2. As Saídas de Campo: Reais e Virtuais
2.2. Saídas de Campo Virtuais
2.2.4. Exemplos de SCV
Tendo em vista a preparação das nossas SCV procurámos exemplos divulgados na internet, reunindo um breve, mas significativo conjunto. Existem SCV em vídeos panorâmicos, através da utilização do Google Maps de base ou experiências com coordenadas e exercícios
recriados para utilização em sala de aula. A análise das diferentes SCV relacionadas permitiu compreender os seus pontos positivos e negativos, tendo em vista elaborar uma SCV
própria que reunisse os diferentes pontos positivos de todas. Contudo, devido à limitação de recursos, algumas tecnologias não puderam ser utilizadas em sala de aula.
A primeira SCV analisada foi criada por Derek McDougall, da Universidade de Worcester, no Reino Unido, cuja última alteração foi realizada em março de 2019
33 (https://vrglaciers.wp.worc.ac.uk/wordpress/). Nesta SCV apresenta um conjunto de
paisagens que podemos explorar, através de uma dupla visão em simultâneo: satélite e no terreno. Os alunos são livres de “cumprirem o trilho” ou podem saltar pontos, e, em todos eles é possível uma análise a duas dimensões.
Figura 1 - Visita Virtual ao Vale de Arolla na Suiça
Como é possível verificar na Fig. 1, cada ponto refere-se a uma paragem, podendo-se selecionar livremente as paragens sobre a fotografia de satélite, que se encontra do lado direito da imagem. Automaticamente “viajamos” para o local. Dentro da imagem da visão de rua, conseguimos ter uma vista panorâmica e ir observando a paisagem pressionando as setas no teclado. Na parte inferior da imagem (Fig.1) existe uma caixa de símbolos, uma ferramenta que está conectada à SCV e permite que façamos a viagem automaticamente. A imagem vai passando de local para local, automaticamente, e em cada um deles efetua uma rotação sobre si mesma, para análise panorâmica da vista.
Numa análise a esta SCV, focando os aspetos positivos, podemos verificar que a
possibilidade de conseguir analisar o terreno sob duas óticas, satélite e visão terrestre, é deveras atrativa para os alunos, porque a compreensão do espaço a duas dimensões e a diferentes escalas facilita a leitura da paisagem. Outro aspeto positivo é a qualidade da imagem e a facilidade de manuseamento da plataforma, facilitando a utilização em sala de aula, seja para os alunos, seja para os professores.
34 Mas, neste exemplo de SCV, existe um conjunto de aspetos negativos, como a utilização em exclusivo da imagem, o que não apela aos restantes sentidos, não incluir guia escrito para acompanhar a visita e estar limitado aos espaços presentes na plataforma, que são apenas 13 à escala mundial, sendo 7 na Suíça, 3 na Califórnia (USA) e 3 em Inglaterra, o que se torna geograficamente muito limitador em sala de aula.
A segunda SCV que apresentamos foi criada pela National Oceanic and Atmospheric
Administration – NOAA, nos Estados Unidos da América, em 2020. Nela é possível visualizar os recursos naturais marinhos da costa americana, através de um vídeo. A interação com o leitor ocorre, porque no próprio vídeo é possível analisar a flora e a fauna marítimas através da tecnologia.
Na Fig. 2 podemos observar imagens de um dos vídeos da SCV, com cerca 4 minutos, em que se divulgam as paisagens do santuário marinho nacional da baleia cantora, no Hawai (USA) (https://www.youtube.com/watch?v=cXD8aUb-Psg). É possível visualizar o fundo marinho, em 360º, em cada frame do vídeo, graças à deslocação panorâmica da visão. No mesmo segundo, a imagem pode ser do fundo do santuário natural ou dos mergulhadores, sendo possível alternar a imagem no smartphone, na aplicação do Youtube, girando o mesmo, ou através de um computador com o rato sobre as setas do botão que se encontra no lado esquerdo superior do vídeo, modificando atrativamente a experiência da
visualização. A interatividade e a possibilidade de exploração do vídeo permitem que os
Figura 2 - Santuário Marinho Nacional da Baleia Cantora nas Ilhas Havaianas
35 alunos não vejam apenas uma imagem em movimento, mas estejam na “própria” frame do vídeo, conseguindo analisar tudo ao seu redor.
Focando-nos nos aspetos positivos deste exemplo podemos verificar que as imagens não são estáticas, o que as torna mais atrativas. Para além de ser em formato de vídeo, também permite uma interação do espetador, que consegue analisar a área envolvente. A SCV tem um áudio-guia, o que auxilia na captação da informação, pois este permite uma explicação dos conteúdos visionados e, para além de captar a experiência sensorial da visão, também apela ao sentido auditivo.
Mas, existe um conjunto de aspetos negativos nesta SCV, pois encontra-se limitada aos espaços apresentados pela NOAA, não existindo uma qualquer possibilidade de
experimentar noutros espaços. A tecnologia para recriação é cara, o que não permite uma utilização em sala de aula. Também os vídeos apresentam apenas uma visão do local, o que não auxilia a uma leitura mais especifica da área envolvente e suas conexões. Apenas contamos com o espaço da filmagem.
Num terceiro exemplo de uma SCV, foi analisado uma saída recriada pela The Geographical Association, em Sheffield, na Inglaterra.
(https://www.geography.org.uk/write/MediaUploads/download/GA_PRMMPVirtualFieldwo rk.ppt ). Trata-se de uma apresentação em formato de PPT, destinada à utilização do
programa do Office Powerpoint ou do programa gratuito do Openoffice Presentation, com diversos pontos. Pretende-se que os alunos analisem os mapas elaborados e difundidos, com pontos de referência indicados, para conseguirem responder a uma pequena ficha formativa. Na atividade encontramos diversos pontos de interesse da cidade de Sheffield, com variados pontos de descoberta, desde lojas a espaços verdes, indicando aos alunos a sua visita através da visão de rua.
Algo distinto da SCV, é o facto do inquérito tentar aproximar os alunos dos locais, apresentando uma paisagem e pedindo aos participantes para se colocarem no local, e indicar os cheiros, sons ou objetos eles sintam presentes no espaço, o que leva os alunos, através da imaginação, aos locais pretendidos, conseguindo relacionar as imagens mentais com os locais da reais.
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Figura 3 - Slide da SCV a Sheeffield
Figura 4 - Slide da SCV a Sheeffield
Através da análise da quantidade de pontos marcados, é possível compreender o quão complexa é esta SCV, com informações sobre uma área muito extensa.
Do lado positivo, esta SCV permite aos alunos analisar o território em duas visões, a visão de rua e a de satélite (Google Maps), o que permite que os alunos consigam redescobrir a sua cidade e os espaços em que circulam, e apela a uma experiência sensorial, tentando colmatar essa lacuna existente nas SCV, quando confrontadas com as SC tradicionais.
37 Porém, existe um conjunto de pontos negativos nesta SCV como a falta de atratividade, já que as visitas são realizadas com imagens estáticas, a não existência de um guia que ajude a acumular mais informação e enriqueça o processo de aprendizagem e a grande quantidade de pontos de análise. Assim, não é fácil, recriar a SCV em sala de aula, devido ao tempo necessário para a sua análise. E também fica inviável a sua elaboração para os professores, atendendo ao tempo de construção ser excessivo.
Pesquisados e analisados estes exemplos partimos para o caso concreto da nossa experiência na ESJGZ, em Matosinhos.
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