Capítulo 11. Revisão da Literatura
11.1. Modelos de negócio
11.1.1. Evolução do conceito
“Modelo de negócios” é um termo que apareceu pela primeira vez no século XIX, mas é principalmente no século XX, em revistas técnicas de informática e mais tarde em publicações académias, que o conceito começa a ser usado (Langvinien and Daunoraviciute, 2015).
Segundo Gordijn et al. (2005), a evolução da pesquisa sobre modelos de negócios pode ser dividida em cinco fases (tabela 12): (1) a primeira, quando o termo começou a ser popularizado e surgiram as primeiras definições de um número finito de tipos de modelos de negócios; (2) a segunda, quando os autores começaram a completar as definições sugerindo os elementos que constituiriam um modelo de negócio; (3) a terceira, quando foram publicadas descrições aprofundadas desses componentes; (4) a quarta, no momento em que os autores começaram a modelar os componentes conceitualmente, tentando explicar que um modelo de negócio consiste em componentes relacionados, permitindo a criação de um número infinito de modelos de negócios; (5) e finalmente a quinta fase, em que os modelos começam a ser colocados em prática nas organizações.
Plano de Negócios: Maria Rapaz
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Fase 1 Fase 2 Fase 3 Fase 4 Fase 5
A ti vi dade Definir e classificar modelos de negócios Listar os componentes de um modelo de negócio Descrever os elementos de um modelo de negócio Ontologia do modelo de negócio Aplicar o conceito de modelo de negócio R es ul tad o Definições Lista de componentes Componentes como blocos de construção Modelos de referência e ontologias Aplicações e ferramentas concetuais A utor es Rappa 2001 Timmers 1998 Linder & Cantrell 2000 Magretta 2002
Amit & Zott 2001
Afuah & Tucci 2001
& 2003 Hamel 2000 Weill & Vitale 2001 Gordijn 2002 Osterwalder & Pigneur 2002 Gordijn 2002 Osterwalder 2004 Linder & Cantrell 2000 Tabela 12: A evolução do conceito de modelo de negócio. Elaboração própria. Fonte: Gordijn et al., 2005.
No entanto, apesar da sua crescente utilização, há ainda pouco consenso em relação ao conceito de Business Model, não havendo até então uma definição universal (Gobble, 2014; Bashir and Verma, 2017; Teece, 2010; Osterwalder and Pigneur, 2013; Bertels et al., 2015; Frankenberger et al., 2013; Gordijn et al., 2005; El Sawy and Pereira, 2013). A tabela 13 percorre as diferentes definições do termo “modelo de negócios” adotadas ao longo do tempo.
Ano Autor Definição
1998 Timmers Arquitetura para os fluxos de produtos, serviços e informações, incluindo a descrição dos vários atores e seus papéis, e as suas fontes de receita.
2000 Stewart e Zhao Forma como a empresa visa obter lucros e sustentá-los ao longo do tempo.
2001 Amit and Zott Estrutura de conteúdo e transações elaborada para a criação de valor através da exploração de oportunidades de negócios. 2002 Dubosson – Torbay,
Osterwalder e
Pigneur
A arquitetura de uma empresa e da sua rede de parceiros para criar, comercializar e distribuir valor e capital de relacionamento para os clientes, a fim de gerar fluxos de receita rentáveis e sustentáveis.
2004 Osterwalder Uma ferramenta conceitual que contém um conjunto de elementos e suas relações e permite expressar a lógica de uma empresa de ganhar dinheiro. É a descrição do valor que uma empresa oferece aos clientes e a arquitetura da empresa e da sua rede de parceiros para criar, comercializar e entregar esse capital de valor e relacionamento, a fim de gerar fluxos de receita rentáveis e sustentáveis.
2005 Shafer, Smith e Linder
Uma representação da lógica básica subjacente da empresa e escolhas estratégicas para criar e capturar valor dentro de uma rede de valor.
2005 Morris,
Schindehutte e Allen
Uma representação concisa de como o conjunto inter- relacionado de variáveis de decisão na área de estratégia de risco, arquitetura e economia são dirigidos para criar vantagem competitiva sustentável em mercados definidos.
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2005 Gordijn,
Osterwalder e
Pigneur.
Consiste num conjunto de elementos e nas suas relações e expressa a lógica do negócio de uma empresa.
2006 Barringer e Ireland O plano ou diagrama de uma empresa sobre como compete, usa seus recursos, estrutura os seus relacionamentos, interage com os clientes e cria valor para sustentar-se com base nos lucros que gera.
2008 Plé, Lecocq e Angot Escolhas realizadas por uma empresa para gerar lucro. Englobam recursos e competências para criar valor, por meio de produtos operacionalizados pela empresa, interna ou externamente.
2008 Johnson,
Christensen e
Kagermann
Representação de quatro elementos do negócio interligados: a proposta de valor do cliente, a fórmula de lucro, recursos-chave e processos-chave.
2010 Teece Um modelo de negócios geralmente explica como uma empresa
cria ou gera valor e como colhe parte do valor como lucro. 2010 Casadesus-
Masanell e Ricart
Maneira como a organização cria e entrega valor aos seus stakeholders.
2010 Osterwalder e
Pigneur
Lógica de criação, entrega e captura de valor por parte de uma organização.
2011 Zott, Amit e Massa Maneira como uma empresa faz negócio e como cria valor. 2012 Zott e Amit Consta de três elementos primários: conteúdo (as atividades a
desenvolver), estrutura (como e em que sequência as atividades estão ligadas) e administração (quem desenvolve as atividades). 2012 Nielsen e Lund Coerência das escolhas estratégicas da empresa que tornam possíveis as relações para criar valor nos seus níveis operacional, tático e estratégico.
2013 Baden-Fuller e Mangematin
Uma nova forma de inovação que é distinta da inovação de produtos ou processos.
2014 DaSilva e Trkman Uma combinação de recursos que através de transações geram valor para a empresa e seus clientes.
2014 Hoque Arquitetura do negócio – que inclui mais que a tecnologia, os processos ou a estrutura de custos que suporta a inovação; estendendo-se à identidade da empresa, estratégia, ativos internos e ao ambiente competitivo.
Tabela 13: Evolução do conceito de modelo de negócio. Fonte: Nisa and Ravichandran, 2013; Bonazzi and Zilber, 2014; Bertels et al., 2015; Gobble, 2014; Bashir and Verma, 2017; Gordijn et al., 2005
Um aspeto em comum em todas as definições é o foco constante na criação e entrega de valor, ou seja, no benefício criado através das atividades, recursos ou parcerias da empresa, para os clientes e para a própria empresa.
Há ainda publicações que classificam os modelos de negócio como “genéricos” ou “específicos”: Peters at al (2013 in Langvinien and Daunoraviciute, 2015) divide-os em modelos de cálculo, modelos descritivos e modelos dinâmicos; Burinskiene and Daskevic (2013 in Langvinien and Daunoraviciute, 2015) distinguem modelos de negócio isolados de modelos de negócio interativos e defendem que os modelos devem ser diferentes se o negócio for business-to-business ou business-to-consumer. Outros autores distinguem modelos desenhados para os negócios tradicionais e para os negócios digitais e, ainda há
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41 autores que exploraram a elaboração de modelos específicos por área de negócio: retalho, aeroportos, aplicações tecnológicas, etc. (Langvinien and Daunoraviciute, 2015).
No entanto, para qualquer uma destas classificações, os modelos de negócios são “estórias” que explicam como as empresas funcionam, e que, para serem bem-sucedidos, devem apresentar um conteúdo melhor que as alternativas existentes no mercado (Magretta, 2002).