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O exorcismo e o exorcista

No documento SVMMA DAEMONIACA (páginas 170-198)

O e�orcismo e � e�orci�ta

Questão 118

O que é o exorcismo?

Exorcismo é o rito de ordenação ao demônio para que saia do corpo de um homem possuído. A essência do exorcismo é a conjuração, ou seja, a ordem dada ao demônio em nome de Jesus a deixar o corpo. O ritual de exorcismo da Igreja contém muitos ritos menores (a ladainha dos santos, a liturgia da Palavra, rezando a oração do Senhor, etc.), mas a sua verdadeira essência é a conjuração do demônio. As orações dirigidas a Deus são deprecativas, ou seja, suplicamos a Ele, enquanto ao demônio nunca se pede nada, apenas se lhe conjura, ou seja, se lhe ordena. E se lhe ordena pelo poder sacerdotal ou pelo poder inerente ao próprio nome de nosso Redentor.

Se não houvesse conjuração em um exorcismo, não haveria exorcismo real. A característica definitiva e específica do exorcismo é a conjuração. Na verda- de, a palavra grega exorkizein significa apenas conjurar.

Coloco dois exemplos do Ritual de Exorcismos de 1998. Fórmula de oração deprecativa a Deus:

Deus, criador e defensor do gênero humano, volta Teus olhos sobre esse ser- vo Teu [nome do possesso] que formaste à Tua imagem e o qual chamas à Tua amizade.

O velho inimigo atormenta-o cruelmente, oprime-o com austera força, per- turba-o com feroz terror.

Envia sobre ele Teu Espírito Santo que o fortaleça nas tristezas, que lhe ensi- ne a suplicar na tribulação e que o guarde com Tua poderosa proteção.

Escuta, Pai Santo, o gemido da Igreja que Te suplica.

Não permitas que o Teu filho seja possuído pelo pai da mentira. Não per- mitas que Teu servo, a quem Teu Filho redimiu com Seu sangue, seja retido no cativeiro do diabo.

Não permitas que o templo do Espírito Santo seja habitado por um espírito imundo.

Escuta, Deus misericordioso, as súplicas da ditosa Virgem Maria, cujo Filho morrendo na Cruz pisou a cabeça da Serpente Antiga e confiou-a como mãe de todos os homens.

Que brilhe neste servo a luz da verdade, que entre nele o gozo da paz, que o  possua o Espírito de santidade e que morando nele o torne sereno e puro.

Fórmula de conjuração ao demônio:

Conjuro-te, Satanás, inimigo da salvação humana, a que reconheças a justi- ça e bondade de Deus Pai, o qual, com justo julgamento, condenou tua soberba e inveja.

 Afasta-te desse servo [nome do possesso] que o Senhor fez à Sua imagem, que enalteceu com seus dons e que adotou como filho de misericórdia.

Conjuro-te, Satanás, príncipe desse mundo, a que reconheças o poder e força de Jesus Cristo, o qual te venceu no deserto, te derrotou no horto, te despojou na Cruz, e ressuscitando do sepulcro levou consigo teus troféus ao Reino de Luz.

Retrocede dessa criatura [nome do possesso] que nascendo a fez irmã sua e morrendo a adquiriu com seu sangue.

Conjuro-te, Satanás, sedutor do gênero humano, a que reconheças o Espírito de verdade e graça, o qual repeliu tuas insídias e confundiu tuas mentiras.

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Saia dessa criatura de Deus [nome do possesso] a que Ele lacrou com o selo celestial.

Saia desse homem que com a união espiritual Deus fez templo sagrado. Saia pois, Satanás, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Saia pela fé e pela oração da Igreja. Saia pelo sinal da santa cruz de nosso Senhor Jesus Cristo que vive e reina, pelos séculos dos séculos. Amém! 

Questão 119

Qual é a maneira ideal de organizar o ministério do exorcista?

O ideal é que esse ministério seja muito bem organizado com um número suficiente de pessoas treinadas para a missão a que serão confiadas. Se para isso se considera que é melhor concentrar o ministério na capital da arqui- diocese, o melhor é que em cada diocese se faça dessa maneira. Depois não é obrigatório que em cada diocese tenha um exorcista. O modo que vou expor para organizar esse ministério está pensado para uma grande arquidiocese que possua uma grande afluência de casos a examinar.

A parte mais delicada desse ministério não é o exorcismo, senão o discer- nimento. Porque se equivocamo-nos e dizemos que não está possessa uma pessoa, estaremos infligindo por omissão e causando dano terrível, que pode ter que levar sobre os ombros por toda uma vida. Mas, por outro lado, se dize- mos que está possessa e não o está, a Igreja ficará muito desprestigiada.

Um só descuido neste sentido pode ter péssimas consequências, pois a im- prensa só se fixará no erro e não nos sucessos. Por isso convém concentrar experiência em poucas pessoas e não começar com novos grupos a cada caso. E, no caso de os especialistas em discernir deverem estar só na arquidiocese, não haveria problema dadas as facilidades de comunicação que existem hoje em dia.

Uma vez que se comprovasse que o caso é verdadeiro, o especialista pode- ria dar as indicações oportunas para que, na diocese onde reside o possesso, um sacerdote autorizado procedesse ao exorcismo.

Ainda que para cada caso seja suficiente uma pessoa, convém que sejam três as pessoas integrantes dessa equipe de discernimento. Três pessoas de diferentes idades para que se morrer uma não se vá todo o conhecimento com ela, pelo contrário o conhecimento se vá colocando em comum.

Por mais que essa ciência do discernimento seja relatada por escrito, nada poderá suprir nessa matéria a experiência. Por isso, é muito benéfico que o exorcista jovem seja ensinado pelo de idade mais avançada.

Depois, comprovado que um caso é de autêntica possessão e conseguida a autorização, o ideal é que o exorcista tenha uma equipe de leigos que lhe ajudem durante o exorcismo. Leigos que sujeitem ao possesso e que rezem durante o ato litúrgico. Podem ser entre cinco e dez. Dez pode parecer muito, mas se estão rezando, então não excedem esse número, pois a oração se soma. A oração dessa equipe de leigos que assistem às sessões não é algo sem muita importância. Pelo contrário, o poder da oração de um grupo é muito superior ao de um sacerdote sozinho.

Não necessariamente a equipe de sacerdotes que discerne tem que ser a mesma que depois faz os exorcismos. Como já foi dito, o exorcismo é uma operação mais fácil de fazer que a ação de receber a pessoa e discernir, pois para o exorcismo basta seguir o manual. E se há dúvida, pode-se consultar com alguém da equipe de discernimento.

No entanto, nenhum manual pode dar a ajuda necessária para discernir os casos verdadeiros dos falsos. É nesse labor de discernir que convém que se acumule a experiência e que as pessoas sejam fixas, sempre as mesmas, sem mudanças. Por outro lado, exorcizar faz-se com muita frequência, é um ministério muito pesado, e ainda que pareça paradoxo, é uma função de uma grande monotonia e que costuma cansar muito por ser sempre a mesma. Por isso, discernir é um labor e exorcizar é outro. Não necessariamente devem estar unidos.

Resumindo, o ideal é que o ministério nas grandes arquidioceses que aten- dem muitos casos se organize com três grupos de pessoas:

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Os consultores,

encarregados do discernimento; Os exorcistas,

encarregados de levar a cabo o exorcismo; Os assistentes,

a equipe de leigos que assistem com sua oração e ajudam nos exorcismos. Entre os assistentes poderia haver leigos mais fixos nesse ministério que se encarregassem do acompanhamento espiritual dos possessos e de suas fa- mílias. Os possessos, na maior parte dos casos, precisam de uma verdadeira catequese para aproximar-se de Cristo.

Alguns desses assistentes, com os anos, podem acumular tal experiência que, algum deles, poderiam chegar a ser um dos consultores. Se esse leigo é psiquiatra, seu julgamento parecerá mais justo à hora de discernir os casos. Mas digo, parecerá, porque em minha experiência nada é tão valioso como o sentido comum e a vida espiritual.

Questão 120

É obrigatório um relatório psiquiátrico

para se proceder o exorcismo?

Não, a ideia de que um relatório psiquiátrico seja obrigatório antes de pros- seguir com um exorcismo não consta em qualquer legislação sobre este assun- to. Se um bispo espera que um psiquiatra lhe diga: esse homem está possesso, normalmente não se fará nenhum exorcismo, ainda que ali estivesse o ende- moninhado de Gerasa, que carregava dentro de si uma legião.

O relatório psiquiátrico só vai falar de possibilidades. Se o exorcista está seguro de que a pessoa está possessa, por que precisaria de um relatório

psiquiátrico? Além disso, em várias ocasiões, já me ocorreu que uma doença psiquiátrica de um possesso coexistia com uma verdadeira possessão. De que teria servido um relatório, nesse caso?

A partir do momento em que pode coexistir uma doença psiquiátrica com a possessão, que sentido teria um relatório psiquiátrico? Se estiver enfermo, não pode estar possuído?

Questão 121

Por que é necessária a permissão do bispo para exorcizar?

No início, na Igreja primitiva, não era preciso da permissão do bispo. Esse ministério era exercido sempre que necessário. No entanto, logo se impôs a regra de que ninguém o exerceria sem a permissão do bispo. E assim acontece desde o ano 416, quando o Papa Inocêncio I escreveu uma carta ao bispo de Gubbio, na qual disse:

“Você tem solicitude caritativa por estes batizados, que depois do batismo são possuídos pelo demônio, por causa de algum vício ou pecado. E para esse  fim, pode ser nomeado um padre ou diácono. Já que realizar exorcismo não é

lícito a não ser com a autorização do bispo.” 13

Por que a Igreja impôs essa regra? A Igreja percebeu que essa área exigia cuidados especiais. Prudência para evitar que iluminados e visionários agis- sem por conta própria. Também era um campo extremamente delicado para que um ato imprudente de um clérigo causasse danos aos supostos possuídos e ao prestígio da Igreja em geral. Por isso se optou por estabelecer vigilância especial neste ministério; vigilância essa que resultou na restrição que já apa- rece no século V, na citada carta. É interessante acrescentar que no Oriente esse ministério era exercido como uma atividade carismática que não requeria da autorização expressa do bispo.

13 De his vero baptizatis, qui postea a demonio, vitio aliquo aut peccato interveniente, ARRIPIUNTUR,

est sollicita dilectio tua, si a presbytero vel diacono possint aut debeant designari. Quod hoc, nisi episcopus praeceperit non licet. PL XX, 557-558.

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Questão 122

Qual era a ordem menor do exorcistado?

A ordem menor do exorcistado era uma bênção que a Igreja dava através de um rito litúrgico, no qual se pedia a graça de Deus para exercer esse mi- nistério. Então, embora tivessem recebido essa ordem menor, não poderiam exercer esse ministério sem a permissão do seu bispo. Com o documento Mi- nisteria Quaedam, Paulo VI suprimiu esta ordem menor. Alguns acharam que isso significava a perda de uma arma para lutar contra o demônio. Mas não era. A mesma ordem menor era totalmente desconhecida nos primórdios da Igreja. Essa ordem menor não era um sacramento, mas um sacramental criado pela Igreja.

O poder exorcístico está incluído na autoridade do Sacramento da Ordem. O Sacramento da Ordem que foi uma bênção simples, na qual se pedia a graça de Deus para exercer bem esse ministério, era apenas isso. Portanto, mesmo que esta ordem tenha sido extinta, a autoridade do exorcista não foi reduzida em nada. A autoridade da ordem, a fé e a oração do sacerdote serão as fontes de seu poder sobre os demônios.

Questão 123

O que fazer em caso de ausência absoluta de exorcista?

Às vezes me perguntaram o que deve ser feito caso o sacerdote esteja au- sente, por exemplo, em locais de missão. No início eu tentava responder à per- gunta com respostas do tipo: deve-se conseguir chegar até um sacerdote. Mas os anos têm me mostrado situações que me fizeram entender, efetivamente, que existem casos em que não há possibilidade alguma para se chegar até um sacerdote. E situações nas quais, quando se chega até o sacerdote, este tem tan- to trabalho acumulado que não pode se dedicar horas e horas a um exorcismo. Para esses casos completamente excepcionais, nos quais é impossível obter ajuda ordinária da Igreja, os cristãos do lugar devem reunir-se e rezar a se- guinte oração exorcismus missionalis:

Senhor Deus Todo Poderoso, misericordioso e onipotente,

Pai, Filho e Espírito Santo, expulsa toda influência

dos espíritos malignos. Pai, em nome de Cristo,

 peço-lhe para quebrar todas as cadeias que os demônios têm sobre esta pessoa.

Despeje sobre ela o precioso Sangue de Seu Filho. Seu Sangue imaculado e redentor 

rompe todos os laços que existem no seu corpo e mente. Tudo isso, pedimos pela intercessão da Virgem Maria.

São Miguel Arcanjo, intercedei, em seu auxílio. Em nome de Jesus eu ordeno

a todo demônio que possa ter  alguma influência sobre ele,

que saia para sempre.

Por Sua flagelação, por Sua coroa de espinhos, Sua Cruz, pelo Seu Sangue, por Sua ressurreição,

eu ordeno que todo espírito maligno saia. Por Deus verdadeiro, por Deus santo,

 pelo Deus que tudo pode, eu lhe ordeno, demônio imundo,

que saia em nome de Jesus, meu Salvador e Senhor. Amém.

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Essa oração deve ser repetida todos os dias durante um período que pode  variar de alguns minutos a meia hora ou meia hora ou mais. Pede-se com hu-

mildade através das orações a Deus, para que o demônio saia, com o tom de uma ordem. Gritar não tem mais efeito. Se o demônio não se agita ao repeti- -la, reza-se o rosário em grupo e em voz alta. Terminado o rosário, repete-se a oração. Se tornar a dar sinais de agitação, reza-se outro rosário. O ideal é prosseguir assim durante muito tempo.

Essa oração, junto com o rosário, tem a vantagem de ser uma prece breve unida a uma maneira sincera de se exorcizar, que pode ser usada também fazendo-se ligeiras adaptações, nos casos de infestação. Inclusive, caso não seja um caso de possessão, a pessoa pode usá-lo para se libertar da influência que venha do demônio. Mas não é uma oração de proteção, e sim de expulsão. E, portanto, deve ser usada somente por pessoas que sem dúvida tenham esses tipos de distúrbios para a qual se destina.

Em cada caso deverão ser feitas mudanças de sentença. Por exemplo, onde se diz: expulsa toda influência dos espíritos malignos, deverá ser dito expulsa desta casa toda influência... É preciso repetir que esta oração é sugerida para os lugares de missão, para não deixar desamparados aqueles possessos para os quais a aplicação das regras gerais representaria uma desproteção da fé cristã. Alguém pode ver este exorcismus missionalis como uma porta aberta para que qualquer um comece a praticar exorcismos. Acredito ser necessário in- sistir sobre as condições em que deve ser usado: na absoluta impossibilidade de acesso aos ministros sagrados durante meses. Não é próprio da caridade deixar essas pessoas desamparadas. Gostaria de fazer um comparativo: todo medicamento deve ser dispensado com receita médica; então, o que deve ser feito se um enfermo com cálculos no rim estiver em um lugar onde não tenha médico e nem hospitais?

Logo, creio que deveria dizer algo para essas pessoas indefesas, mesmo com o risco do que digo para eles ser usado por aqueles que não estiverem nessa situação. Mas o risco de que existam pessoas que não sigam as normas canônicas e façam exorcismos quando não são autorizadas, não significa que

não se deva dizer nada para os casos de fiéis, filhos da Igreja que se encontrem nessa penosa situação.

Questão 124

Um não católico pode ser exorcizado?

Sim, os não batizados ou batizados em outros credos podem ser exorci- zados. O exorcismo será uma grande oportunidade para se aproximarem de Deus e da Igreja. Aqueles que pertencem a religiões monoteístas não são obri- gados a abandonar sua crença. Por exemplo, se um muçulmano pede exorcis- mo, não é necessária a fé em Cristo para ser exorcizado. Basta, por outro lado, que aumente sua fé no único Deus Verdadeiro, Criador e Juiz de todos os seres  vivos, e viver uma vida justa e adequada à lei natural. Sim, pode-se pedir que ele aumente seu tempo de oração, a oração a Deus, sem exigir que ele ore ou à Virgem Maria ou aos santos, ainda que possa sugeri-lo. No entanto, a alguém que pertence a uma religião politeísta, deve-se exigir como condição para co- meçar o exorcismo que abandone a sua falsa crença nos deuses e aceite a Deus.

Questão 125

Os animais podem ser infectados?

A possessão de animais, objetos ou lugares é chamada infestação. A pos- sessão de lugares é um fenômeno comum, mas nos animais é estranhíssima. Quase nunca acontece. Se ocorrer, o demônio sairia após o sacrifício do ani- mal, e não voltaria novamente. Isto é, ao deixar o animal (porque ele está morto), o demônio já não pode mais possuir ou prejudicar a ninguém. Tenho tido conhecimento de raríssimos casos de infestação dos animais. Houve um caso de infestação de uma casa, em que fui o sacerdote a realizar o exorcismo do lugar. A partir daquele dia a casa foi libertada, mas o cão, um cão muito grande, começou a ter o seguinte comportamento estranho: sempre que se abrisse o portão ele saia correndo em direção a uma estrada movimentada e

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deitava no meio do asfalto. Poucas vezes tiveram que tirá-lo de lá, pois logo morreu atropelado por um carro.

A infestação do lar pode ocorrer quando na casa têm sido continuamente praticado rituais satânicos, feitiçaria ou qualquer outra forma de ocultismo. A infestação de um objeto só ocorre se este tenha sido usado em um feitiço ou magia ritual. Podemos saber que um determinado objeto está infestado porque esse provoca fenômenos demoníacos no local onde se encontra; nor- malmente o faz com uma influência externa. Isto é, onde o objeto estiver, poderá haver coisas em movimento, ruídos inexplicáveis, odores, etc. O que  você precisa fazer é queimá-lo.

Enfim, apesar de eu ter explicado aqui a percepção quase unânime de exor- cistas, tenho sérias dúvidas de que um objeto possa sofrer uma infestação. Eu acho que é muito difícil provar a relação entre um objeto e a influência externa. Os demônios possuem corpos ou estão em lugares, mas vejo clara- mente que se ligam a objetos. Não vejo nenhum problema teológico nisso, mas vejo que é difícil provar essa relação. Hoje eu sou cético, não acredito que haja algum objeto com as más influências. Os demônios nos exorcismos estão sempre falando que possuíam essa pessoa graças à combinação de um deter- minado objeto que tornou-se uma maldição, mas acredito ser muito difícil provar essa relação.

Questão 126

É verdade que o demônio se vinga dos exorcistas?

O demônio já está tentando fazer o pior que pode. Se pudesse fazer mais mal, ele o faria. Se o sacerdote reza o terço todos os dias e pede a Deus para protegê-lo contra todas as ciladas do mal, nada tem a temer. O poder de Deus é infinito, já o do demônio não é. Enfim, São Paulo nos diz: “Ponha a arma- dura de Deus para que você possa resistir às ciladas do demônio” . E mais: “Sa- bemos que aquele que nasceu de Deus não peca, mas o que e gerado de Deus se acautela, e o Maligno não o toca” (1Jo 5,18). Jesus disse: “Eis que vos dei poder  para pisar serpentes e escorpiões, todo o poder e autoridade contra o inimigo, e

nada pode prejudicá-lo” (Lc 10,17-19). As palavras de Jesus são taxativas: nada pode prejudicá-lo. Para um cristão, temer o demônio está totalmente injustifi- cado, pois a fé em Deus rechaça todo temor. Ainda menina, antes de ingressar no Carmelo, Santa Teresa de Lisieux, teve um sonho maravilhoso:

“Sonhei uma noite que saía a passear sozinha pelo jardim. Chegando ao  pé dos degraus que precisava subir para ali chegar, estaquei tomada de pavor. Diante de mim, rente ao caramanchão, havia uma barrica de cal e sobre a barrica dançavam, com espantosa agilidade, dois medonhos diabinhos, não obstante os ferros de engomar que tinham nos pés. De chofre lançaram sobre

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