4.3 DIFICULDADES PARA A INCLUSÃO DAS PEQUENAS PROPRIEDADES RURAIS NA
4.3.8 Expansão da Base Florestal Produtiva Paranaense
Ressalta-se que no próprio PNF também se observam alguns entraves que reprimem a expansão da base florestal como, por exemplo, a inadequação das políticas públicas, que, em sua maioria, encontram-se voltada mais à expansão agropecuária, exigente em grandes desmatamentos (PNF, 2000). Por outro lado, a Abimci (2005) chama a atenção para o fato de que, no passado, existia uma percepção negativa que vinculava a indústria de madeira à degradação ambiental. Entretanto, esta percepção vem mudando gradativamente e que, atualmente, existem claras evidências, baseadas em estudos científicos, de que a degradação ambiental tem correlação com a pobreza que, por conseguinte, leva à exploração não sustentada dos recursos naturais, incluindo, no caso, a conversão do uso solo (desmatamento) para outros usos como a agricultura itinerante e não sustentada.
Questiona-se, no entanto, o que ainda continua emperrando a expansão da base florestal paranaense, tendo como referência os três atores pesquisados (GOV;
N-GOV e PROD). A análise dessa percepção teve por base as principais dificuldades apontadas pelos grupos e por instrumento a metodologia DSC, cuja planilha completa, como exemplo, pode ser observada no Apêndice 02.
Quanto à ordem de indicação dessas dificuldades (classificação das âncoras, situada no Gráfico 20), pode-se observar que a ÂNCORA V “Faltam informações
técnicas”, correspondente a 26 %, foi a que mais se destacou.
14 9 3 20 21 6 26 0 5 10 15 20 25 30
ÂNCORA I - Agricultor deseja rápido retorno ÂNCORA II - Excesso de burocracia ÂNCORA III - Falta apoio governamental ÂNCORA IV - Falta de mudas de boa qualidade ÂNCORA V - Faltam informações técnicas ÂNCORA VI - Incapacidade de investimento ÂNCORA VII - Pouca assistência técnica
PERCENTUAL
Gráfico 20 - Ordem de preferência das sete âncoras do Discurso do Sujeito Coletivo sobre as dificuldades que reprimem a expansão da base florestal produtiva, na percepção dos grupos pesquisados.
A questão da falta de informação serve, mais uma vez, para firmar-se como um dos maiores problemas enfrentados pelas PPRs para se viabilizarem no meio rural e, em especial, para poderem expandir sua base florestal produtiva. Apenas como reforço, observa-se que as instituições do governo, além de levantarem e reterem poucos dados sob seu controle (não é bem definida a localização dos mesmos), sem contar que muitos dos órgãos que fazem esse mínimo controle (entre as Secretarias da Agricultura e do Meio Ambiente), às vezes, sequer permitem socialização dessas informações A área plantada com florestas exóticas no estado é um exemplo dessas disiparidades, ou seja, apresenta uma variação de escala estrondosa, variando de 600 mil até quase 1 milhão de hectares.
Vale destacar, ainda, outras duas dificuldades apontadas pelos entrevistados, isto é, “Excesso de burocracia” e “Falta apoio governamental”. Quanto ao “Excesso
governo, encontram dificuldades de se apoiar, implantar, conduzir e colher plantações florestais em qualquer tipo de escala. As exigências recaem sob um tipo de dúvida, por parte do governo, que detém uma visão mais conservacionista do que produtivista a respeito das plantações florestais. Decorre daí um entendimento de que deve ser a instituição que responde pelo meio ambiente, a mesma que deve controlar a área florestal, mesmo que seja da área produtiva. Entretanto, como tais setores valorizam mais os aspectos eminentemente ambientais, a área produtiva acabou ficando para plano secundário, sem se estruturar devidamente para atender aos apelos do setor de produção florestal. Dessa forma, o processo burocrático tornou-se complexo e demorado. O PNF definiu que, dentre as principais medidas que precisam ser adotadas, destaca-se a desburocratização e simplificação dos instrumentos normativos (BNDES, apud BELING et al., 2006, p. 36).
Quanto à terceira dificuldade mais expressiva apontada pelos entrevistados, “Falta apoio governamental”, também se encontra relacionada à forma como o governo entende o setor florestal, cuja percepção encontra-se mais relacionada à área ambiental e conservacionista, do que produtivista. Assim, mesmo o setor florestal respondendo pela terceira posição na pauta de exportação paranaense, ainda não recebeu tratamento adequado a esta realidade, isto é, não há propostas de apoio governamental, nem espaço administrativo para atender às reivindicações do setor. Isso pode ser confirmado ao se analisar, por exemplo, a estrutura do corpo profissional da SEAB a partir do momento em que o Instituto de Terras Cartografia e Floresta (ITCF), que, em parte, respondia às demandas do setor, destinou-se para o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), instituição da Secretaria do Meio Ambiente (via Lei 10.066-92). Desde aquele ano, a SEAB não investiu mais em recursos humanos específicos na área florestal, como pode ser observado no Gráfico 21, que representa a estrutura de recursos humanos da SEAB em 2006.
145 169 23 314 13 0 0 50 100 150 200 250 300 350
Eng. Agr. Med. Vet. Outros Prof. NS
Tec. e Aux. Outros Eng. Flor.
NÚM
ERO
Gráfico 21 - Estrutura atual do corpo funcional da SEAB (2006).
Fonte: SEAB/GRHS (2006).
Pode-se fazer uma comparação entre as estruturas técnicas das principais instituições que tratam da questão florestal (de alguma forma) no estado (SEAB; SEMA; Emater; IAP), conforme registro no Gráfico 22. Pode-se observar que a concentração de engenheiros florestais encontra-se apenas na SEMA e IAP. Por outro lado, tanto a Emater, com apenas dois engenheiros da área, quanto a SEAB, sem nenhum, não dispõem de estrutura suficiente para a condução de uma política florestal que possibilite a expansão da base florestal no estado e, tampouco, de promover a inserção das PPRs na CPM.
0 145 169 23 64 4 6 0 2 363 46 94 31 32 1 111 0 50 100 150 200 250 300 350 400
Eng. Flor. Eng. Agr. Med. Vet. Outros NS
Nú
m
e
ro
SEAB SEMA EMATER IAP
Gráfico 22 - Comparativo da estrutura atual do corpo funcional da SEAB; SEMA; Emater e IAP (2005).
Como complemento, há que se registrar que a SEAB encontra-se em processo de contratação de engenheiros florestais para o seu quadro próprio, dada a evolução dos trabalhos do grupo técnico que vem tratando da questão florestal produtiva desde o ano de 2005. Em princípio, esses engenheiros florestais estarão distribuídos em regiões estratégicas do estado para a coordenação das atividades florestais junto aos demais parceiros envolvidos na proposta de um programa específico para o setor florestal no estado.
O detalhamento dessa análise, enfocando os resultados de forma diferenciada entre os grupos pesquisados (GOV, N-GOV e PROD) encontra-se no Apêndice 19.
4.4 POLITICA FLORESTAL PRODUTIVA E O SEU ARCABOUÇO