3.4 Participantes
3.4.1 Etapa 1 – O BIM e a realidade contextual dos estudantes
Nesta etapa da pesquisa tivemos a intenção de investigar a realidade contextual dos estudantes do curso em relação à tecnologia BIM. Destacamos que a revisão de literatura realizada contribuiu para o aprimoramento das questões de investigação, pois o instrumento de coleta continha questões que nos auxiliaram a entender como os estudantes do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPel
entendiam a ferramenta BIM. Tínhamos como ideia inicial que os estudantes teriam um conhecimento genérico sobre o BIM, podendo também vincular a ideia de BIM a um software específico e, portanto, teriam alguns pré-conceitos sobre a empregabilidade dessa tecnologia.
Realizamos a primeira etapa da pesquisa, por meio de uma pesquisa com um survey, levando em conta que se trata de uma metodologia adequada para buscar informações diretamente com o grupo de interesse. Este tipo de pesquisa é explicado como uma prática que possibilita a obtenção de dados, informações sobre as caraterísticas e opiniões de um grupo sobre um determinado assunto (SILVEIRA; CÓRDOVA, 2009). Pesquisas com survey são adequadas quando queremos investigar o que está acontecendo, e o objeto de interesse ocorre no presente ou no passado (FREITAS et al., 2000). Para isso, elaboramos um instrumento com o qual buscamos investigar as ideias, o que pensam sobre o assunto, enfim, o que fosse pertinente sobre esse grupo de estudantes com relação à tecnologia BIM, tendo com base nas investigações de Delatorre; Pereira e Miotto (2015). Destacamos que, essa primeira coleta da pesquisa foi destinada aos estudantes do curso de arquitetura que já tivessem cursado pelo menos o primeiro semestre da grade curricular, e que são, segundo o colegiado e, publicado no site da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, são 323 estudantes matriculados no curso. Nessa coleta obtivemos a participação voluntária de 102 estudantes.
Para a coleta de dados desta etapa, organizamos e aplicamos um instrumento que continha questões relacionadas às contribuições da modelagem arquitetônica em software de tecnologia BIM, verificando o emprego de estratégias autorregulatórias na elaboração de projetos arquitetônicos. O instrumento de coleta de dados foi disseminado por dois meios. O primeiro, por formulários impressos em folha A4, preenchidos à mão, no ambiente da universidade na presença do pesquisador, com a deferência de outros professores que cederam minutos de suas aulas em apoio a esta pesquisa. O segundo meio utilizado foi uma ferramenta de formulários eletrônicos os quais foram remetidos pelo pesquisador diretamente aos alunos do curso por e-mail ou por mensagens de redes sociais.
As duas formas de distribuição de formulários permitiram coletar e tabular 102 respondentes sendo validados 101. Um participante não foi validado por conta de uma questão eliminatória constante no formulário eletrônico. No caso específico desse
estudo, constava do formulário on-line uma questão na qual era perguntado ao participante se ele era um estudante regularmente matriculado na graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo e, no caso de a resposta ser negativa, a seção era encerrada e o respondente conduzido para uma seção final de agradecimento pela participação.
O instrumento foi pensado em três seções: primeiro, os dados demográficos do participante para traçarmos um perfil dos mesmos; segundo, o que ele sabia sobre a tecnologia BIM, como aprendeu ou teve contato com essa tecnologia e, por fim, que expectativas e percepções o estudante tem sobre o BIM no âmbito acadêmico no qual está inserido. A escolha dos temas das seções teve como guia pesquisas que investigaram a implementação ou os resultados na área da tecnologia BIM. (KITCHENHAM; PFLEEGER, 2002).
O planejamento das perguntas foi baseado nos trabalhos de Palomera-Arias e Liu (2016) e de Delatorre, Pereira e Miotto (2015). Estes autores pesquisaram aspectos relativos à inserção da tecnologia BIM no ensino, no campo do AEC, com surveys. Ambos os trabalhos fizeram uso de escalas likert de cinco níveis de impacto, estratégia que foi replicada no instrumento utilizado nesta tese. As seções do instrumento foram organizadas como listas de perguntas para obter respostas essenciais à pesquisa: Quem? Onde? O quê? Quando? Como? Por quê? (FREITAS et al., 2000).
A primeira seção do instrumento investigou dados demográficos, como idade, ano de ingresso, distribuição dentro da grade curricular, se o participante já teve algum contato com o BIM, que conhecimentos pontuais e específicos tem sobre a tecnologia e como ele entende e explica o que é o BIM. Foi solicitado que fizessem considerações sobre as preocupações e expectativas com relação ao uso da tecnologia BIM.
A segunda seção do instrumento buscou saber como o participante entendia e esperava que o BIM fosse ensinado nos cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo. Essa seção do instrumento tomou como base o trabalho de Delatorre, Pereira e Miotto (2015), os quais abordam relatos de aplicação de BIM no ensino de arquitetura. Na terceira sessão, seguiu o trabalho de Palomera-Arias e Liu (2016), no qual apresenta exercícios de laboratório e, posteriormente, investiga junto a estudantes pontos relativos aos tópicos abordados, o que deu suporte a essa terceira e última seção do questionário, que também utilizou uma escala likert de cinco níveis
de impacto, sendo eles, “discordo totalmente”, “discordo”, não discordo nem concordo”, “concordo” e “concordo totalmente” respectivamente.
Conforme preconiza a teoria, a coleta de dados com a utilização de questionários, tem como vantagem que estes contribuem significativamente para a realização de estudos exploratórios que buscam o levantamento de uma amostra ou de uma população, mas sem descartar a possibilidade de entrevistas que serão posteriormente explicadas (SILVEIRA; CÓRDOVA, 2009).
Pontuamos que, devido a essa etapa ter como ênfase o levantamento das estratégias autorregulatórias empregadas pelos participantes na aprendizagem em BIM, foi fundamental a participação livre de cada estudante que, imersos em seu contexto pessoal e no curso de Arquitetura e Urbanismo, responderam às questões relacionadas ao tema da pesquisa. Assim, buscamos coletar os dados no campo e no local em que os participantes da pesquisa vivenciam as questões e problemas estudados durante os semestres letivos. Argumentamos a forma como foi desencadeado o processo de coleta do questionário, porque não tivemos a intenção de levar os estudantes a responderem em um laboratório, pois consideramos que isso seria caracterizado como uma situação artificial, como também entendemos que se fosse, por exemplo, coletado em período de férias, não seria produtivo. (CRESWELL, 2010). No entanto, para validar as questões propostas no instrumento realizamos um estudo piloto.
3.4.1.1 Estudo piloto
O estudo piloto foi feito com a intenção de auxiliar no aprimoramento do instrumento para a coleta desta etapa, tendo o cuidado de analisar tanto em relação ao conteúdo, quanto em relação à formulação das questões propostas. Com a realização do estudo piloto intencionamos qualificar o instrumento de coleta para posterior análise dos dados coletados. Yin (2014) pontua que o estudo piloto pode ajudar a destinar mais recursos na fase da coleta de dados da pesquisa de forma a poder corroborar com a elucidação do problema.
O instrumento foi submetido à avaliação de profissionais para que as questões ficassem bem claras e objetivas. Essa avaliação contou com a colaboração de dez profissionais, sendo realizada em duas etapas. A primeira, com seis profissionais tendo experiência no uso de instrumentos relativos à pesquisa sobre o construto da autorregulação da aprendizagem e de procedimentos metodológicos adotados no
campo da educação. Outros quatro profissionais foram envolvidos por terem experiência no campo do ensino de arquitetura e urbanismo, especificamente nos campos da representação gráfica e de ensino de projeto arquitetônico. Destacamos que os profissionais envolvidos eram professores das áreas da Educação e da Arquitetura, além de doutorandos do grupo GEPAAR – Grupo de Estudos e Pesquisa da Aprendizagem Autorregulada.
Com estes profissionais, foi possível refletirmos sobre a adequação da linguagem, os objetivos de cada tópico, a abrangência e o foco de cada pergunta constantes no instrumento. A partir das contribuições dos avaliadores, o instrumento foi revisado e ajustado. Superada essa primeira etapa de análise, os mesmos profissionais e mais outros dois professores convidados fizeram a avaliação final do instrumento, antes de serem enviados para os estudantes responderem. Cabe destacar que os dois avaliadores convidados para essa última etapa da avaliação do questionário são arquitetos, doutores, professores de ensino superior com mais de dez anos de experiência nas áreas de projeto, desenho gráfico e digital e tecnologia. Para explicar melhor, solicitamos aos profissionais e professores avaliadores que ao realizarem as avaliações do instrumento considerassem em suas análises as seguintes questões:
a) Adequação de ortografia e gramática;
b) Adequação ao contexto do ensino de BIM e à autorregulação da aprendizagem;
c) Adequação ao contexto do uso de Tecnologias Computacionais para a construção de projetos;
d) Facilidade de compreensão do que é solicitado em cada instrumento. A cada avaliador foi apresentado o tema, os objetivos e a hipótese de tese que se busca defender neste trabalho, para que pudessem fazer uma análise crítica e fundamentada sobre os instrumentos de pesquisa. Os envolvidos enviaram pareceres descritivos e apontaram sugestões de encaminhamentos com relação às questões de pesquisa, fizeram apontamentos em cada instrumento, buscando adequação conforme solicitado, reencaminhando para o pesquisador definir, em coparticipação com o orientador, a versão final.
Antes, porém, os avaliadores sugeriram para este instrumento de coleta duas adequações, as quais foram prontamente acatadas. O primeiro profissional sugeriu
uma mudança da escala likert utilizada, deixando a neutralidade não como primeiro ponto de impacto, mas sim como o terceiro. A razão de entendermos a pertinência da sugestão foi a equivalência com a proposta de escala do trabalho de Palomera-Arias e Liu (2016). O segundo profissional sugeriu que seria importante criar uma pergunta para avaliar o quanto o estudante conhece o BIM pois, segundo o avaliador, caso o participante não conhecesse a tecnologia, nem de modo superficial, as demais perguntas perderiam o sentido e, para tanto, foi elaborada uma seção em que se solicitou ao estudante participante da pesquisa que explicitasse seu conceito ou entendimento sobre o que ele entendia por BIM. A versão final do formulário se encontra no Apêndice A.
Além da coleta presencial, utilizamos uma plataforma eletrônica para o envio do questionário online com a intenção de ampliarmos o alcance da pesquisa de forma que o instrumento chegasse a todos os estudantes que já tinham cursado o primeiro semestre do curso. Essa alternativa contribuiu para contarmos com a participação voluntária de 102 estudantes, um número significativo considerando haver 323 estudantes matriculados no Curso de Arquitetura e Urbanismo. Wu e Issa (2013) destacam no trabalho de Evans e Mathur (2005), que as vantagens típicas dos estudos on-line, em comparação com os métodos tradicionais, incluem baixo custo, facilidade de implantação, flexibilidade, velocidade e pontualidade, e por isso também lançamos mão desse tipo de recurso.
3.4.2 Etapa 2 – Intervenção Pedagógica - Estratégias de Autorregulação da