3 IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS
3.1 EVOLUÇÃO DO ISS A PARTIR DA EC Nº 18/65
Como dito anteriormente, a reforma tributária empreendida pela EC 18/65 alterou o sistema tributário vigente na Constituição Federal de 1946, originando um sistema tributário uno e nacional. O novo sistema tributário passou a adotar o imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS), de competência dos Municípios, considerado por muitos autores, uma nova roupagem do imposto de indústrias e profissões. (MARTINS, 2006, p. 4-5).
Importante mencionar que a Constituição, como já demonstrado no primeiro capítulo, não cria impostos, logo a EC 18/65 não criou o ISS, apenas outorgou competência aos Municípios para fazê-lo.
A reforma tributária de 1965, que deu origem ao ISS, representa um processo de grande complexidade, tendo iniciado com a EC 18/65, continuou com a Lei nº 5172 de 25.10.1966 (Código Tributário Nacional), Decreto-lei nº 28, de 14.12.1966, atos complementares nº 27, de 8.12.1966, nº 34, de 30.1.1967, nº 31, de 28.2.1967 e 36, de 13.3.1967, Constituição do Brasil de 1967, Decretos-leis nº 406 de 31.12.1968 e nº 834, de 8.9.1969, EC nº 1,de 17.10.1969, Lei Complementar nº. 56/87; CF/88, com redação da EC nº. 03/93; Lei Complementar nº. 100/99; EC nº. 37/02 e Lei Complementar nº. 116/2003. (ROSSI, 2003, p. 02).
Com o advento da EC 18/65, o antigo imposto de indústrias e profissões foi substituído pelo imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN), de competência dos Municípios, e pelo imposto sobre circulação de mercadorias (ICM), de competência dos Estados. (ROSSI, 2003, p. 02).
De acordo com a EC 18/65, o aparecimento do ISS deu-se por meio da seguinte disposição:
Art. 15. Compete aos Municípios o imposto sobre serviços de qualquer natureza, não compreendidos na competência tributária da União e dos Estados.
Parágrafo Único. A Lei Complementar estabelecerá critérios para distinguir as atividades a que se refere este artigo das previstas no art. 12.
Pelo disposto no art. 15 da EC 18/65, verifica-se que foi dada competência aos Municípios para instituir o imposto sobre serviços de qualquer natureza, desde que não
compreendidos na competência da União e dos Estados, ficando a cargo da Lei complementar, definir os critérios para distinguir as atividades sujeitas ao ISS e ao ICM.
A Lei 5.172, de 25.10.1966, Código tributário Nacional, em caráter complementar á Constituição, dispôs contribuinte do ISS. Deu também os critérios para distinção das áreas do ISS e do ICM, além de trazer uma lista com cinco itens e admitindo a existência de atividades de caráter misto. (MARTINS, 98, p. 22).
Em 1966 o CTN já sofria algumas atualizações. Estas correções se deram por meio do Decreto-lei nº28, e pelo Ato Complementar nº 27. Em 1967, a legislação do ISS foi ajustada por diversos atos complementares, dentre eles o Ato Complementar 34, e o Ato Complementar 35. Tais modificações legislativas vieram complementar e esclarecer as disposições complementares acerca do ISS, porém não alteraram os elementos essências do imposto municipal. (MARTINS, 2006, p.8).
Dentre os ajustes aplicados, à época, ao CTN, destacam-se os Atos Complementares de nº 34, 35 e 36, pelo que se expõe: o Ato Complementar nº. 34 expandiu conceito e a enumeração dos serviços sujeitos a cobrança do ISS (art. 3º, alteração 7ª); apresentou novo conceito de atividade mista (art. 3º, alteração 8ª); e ainda determinou inovações quanto a forma de cálculo do cálculo do ISS nos casos de atividades mistas e de execução de obras hidráulicas e de construção civil (art. 3º, alteração 9ª). De forma a limitar o poder fiscal dos Municípios, este Ato Complementar estabeleceu um teto na alíquota fiscal do ISS, a recair sobre certos serviços (art. 9º); o Ato Complementar nº. 35 excluiu do campo de incidência do ISS, as sub empreitadas realizadas nas obras contratadas com a União, Estados, distrito federal e Municípios, autarquias e empresas concessionárias de serviços públicos (art. 3º), alterou a base de cálculo do ISS na execução de obras hidráulicas e de construção civil (art. 4º); o Ato Complementar nº. 36 veio definir o local da operação para empresas que prestavam serviço em mais de um Município, de forma a evitar a bitributação (art. 6º). (MORAES, 1984, p. 65)
Com o advento da Constituição do Brasil de 24.1.1967 vinte e um anos após a constituição de 1946, consagrou a nova discriminação de rendas tributárias, e confirmou, quanto ao ISS, a competência dos Municípios, o nome do imposto e suas demais peculiaridades, conforme seu art. 25:
Art. 25. Compete aos municípios decretar imposto sobre: [...]
II – serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência da União ou dos Estados definidos em lei complementar.
Com a promulgação da nova Constituição brasileira, passou a ser função da lei complementar apenas definir os serviços de qualquer natureza. Não se exigia mais que a lei complementar estabelecesse os critérios para distinguir as atividades que se sujeitavam ao ISS ou ao ICM, como acontecia na vigência da EC 18/65. (MARTINS, 2006, p. 8-9).
Em 31.12.68, foi promulgado o Decreto-lei nº 406, estabelecendo as normas gerais de direito financeiro, a serem aplicadas aos impostos sobre as operações relativas à circulação de mercadorias e sobre os serviços de qualquer natureza, entre outras providências. A nova legislação disciplinou totalmente o ISS, revogando de forma expressa todas as disposições relativas ao ISS e ao ICM contidas no Código Tributário nacional. (MORAES, 1984, p. 66).
A partir daí, a hipótese de incidência do ISS passou a ser a prestação, por empresa ou profissional autônomo, de serviços constantes na lista anexa. Conseqüentemente, a atividade considerada de caráter misto foi suprimida, e duas regras passaram a vigorar sobre a matéria: os serviços constantes na lista anexa ficam sujeitos ao ISS, mesmo que envolvam o fornecimento de mercadoria, enquanto as atividades que envolvam o fornecimento de mercadorias e não estiverem inclusas na lista anexa, ficam sujeitas ao ICM. O Decreto-lei 406 disciplinou ainda a base de cálculo do tributo como sendo o preço do serviço, salvo exceções previstas nos parágrafos 1º, 2º e 3º do art. 9º. (MORAES, 1984, p. 66-67).
A lista de serviços originou muitas dúvidas quanto à aplicação do ISS. Em conseqüência, foi editado o Decreto-lei nº 834 de 8.9.1969, alterando o Decreto-lei 406/68, aumentando a lista de serviços de 29 para 66 itens, e ainda estabeleceu normas gerais sobre conflito de competência tributária relativa ao ISS. No mesmo ano de 1969 foi promulgado o Decreto-lei nº. 932, com a finalidade de sanar dúvidas a respeito da aplicação da lista de serviços. (MORAES, 1984, p.67).
Em 17.10.1969, A EC nº 1 elaborou um novo sistema tributário, discriminando a competência dos Municípios:
Art. 24. Compete aos Municípios instituir imposto sobre: [...]
II – serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência tributária da União ou dos estados, definidos em lei complementar.
[...]
§ 4º Lei Complementar poderá fixar as alíquotas máximas do imposto de que trata o inciso II.
Tal Emenda Constitucional não trouxe grandes alterações em relação ao ISS, consignado na Constituição de 1967. A inovação fundamental fica a cargo da possibilidade trazida de a lei complementar poder fixar alíquotas máximas. Neste mesmo período a Lei Complementar 56 de 15.12.1987 apresentou nova lista de serviços, a qual passou a conter 100 itens. (MARTINS, 2006, p. 9).
Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, nova discriminação das rendas tributárias foi consagrada, reformulando parte do sistema tributário nacional. Os impostos passaram a ter nomenclaturas tanto jurídicas, quanto econômicas. (MARTINS, 2006, p.10).
O ISS continuou com a mesma denominação, conforme segue:
Art. 156. Compete aos municípios instituir impostos sobre: [...]
IV – serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, I, b, definidos em lei complementar.
[...]
§ 4º Cabe à lei complementar:
I – fixar as alíquotas máximas dos impostos previstos nos incisos III e IV;
II – excluir da incidência do imposto previsto no inciso IV exportações de serviços para o exterior.
Segundo Martins (2006, p.10) em 17.3.93 a EC nº 3, alterou a ordem dos incisos previstos no art. 156 da CF, suprimindo o imposto incidente sobre a venda de combustíveis líquidos e gasosos, exceto óleo diesel, anteriormente previsto no inciso III da Constituição. Em consequência o ISS passou a ser previsto no inciso II do mesmo art. 156. Também foi suprimido o § 4º do art. 156, logo, o § 3º passou a versar sobre a matéria anteriormente tratada pelo § 4º, contudo teve alterada sua redação:
Art. 156. Compete aos municípios instituir impostos sobre: [...]
III – serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art 155, I, b, definidos em lei complementar.
[...]
§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III, cabe à lei complementar: I – fixar as alíquotas máximas;
II – excluir da sua incidência exportações de serviços para o exterior.
A Lei Complementar nº 100 de 22.12.99 veio acrescentar o item 101 à lista de serviços, permitindo que os municípios passassem a cobrar o ISS sobre os serviços prestados
às estradas pedagiadas, atribuindo apenas para esse item, alíquota máxima de 5%, conforme art. 3º e 4º:
Art. 3o A Lista de serviços anexa ao Decreto-Lei no 406, de 31 de dezembro de 1968, com a redação dada pela Lei Complementar no 56, de 15 de dezembro de 1987, passa a vigorar acrescida do seguinte item:
101 - exploração de rodovia mediante cobrança de preço dos usuários, envolvendo execução de serviços de conservação, manutenção, melhoramentos para adequação de capacidade e segurança de trânsito, operação, monitoração, assistência aos usuários e outros definidos em contratos, atos de concessão ou de permissão ou em normas oficiais.
Art. 4o A alíquota máxima de incidência do imposto de que trata esta Lei Complementar é fixada em cinco por cento.
O disposto na 100/99 atendeu a uma reivindicação há muito tempo pretendida pelos municípios: a competência para cobrar ISS sobre serviços prestados às estradas pedagiadas. (RIBEIRO, 2002, p. 01).
Posteriormente, a EC nº 37 de 12 de junho de dois 2002 alterou a redação do § 3º do art. 156 da CF/88, de forma que passou a ser função da Lei Complementar fixar as alíquotas máximas e mínimas do ISS e acrescentou ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), o art. 88, estabelecendo que a alíquota mínima do ISS, será de 2% até que a lei complementar verse de maneira diferente. (MUSSOLINI JÚNIOR, 2003, p. 01).
O advento da Lei Complementar 116, de 31.7.2003, que passou a tratar do ISS, fixou nova lista de serviços e revogou os arts. 8º, 10, 11 e 12 do Decreto-lei nº 406/68. Também foram revogados os incisos III, IV, V e VII do art. 3º do Decreto-lei 834/69, a Lei Complementar nº 22/74, a Lei nº 7192/84, a Lei Complementar 56/87 e a Lei complementar 100/99. (MARTINS, 2006, p.11).
Pela Lei Complementar 116/03 a lista anexa de serviços que continha 101 itens passou a ter 203 itens de serviços tributáveis organizados em 40 grupos. Fixou a alíquota máxima em 5% e a mínima mantida em 2% em conformidade com o art. 88 do ADCT (EC nº. 37/02).