3% aos seis meses e ao final do estudo 58% (25,3 meses), esta diferença estatisticamente significativa levou o autor a questionar a estabilidade longitudinal da RPG para cobertura radicular.

Cangini et al. (2003) descrevem um relato de caso de uma paciente com 34 anos, apresentando recessão generalizada em todos os dentes maxilares, tendo como etiologia a escovação traumática. O tratamento foi realizado em seis dentes com recessões de 4 a 6mm de profundidade. Neste procedimento, os autores utilizaram a membrana (GUIDOR®) segundo a técnica de Pini Prato et al. (1992), obtendo cobertura completa em todos os sítios. Os resultados estéticos e funcionais foram mantidos nos 18 meses de acompanhamento.

2.5 Estudos com a matriz dérmica acelular (MDA) no tratamento das

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