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Explorando as potencialidades de expressão

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Aquecimento: alongamento das diferentes partes do corpo;

Concentração: andar pela sala e, a um número apresentado

oralmente e utilizando a digitação manual, fazer o que é pedido de acordo com

o que foi relacionado a cada número:

1. sentar 2. deitar

4. mostrar uma foto corporal, parar como estátua, demonstrando

uma atitude, uma intenção corporal.

Atividades Teatrais:

1ª atividade: dividir o grupo em dois, uma fileira fica na frente da outra,

com direcionamento de olhar e se provocando corporalmente, respeitando as emoções solicitadas: rindo, chorando, com raiva, amando, com dor,

assustado. O importante dessa atividade é manter o olhar.

2ª atividade: dividir o grupo em pequenos grupos de cinco pessoas e

mostrar uma situação problema em um local determinado, anteriormente

escolhido pela professora. Os lugares escolhidos foram: praia, bar, hospital, cinema, danceteria, cemitério.

Avaliação:

O grupo reclamou muito do alongamento. Muitos deles falaram que não viam necessidade de fazer alongamento e que queriam entrar logo nos

exercícios de teatro. Expliquei a eles a importância de termos o corpo

aquecido, para podermos desenvolver os exercícios corporais. Com o corpo

aquecido, nossa possibilidade de expressão corporal se amplia e

conseqüentemente, melhora a nossa interpretação. Além disso, eles

deveriam aproveitar esse momento para conhecer um pouco mais sobre os seus corpos. As partes rígidas, as flácidas, as possibilidades de extensão,

os pontos doloridos, seus limites e suas ampliações. Expliquei, ainda, que o

alongamento deveria ser uma prática diária, assim como um hábito, ele

deveria fazer parte de nossa vida, de modo que o dia em que não o

fizéssemos, sentíssemos falta.

Penso que foi muito bom termos discutido um pouco sobre o alongamento, pois, aos poucos, os próprios alunos foram sugerindo

exercícios de alongamento para o início de nosso trabalho corporal. Cada

dia um trazia uma proposta.

Todos comentaram sobre a dificuldade da atividade de concentração.

que era para ser feito. Um dos alunos comentou que precisava pensar e não

copiar dos outros. Conversamos um pouco sobre a concentração que

devemos ter durante uma apresentação. Que há um roteiro a se seguir, uma

ordem a ser respeitada. Esses exercícios ajudam para que melhoremos essa

concentração. Eles nos preparam para fixarmos o queé combinado.

Em outras aulas, desenvolvemos atividades similares a essa, só que

dessa vez, os alunos estipularam o que era para ser feito em cada número.

Também colocamos uma ordem relacionada com a ação pedida: uma das

mãos marcava a ordem pedida e a outra marcava o número de pessoas que

deveriam estar juntas, para desenvolver o que era pedido. Nessa atividade não era utilizada a fala. A mensagem se dava só com o número digitado, já

que os alunos ouvintes haviam aprendido a digitação de letras e números.

Essa atividade permitiu aos alunos criarem e comandarem o grupo, levando-os à consciência que o grupo era responsável pelo grupo. Não era

somente a professora quem dirigiria o grupo, mas que essa função era

partilhada por todos os integrantes.

Fazer atividades em que os alunos possam dirigir e coordenar possibilita que eles adquiram a autoconfiança. Nesse momento em que eles

coordenavam, eu me tornava apenas mais uma participante do grupo.

Sobre as atividades teatrais, o grupo apontou que é muito difícil olhar

nos olhos dos outros e transmitir alguns sentimentos, como por exemplo, a tristeza. Refletimos um pouco sobre esse olhar nos olhos dos outros. Um momento em que, sem falar, sem ação, devemos transmitir uma mensagem

apenas com o olhar. Não devemos ter receio de olhar. Isso é uma prática que

precisa ser desenvolvida, pois no ato de interpretar, o olhar tem uma grande função. O olhar retrata a personagem, suas intenções, seus objetivos diante

da trama.

Questionamos se seria difícil para o surdo estabelecer esse olhar, já

que a LIBRAS é visual e necessita olhar para o que está sendo falado. Os

surdos falaram que não, pois os sinais acontecem no espaço próximo ao olhar

olhos do interlocutor. Combinamos que essa seria uma prática nossa, ao

conversar com o outro, ou até mesmo cumprimentá-lo, deveríamos olhar nos

olhos, a fim de que essa prática nos levasse a melhorar a nossa intenção

comunicativa.

Na segunda atividade, os grupos conseguiram apresentar os problemas que aconteciam nos lugares requisitados. Não foram exigidas

soluções para os problemas, e, apesar de alguns grupos terem preparado

propostas de solução, achamos melhor avaliarmos apenas o que tinha sido

solicitado: o problema num lugar determinado.

Os grupos falaram que foi difícil chegar a um acordo, que tiveram que “mostrar com o corpo” o que queriam. Um dos alunos-ouvintes disse que usou “fala junto com as mãos”, para se fazer entender. Ao questioná-lo sobre o que

seria “fala junto com as mãos”, ele deu exemplo de: “lá”, “nós vamos”, “cair”, “chorar” etc.

Alguns alunos-surdos falaram que foi muito difícil de entender e que

era preciso ter um intérprete.

Questionei se o grupo tinha conseguido realizar o que tinha sido proposto e a resposta foi afirmativa. Perguntei se, apesar de eu não ter

interferido e nem ter intermediado a comunicação durante a elaboração das

cenas, eles haviam conseguido realizar a proposta e apesar da resposta ser novamente afirmativa, alguns alunos falaram que não conseguiram

desenvolver aquilo que desejavam ter desenvolvido. Concluímos que temos

um problema de comunicação real, mas há de se encontrar um meio para

conseguir estabelecê-la e que nem sempre as idéias de um é que irão

prevalecer sobre as de outro. O nosso trabalho é em grupo, e num grupo há

diferentes idéias, diferentes propostas, que devem ser negociadas para que se

chegue a uma idéia única que represente o grupo. Alguns alunos pontuaram

que na vida isso acontece em muitos momentos e em várias situações: na

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