3.4 ELEMENTOS DE UM PROJETO EDITORIAL
3.4.1 Formatos e proporções
O formato de um livro é determinado pela altura e largura de uma página, de modo geral os mais utilizados para são: retrato, paisagem e quadrado. No formato retrato, a altura da página é maior que a sua largura, no formato paisagem a largura é maior que a altura da página e o formato quadrado com seus lados iguais.
Os livros podem possuir qualquer tamanho e proporção, porém devido a razões de praticidade, estéticas e também de produção, ao desenvolvê-lo é necessário considerar que seu formato seja adequado para a sua leitura, manuseio e viabilidade de produção. O padrão mais utilizado é o retângulo vertical, pela questão da sua praticidade.
A montagem dos livros é realizada da seguinte maneira: a impressão é feita em grandes folhas de papel, em seguida elas são dobradas em cadernos22de 8,16, 32, 64 páginas. Por exemplo: no caderno de oito páginas, quatro folhas são impressas de um lado e quatro do outro lado.
Geralmente os livros são produzidos com o mínimo de desperdício possível, para evitar que a produção se torne cara, porém dependendo do livro e do valor disponível, é
22 “Folha impressa e dobrada, em múltiplos de quatro páginas para formar uma seção de livro”. (HASLAM,
possível investir em novos formatos. O mercado editorial brasileiro oferece alguns formatos mais usuais: os retangulares 13,8x21cm (14x21cm), 15,7x23cm (16x23cm), 16,8x24cm (17x24cm), 21x28cm e os quadrados: 18x18cm ou 21x21cm.
Outros formatos de papel existentes e que são de uso padrão para trabalhos editoriais são do retângulo métrico do DIN (Deutsches Institut für Normung) que equivale ao Inmetro brasileiro da ISO (International Organization for Standardization), e é utilizado como formato básico pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Esse sistema é especial, tendo um formato retangular único, pois quando é dividido em dois, cria outro com exatamente a mesma proporção em seu comprimento e largura. As séries de papel „A‟ (Figura 111) são baseadas nesta dimensão, um tamanho sempre terá a metade do anterior. Por exemplo: o tamanho A0 (841 x 1189 mm) é dividido em dois, formando assim o A1 (594 x 841 mm), que dividido forma o A2 (420 x 594 mm), assim por diante: A3 (297 x 420 mm), A4 (210 x 297 mm), A5 (148 x 210 mm). Também fazem parte do sistema os formatos de páginas B0 (1000 x 1414 mm) e o C0 (917 x 1297 mm).
Figura 111:Formato de papel sistema ISO, tamanhos básicos A0 (841 x 1189 mm).
Fonte: Bringhurst (2011, p. 170).
Não existem proporções ideais, mas sim àquelas que expressam de forma clara que são mais imponentes e outras que são mais discretas. Cada tamanho é pensado de acordo com o estilo do livro e de seu conteúdo, se é apenas texto, imagens e textos, somente fotografias, etc. “Em termos práticos, a escolha do formato de um livro determina o design do modelo que conterá as ideias do autor.” (HASLAM, 2007, p. 30).
Há diferentes formas de se chegar até o melhor formato, estudos precisos sobre a proporção da página, que podem ajudar aos designers a chegar à melhor forma de apresentar o formato do livro, estudos como: Seção Áurea e Série Fibonacci.
No ano de 1509 foi desenvolvida uma investigação por Luca Pacioli, sobre as proporções harmônicas ideais, referente à massa impressa e a superfície do papel em branco. Esses estudos aparecem em seu trabalho Tratado da Divina Proporção, um material que provavelmente foi ilustrado por Leonardo da Vinci. Segundo. “A seção áurea é uma relação simétrica feita de partes assimétricas. Dois números, formas ou elementos incorporam a seção áurea quando o menor está para o maior assim como o maior está para a soma dos dois. Isto é, a:b = b : (a+b)”. (BRINGHURST, 2011, p.171). Assim a parte menor e a maior devem ter a mesma proporção existente entre a parte maior e o todo (Figura 112).
Figura 112: Retângulo áureo
Fonte: Kane (2012, p.106-107).
A seção áurea era utilizada em antigos manuscritos e livros, como constatou o tipógrafo alemão, Jan Tschichold, que dedicou muitos anos analisando estes materiais. Tschichold descobriu que esses impressos eram elaborados com formatos em proporções na maioria das vezes harmônicas. Essa proporção era empregada como modelo de proporção por artistas, escribas e arquitetos, determinando a composição em escalas diversas.
Outra forma de trabalhar com proporções é através da Série Fibonacci, nomeada assim em homenagem ao matemático italiano Leonardo Fibonacci, que descreve uma sequência onde cada número é a soma dos dois anteriores: 0, 1, 1 [1+0], 2 [1+1], 3 [1+2], 5 [2+3], 8 [3+5], 13 [5+8], 21 [8+13], 34 [13+21]...e assim por diante.
A seção áurea e a série Fibonacci estão relacionadas (Figura 113), como descreve Haslam (2007):
Um retângulo áureo pode ser extraído de um quadrado. O quadrado e o retângulo têm uma relação constante: se um quadrado é adicionado ao lado mais longo de um retângulo, ou formado dentro deste, uma nova seção áurea é criada. A relação constante entre o quadrado e o retângulo cria uma sequência espiral logarítmica. Cada quadrado relaciona-se ao seguinte, como parte da série Fibonacci. [...] A soma de dois números sucessivos da série criará seções áureas, infinitamente. (HASLAM, 2007, p. 30).
Figura 113: Representação do retângulo áureo juntamente com a série Fibonacci.
Fonte: Kane (2012, p, 108).
Na Antiguidade clássica a proporção áurea observada pelos artistas, demonstrava que na natureza, nas plantas, nos animais e também na figura humana havia relações constantes que eram proporcionadas nas medidas de todas as suas partes e detalhes. Um exemplo são as
cavidades de uma concha nautilóide23, onde se pode ver a espiral logarítmica de uma série Fibonacci (Figura 114).
Figura 114: Concha que possui em sua forma uma espiral logarítmica da série Fibonacci.
Fonte: Haslam (2007, p. 32).
Geralmente o formato e o tamanho que um livro vai ter podem ser adaptados no decorrer do processo de construção da grade, pois é neste momento que as decisões sobre o tipo escolhido para o texto podem influenciar em relação a altura do corpo do tipo e as entrelinhas.
3.4.2 As grades de construção
A maneira mais fácil de desenvolver a composição de uma página é estabelecendo uma grade ou malha construtiva, que divide o formato em várias unidades menores que auxiliam o designer no momento de compor a página. O uso das grades proporciona consistência ao livro, deixando sua forma visualmente coerente. Elas podem ser simples ou
23 Referente a um náutilo, molusco encontrado em águas profundas dos oceanos Índico e Pacífico. (Haslam,
complexas, definindo sistemas para que a disposição do conteúdo seja feita na página, permitindo que cada elemento sendo ele texto ou imagem, tenha relação visual com os demais.
A grade estrutural determina as dimensões básicas de espaços, de forma a construir relacionamentos visuais na composição, e existem numerosas combinações possíveis. Quanto maior o número de colunas e módulos em uma única página, mais movimentada e viva será a composição que vai resultar. Um número menor de colunas e módulos torna a composição mais estática e menos dinâmica. (CLAIR; BUSIC-SNYDER, 2005, p. 247).
Os sistemas básicos de grade geralmente são utilizados para determinar as margens, o tamanho do bloco de texto, à proporção das colunas e a largura dos intervalos entre uma e outra. Já os sistemas de grades mais complexos são aplicados para definir o tamanho das imagens, títulos, das notas de rodapé, o número de páginas e as linhas de base, onde as letras irão ser apoiadas.
De acordo com Haslam (2007) existem diferentes construções de grades como: o diagrama de Villard de Honnecurt, o uso de unidades de Paul Renner, os retângulos raiz quadrada, as grades baseadas em medidas, as grades modernistas, as grades baseadas em elementos tipográficos, entre outros.
O método de divisão geométrica de Villard de Honnecurt permite que qualquer formato de página possa ser subdividido. Se utilizado com qualquer formato de seção áurea, ele divide de maneira eficiente a altura e largura da página por nove e cria 81 unidades, sendo que cada uma delas possui as mesmas proporções do formato e do bloco de texto (Figura 115).
Figura 115: Construção da grade geométrica de Villard de Honnecurt.
Fonte: Figura adaptada pelo autor com base em Haslam (2007, p.44).
A grade de construção a partir do uso de unidades de Paul Renner mostra como dividir o formato retangular em unidades que permanecem com as proporções da original, sendo usadas para definir margens e posição do bloco de texto. Para que isso acontece, a largura e a altura da página são divididas pelo mesmo número (Figura 116).
Figura 116: Construção da grade de Paul Renner.
Fonte: Haslam (2007, p. 46).
Outra forma de grade é a do retângulo raiz quadrada, que significa: um retângulo que pode ser subdividido em outros retângulos menores mantém as proporções de altura e largura da página. Exemplo: se você escolhe trabalhar com um retângulo raiz de três, ele poderá ser dividido em três e cada novo retângulo que surgir, terá as proporções iguais ao primeiro (Figura 117).
Figura 117: Construção de grade usando retângulo raiz de três.
Fonte: Figura adaptada pelo autor com base em Haslam (2007, p. 48).
As grades construídas com base em medidas só se tornaram possível após a padronização das unidades de medidas e dos tamanhos dos tipos, que ocorreu nos séculos XVII e XVIII. As escalas modulares podem ser usadas com qualquer unidade de medida: milímetros, centímetros, polegadas, etc., e tornam-se flexíveis para a construção de grades, refletindo no conteúdo do material. Como por exemplo: desenvolver a grade de um livro sobre história natural utilizando uma escala baseada em uma concha que, possua em sua forma a série Fibonacci (Figura 118).
Figura 118: Construção de grade utilizando escala proporcional
Fonte: Haslam (2007, p. 50).
Em um de seus livros The New Typography Jan Tschichold, questionou a relevância de antigos formatos de grades e layouts em relação às margens modernas, neste livro Tschichold abre caminho para uma abordagem mais racional para o design modernista de livros. A influência modernista passou pela Bauhaus e o construtivismo em 1920 e 1930, pela Segunda Guerra Mundial e se expandiu pelo mundo, destacando-se na Suíça e na Alemanha.
Um dos pioneiros do uso das grades sistemáticas Müller-Brockmann, apresenta um sistema mais sofisticado, onde as linhas do texto são alinhadas às ilustrações, o mesmo acontece com as, com os títulos e subtítulos. Os elementos são matematicamente organizados, através de números inteiros (Figura 119), “as colunas são subdivisões do formato; as margens
e as unidades são subdivisões das colunas; as linhas de base são iguais, além de serem subdivisões exatas das unidades”. (HASLAM, 2007, p.53).
Figura 119: Construção de grade com princípios modernista.
Fonte: Haslam (2007, p. 56).
3.4.3 Elementos da página
Precisamos compreender os elementos que compõem a página de um livro, antes de começar a desenvolvê-lo. Os principais elementos são: o bloco de texto, as margens, o verso e reto, os fólios e títulos correntes. O bloco de texto é a área da página usada de forma exclusiva para o texto e que é determinada por diferentes fatores: tamanho da página, tamanho do tipo
escolhido e a largura de uma linha de texto (Figura 120). As proporções, os formatos da página e as grades são úteis para dar a forma aos blocos de texto e ambos ajudam a guiar o leitor.
Figura 120: Representação do bloco de texto.
Fonte: Kane (2012, p. 114).
As margens são partes da página que não há texto, nós precisamos das margens para perceber a mancha de texto (Figura 121). Quando bem projetadas, as margens formam uma moldura na página e ao seu conteúdo, proporcionando uma razoável quantidade de espaço em branco confortável para o olho conseguir descansar no decorrer da leitura.
Fonte: Kane (2012, p.114).
Boa parte da formação da página se encontra nas margens e elas possuem três tarefas importantes, como ressalta Bringhurst (2011):
[...] As margens tem três tarefas. Elas precisam amarrar o bloco de texto à página e
amarrar as páginas opostas uma à outra com a força de suas proporções. Em
segundo lugar, devem emoldurar o bloco de texto de um modo que se ajuste ao seu desenho. Finalmente, precisam proteger o bloco de texto, facilitando a visualização do leitor e tornando o manuseio conveniente (noutras palavras, deixando espaço para os polegares). [...] Talvez 50% do caráter e da identidade de uma página estejam em suas letras. Boa parte dos outros 50% reside nas margens. (BRINGHURST, 2011, p. 181).
A margem que fica no topo da página é chamada de margem superior ou da cabeça, já a da base da página é a margem inferior ou margem do pé. Geralmente a margem superior é menor que a inferior, que é apresentada com um espaço mais largo com o intuito de permitir que o leitor segure o livro com os polegares sem interferir no texto e não atrapalhando a leitura. Em livros com texto de leitura corrente ou de design tradicional, a margem interna das duas páginas, também chamada de medianiz, deve ser menor que a margem lateral, mantendo os blocos de texto próximos um do outro, deixando as margens laterais externas com espaço maior.
O verso e um reto são a página da esquerda e a página da direita de um livro. Os livros possuem páginas com numeração ímpar que sempre iniciará da página 1 e que será um reto. E as páginas com numeração par que serão o verso.
Os fólios correspondem aos números das páginas e podem ser colocados em qualquer uma das páginas, como: no topo, alinhado com a borda exterior do bloco de texto, no pé, alinhado ou um tanto recuado em relação à borda exterior do bloco de texto, ao pé da página, centralizado horizontalmente sob o bloco de texto, etc. Os fólios que ficam mais próximos aos cantos externos são mais fáceis de achar na página, principalmente em livros pequenos.
A sequência da numeração começa com o número “um”, situado na página direita. Os números “dois” e “três” formam a primeira página espelhada dupla da publicação. O padrão de inserção de números pares nas páginas da esquerda e números ímpares nas da direita continua ao longo do livro. (HASLAM, 2007, p.102).
Os títulos correntes são informações que aparecem nas margens que mostram ao leitor onde ele se encontra no texto. Esses títulos podem aparecer em cada página da publicação nas margens superior, inferior e nas laterais da página, mostrando o título do livro, capítulo ou os dois. Geralmente os títulos correntes podem informar o título do livro, o nome do autor e do capítulo.
3.4.4 Parágrafos
O recuo do parágrafo tem a função de marcar uma pausa, separando um parágrafo do próximo. Segundo Hendel (2003), o tipógrafo Jan Tschichold traz em um de seus livros o motivo pelo qual se recua a primeira linha dos parágrafos. Ele explica que: o recuo garante que nenhum leitor irá perder o início de um parágrafo. E a entrada de um parágrafo alinhado à esquerda dá ao leitor a impressão de que na página está ligado.
Um recuo típico é um espaço eme, ou um quadratim, uma unidade fixa de espaço com amplitude aproximada à altura da letra maiúscula. Um eme é portanto
proporcional ao tamanho do tipo; se você mudar o tamanho do corpo ou a largura da coluna, os recuos permanecerão adequadamente proporcionados. (LUPTON, 2013, p. 122).
A primeira linha de um bloco de texto não precisa ser recuada, pois o mesmo sinaliza uma pausa ou separação, portanto não há necessidade de se fazer uma pausa quando se está apenas começando. Outro motivo é que, quando um parágrafo é precedido por um título ou subtítulo o recuo não precisa existir. Na construção dos parágrafos é preciso ficar atento às viúvas e órfãs, principalmente em grandes blocos de texto que são justificados.
São chamadas de linha viúva a última linha de um parágrafo que fica sozinha no final de uma coluna de texto. Isso deixa um espaço em branco na linha, que chama a atenção de forma indesejada e desnecessária. Uma solução para evitar as viúvas é utilizar a hifenação em linhas anteriores para eliminar a última linha ou aumentar o seu comprimento. Outra maneira é alterar o kerning e o espacejamento entre as palavras.
A órfã é uma linha curta de tipos que fica sozinha no início de uma nova coluna. Podemos minimizar o seu surgimento através do ajuste da hifenação ou pequenas mudanças editoriais no texto (Figura 122). “Uma linha curta no início ou no fim de um parágrafo atrapalha a leitura – na verdade, cria uma forma que distrai a atenção do leitor”. (KANE, 2012, p.136).
Fonte: Figura adaptada pelo autor com base em Kane (2012, p.136).
3.4.5 Alinhamentos
Existem quatro formas básicas de alinhamento que se pode utilizar para dispor o texto em um livro: o alinhamento justificado, centralizado, alinhamento à esquerda e à direita. Eles podem ser aplicados no corpo de texto, na folha de rosto, títulos, legendas, índices, etc. “Cada alinhamento possui intensidades que sustentam a leitura de informações diferentes ou a aparência visual da página.” (HASLAM, 2007, p.76).
Usado desde 1455, como principal abordagem de composição de texto em páginas de livros, o alinhamento justificado tem origem dos egípcios e as suas colunas de escrita nos papiros. Com a invenção dos tipos móveis, manteve-se a criação de páginas que apresentavam colunas com margens retas, onde a justificação era feita manualmente, utilizando espaçadores para ajustar os espaços entre as palavras e as letras, para deixar todas as linhas com o comprimento igual.
O alinhamento justificado torna o texto simétrico, dando uma aparência limpa à página, pois as margens direita e esquerda se mantêm paralelas. Ele é formado pela redução
ou aumento dos espaços entre as palavras e em alguns casos entre as letras, por isso é necessário muita atenção no comprimento das linhas em relação ao tamanho do tipo, as quebras de linhas e a hifenação no momento da composição do texto. Em muitos casos é preciso realizar ajustes no espacejamento para que não apareçam “buracos” no bloco de texto.
Da mesma forma que o justificado, o alinhamento centralizado traz simetria ao texto, além de torna-lo formal e clássico, mantendo peso e valor iguais às extremidades de suas linhas. Esse tipo de alinhamento é muito utilizado em folhas de rosto, ou para destacar trechos e frases importantes. Ele cria uma forma sólida na página e por isso é importante corrigir as quebras de linhas, para que o texto não pareça muito irregular. “O texto centralizado deve ser dividido em frases com uma variedade de linhas longas e curtas”. (LUPTON, 2013, p. 108).
Um texto com alinhamento à esquerda é assimétrico, tendo sua margem esquerda rígida e a sua margem direita flexível. Este formato era muito utilizado antes do século XX para compor poesias. Os espaços entre as palavras são mais consistentes, não apresentando buracos nas linhas de texto, porém é preciso ter atenção com a formação da margem direita, evitando que o desalinhamento fique desagradável, e apresente linhas longas ou curtas demais.
O alinhamento à direita é utilizado frequentemente em entradas de texto, legendas, barras laterais, notas de margens, etc. Ao contrário do alinhamento à esquerda, a sua margem direita é rígida e a esquerda flexível, porém é mais difícil de ler, pois força o olho do leitor a procurar o início de cada linha de texto, por isso não é muito aplicado em textos longos. É necessário cuidar com muita pontuação nos finais das linhas, elas podem enfraquecer a margem direita.
3.4.6 Kerning
Termo oriundo da palavra germânica “kern”, que significa “canto”, o kerning é o ajuste feito no espaço entre duas letras, geralmente é quando se remove o espaço entre uma letra e outra. Segundo Lupton (2013), as letras do alfabeto latino não foram planejadas todas
ao mesmo tempo, algumas combinações de letras parecem um tanto desajeitadas em uma palavra se o espaço entre elas não for ajustado.
Um exemplo são as letras que tem suas formas mais abertas, em ângulos, como V, W e Y, que geralmente podem apresentar certo “vazio”, quando combinadas com outras letras. “O kerning mais apertado facilita ao cérebro reconhecer os grupos de letras como palavras, o que resulta em uma leitura mais rápida e fácil”. (CLAIR; BUSIC-SNYDER, 2005, p. 164).
Nas fontes digitais atuais, esse espaço entre as combinações de letras já é especificado pelo designer que as cria, através de uma tabela de pares de kerning. E quando se utiliza
softwares de programas voltados para editoração, pode-se escolher entre utilizar o kerning
métrico ou o óptico. O kerning métrico utiliza as tabelas estabelecidas já embutidas nas próprias fontes, ele é visualmente mais agradável de usar, principalmente com os tamanhos menores de letras. Já o kerning óptico é feito de forma automática pelo programa utilizado para composição, acessando todas as formas das letras e ajustando o espacejamento onde for necessário.
3.4.7 Espacejamento
O espacejamento ou tracking é quando se adiciona ou reduz espaços entre as letras de uma palavra, ao se espacejar uma linha ou um bloco de texto, cria-se uma área mais aberta e arejada. As fontes digitais já possuem um tracking próprio, que pode ser alterado através dos programas de editoração.
As letras amam uma às outras. Entretanto, devido às suas diferenças anatômicas,