Exemplos e Implicações
6) Exemplo – Atos 15:
A evidência se apresenta desta forma:
1) - - - -- -- - - - - - - - - - --{HF,NU}P74ABf18,syp,bo 339MSS = 70.5%
2) --{TR}(itpt)syh?,sa [2](12)83 " = 20.2%
3) “ “ “ “ “ -- (3)33 " = 7.5% 4) " " " " " --C(D,latpt) (4)2 " = 1.2%
(três outras leituras) -- 3 " = .6% 481
UBS e H-F concordam que a variante 1 é correta, e na verdade o verso 33 pa- rece exigir que Silas tenha retornado a Jerusalém: “eles foram enviados de volta ... aos apóstolos”, onde “eles” se refere a Judas e Silas. O “problema” é que, no verso 40, Paulo escolhe Silas para acompanhá-lo, então este tinha de estar em Antioquia, não em Jeru- salém. Conseqüentemente, a leitura mais longa foi criada para resolver o “problema”. Os “alguns dias” do verso 36 podem bem ter sido um ou dois meses. De Antioquia para Je-
rusalém seria uma viagem de alguns 650 km. Silas teve tempo de ir a Jerusalém e voltar a Antioquia.
6) Implicações
“Razoabilidade” se faz sentir aqui: a variante 2 introduz uma contradição, a qual, infelizmente, o TR perpetua. Variante 1 também ganha em “Número” e “Continuidade”. “Antigüidade” e “Variedade” estão divididas. Conseqüentemente, com uma maioria de 70.5%, a variante 1 é a melhor candidata para ser a leitura original.
7)Exemplo – Atos 12:25
Este é o último exemplo tirado de Atos, e um que considero ser especialmente difícil (tendo o potencial de ser danoso). A evidência se apresenta desta forma (arbitrari- amente negligenciei margens e corretores, exceto para os unciais mais antigos):
1) --{HF,NU}B(f18=30mss) 281MSS = 59.7% 2) --D(f18=6mss)lat(syh) 51 " = 10.8% 3) --{TR}P74A bo (syh) 16 " = 3.4% 4) --(f18=5mss) sa (syp) 57 " = 12.1% 5) --(f18=10mss) itpt(syp) 36 " = 7.6% 6) --(f18=21mss) 24 " = 5.1% 7) -- 3 " = .6% (três outras leituras) -- 3 " = .6% 471
Há na verdade uma leitura majoritária, embora fraca, mas dentro do contex- to ela dificilmente pode estar correta.442 Considere:
a) Atos 11:30, o kai epoihsan aposteilantej( “o que eles também fizeram, tendo enviado ...,
por B. e S.” Um particípio aoristo é anterior em tempo ao seu verbo principal, neste caso também
aoristo—o propósito deles é declarado como realizado. O autor claramente implica que a oferta che- gou, ou tinha chegado, na Judéia/Jerusalém.443 Note que o verso seguinte (12:1) nos coloca em Je- rusalém.
b) Atos 12:25 (12:1-24 não é relacionado, exceto que vv. 1-19 tomam lugar em Jerusalém),
Barnabaj kai Sauloj—a ação inclui ambos [Barnabé e Paulo].
c) Atos 12:25, upestreyan)))plhwsantej thn diakonian, “eles retornaram ... tendo cumprido a missão”. Novamente, tanto o particípio como o verbo principal são aoristos, e ambos estão no plural. “Tendo cumprido a missão” define o verbo principal. Desde que a missão foi para Judéia, o que ne- cessariamente inclui Jerusalém como sua capital, o “retornaram” tem de ser ao local onde a missão teve sua origem.
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Notar que estudiosos com pressuposições tão diversas quanto um Alford, um Burgon, um Hort ou um Metzger têm chegado à mesma conclusão.
443Em Atos o autor parece quase usar “Jerusalém” e “Judéia” equivalentemente, talvez para evitar
repetição. E.g. 11:1 Judéia, 11:2 Jerusalém (os apóstolos não estavam em Jerusalém ou seus arredores imediatos?); 11:27 Jerusalém, 11:29 Judéia, 11:30 os anciãos (os principais presbíteros não estariam em Jerusalém?); 12:1-19 tomou lugar em Jerusalém, mas v. 19 diz que Herodes desceu da Judéia para Cesa- réia; 15:1 Judéia, 15:2 Jerusalém; 28:21 cartas da “Judéia” provavelmente significa Jerusalém.
d) Atos 12:25, sumparalabontej kai Iwannhn, “havendo tomado João também, juntamente com eles”. Novamente, tanto o particípio quanto o verbo principal são aoristos. Compare Atos 13:13, onde João retorna eij Ierosaluma.
Barnabé poderia ser visto como retornando para Jerusalém, tendo completado sua missão a Antioquia, mas isto não pode ser dito de Saulo. Não há nenhuma base pa- ra supor que Marcos estivesse em Antioquia (compare Atos 12:12), para poder retornar a Jerusalém com Barnabé e Saulo. Eu concluo que “para Jerusalém” dificilmente pode es- tar correto aqui, embora seja atestado por 60% dos MSS. Observamos que os outros 40% dos MSS, mais as três versões antigas, concordam que o sentido foi deixando Je- rusalém para traz, não indo em sua direção. No entanto, eles estão divididos em cinco variantes principais, mais quatro outras isoladas, portanto como escolheremos a redação original? Suponho que me um caso como este temos realmente que apelar para o câ- none básico da crítica textual: “prefira a variante que melhor explique a origem das ou- tras.”
Havemos de começar com pressuposições. Aqueles que pressupõem, que o texto original não foi inspirado, não foi inerrante, presumivelmente escolherão a variante 1.444 Ela é a leitura “mais difícil”, conflitando com o contexto; muitos copistas notaram o problema e tentaram uma ação remediadora, produzindo as variantes 2, 3 e 6. As varian- tes 4 e 5 pareceriam ser conflações e, assim, desenvolvimentos subsequentes. A varian- te 7 é uma conflação óbvia. Não obstante, é curioso que embora “para Jerusalém” seja evidentemente antiga, nenhuma das primeiras versões a segue.
Eu estou entre aqueles que pressupõem que o texto original foi verdadeira- mente inspirado e portanto inerrante; segue-se que eu estou predisposto contra variante 1, estando ela evidentemente em erro.445 Que fazer, então? Se 4 e 5 são conflações, então 2, 3 e 6 são anteriores. Variantes 2 e 3 pareceriam ser tentativas independentes de “consertar” a variante 1.446
Forçado a escolher entre 1 e 6, minhas pressuposições me guiam à variante 6; mas como poderia 6 ter dado origem a 1?
Bem, um leitor superficial poderia ter focalizado em Barnabé e assumido que ele estava retornando a Jerusalém, tendo completado seu ministério em Antioquia. Sen- do que 12:25 é a primeira menção de Barnabé (e Saulo) depois de 11:30, e como 11:30 não diz abertamente que eles “foram”, “retornaram”, ou qualquer outra coisa, um leitor superficial poderia facilmente decidir que ele tinha de ter Barnabé de volta a Jerusalém. Se o original de 12:25 lesse “a Antioquia” isto seria percebido como um problema, uma vez que, para o leitor superficial, eles ainda estariam lá, nunca havendo saído. Esta “cor- reção” evidentemente aconteceu bastante cedo, e possivelmente mais que uma vez, in- dependentemente—se um número de copistas separados entendessem mal o texto, na
444
Favor notar que eu não estou dizendo que eles são os únicos que poderiam fazer uma tal esco- lha, nem mesmo que eles necessariamente o farão.
445
Favor notar, novamente, que estou falando somente de mim mesmo. Estou estabelecendo o ponto essencial que pressuposições sempre têm que ser levadas em conta, uma vez que influenciam pe- sadamente a interpretação dos dados. Isto é verdadeiro para todos os praticantes, em qualquer disciplina.
446
Upostrefw ek não tem precedentes (no N.T.), upostrefw apo ocorre 4 vezes, upostrefw eij ocorre
17 vezes. A leitura do TR é altamente improvável, falando-se estatisticamente. Se tivéssemos de escolher entre apo e ek( apo ganharia em todas as contas.
maneira sugerida, e se sentiram constrangidos a “consertá-lo”, presumivelmente a maio- ria deles meramente mudaria “Antioquia” para “Jerusalém.”
Embora 25.4% dos MSS, mais syp e sa, leiam eij Antioceian, apenas 5.1% o fazem sem conflação. No entanto, a variante 3 tem somente 3.4% [de atestação] sozinha e 15/5% com a conflação. A variante 2, sozinha, tem 10.8%, e com a conflação tem 18.4%. Assim, a variante 6 bate 3 tanto sozinha como também com conflações; a varian- te 6 perde para a 2 sozinha, mas com conflações, ganha. Eu submeto [à apreciação dos leitores minha opinião] que a variante 6 melhor explica a origem de todas as outras e, dadas as complexidades deste caso, tem o melhor direito a ter nossa confiança. Eu con- cluo que o Autografo de Atos 12:25 leu eij Antioceian, que presumivelmente é precisa- mente o que aconteceu (eles retornaram a Antioquia); isto também encaixa suavemente com 13:1—comparando Atos 1:1 com Lc. 1:3 podemos concluir razoavelmente que Atos também foi planejado para ser um relato ordenado.
Parece-me que só há, aqui, um modo de “salvar” a variante majoritária: co- locar uma vírgula entre upestreyan e eij, assim fazendo “a Jerusalém” modificar “o minis- tério”. Mas tal construção é não natural ao ponto de ser inaceitável—tivesse aquele sido o propósito do autor, deveríamos esperar thn eij Ierousalhm diakonian ou thn diakonian eij Ierousalhm. Nas outras dezesseis vezes em que Lucas usa upostrefw eij, encontra- mos o significado normal, esperado: “retornar a”. Como um lingüista (PhD) eu diria que as normas da linguagem exigem que usemos o mesmo significado em Atos 12:25. O que, à minha mente, deixa eij Antioceian como o único candidato viável para a leitura Original, neste local.
7) Implicações
O quadro inteiro da evidência é perturbador. É evidente que todas as varian- tes foram criadas deliberadamente; os copistas estavam reagindo ao significado de toda a frase dentro do contexto (nesta situação não adiantará considerar o nome de cada ci- dade isoladamente; a preposição acompanhante também tem que ser levada em conta). As variantes 2 a 6 são todas elas votos contra 1, mas temos que escolher uma delas para se erguer contra 1—a escolha clara é 6. “Para Jerusalém” tem “Número”, “Antigüi- dade”, e “Continuidade”. “Para Antioquia” tem “Antigüidade”, “Variedade”, “Continuidade” e “Razoabilidade”. Como Burgon diria, este é um daqueles locais onde “Razoabilidade” simplesmente não pode ser ignorada, mas ela não está sozinha. “Para Antioquia” tam- bém ganha em “Variedade” enquanto “para Jerusalém” ganha somente em “Número” (não fortemente; “Antigüidade” e “Continuidade” são compartilhadas). Em conseqüência, as “marcas da verdade” confirmam nossa conclusão que eij Antioceian é a leitura original neste local.
Terá sido observado que eu inclui f18 na declaração de evidências (em Atos).
f18 em Atos corresponde a Mc em Apocalipse, como foi usado no Texto Majoritário H-F