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ACTIVIDADE DO GRUPO EM 2006

9. Perspectivas para 2007

Em 2007, o PIB mundial, ainda que acusando alguma desaceleração – motivada pelo provável abrandamento das economias da Zona Euro, do Japão e, sobretudo, dos EUA – deverá continuar a crescer a um ritmo relativamente elevado em termos históricos, suportado pela robustez do crescimento das economias emergentes. O comportamento da inflação tenderá a ser igualmente favorável, beneficiando do previsível arrefecimento da procura e de uma evolução mais moderada do preço do petróleo.

Os principais riscos deste cenário residem num abrandamento mais abrupto do que o esperado da economia norte-americana, provocado por um eventual prolongamento da crise do imobiliário susceptível de afectar o consumo privado, via o respectivo impacto no nível de emprego.

Para o sector cimenteiro, e à excepção dos EUA, 2007 deverá ser de novo um bom ano, tanto em termos de volumes como de preços. Apesar de os aumentos de capacidade previstos constituírem uma ameaça para estes últimos, é improvável que os mesmos venham a ser afectados no curto prazo, pelo menos enquanto o custo dos fretes marítimos se mantiver em níveis elevados e a confirmar-se a recente tendência de queda das exportações chinesas.

PORTUGAL

Em 2007, o ritmo de crescimento da economia portuguesa, embora seja previsível alguma aceleração, deverá continuar fortemente condicionado pela necessidade de redução do desequilíbrio das contas públicas. O possível lançamento de alguns dos projectos de investimento que têm vindo a ser anunciados pelo Governo poderá, ainda assim, contribuir para um comportamento mais positivo desta variável. Pelo lado das famílias, não será de esperar um aumento significativo do consumo privado, tanto mais que a subida das taxas de juro de curto prazo, num contexto de elevado endividamento, não deixará de constituir um forte desincentivo à sua expansão.

As principais fontes de risco continuam a estar num possível arrefecimento brusco das economias externas, com graves consequências no sector exportador, e no eventual adiamento de algumas reformas indispensáveis ao saneamento das contas públicas, sem as quais os índices de confiança e o nível de investimento do sector privado dificilmente melhorarão.

No sector da construção, e depois de cinco anos consecutivos de queda, não será ainda, provavelmente, em 2007 que se assistirá a alguma recuperação. No segmento das obras públicas, o número de concursos adjudicados e abertos não perspectiva qualquer melhoria, enquanto no segmento residencial o ajustamento, em baixa, da oferta à procura tenderá a prosseguir. É, por isso, de esperar uma nova diminuição do consumo de cimento (da ordem dos 2%), o que, agravado pela existência de um novo operador no mercado nacional, irá obrigar a CIMPOR a um esforço acrescido de colocação de produto noutros mercados.

ESPANHA

Existe algum consenso nas previsões de que o ano de 2007 marcará um ponto de inflexão no ciclo de forte expansão que a economia espanhola tem vindo a experimentar. A sua vulnerabilidade a novos aumentos de taxas de juro, ainda que

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contrariados pelas anunciadas reduções de impostos, e à subida dos preços das matérias-primas conduzirá provavelmente a uma desaceleração da taxa de crescimento do PIB, a qual, no entanto, deverá permanecer acima dos 3%.

Os sinais de arrefecimento do mercado imobiliário, particularmente dos índices de confiança do sector da construção e das expectativas existentes em matéria de preços, são já evidentes, pelo que não será de estranhar algum abrandamento na respectiva actividade. Em termos de consumo de cimento, aponta-se para um volume, a nível nacional, sensivelmente idêntico ao registado em 2006, com a região da Galiza a crescer cerca de 4% e as províncias da Andalucía e Extremadura a acusarem uma ligeira quebra.

Nesta Área de Negócios – e dados os períodos de paragem a que estarão sujeitas as fábricas de Córdoba e Niebla, para realização de importantes investimentos ambientais e de aumento das respectivas capacidades de produção de clínquer (importando num total de aproximadamente 45 milhões de euros) – o crescimento da CIMPOR, em 2007, deverá assentar sobretudo nas actividades de betões e agregados, tanto por efeito do aumento da procura como pela maior capacidade do Grupo em a satisfazer, fruto das aquisições e outros investimentos entretanto realizados.

NORTE DE ÁFRICA

Nos países do norte de África onde o Grupo está presente, é previsível que as taxas de crescimento do PIB se mantenham a níveis elevados, enquanto a inflação deverá registar algum abrandamento. Em termos de consumo de cimento, são estimados aumentos de 1,5% na Tunísia, 3% no Egipto e 7% em Marrocos.

Apesar do esperado incremento do mercado marroquino, e por força de uma menor procura interna de clínquer, as vendas totais da Asment de Témara não deverão sofrer grande alteração. Na área dos betões, pelo contrário, aponta-se para um crescimento na ordem dos 40%, impulsionado pelo desenvolvimento do mercado e pela abertura de novas centrais.

Na Tunísia, espera-se que a resolução de alguns problemas de ordem operacional que têm vindo a afectar a actividade da Ciments de Jbel Oust permita evitar a importação de clínquer, potenciando assim uma melhoria significativa do respectivo EBITDA.

Quanto à Área de Negócios do Egipto, deverá continuar a registar uma evolução claramente positiva, ainda que a um ritmo menos acentuado do que nos dois últimos anos, tanto mais que uma das suas três linhas de produção irá sofrer um período de paragem prolongado, motivado pela realização de importantes trabalhos de reabilitação.

TURQUIA

Os activos adquiridos na Turquia no início de 2007 irão proporcionar ao Grupo CIMPOR um aumento de cerca de 10% tanto do seu Volume de Negócios como do respectivo EBITDA. As vendas previstas ascendem a aproximadamente 2,6 milhões de toneladas de cimento, 1,2 milhões de metros cúbicos de betão e 2,8 milhões de toneladas de agregados.

BRASIL

Beneficiando da aceleração do investimento, para o qual se prevê um aumento de 8,5%, bem como da esperada resposta do consumo privado à descida da inflação e à

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redução das taxas de juro, o PIB brasileiro deverá registar, em 2007, uma taxa de crescimento próxima dos 4%.

Por outro lado, o recentemente aprovado “Programa de Aceleração do Crescimento”, ao privilegiar os investimentos em infraestruturas como condição essencial à prossecução desse objectivo, abre excelentes perspectivas a todo o sector da construção e, consequentemente, à indústria cimenteira. No entanto, e apesar dos aumentos que se têm vindo a verificar nos custos de produção, não será provavelmente ainda em 2007 que, após a enorme queda verificada nos últimos anos, se assistirá a uma recuperação significativa dos preços de venda do cimento.

Ainda assim, o previsível incremento da procura e o crescimento do Grupo na área dos betões deverão permitir que a CIMPOR Brasil mantenha, pelo menos, os mesmos níveis de Volume de Negócios e de EBITDA registados em 2006.

SUL DE ÁFRICA

Em 2007, as economias de Moçambique e da África do Sul deverão registar taxas de crescimento do PIB em torno dos 7,3% e 4,5%, respectivamente (impulsionadas, em ambos os casos, pela componente investimento), com as taxas de inflação a manifestarem, no primeiro caso, alguma tendência de abrandamento e, no segundo, de estabilidade ou de ligeiro agravamento.

Na África do Sul, a intensificação do esforço de investimento público em infraestruturas e nas áreas sociais irá certamente favorecer o sector da construção e, por conseguinte, o consumo de cimento. Com a conclusão, no final do terceiro trimestre, da nova linha de produção de clínquer da NPC-CIMPOR, esta última passará a estar em muito melhores condições de responder ao incremento da procura, evitando a importação daquele produto e, nessa medida, aumentando os seus resultados. Os quais, nesta Área de Negócios, perante o crescimento daquele sector e dadas as aquisições entretanto realizadas, serão igualmente beneficiados por um aumento significativo das vendas de betões e agregados.

Em Moçambique, o reforço do quadro de pessoal com técnicos expatriados e o grande esforço de investimento que o Grupo tem vindo a desenvolver deverão permitir, finalmente, a resolução de grande parte dos problemas de natureza operacional que vêm impedindo as unidades da CIMPOR de satisfazer convenientemente o mercado. O que, a confirmar-se, não deixará de se traduzir numa melhoria sensível do respectivo EBITDA.

CABO VERDE

Em termos macroeconómicos, estima-se que o ano de 2007 venha a ser assinalado por alguma aceleração do PIB – estimulado pelo desenvolvimento do sector turístico e por um maior crescimento da actividade da construção – e pelo retorno da taxa de inflação a níveis próximos de zero.

Nesta conjuntura, o consumo de cimento deverá aumentar na casa dos dois dígitos, potenciando uma subida significativa dos resultados desta Área de Negócios, os quais irão igualmente beneficiar dos investimentos realizados no final de 2006 nas áreas de betões e agregados.

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