6. Consequências sociais do pecado
6.5. Exemplos
Frequentemente, os problemas relacionados as desenvolvimento são vistos pela perspectiva técnica, envolvendo a engenharia financeira, a expansão do mercado, os investimentos produtivos e as onerações fiscais, mas nunca serão suficientes, por serem apenas automáticas e impessoais.272 São inúmeros os exemplos da realidade atual que denunciam as atividades e estruturas mantidas pela sociedade que fomentam as injustiças que alargam a assimetria social.273
271
CELAM. Documento de Aparecida. 2008, Opus cit., n. 2.; PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Reforma do sistema financeiro e monetário internacional na perspectiva de uma autoridade pública de
competência universal. 2011. Disponível em:
http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20111024 _nota_po.html. Acessado em: 29/11/2014.
272 BENTO XVI. 2009. Opus cit., n. 71. 273
Na carta encíclica Caritas in veritate, Bento XVI (2009) escreve amplamente sobre os desvios de conduta nos meios social, econômico e político que fomentam as injustiças que impedem desenvolvimento humano integral.
É o caso da relativização do valor da vida que atender interesses imorais, tais como os vinculados ao controle da natalidade, aborto, a eutanásia ou ao abandono de recém nascidos com problemas graves de saúde. Quando uma sociedade negligencia ou suprimi a vida, acaba por deixar de encontrar as motivações necessárias para trabalhar ao serviço do verdadeiro bem que reconhece a dignidade da pessoa humana. De fato, dizer sim à vida em qualquer estágio é também uma resposta positiva aos fundamentos morais da sociedade e é o que suscita a compreensão fraterna entre os povos, especialmente das diferenças de necessidades entre os países ricos e os pobres.274
Vale lembrar o drama da fome e da insegurança alimentar. Ainda ter pessoas que morrem de fome se deve não só a causas naturais, mas também, e sobretudo, a situações provocadas pelo comportamento dos homens e que desembocam numa deterioração geral de tipos social, econômico e humano. Ainda ter pessoas que morrem de fome não se deve tanto à falta de tecnologia ou circunstâncias da natureza ou mesmo da falta de alimentos. Antes, depende da mobilização dos recursos sociais, econômicos e políticos, especialmente o de natureza institucional. Bento XVI denuncia a gravidade do problema ao usar a expressão "libertar da fome", indicando o terrível poder escravizante que ela impinge aos têm muito menos do que "pão quotidiano".275 Garantir o acesso regular ao alimento e à água, adequados e suficientes a todas as pessoas, em qualquer lugar do mundo, sem distinções nem discriminações, é um imperativo ético gravado em todos os que dispõe de recursos para tanto. Para a Igreja significa o atendimento a um compromisso de solidariedade ensinado e partilhado por Jesus. (cf. Mt 25,35 e Lc 16,19-31). A insegurança alimentar deve ser enfrentada prevenindo-se contra as causas estruturais que a provocam, a começar pela promoção do desenvolvimento agrícola dos países mais pobres, que precisam de investimento solidário e tecnologia para a irrigação da lavoura, o transporte, a organização dos mercados e formação técnica das pessoas do próprio local.276
É preciso destacar também o fenômeno das migrações e refúgios. O fluxo migratório faz parte da história da humanidade, mas tomou proporções inequiparáveis nas décadas mais
274
Cf. Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2007. 275
Cf. Bento XVI, Mensagem por ocasião do Dia Mundial da Alimentação 2007. 276
recentes, assumindo uma configuração permanente que afeta a vida social, econômica, política e religiosa quase todos os países.277
O impulso para migrar surge, muitas vezes, pela decisão livre das pessoas e é motivado por objetivos culturais, técnicos e científicos, além dos econômicos, em vista de desequilíbrios sociais, econômicos e demográficos, tanto a nível regional como mundial. Por outro lado, o refúgio surge de fatos muito mais dramáticos, pois não vem de uma decisão livre, mas como a única alternativa que restou às pessoas que moravam num país em guerra ou com grave e generalizada violação de direitos humanos e sentiam fundados temores de perseguição, porque tinham opinião política, religião, raça, etnia, nacionalidade ou pertencerem a grupo social diferente do que seria o dominante institucionalmente em seu país. Nessas circunstâncias, frequentemente as pessoas precisam fugir do país às escondidas, deixando familiares, seus vínculos e todos seus pertences para trás. Tudo isso fica piorado se a região também for palco de frequentes ações terroristas, pois torna-se mais extenuante o processo de aceitação da sua condição de refugiado por parte do país para onde ele se refugiou.
O fenômeno migratório é fortemente influenciado pelas estruturas sociais e econômicas injustas que se firmam progressivamente no contexto da globalização, pois os mercados estão se abrindo, mas as riquezas não estão sendo equitativamente distribuídas, ainda mais, observa-se a crescente desigualdade entre Norte e Sul do mundo. Os investimentos e as informações tem livre circulação, mas as fronteiras permanecem fechadas e cada vez mais guardadas, dificultando ou até impedindo a circulação livre das pessoas, ainda mais se estão em zonas de conflito ou guerras civis.278 Geralmente a emigração, novamente dando ênfase à condição de refúgio, tem uma enorme carga de sofrimentos e contrariedades para as pessoas, em particular nas mulheres e nas crianças, como também nas famílias. Há um contraste entre culturas, entre línguas, costumes alimentares, geográficos, religiosos, etc. Uma questão particularmente, sensível é a crescente presença muçulmana nos países onde prevalece a população tradicionalmente cristã, forçando o encontro entre várias culturas e do diálogo entre religiões, que nem sempre é tolerado.
277 Para uma análise das causas do fenômeno migratório e uma abrangente abordagem bíblico-teológica pode-se consultar a Instrução Erga migrantes caritas Christi, do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes (03/05/2004).
278
Quando os migrantes chegam ao novo país e buscam oportunidades de trabalho, oferecendo sua inteligência e habilidade, muitas vezes apenas conseguem posições abaixo de suas qualificações ou, pior, são tratados mera força de trabalho equivalente a qualquer outro fator de produção, em subempregos que não oferecem direitos humanos elementares e sindicais. Algumas vezes, as pessoas são induzidas ao fluxo migratório por agentes do crime organizado, sem poupar as crianças, como parte do “tráfico humano”, que submete as pessoas a um regime de escravidão como simples mercadoria, desviando-as para a prostituição, tráfico de drogas ou de órgãos.
Os problemas que emergem do fenômeno migratório expõe uma lacuna ética adensa o crescimento da interdependência entre todos os países (ou Estados-Nações). Nenhum pode se considerar capaz de enfrenta-los sozinho, ao contrário, como todos são envolvidos por alguma forma de migração, voluntária ou forçada, é necessária uma estreita cooperação internacional para ser convenientemente enfrentada. O primeiro foco a se contemplar é uma distribuição mais justa dos bens da terra segundo uma visão da comunidade internacional como família de povos. Normas internacionais devem harmonizar os diversos sistemas legislativos, na perspectiva de salvaguardar as exigências e os direitos das pessoas e das famílias emigradas e, ao mesmo tempo, os das sociedades de chegada dos próprios imigrantes.279
Sabe-se que o sofrimento faz parte da existência humana e é uma marca indelével da sua finitude. Tudo o possível deve ser feito para para diminuir o sofrimento, pois são exigências fundamentais da justiça e da caridade e, portanto, são elementos fundamentais indicam a humanidade.280 Mesmo assim, tantos outros exemplos de sofrimentos evitáveis poderiam ser evitados ou atenuados pela solidariedade humana, mas persistem pela omissão, ignorância ou perversidade que existem pelos memsos motivos que podem ser creditados à enorme distância que persiste entre as grandes conquistas do engenho humano e a grande miséria dos que não participam dessas conquistas. Assim, além dos exemplos já colocados, podem-se acrescentar as comunidades indígenas africanas e americanas, que não são consideradas em sua dignidade e não são tratadas emigualdade de condições; também pode-se testemunhar que muitas mulheres são excluídas ou maltratadas em razão de seu sexo, raça ou situação sócio-econômica; os jovens que estão na periferia dos centros urbanos e, como alí o governo não chega, não recebem uma educação de boa qualidade, ficam sem conseguir
279
BENTO XVI. 2009. Opus cit.,62 280
progredir em seus estudos e com poucas chances de entrar no mercado de trabalho para se desenvolver e constituir uma família. Os muitos pobres, os desempregados, os pequenos agricultores estabelecidos em regiões distantes e sem apoio financeiro, os que vivem amontoados em cortiços nas casas abandonadas das cidades; os meninos e meninas submetidos à prostituição infantil, todos esses são pessoas abandonadas. Os dependentes das drogas, os mantidos no sistema prisional, as pessoas com limitações físicas, os que padecem de doenças graves e são socorridas em hospitais precaríssimos, os solitários, os idosos excluídos do sistema produtivo e que são descartados pelas famílias. Estes são alguns dos que estão na parte mais miserável da estrutura de pecado que macula a trama de um único tecido social da família humana.
Todos os exemplos colocados aqui, que mostram de que forma as estruturas de pecado está arraigada no panorama social e econômico do mundo globalizado atual, entretanto, poderiam refletir os momentos e as realidades após o assentamento da revolução industrial. Vale lembrar que durante o florescimento do liberalismo inglês, os empresários buscavam gananciosamente o aumento do lucro às custas do sacrifício desumano da família, que se colocava inteira como força de trabalho. Como a mulher e os filhos tinham naturalmente menor poder de produção em relação ao homem, a força de trabalho do homem adulto ficava desvalorizada, a remuneração geral da família ficava reduzida e o ganho do proprietário aumentava proporcionalmente.281
Mais adiante, também Pio XI criticou duramente as pessoas que "não pensavam senão em aumentar por todos os modos as suas riquezas; e procurando-se a si mais que tudo e acima de todos, de nada tinham escrúpulo, nem sequer dos maiores delitos contra o próximo." Em sua encíclica Quadragesimo anno (1931) Pio XI adverte com gravidade:
"Sentimo-Nos horrorizados ao pensar nos gravíssimos perigos a que estão expostos nas fábricas modernas os costumes dos operários (sobre tudo jovens) e o pudor das mulheres e donzelas; ao lembrarmo-Nos de que muitas vezes o sistema econômico hodierno e sobre tudo as más condições da habitação criam obstáculos à união e intimidade da vida de família; ao recordarmos os muitos e grandes impedimentos
281 DORIGON, Nelci Gonçalves. Educação e trabalho: a convocação das workhouses. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Maringá. Maringá, 2006, p. 103.
opostos à devida santificação dos domingos e festas de guarda; ao considerarmos enfim como diminuiu aquele sentimento verdadeiramente cristão, com que até os rudes e ignorantes aspiravam aos bens superiores, para dar lugar à solicitude única de procurar tão somente e por todos os meios o pão quotidiano... Da oficina só a matéria sai enobrecida, os homens ao contrário corrompem-se e aviltam-se."
As consequências funestas dessa dimensão cultural eram evidentes no regime econômico que começava a maturar no século XX, que estava enraizado no nacionalismo e apoiado por uma ciência econômica que, prescindindo da lei moral, "soltava as rédeas às paixões humanas." Movidas pela avidez do lucro e a desenfreada ambição de monopólio e predomínio, atuavam no campo econômico com espírito individualista, desorganizando o mercado e tornando toda a economia "horrendamente dura, cruel, atroz".
A facilidade dos lucros e a especulação possível num mercado descontrolado faziam variar os preços conforme o "capricho da própria cobiça", prejudicando diretamente os produtores e os consumidores em geral. "Somente uma rígida disciplina dos costumes, energicamente apoiada pela autoridade pública, poderia ter afastado ou mesmo prevenido tão graves inconvenientes." Na realidade, as instituições jurídicas mantinham-se distanciadas de seus dever de zelar pelos direitos da sociedade inerentes à atividade econômica e, ao contrário, estavam montadas para colaborar com o capital, diminuindo-lhe o risco e as responsabilidades e disseminando as maiores injustiças e fraudes.282
Dessa forma, a partir de uma leitura dessa encíclica de Pio XI, Dom Giampaolo Crepaldi lembra que, resguardadas as implicações de seu momento histórico, as considerações feitas naquela época são muito instrutivas também para o momento atual.283
É oportuno alinhar que a fraternidade oferecida com solicitude, e a equidade defendida como um dever pela sociedade, são valores fundamentais para a humanização de uma sociedade que está desguarnecida de um amparo moral e que não zela adequadamente pelos seus membros, pois perdeu o justo equilíbrio entre o ser e o ter e o direito e o dever.
Afinal, todas as pessoas deveriam encontrar no ordenamento econômico o caminho para sua realização integral e o atendimento das suas necessidades intelectuais, sociais,
282
PIO XI. 1981. Opus cit., n. 109. 283
físicas, emocionais e espirituais, conforme sua vocação para viver a pertença de si e ser protagonista da sua afirmação na sociedade. Para que a cooperação entre todos seja eficaz, deve-se compreender primeiro que quem é a pessoa humana e respeitar sua vida. Conforme Bento XVI, "O respeito pela vida não pode ser de modo algum separado das questões relativas ao desenvolvimento dos povos".284 A vivência espiritual da pessoa eleva-a a uma "eminente dignidade", que lhe confere um valor de fim em si mesmo e não apenas um meio. Esse respeito à centralidade da pessoa no universo da realização de toda a humanidade é, de fato, o pilar fundamental do desenvolvimento humano integral.
A correção de rumo para uma relação de justa equidade cabe a todas as pessoas, pois, conforme mais uma vez pode-se ler em Hubert Lepargneur,
"A luta contra a injustiça está nas mãos de cada cidadão como dever de evitar toda iniqüidade flagrante. Está na mão de cada cidadão consciente do significado de sua humanidade como dever de tentar atenuar e corrigir as manifestações do mal, da doença, da injustiça ao seu redor, o mais visível para quem aceita considerar o vizinho ou aquele que entra no âmbito de sua tarefa profissional."285
Entre os primeiros que deveria atender eesa convocação, devem-se destacar os líderes econômicos e políticos, como propulsores fundamentais do desenvolvimento social, por terem responsabilidade especial na instituição deste ordenamento como prática inerente em seus negócios, posicionando-se com postura responsável frente à sociedade com a qual se relacionam e ao meio ambiente do qual fazem parte. Retomando uma outra vez de Hubert Lepargneur, ele fala da responsabilidade dos dirigentes políticos:
"Está na mão de todo governante como responsabilidade e dever de impedir todo ato de corrupção ativa ou passiva em seu setor, de corrigir as disfunções encontradas na situação, de usar o próprio poder para atender às situações de carência ou marginalização, distinguindo sempre o essencial e urgente do supérfluo e facultativo nas necessidades, direitos e desejos
284
BENTO XVI. 2009. Opus cit., n.28. 285
humanos, como nas planificações que almejam aperfeiçoar o horizonte da solidariedade."286
João Paulo II estende essa responsabilidade para o âmbito das nações e novamente sua análise crítica é oportuna e esclarecedora:
"Quando o Ocidente dá a impressão de se abandonar a formas de isolamento crescente e egoísta, e o Oriente, por sua vez, parece ignorar, por motivos discutíveis, o seu dever de cooperação no empenho por aliviar a miséria dos povos, não nos encontramos apenas perante uma traição das expectativas legítimas da humanidade, premonitória de consequências imprevisíveis, mas perante uma defecção propriamente dita em relação a uma obrigação moral."287
Conclusão
O que posso fazer a fim de que os outros sejam salvos e nasça também para eles a estrela da esperança? Então terei feito também o máximo pela minha salvação pessoal.288
Discorrer sobre a reação da Igreja diante do liberalismo e do socialismo foi como mostrar a amplitude do ensinamento de Paulo VI sobre a vocação própria da Igreja, conforme ele expôs em sua exortação apostólica Evangelii nuntiandi:
Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o
286
LEPARGNEUR, Hubert. 1994 b. Opus cit. 287
JOÃO PAULO II. 2003. Opus cit., n. 23. 288
sacrifício de Cristo na santa missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição.289
Tradicionalmente, a Igreja foi erigida em torno de sua especial atenção aos pobres, tanto através da estrutura própria da Igreja, como por meio de tantas entidades caridosas vinculadas – ou não – à Igreja. Eles desempenham desde sempre um inestimável serviço de solidariedade, que muitas vezes supre a ausência dos serviços que antes caberiam ao poder público atender. Este é o caso, por exemplo, do atendimento à saúde feito pelas Santas Casas de Misericórdia ou pelo fornecimento de alimentos e vestuários essenciais às pessoas em estado de miséria. Nesse contexto também surgiu a Caritas, inicialmente em unidades isoladas em alguns países, mas que aos poucos foram somando esforços para ampliar a abrangência de suas ações de solicitude caritativa. À luz do trabalho exemplar que essas Caritas vinham exercendo, a Santa Sé percebeu a conveniência de agrupá-las em torno de uma Caritas Internationalis, que, conforme seu próprio nome já indicava, nasceu com a intenção de levar “amor entre as nações".290
A promoção da paz no mundo é parte integrante da missão que a Igreja sabe ser sua, como continuação da obra redentora de Cristo.291 Entretanto, trata-se de uma missão imensa, dada as estruturas de pecado que se mantém vivamente arraigadas no tecido social, com a conformidade de cada pessoa individualmente. O fator mais evidente que alimenta essa forma generalizada de injustiça social é a avidez com que as pessoas se apegam aos bens matérias e aos benefícios – muitas vezes supérfluos – desprezando os valores essenciais de moralidade que favoreceriam a construção de um bem comum onde todos estariam igualmente contemplados.
A Caritas, que já foi mencionada, está entre as entidades vinculadas institucionalmente à Igreja católica que se dedicam à caridade social. No próximo capítulo serão tratados alguns desafios que Caritas Arquidiocesana de São Paulo enfrenta na região metropolitana de São Paulo.
289 PAULO VI. Exortação apostólica Evangelii nuntiandi. São Paulo: Paulinas, 11ª ed., 1991, n. 14. 290
COMISSION TEOLÓGICA DE CARITAS INTERNATIONALIS. Caritas - un señal del amor de dios por la humanidad. In: www.caritas.org. Vaticano, 2009, p. 9. Disponível em: http://www.caritas.org/download/21771/. Acessado em: 30/06/2015. (Tradução nossa)
291 PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da Doutrina Social da Igreja. São Paulo: Paulinas. 2005, n. 516.
CAPÍTULO III
DESAFIOS PARA A CARITAS ARQUIDIOCESANA DE SÃO PAULO
Introdução
Este Capítulo III apresenta alguns desafios que a Caritas Arquidiocesana vem enfrentando para fazer frente a uma sociedade enfraquecida por circunstâncias do desenvolvimento urbano da e pelas estruturas de injustiça que dividem a sociedade entre as pessoas suficientemente atendidas em suas necessidades e as outras pessoas, composta por um povo que está esquecido tanto na periferia distante, como no próprio centro desta cidade metropolitana.
Inicialmente será abordada a história dos primeiros anos da Caritas, que tinha a tarefa básica de receber e distribuir às entidades assistenciais os alimentos que eram enviados pelos Estados Unidos e recebidos no Brasil pela Cáritas Brasileira.
No passo seguinte, será mostrada a Operação Periferia, que foi a forma que Dom Paulo Evaristo Arns adotou para atender o povo mais sofrido, no qual se incluíam os imigrantes, vindos de todos os cantos do Brasil em busca de melhor oportunidade de vida em São Paulo, mas quando chegavam aqui ficavam desamparados.
A seguir, mostra-se que durante a maior parte do funcionamento da Operação Periferia, a Caritas ficou praticamente parada. A evolução da Operação Periferia para a elaboração de Planos de Pastoral trouxe novamente a Caritas Arquidiocesana para sua atuação protagonista nos Projetos Alternativos Comunitários e outros que logo foram imaginados.
Entre as novas atividades tocadas pela Caritas Arquidiocesana, ganhou especial relevo o Centro de Acolhimento para Refugiados (mais tarde renomeado Centro de Referência para