Conforme reportado, o processo de auto-avaliação em geral possui duas vertentes: a auto-avaliação institucional e a auto-avaliação de cursos universitários. Considera-se que ambos os processos, se adequadamente elaborados e conduzidos, podem fornecer aos gestores (reitores, pró-reitores, diretores, coordenadores, etc.) informações valiosas a respeito do desempenho da IES/cursos avaliados segundo a percepção dos atores envolvidos na avaliação.
Entretanto, considera-se que as duas vertentes apresentam contextos distintos, mas que se complementam: na primeira vertente, busca-se avaliar a atuação de uma IES como um todo, um bloco integrado composto por diversas unidades acadêmico- administrativas e cursos universitários. Por outro lado, a segunda vertente busca avaliar a realidade de cada curso e a sua interação com aspectos essenciais ao seu funcionamento (instalações gerais, bibliotecas, laboratórios, etc.), presentes nas unidades acadêmico-administrativas envolvidas.
Neste contexto, considera-se que a auto-avaliação de cursos é fortalecida pelo caráter granular da análise, ou seja, busca captar realidades locais (fragilidades e potencialidades dos cursos) que, uma vez estendida às demais unidades, irão compor a realidade do ‘todo’ (IES). Seguindo esta vertente, propõe-se um procedimento para estruturação do processo de auto-avaliação de cursos universitários segundo a percepção de três importantes atores: corpo docente, corpo discente e corpo técnico- administrativo. A figura 4.1 ilustra o relacionamento entre os atores envolvidos, elementos, considerando as quatro ‘Dimensões’ compreendidas na estrutura proposta: Organização Administrativa, Instalações, Corpo Docente e Corpo Discente.
Graduação Pós-Graduação Iniciação Científica Monitoria P e rc e pçã o do Co rpo Do c e nte P e rc e p ç ã o do Cor p o D is c e n te C or po Doc e nte Corpo Dis cente Organização Administrativa Instalações
Percepção do Corpo Técnico-Administrativo Avaliação de Cursos de Graduação e Pós-Graduação
Corpo Técnico-Administrativo
Figura 4.1: Relacionamento entre os elementos do processo de auto-avaliação das IES. Fonte: própria.
Para os componentes deste processo avaliativo proposto, são consideradas as etapas da construção e operacionalização do modelo que foi estruturado, que consiste em auto-avaliar cursos universitários segundo a percepção do corpo docente, do corpo discente e do corpo técnico-administrativo.
Assim, serão definidas as etapas do processo representado acima: ETAPA 1 – DEFINIÇÃO DO MODELO
A definição operacional do modelo é o ponto de partida. Será relatado todo o processo de avaliação, por isso podendo ser considerada a etapa mais importante, pois será o corpo de toda a proposta.
(i) O objeto da avaliação: consiste em definir a IES e o curso que será avaliado. Recomenda-se que o processo de auto-avaliação da IES seja composto pela auto- avaliação de cada Curso da referida IES, possibilitando avaliar a Qualidade do Ensino Superior oferecido sob a percepção de cada um destes cursos. Recomenda-se também, que a auto-avaliação seja realizada experimentalmente em apenas um Curso,
considerando todos os níveis de ensino oferecidos pelo curso (graduação, pós- graduação, monitoria e estudos de iniciação científica.), com o intuito de possibilitar a avaliação e um possível ajuste no modelo utilizado.
(ii) Critérios de Avaliação – os critérios devem estar relacionados às Quatro Dimensões que influenciam a qualidade do ensino superior fornecido. E cada critério é composto por itens que compõem o instrumento de avaliação. Adicionalmente deve-se determinar o Grau de Importância (GI) de cada um desses itens. Essas informações podem ser obtidas a partir da opinião dos professores, alunos e funcionários técnico- administrativos do Curso e também a partir de pesquisas junto à literatura científica. É importante notar que os critérios que constituirão a avaliação do corpo discente serão definidos pelo corpo docente e vice-versa, e os critérios que constituirão a avaliação do corpo técnico-administrativo serão referentes à organização administrativa e instalações disponíveis, como mostrado na figura 4.1.
(iii) Os Avaliadores – as avaliações deverão ser conduzidas conforme o objeto da avaliação, ou seja, através da coleta dos julgamentos dos alunos, dos professores e funcionários técnico-administrativos do curso que serão avaliados. Nesta etapa é necessário definir a população a ser avaliada, se todos (alunos, professore e funcionários administrativos) serão avaliados ou será realizado algum procedimento de amostragem.
(iv) Escalas de Avaliação – em todo sistema de avaliação é necessário definir escalas de valores que serão utilizadas para avaliar o grau de desempenho de cada um dos itens. Deve haver preocupação com a escolha da escala a ser utilizada no instrumento de pesquisa. Recomenda-se, neste caso, utilizar uma escala não comparativa (Likert), pois segundo Malhotra, (2006), exige que os respondentes indiquem o grau de concordância ou discordância com cada uma de uma série de afirmações sobre objetos de estímulo.
(v) Procedimento de coleta de dados e informações junto à comunidade acadêmica – nesta etapa deve-se elaborar um instrumento de pesquisa confiável,
capaz de captar as reais percepções dos avaliadores a respeito do objeto avaliado. Além disso, é importante analisar e definir os aspectos que podem influenciar positiva e negativamente os resultados da pesquisa, tais como: a forma de abordagem (formulário impresso ou eletrônico, preenchimento individual do formulário ou entrevista, etc.); período e a periodicidade da coleta; o conteúdo do formulário; etc. Segundo Hayes (apud Rodrigues, 2005), apesar do formulário de pesquisa (questionário) ser um dos instrumentos de pesquisa mais difundidos, especial atenção deve ser dedicada à verificação da validade e confiabilidade do mesmo.
(vi) Procedimento de agregação dos julgamentos – este procedimento se propõe a agrupar os julgamentos da comunidade acadêmica (corpo docente, corpo discente e corpo técnico-administrativo) em um único índice global que reflete o desempenho da instituição ou do curso avaliado, à luz de todos os critérios relacionados.
(vii) Procedimento de classificação – este procedimento objetiva associar o índice global de desempenho da instituição ou do curso avaliado a uma das categorias de classificação pré-estabelecidas (atualmente o MEC utiliza a escala alfabética, cujos conceitos de desempenho dos Cursos está disposto em ordem decrescente de relevância, são: A, B, C, D e E).