4.1 METODOLOGIA DE PROJETO
4.1.1 Etapas do processo criativo de Gomes (2001)
Criar é um processo onde encontramos meios para conceber, gerar, formar, desenvolver e materializar ideias. Ele está ligado aos cinco sentidos perceptivos e a qualidade de conexões que o cérebro produz. Segundo Gomes (2001) a criatividade pode ser caracterizada como “expressiva” e “produtiva”, o autor ainda define a criatividade como:
[...] conjunto de fatores e processos, atitudes e comportamentos que estão presentes no desenvolvimento do pensamento produtivo. Criatividade apresenta-se por meio da ilusão (produto livremente fantasiável), da invenção (produto exclusivamente funcional) e da inovação (produto plenamente realizável). (GOMES, 2001, p. 9).
Antes de iniciar um projeto o designer precisa compreender que existem duas habilidades importantes utilizadas na prática profissional que podem identificá-lo como um ser criativo, são elas: as habilidades mentais, que permitem ao designer detalhar seu projeto
em relação a sua forma e funcionalidade; e as habilidades manuais que permitem compreender visualmente, representar e delinear as ideias de seus projetos.
O desenvolvimento de um projeto de design tem início nas habilidades mentais, elas permitem que as ideias imaginativas sejam visualizadas, compreendidas e comunicadas. E é a partir da imaginação do designer que surge o projeto, seja ele um conceito, uma intenção ou um propósito. Porém se esse projeto ficar apenas no espaço das ideias e for difundido apenas por meio do verbo, ele tem grandes chances de ser interpretado e representado por outra pessoa que possa ter mais habilidades, e assim tomá-lo para si. Sendo assim, as representações gráficas, sejam elas desenhadas ou escritas, são importantes em um projeto e permitem que um produto possa ser patenteado. Gomes (2001) defende que um projeto que não tenha desenho não é design.
Conhecer as etapas do processo criativo leva o designer a obter maior controle e percepção dos caminhos que a sua mente percorre, no momento em que percebe a necessidade de solucionar um determinado problema perojetual. De acordo com Gomes (2001, p.67) é no conjunto formado por essas etapas do processo criativo que se encontram os fundamentos técnicos e táticos para uma boa conduta do desenhador ao elaborar seus projetos.
O processo criativo proposto por Gomes (2001) é dividido em sete etapas que são: Identificação (definição; delimitação), Preparação (cognitiva; psicomotora), Incubação (involuntária; voluntária), Esquentação (psicomotora; afetiva), Iluminação (modelagem fônica, 1D; modelagem gráfica 2D), Elaboração (modelagem gráfica, 2D; modelagem gráfica, 3D), Verificação (parcial; final).
Identificação
É a primeira etapa de um projeto, onde se deve observar, entender, definir e analisar uma necessidade com o intuito de identificar um problema a ser resolvido. Nesta etapa são elaborados a problematização – delinear o problema, e a contextualização – restringir a base no qual o processo projetual irá se desenvolver a fim de solucionar os problemas da elaboração do produto. Gomes (2001, p.70) propõem que “os projetos sejam iniciados não apenas a partir do produto em si, mas do contexto que gera a necessidade do produto”.
Preparação
Etapa importante onde ocorre o início das soluções do problema levantado no projeto, utilizando buscas de dados que são pertinentes ao problema e que serão avaliados. Existem duas técnicas de análises que podem ajudar a potencializar esta fase: a denotativa e a conotativa. A análise denotativa é a busca por informações relacionadas ao projeto, os dados das pesquisas são copiados em fichas, são feitas anotações e então são transferidos para o computador. Repetir a tarefa da análise denotativa faz com que as informações fiquem retidas na memória física. Complementando a denotativa, na análise cognitiva se faz a revisão do material bibliográfico (livros, artigos, etc.) que envolvam o tema do projeto, é o levantamento histórico que envolve lembranças, sensações e emoções que podem levar a novas descobertas e novos conhecimentos.
Incubação
Momento em que é necessário um tempo para o inconsciente trabalhar, enquanto o pensamento consciente ainda não possui respostas para oferecer. “O inconsciente desempenha um papel fundamental no processo criativo”. (GOMES, 2001, p. 82). Nesta fase é indicado ocupar a mente com outras atividades intercaladas de um período de descanso, para que o processo de incubação voluntária aconteça e assim deixar o inconsciente faça o seu trabalho de associação das ideias.
Esquentação
A fase de esquentação permite um retorno ao problema projetual de forma visual e não apenas verbal, e está relacionada às habilidades motoras para representar as ideias visualmente trazendo a sensação de que o problema está prestes a ser resolvido, pois utiliza os desenhos para fazer a mente ter pequenos “estalos”, indo e voltando do problema.
É como se as ideias atravessassem a fronteira abstrata do consciente/inconsciente de modo, a princípio, desordenada, porém caminhando para a solução por meio de aproximações gráfico-visuais sucessivas. Ressaltando que as denominadas técnicas de criatividade têm o seu papel nesse processo de representação gráfica. (GOMES, 2001, p. 96).
É quando as ideias são representadas graficamente em forma de esquemas, rascunhos e esboços que as técnicas de criatividade aparecem melhor, porém não permitem que o desenho seja totalmente compreendido. Contudo são esses esboços e esquemas de ideias que possibilitam que o designer possa escolher qual de suas criações atende da melhor forma os objetivos do se projeto.
Iluminação
A iluminação que Gomes (2001) chama de “heureca” é a etapa que ocorre quando o designer se ilumina, trazendo uma luz para uma ou mais de suas ideias. É o momento em que se compreende as relações entre os meios e fins para a solução do projeto. O “heureca” é resultado da soma de três ações: (1) a imaginação das ideias e sua imediata visualização através de modelagens que facilitam a compreensão dos meios que tiram o problema da situação inicial para leva-lo até à situação final que é desejada, (2) a comparação analítica das ideias geradas; (3) e a seleção da ideia que melhor atende aos requisitos do produto.
Elaboração
A etapa da elaboração é onde o projeto é colocado em prática, e o produto será produzido. “É necessário saber e conhecer muito bem o que e para quem se cria”. (Gomes, 2001, p. 102), pois se deve criar sempre com convicção que é o melhor, original e de qualidade. Este é o momento da solução, que exige trabalho e aprofundamento, e é bem provável que os problemas ocorram na elaboração, por isso que nesta parte do processo é importante fazer o uso de esboços, modelagens físicas e gráficas, mockups e protótipos, para que se compreenda como será o produto final e se o mesmo se adequa as necessidades levantadas desde o início do projeto. Assim, se for necessário é possível fazer aprimoramentos e ajustes.
Verificação
A verificação é a etapa consciente e mecânica de aplicação e desenvolvimento do projeto. Onde se deve avançar nas ideias já concebidas, gerando alternativas para o produto e
transportando-as de um nível abstrato para um nível concreto. Apresentando a materialização da ideia, onde se aplicam as técnicas de fabricação do produto e é nessa fase que os ciclos dos processos, criativo e projetual se completam.
Ela apresenta dois momentos: a verificação parcial, que ocorre ao término de cada uma das etapas do processo projetual, a fim de se perceber o andamento das ideias, e a verificação final, quando o processo já chegou ao seu término e um novo produto nasceu e está prestes a ser lançado no mercado.