ACTIVIDADE DO GRUPO EM 2006
1. Enquadramento Macroeconómico e Sectorial
1.3. Evolução do Sector Cimenteiro
De acordo com as estimativas mais recentes, o consumo mundial de cimento, em 2006, terá aumentado em aproximadamente 12%, impulsionado pelo forte crescimento das economias cuja evolução depende, em larga medida, dos preços do petróleo e das commodities, pela execução de importantes programas de infraestruturas em países emergentes e pela recuperação da actividade da construção, no segmento não-residencial, em mercados maduros.
Mesmo excluindo a China (responsável por perto de metade do consumo mundial), o aumento da procura de cimento terá sido da ordem dos 5%, com os preços a subirem,
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em média, cerca de 8,5%. Esta subida terá sido a mais acentuada da última década, reflectindo não só o agravamento dos custos de produção (particularmente dos custos energéticos) como também o aumento dos preços dos transportes e a existência de algumas restrições, em termos de capacidade, do lado da oferta.
A China e a Índia, com taxas de crescimento que se estimam em torno dos 19% e 12%, respectivamente, reforçaram as suas posições de maiores mercados mundiais do cimento, aos quais se segue os EUA, onde a estagnação do consumo, em 2006, contrastou com uma subida de preços de perto de 13%.
Na Europa Ocidental, o aumento da procura terá sido de aproximadamente 4% (mais do dobro do registado no ano anterior), com especial destaque para Espanha, onde o consumo de cimento, ao atingir quase 56 milhões de toneladas (mais 8% que em 2005), apresenta uma taxa de crescimento acumulada, nos últimos três anos, de cerca de 20%. Em matéria de preços, ter-se-á verificado, em média, uma subida de 5 a 6% (11% em Espanha).
Tanto na Europa de Leste como na região do Médio Oriente e Bacia do Mediterrâneo, o incremento do consumo – acompanhado por aumentos de preços significativos – terá sido da ordem dos 10%, atingindo os 15% nalguns países (designadamente na Turquia, Polónia e Bulgária).
No conjunto da América Latina, a evolução do mercado foi também fortemente positiva (8%), particularmente na Argentina, com uma taxa de crescimento próxima dos 20%. Em termos médios, estima-se que os preços de venda do cimento não tenham sofrido grande alteração, com as subidas verificadas na generalidade dos países a serem contrabalançadas pela queda (em torno dos 18%) registada no Brasil.
Na África sub-Sahariana, o aumento, quer dos volumes quer dos preços, terá sido de aproximadamente 9%, enquanto na Ásia (excluindo a China e a Índia), a quase estagnação do consumo contrastou com a subida de preços observada na generalidade dos mercados.
No que se refere à actividade de trading, não há a registar grandes alterações, continuando o comércio internacional de cimento a representar cerca de 7% do consumo global. Os EUA – com um volume de importações, em 2006, de perto de 36 milhões de toneladas (correspondentes a 30% da procura) – mantêm-se como o maior importador mundial de cimento.
Os movimentos de fusões e aquisições verificados no sector não foram tão significativos como em 2005, havendo, ainda assim, a salientar a tomada de controlo, pela Holcim, das empresas indianas ACC e Gujarat Ambuja, a aquisição, pela Lafarge, das participações detidas pelos sócios minoritários da Lafarge North America e a compra de 51% da sociedade espanhola Uniland pela também espanhola Cementos Portland. De referir, também, os dois contratos vinculativos assinados pela CIMPOR, relativos à compra das empresas New Liu Garden (China) e YLOAÇ (Turquia), bem como as aquisições efectuadas neste país pelos grupos Cementir (Itália) e Orascom (Egipto) e, na Índia, pela Italcementi/Ciments Français.
A consolidação do sector tem igualmente prosseguido via alguns movimentos de integração vertical, como é o caso da oferta recentemente lançada sobre a Rinker (Austrália) pelo grupo Cemex.
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2. Internacionalização
Em 2006, o grupo CIMPOR voltou a dar importantes passos no desenvolvimento da sua estratégia de crescimento e internacionalização.
2.1. China
Após a constituição, em Hong Kong, de uma joint-venture – designada por Cimpor Chengtong Cement Corporation, Limited (CCCC) – entre o Grupo CIMPOR, com uma participação de 80% (detida pela CIMPOR Inversiones, S.A.), e a China Chengtong Development Group, Limited – através da sua subsidiária China Chengtong Cement Group, Limited (CCCG) – com os restantes 20%, a nova sociedade celebrou, em Outubro de 2006, um contrato vinculativo com vista à aquisição de 60% do capital de uma empresa cimenteira chinesa, designada abreviadamente por New Liuyuan.
Esta última, localizada perto da cidade de Zaozhuang, no sul da província de Shandong, dispõe hoje de duas linhas de produção de clínquer (1,8 milhões de toneladas/ano), associadas a uma capacidade de moagem correspondente a 1,2 milhões de toneladas de cimento. Além disso, a empresa tem em curso ou em fase de estudo um conjunto de investimentos que, a médio prazo, a dotarão de uma capacidade anual de produção de, aproximadamente, 3,6 milhões de toneladas de clínquer e 4,5 milhões de toneladas de cimento. O seu mercado natural abrange o sul da província de Shandong e toda a província de Jiangsu, incluindo a região de Xangai.
A conclusão da operação, ainda dependente da necessária aprovação das autoridades chinesas, implicará o pagamento, pela CCCC, de CNY 20,7 milhões (perto de 2 milhões de euros), a que corresponde a uma valorização dos activos da New Liuyuan em cerca de 31 USD por tonelada de capacidade instalada (produção de clínquer).
De forma a permitir não só a efectivação daquele pagamento como também a cobertura das necessidades de financiamento da New Liuyuan, o capital social da CCCC irá ser aumentado dos actuais HKD 10 mil para aproximadamente HKD 250 milhões, com a parcela que cabe à CIMPOR Inversiones a ser realizada em numerário e a da CCCG mediante o apport de uma participação financeira maioritária (71%) no capital da empresa Suzhou Nanda Cement Company, Limited, detentora de uma moagem (localizada nos arredores de Xangai) com uma capacidade de produção de cimento de 600 mil toneladas/ano.
Também com a conclusão da operação, que se espera venha a acontecer ainda no decorrer do primeiro semestre de 2007, a CIMPOR Inversiones irá transferir a sua participação de 80% no capital da CCCC para uma nova sociedade, com sede em Macau, a constituir pela própria CIMPOR Inversiones, a C+PA – Cimentos e Produtos Associados, S.A. (associada do Grupo) e a Sociedade de Investimento Predial Estrela Nova, Limitada, uma empresa de capitais chineses sedeada naquele território. A CIMPOR Inversiones deterá 50% do capital desta nova sociedade (assegurando o controlo da respectiva gestão) e os outros dois sócios 25% cada.
2.2. Turquia
Já perto do final do ano, a CIMPOR celebrou um outro contrato vinculativo – sujeito a diversas condições precedentes, entre as quais a não oposição da entidade reguladora
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do mercado local – para a aquisição de um conjunto de participações, directas e indirectas, representativas de aproximadamente 99,7% do capital social da empresa cimenteira turca Yibitas Lafarge Orta Anadolu Çimento Sanayi ve Ticaret A.S. (YLOAÇ). Preenchidas as referidas condições, a operação viria a concluir-se em Fevereiro passado, com o investimento de um total de cerca de 548 milhões de euros na compra de diversos lotes de acções correspondentes a 99,4% do capital social da empresa turca Yibitas Holding, A.S., detentora de 49,8% da YLOAÇ, bem como das acções representativas dos restantes 50,2% do capital desta última.
A YLOAÇ, com sede em Ankara, detém, em conjunto com uma sua subsidiária (Yibitas Yozgat, A.S.), um total de três fábricas de cimento, três moagens de clínquer, doze instalações de betão pronto e duas unidades de exploração de agregados, dispondo de uma capacidade de produção de clínquer de 1,6 milhões de toneladas/ano e de uma capacidade anual de moagem correspondente a 3,5 milhões de toneladas de cimento. Com os investimentos já em curso, as referidas capacidades serão aumentadas, até ao final de 2008, para 2,4 e 4,8 milhões de toneladas, respectivamente.
Em 2007, os volumes de produção da YLOAÇ deverão atingir 2,6 milhões de toneladas de cimento, 1,2 milhões de metros cúbicos de betão e 2,8 milhões de toneladas de agregados, traduzindo-se num volume de negócios consolidado de aproximadamente 175 milhões de euros.
Num mercado em forte crescimento (14,5%/ano, em média, nos últimos três anos), as vendas de cimento da YLOAÇ correspondem a uma quota de cerca de 6%, a nível nacional, e de perto de 32%, ao nível das suas principais zonas de influência (partes da Anatólia Central e Oriental e da região do Mar Negro).
O Enterprise Value pago nesta aquisição corresponde a um múltiplo de 9,0 sobre o EBITDA estimado para 2007 e, descontado o valor atribuível às áreas de betões e agregados, a aproximadamente 190 euros por tonelada de cimento vendida em 2006.
2.3. Angola
Mas nem tudo foram sucessos no desenvolvimento do processo de internacionalização do Grupo: em 2006, e contrariamente àquele que era o seu objectivo – desenvolver a empresa, melhorar a respectiva performance e investir no aumento da sua capacidade produtiva – a CIMPOR viu-se forçada a alienar a participação (49%) que detinha, através da Scanang, SGPS, Unipessoal, Lda (Scanang), no capital da sociedade de direito angolano Nova Cimangola, S.A..
Ao adquirir, em Novembro de 2004, a totalidade das acções representativas do capital da Scanang e, assim, indirectamente, a referida participação na Nova Cimangola, o Grupo CIMPOR recebeu das sociedades alienantes – pertencentes aos grupos cimenteiros internacionais Holcim e HeidelbergCement – garantias e evidências que lhe permitiam estar confiante da legalidade dos actos por elas praticados anteriormente a esta operação.
No entanto, alguns meses depois, a Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP) da República Popular de Angola, invocando que uma transacção que precedera aquela – transmissão de uma participação accionista de 24,5% na Nova Cimangola, da Scancem International ANS (grupo HeidelbergCement) para a Scanang (grupo Holcim) – terá violado a lei Angolana, moveu contra estas duas empresas uma providência cautelar, visando a suspensão dos efeitos do negócio por elas posteriormente celebrado
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com o Grupo CIMPOR.
Apesar de todas as conversações havidas e, sobretudo, de a CIMPOR e o Estado Angolano haverem entretanto (Julho de 2005) assinado um Protocolo que definia os termos essenciais da relação entre as partes no âmbito da Nova Cimangola – unilateral e inexplicavelmente resolvido, quatro meses mais tarde, pelo Estado Angolano – a CIMPOR viria a ser afastada dos órgãos sociais da empresa e colocada numa situação em que não lhe restou outra alternativa senão a venda da sua participação a uma entidade designada por aquele.
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