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2 POLÍTICA DE INCENTIVO A FORMAÇÃO DOCENTE: PROGRAMA

2.3 Fórum Nacional dos Coordenadores Institucionais do Programa

da continuidade do Programa

Em 2013, foi criado o Fórum Nacional dos Coordenadores Institucionais do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (FORPIBID), importante movimento de aperfeiçoamento e defesa do PIBID, tendo como intuito atuar como interlocutor entre os Projetos do PIBID, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e demais órgãos e Instituições.

Esse movimento foi iniciado com a reunião dos coordenadores institucionais em Brasília, em 2013. Nessa reunião foi lançada pela coordenação do PIBID na CAPES a ideia de criação do fórum de coordenadores. Naquele momento, os coordenadores presentes chegaram à conclusão de que seria necessário amadurecer a ideia e voltar a discuti-la no Seminário Nacional do PIBID, que ocorreria em Uberaba em dezembro de 2013.

Nesse seminário, foi decidido pelos coordenadores presentes que o FORPIBID seria criado e que o movimento assumiria a organização do Seminário Nacional do PIBID no futuro, mantendo-se a deliberação de realizar o Seminário Nacional do PIBID em 2014, na cidade de Natal, juntamente com o Encontro Nacional das Licenciaturas. Para organizar o FORPIBID, foi eleita uma comissão composta por um representante por região mais uma representação específica dos projetos do PIBID – Diversidade.

Esse importante movimento vem atuando em rede com outras organizações em defesa do PIBID, tendo em vista o quadro de descontinuidade de políticas de formação docente marcado pela história brasileira.

Desde então, essa postura vem refletindo no PIBID que, desde 2014, sofre cortes e reduz a sua atuação no fomento a iniciação à docência, pois as IES não receberam a verba de custeio aprovada e destinada à implementação das ações nas escolas. Em 2015, a perspectiva de corte de bolsas chegou a ameaçar a existência do Programa. Em 2016, a CAPES publica a Portaria 046/2016, que mudaria radicalmente o formato do Programa, renunciando os projetos institucionais em andamento. A referida Portaria, publicada no Diário Oficial da União (D.O.U) de 15 de abril de 2016, pretendia mudar o desenho do Programa, deslocando a natureza do PIBID da formação inicial de professores para atender à demanda de reforço escolar, tida como solução para a melhoria dos índices de aprendizagem.

De acordo com o FORPIBID a Portaria 046/2016 exigia:

[...] o fim dos subprojetos organizados por cursos de licenciaturas; 2) não menciona áreas de conhecimento do PIBID, tais como Licenciatura em Educação Física, Artes Plásticas e Visuais, Ciências Agrárias, Música, Dança, Ciência da Informática/Computação, Teatro, Psicologia, Enfermagem, Teologia, Línguas Estrangeiras, dentre outras; 3) é omisso quanto à formação de professores para a etapa da Educação infantil, bem como para as modalidades da Educação Especial, Profissional e Educação de Jovens e Adultos, desconsiderando as determinações das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial e Continuada dos Profissionais do Magistério da Educação Básica, que abrange as diversas áreas das licenciaturas; 4) altera as condições essenciais de formação dos bolsistas de iniciação à docência transferindo a função de supervisão na escola para professores que não estão em efetivo exercício em sala de aula e aumentando o número de escolas para o supervisor acompanhar; 5) reduz o número de professores das universidades e das escolas que compõem as equipes, aumentando a proporcionalidade entre licenciandos e formadores; 6) exclui o Coordenador de Gestão Educacional, sujeito que articula as atividades pedagógicas realizadas nas IES e escolas parceiras do Programa; 7) transfere suas funções para os Coordenadores Institucionais e para os coordenadores de áreas; 8) não faz menção ao PIBID Diversidade, desarticulando as ações de formação de professores para as comunidades indígenas, quilombolas e do campo; 9) ignora a organização da formação inicial dos professores por meio dos cursos de licenciatura e demandas emergenciais de formação para a Educação Básica; 10) define atribuições essenciais para o desenvolvimento do Programa para as redes de ensino, sem que haja segurança de que serão compreendidas e atendidas nas diferentes realidades regionais (FORPIBID, 2016, p. 2).

Desse modo, a Portaria da CAPES interrompia os trabalhos em andamento nos cursos de licenciatura, reduzindo o tamanho do Programa e mudando o foco do PIBID de fomento à formação inicial para reforço escolar, atribuições estas que os bolsistas teriam que desempenhar. Assim sendo, esta Portaria mudava radicalmente o formato do Programa, pois ao desenvolver as atividades pedagógicas planejadas por professores da universidade, professores

das escolas e futuros professores o PIBID produz um movimento de formação inicial e continuada, portanto, contribui com a reflexão e alteração das práticas pedagógicas, tanto nas escolas quanto nas universidades.

O FORPIBID, ao dar início à mobilização pela permanência do PIBID, eclodiu um movimento que surpreendeu a todos. Esse movimento tomou proporção nacional, mobilizado através das redes sociais, afirmava constantemente seu descontentamento frente à situação e, principalmente, dando mostras da importância do Programa na sua história pessoal e nas comunidades onde se inserem.

Na carta aberta elaborada pelo Fórum Nacional do PIBID (FORPIBID), em uma semana, registrou 45.065 (quarenta e cinco mil e sessenta e cinco) assinaturas de estudantes, professores, pais, escolas, pesquisadores, representantes de associações e sociedade em geral. Os estudantes, bolsistas do PIBID, foram às praças de suas cidades e realizaram atividades formativas com a população. Depoimentos, vídeos e imagens foram postados nas redes sociais. Notas foram veiculadas por parlamentares e entidades ligadas à educação, jornais e revistas também deram notícias sobre o tema. Desse modo, a mobilização se constituiu em uma vivência democrática na luta por uma política de Estado.

O resultado foi a revogação da Portaria 046/2016, publicada no D.O.U no dia 15 de junho de 2016, que dava continuidade aos projetos institucionais da IES. Assim, ao participar das mobilizações, os licenciandos passaram a reivindicar melhorias e continuidade do Programa, compreendendo que qualquer ampliação de direitos da categoria docente deve ser conquistada com muita mobilização e união entre os pares.

Entendemos que as mudanças na educação não ocorrerão sem a atuação e comprometimento dos professores. Daí a centralidade de sua formação, baseada na ação-reflexão e no exercício da participação política no campo da educação. Portanto, ampliar a participação dos professores, valorizando-os como sujeitos que fazem a educação acontecer, tem implicações importantes, pois a experiência de lutar juntos pelo PIBID, de algum modo reforça a necessidade desses atores acompanharem a execução do Plano Nacional da Educação para que saia do papel. Também revela que os futuros professores não podem ficar de fora da discussão sobre concepção do Sistema Nacional de Ensino, assim como precisam

estar envolvidos diretamente com a reflexão sobre a Base Comum Nacional, que logo será objeto de ressignificação e direcionamento do seu trabalho cotidiano.

A luta pela permanência, ampliação e qualidade do Programa continua e vai revelando novos sentidos. Trata-se de uma experiência na qual cada um se transforma, alterando seu ponto de vista sobre o mundo, percebendo que não está sozinho, pois pertence a um coletivo para o qual sua ação contribui diretamente. A mobilização do PIBID ajudou a compreender que, por menor que pareça, a participação de cada um é fundamental para o movimento de renovação criado pelo Programa, em especial quando convergem para uma mesma intenção. Que esse exercício de compreensão e de reflexão sobre o papel do PIBID nas IES e na sociedade brasileira possa ser mais um impulso para assegurarmos uma democrática expansão da formação de professores comprometida com o pleno direito à educação de qualidade para todos.

2.4 Conhecendo o Projeto Institucional PIBID UECE e os Subprojetos do