II. Modelo Circular Narrativo
10. ESTUDOS DE CASOS
Nós acreditamos que a mediação é, primeiramente, vontade, uma vontade de abrir estradas, de construir pontes, de estabelecer
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elos, onde não existem, a fim de permitir a pessoas ou grupos de se unirem, com a finalidade de permitir a alguém que o encontre o caminho do auto-conhecimento. A mediação é um apelo à inventividade e à criação. (Carta da Mediação, SIX, 2001, p. 281).
Dos casos atendidos na mediação, os principais conflitos estão relacionados à:
Administração e compartilhamento dos cuidados ao idoso; Divisão das despesas domésticas;
Questões patrimoniais;
Administração do benefício previdenciário do idoso; Contratação de cuidador;
Dificuldades relacionais;
Abandono e /ou ausência de vínculos.
Passa-se a descrever dois casos de mediação selecionados dentre os que foram atendidos no período de junho de 2011 a junho de 2015. Foram selecionados por contemplarem realidades e conflitos diversos: um caso está relacionado a uma família numerosa com dificuldade de se organizar nos cuidados de longa duração da mãe adoecida; o outro se refere a um idoso com dificuldades relacionais com a filha.
Com relação ao estudo de caso, esclarece SEVERINO (2015, p. 121) a utilidade:
Pesquisa que se concentra no estudo de um caso particular, considerado representativo de um conjunto de casos análogos, por ele significativamente representativo. [...] O caso escolhido para a pesquisa deve ser significativo e bem representativo, de modo a ser apto a fundamentar uma generalização para situações análogas, autorizando inferências.
A pesquisa foi realizada por meio documental a partir dos registros constantes nos Procedimentos Administrativos e das anotações dos mediadores durante os atendimentos, no mês de novembro de 2015.
Como a mediação é um processo sigiloso, os nomes dos mediados foram modificados para exemplificar o acordo em um dos casos narrados,
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os números do Procedimentos. Administrativos, bem como dados específicos dos casos não serão identificados. As idades dos idosos referem -se ao período da realização da mediação.
1º Caso: Idosa
Resumo do Procedimento Administrativo : Idosa de 76 anos , dependente de cuidados , portadora da doença de Parkinson, já teve trombose e recentemente sofreu um Acidente Vascular Cerebral- ACV, possui nove filhos ( seis filhas e três filhos) , uma das filhas procurou o CREAS – Coordenadoria de Assistência Social para solicitar uma vaga de internação para sua mãe em uma Instituição de Longa Permanência – ILPI , alegou estar impossibilitada em continuar os cuidados da sua mãe, disse somente contar com a colaboração de um dos irmãos algumas horas por dia, pois está desempregado. No Relatório Social do CREAS do Procedimento Administrativo instaurado na Promotoria de Justiça, foi realizada reunião com todos os filhos sobre a situação vulnerável da idosa e sobre o pedido de vaga em ILPI, todos descartaram a possibilidade de acolhê-la.
Foram alertados sobre a perda total de vínculo, decorrente da institucionalização e levantadas alternativas para os cuidados básicos de atenção: contratação de cuidadora, disponibilidade de um integrante da família assumir os cuidados, divisão da complementação dos gastos, possibilidade do ex- companheiro cuidar. Foram esclarecidas as consequências da não assistência ao idoso, sem intimação ou preocupação dos familiares. Constataram que a alternativa que realmente interessava a todos, sem exceção é a internação da idosa, pela perda dos vínculos, perceberam que “não há espaço na vida dentro da vida dos mesmos para a inclusão da mãe”. Concluíram que “a família tem várias questões mal resolvidas em seu seio, segredos, que impedem unir-se minimamente diante dessa situação, que exige um atendimento mais emergencial”. Constaram a dificuldade de conseguir vaga em instituição para o idoso nas condições de total dependência. Encaminharam o caso ao Poder Judiciário /Vara da Família, “visando garantir medidas de proteção para esta idosa que está sendo negligenciada e tratada com indiferença pelos seus”.
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No acompanhamento do Procedimento Administrativo pela Promotora de Justiça responsável foram constatados conflitos familiares e encaminhado o caso ao Setor de Mediação.
MEDIAÇÃO
Os nove filhos da idosa foram convidados para participarem da mediação. Foram realizados oito encontros agendados mensalmente no período de julho de 2011 a fevereiro de 2012. Participaram dos encontros cinco mediadores, dois em campo e três na equipe reflexiva.
A mediação foi iniciada e perguntado se conheciam o que era a Mediação? Os mediados utilizaram nas respostas as palavras: “acordo, conciliação e entendimento”. A mediadora prosseguiu com a fala de abertura, explicação do método, princípios e como os encontros acontecem. Os encontros foram realizados em média com 7 filhos presentes, em apenas um dos encontros uma das filhas foi atendida em cáucus (encontro privado).
Durante os encontros falaram como está a idosa, como acontecem os cuidados e a dificuldade em se organizarem. Narraram:
A mãe mora com uma filha e duas netas, uma das filhas sempre cuidou da mãe e agora sente necessidade de voltar a trabalhar, os demais irmãos reconhecem os cuidados já prestados pela irmã, procuraram uma internação pública intensiva para a idosa, mas não conseguiram pelo fato da idosa necessitar de acompanhamento permanente;
Todos se preocupam muito com a saúde da mãe, cuidam da sua higiene, deixam a casa limpa, tentam se revezar, ficam telefonando, mas há momentos do dia que estão trabalhando, quando então deixam a idosa em companhia dos netos menores de 11 e 12 anos, ficam preocupados e são nesses momentos que o funcionário do
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Posto de Saúde do bairro visitou e constatou que ela não tem condições de ficar sozinha;
Uma das filhas disse sobre um acordo feito antes da mediação para combinarem: cuidados com a mãe, divisão dos gastos, contratação de uma cuidadora e colaboração dos filhos;
Um dos filhos relatou sentir mágoa dos pais, pois foi abandonado e apanhava (ficou muito emocionado no encontro, sempre acolhido com a escuta ativa das mediadoras);
Uma das filhas relatou a contratação de uma cuidadora, mas não deu certo pois há momentos que a idosa fica mais relutante;
Um dos filhos se dispôs a falar com uma enfermeira para ser cuidadora, e o tempo todo demonstrou querer que tudo se resolva logo, depois refletiu que realmente é necessário um tempo para que as coisas aconteçam, é necessário ficar mais calmo;
A filha cuidadora expôs não aguentar mais sozinha a responsabilidade, se ninguém trabalhasse pelo valor que foi proposto, iria oferecer mais; os demais a princípio entenderam, mas também demonstraram a dificuldade em cada um pagar mais.
Os filhos esclareceram: a idosa ficava com os netos de 14 e 15 anos, além de um filho maior responsável pelo almoço. Conseguiram uma cuidadora conhecida da família, acordaram horário e salário, mostraram-se preocupados se a cuidadora iria permanecer.
Foi perguntado pela mediadora como poderiam ajudar para manter a cuidadora?
Eles responderam que por meio do diálogo e pela garantia que o dinheiro fosse pago em dia. Relataram a possibilidade do pagamento da cuidadora com o valor do benefício da idosa e mais um acréscimo partilhado entre os irmãos para as demais despesas (alimentação e higiene).
Cada filho foi expondo como poderia contribuir no acréscimo que seria necessário partilharem: estipularam R$ 70, 00 para cada um. Todos os filhos presentes concordaram na contribuição com exceção de:
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Um irmão por não aceitar responsabilidade, pois existe uma questão de uma partilha de um bem de seu pai e mãe que são separados, mas ele não sabe como ficou o processo, se nega a pagar qualquer quantia para a mãe enquanto não for resolvida essa questão com o pai.
Uma irmã, por já ter ajudado por 8 anos e se encontrar em dificuldades financeiras, não poder ajudar
Um irmão relatou não poder contribuir no momento por estar afastado do trabalho por motivos de saúde.
A mediadora perguntou aos demais o que achavam? Os demais irmãos concordaram com a não participação. Disseram também sobre a contribuição não ser somente financeira, exemplificaram poderia ser uma compra específica, que tivessem consciência das necessidades da mãe
Durante as sessões houve melhora na comunicação, realizaram combinados a partir do quarto encontro relacionados a contratação de uma cuidadora paga com o benefício previdenciário da idosa complementado pelos filhos além da ajuda nos cuidados com a idosa, porém tiveram dificuldades em cumpri-los compareceram em mais dois encontros de acompanhamento.
Com relação aos combinados foi perguntado pela mediadora como pode ser possível mantê-los e o que a mediação ajudou ou pode ajudar? Responderam: a mediação ajudou na divisão das responsabilidades, em ficarem mais presentes e verem mais a mãe. Uma das filhas disse que não procuraria mais uma clínica para a mãe como era antes seu objetivo.
Finda a mediação realizaram um acordo acompanhado pela Promotora de Justiça responsável pelo caso.
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Em 02 de março de 2012 .nos seguintes termos: a) a Sra. Ivani continuará morando com as filhas Marinete e Maria; b) todos estão de acordo com a contratação de uma cuidadora, no momento a Sra. Jussara, no horário das 7 às 17h , de segunda à sexta –feira , pelo salário de R$ 800,00 pagos com o benefício previdenciário da idosa mais pensão alimentícia dos filhos; c) a pensão alimentícia será no valor de 11% do salário mínimo, correspondente ( em 2012) à R$ 68, 42 , para os filhos : Marlene, Maria , Marcos , Mário e Marinete, de 16% do salário mínimo ( em 2012) correspondente à R$ 99, 52, mais fraldas para a filha Marilda; d) a pensão será paga , mensalmente todo dia 10 na conta bancária aberta para essa finalidade junto à Banco, agencia , c/ poupança, em nome de Maria ; e) os filhos Maurício e Marília não irão pagar pensão alimentícia , sendo certo que o filho Maurício, com a concordância de todos os presentes , não pretende ajudar sua mãe em nada ; a filha Marília também concorda com os termos do presente acordo, somente não está contribuindo , pois no momento está com dificuldades financeiras e já cuidou da idosa durante 8 anos; f) todos comprometeram-se a junto com a cuidadora realizarem o acompanhamento integral da idosa , cuidando da alimentação, higiene e medicação. O acordo foi homologado pela Promotora de Justiça que acompanha o Procedimento Administrativo constituindo título executivo extrajudicial.
CONSIDERAÇÕES:
Este caso é um exemplo comum um dos filhos em geral é o cuidador do idoso dependente de cuidados, não consegue administrar sua função e por conflitos familiares possui dificuldades em compartilhar os cuidados. No exemplo mencionado com a mediação os mediados passaram a realizar ajustes nos combinados já feitos anteriormente conforme a realidade familiar. Já haviam feito um acordo antes da mediação, mas tinham dificuldades no cumprimento do mesmo, pois se um dos irmãos, descumprisse o combinado feito, todos os demais deixavam de cumprir o acordo, e os cuidados da idosa ficavam prejudicados. Quando cada filho
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tornou -se responsável pelo fim comum dos cuidados com a mãe, começaram a ver outros combinados além da participação financeira, ao final fizeram novos combinados e concordaram que dois irmãos não participariam, somente foi possível o acordo quando passaram a ter um diálogo transformador para a construção de um fim comum dos cuidados da idosa.
Diálogo Transformador:
Pode ser visto como qualquer forma de intercâmbio que consiga transformar uma relação entre os indivíduos que, do contrário, estão comprometidos com realidades separadas e antagônicas (e suas práticas relacionadas) em uma relação na qual realidades comuns e solidificadoras estejam sendo construídas (SCHNITMAN & LITTLEJOHN, 1999, p. 31, grifo nosso)
2º Caso: Idoso
Denúncia de uma das filhas à ouvidoria do Ministério Público e encaminhada à Promotoria de Justiça pelo CAO Cível – Centro de Apoio Operacional das Promotorias Cíveis e de Tutela Coletiva, encaminhada pela violência física e verbal sofrida pelo idoso de 65 anos, causada pela outra filha.
Mediação
Mediados: idoso, companheira e uma das filhas do idoso
Foram realizadas 5 sessões de mediação de agosto de 2013 a março de 2014. Participaram dos encontros 4 mediadores, dois em campo e dois na equipe reflexiva. Segue um resumo das narrativas dos encontros.
Os mediadores fizeram a fala de abertura apresentaram o processo e os princípios da mediação e iniciaram a mediação com a escuta dos mediados sobre o que está acontecendo.
102 foi criada pelos avós, tem uma filha ( ainda criança) moram todos juntos no mesmo terreno ( sua filha, seu pai, sua madrasta e a filha desta ) ;
os conflitos acontecem pelo não pagamento das contas entre ela e seu pai, um era responsável pelo pagamento da água e outro pela luz.
seu pai a teria destratado, sempre discutiram , nunca teve um relacionamento de afeto com o pai;
O idoso narrou:
ser portador de necessidades especiais , sua primeira esposa também era, sua mãe quis cuidar de sua filha ; xingou a filha e disse que chamou a polícia pelos
desentendimentos e por quebrar coisas na sua casa; sua mãe faleceu e deixou os bens para ele, disse : “
minha filha proibiu minha neta de falar com todo mundo e o problema era comigo”.
histórias de agressões entre os dois;; não ser respeitado onde mora ;
Para a companheira com relação a mediação:
os maiores interessados são os dois; não tem nada contra a filha dele; convive com o idoso há vários anos, tinham todos uma convivência legal;
“é interessante, muito bom fazer a escada “; ;
A filha diz ser muito parecida com o pai. Menciona já ter usado drogas e não faz mais uso.
O idoso fala sobre os vários processos movidos entre ele e a filha, porque não conversam. Diz sempre ter sido o provedor da família.
Relatam as narrativas sobre as agressões recíprocas
Na equipe reflexiva uma mediadora menciona os princípios da mediação e pergunta para refletirem sobre os pontos positivos e o reconhecimento do outro. Outra mediadora fala sobre a questão do afeto.
O idoso se emociona e é acolhido pela filha. Ela conta sentir falta da filha e da neta de sua madrasta (amigas de sua filha) e reforça como a crise
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entre os dois separou as crianças. O idoso narra suas dificuldades como portador de necessidades especiais.
A mediadora reconhece que há muitas dores entre os dois e pergunta que o se podem refletir sobre a construção de uma nova comunicação?
Para o idoso gostaria de ter um relacionamento como já viveram em um período anterior. A filha também faz menção do período em que tiveram uma convivência harmoniosa. A filha relatou encorajar a sua filha a se comunicar com o avô, não a afasta do avô. A companheira narrou gostar da filha do idoso e de sua neta. Trouxe como “ coisa boa” é querer regatar o que houve de positivo entre as partes.
Equipe Reflexiva: é lembrado a mediação como um espaço e tempo para fala e escuta para as pessoas se comunicarem e resolverem suas questões; perguntam para contarem mais sobre o período harmonioso vivenciado.
Para a filha: “período harmonioso era estar com a presença do pai no mesmo terreno, o que lhe dava segurança a convivência da sua filha com o avô. Para o idoso“ considera harmonioso os mesmos motivos apresentados pela filha.
Equipe Reflexiva: refletem sobre o reconhecimento do outro e a relação afetiva.
Para o idoso: “quando há o rompimento das relações, dificilmente há mudança nas comunicações”. Ele se lembrou do material de construção deixado por sua filha no quintal; ele recolheu e não falou nada, antes teria falado. A mediadora reforça os movimentos positivos: tanto da filha fazer a reforma como do pai em recolher os entulhos.
A filha diz ter pouco tempo para se comunicar com o pai. A mediadora pergunta se poderiam aproveitar este momento do encontro da mediação
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para se comunicarem quanto a organização das contas comuns (água, luz). A companheira reforça: “ estes pontos são concretos, e devem ser tratados agora”. Entende: cada um fazendo a sua parte, poderá ser resolvida a questão entre pai e filha. Ela gostaria que tudo fosse resolvido na mediação.
A mediadora perguntou sobre os pedidos que gostariam de fazer na mediação
A filha pede ao pai para que sejam instalados os relógios de consumo de água, para que as contas sejam separadas, se não for possível, compromete-se em pagar a sua parte; o idoso concorda em continuar com o mesmo relógio de água e que quando ela não puder pagar para falar com ele; a filha também diz a mesmo para o pai se ele precisar. O idoso diz ser ideal a construção de um muro que separe os imóveis de cada um e os relógios de consumo, fizeram combinados nesse sentido.
A filha via a mediação como um meio “ dela expor seus problemas a estranhos, “ no entanto relatou o que ela percebeu foi um meio de realizar o que sempre desejou “ estar bem com o pai”; o idoso disse ter se desculpado pelos xingamentos feitos à filha e que está bem agora. A filha comentou a ajuda do pai nos cuidados com a casa. Apresentou seu namorado ao pai. Lembrou como sua filha ficava muito mal com a briga dos dois.
Foi realizado um acordo entre o pai e a filha perante a Promotora de Justiça no qual declararam: o restabelecimento da comunicação; a volta da convivência; a utilidade da mediação para toda a família; tendo o idoso, inclusive no momento da celebração do acordo manifestado bastante emoção; acordaram sobre reformas na casa e o pagamento das contas de água e luz. A Promotora de Justiça constatou o restabelecimento da comunicação, a ausência da situação de risco e arquivou o Procedimento Administrativo.
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Dentre os casos encaminhados a mediação quando há conflito relacional envolvendo o idoso é comum ter relatos de violência e agressões físicas e verbais. Nas histórias narradas percebe-se, em geral, um contexto no qual a violência familiar faz parte da família, como um sistema. A mediação foi uma possibilidade para os mediados trabalharem o empoderamento e o reconhecimento do outro, narrarem suas histórias, se desculparem, se lembrarem dos momentos que foram positivos, refletirem sobre a possibilidade da reconstrução do diálogo, construções de soluções para os impasses, passam a ser atores sociais.
Os atores sociais podem incrementar sua capacidade para iniciar novas ações, atuar como protagonistas ao enfrentar e resolver conflitos e dilemas em sua vida, assim como narrar novas e melhores histórias sobre os sistemas dos quais são partes e de seu lugar nos mesmos (SCHNTIMAN &LITTLEJOHN, 1999, p. 20). A mediação trabalha com escuta das histórias dos mediados, significados destas e dos conflitos relacionados, com a possibilidade de construções de novas histórias, quando possíveis. Nas narrativas dos mediados, surgem muitas histórias, todas de valor, conforme MORGAN (2007 p. 15):
Todos temos muitas histórias sobre nossas vidas e relações ocorrendo simultaneamente. Por exemplo, temos histórias sobre nós mesmos, nossas aptidões, nossas lutas, nossas competências, nossas ações, nossos desejos, nossas relações, nosso trabalho, nossas conquistas, nossas aquisições, nossas falhas. O modo com que desenvolvemos essas histórias foi determinado por como interligamos certos eventos numa sequência e pelos significados que atribuímos a eles.
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