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F IABILIDADE E V ALIDADE DO I NSTRUMENTO DE M EDIDA ‘C OMPORTAMENTO

CAPÍTULO VI Apresentação e Análise dos Resultados

1.4(INV), 1.5(INV), 1.14 Capacidade organizacional Grupo

6.3. V ALIDAÇÃO DO INSTRUMENTO DE MEDIDA

6.3.3. F IABILIDADE E V ALIDADE DO I NSTRUMENTO DE M EDIDA ‘C OMPORTAMENTO

ORGANIZACIONAL’

O instrumento de medida ‘Comportamento Organizacional’ é constituído por dois fatores: ‘Abertura Organizacional’ com oito itens; e ‘Tomada de Risco’ com três itens.

A validade fatorial do modelo que visa aferir o ‘Comportamento Organizacional’ das Misericórdias por parte dos seus colaboradores foi avaliada por intermédio de uma análise fatorial confirmatória com o software AMOS (v. 19, SPSS Inc, Chicago, IL) numa amostra de 209 colaboradores como descrito em Marôco (2010). A fiabilidade compósita e a variância extraída média do fator em estudo foram avaliadas como descrito em Fornell e Larcker (1981). A existência de outliers foi avaliada pela distância quadrada de Mahalanobis (DM2) e a normalidade das variáveis foi avaliada pelos coeficientes de assimetria (Sk) e curtose (Ku) uni- e multivariada. Quatro observações apresentaram valores de DM2 que sugeriam tratarem-se de outliers no entanto o ajustamento do modelo praticamente não sofreu alterações após a sua remoção pelo que a análise fatorial confirmatória foi feita com todas as observações. Nenhuma variável apresentou valores de Sk e Ku indicadores de violações severas à distribuição Normal (|Sk|<3 e |Ku|<10, ver Marôco, 2010). A qualidade de ajustamento global do modelo fatorial foi feita de acordo com os índices e respetivos valores de

2

/gl, CFI, GFI, PCFI, PGFI, RMSEA, P[rmsea ≤ 0,05], MECVI, AIC e BCC. A

qualidade do ajustamento local foi avaliada pelos pesos fatoriais e pela fiabilidade individual dos itens. O ajustamento do modelo foi efetuado a partir dos valores dos índices de modificação pelos multiplicadores de Lagrange (LM) produzidos pelo AMOS, considerando-se que trajetórias e/ou correlações com LM>6 (p<0,001) eram indicadores de variação significativa da qualidade do modelo, com base em considerações teóricas.

Resultados

O modelo bifatorial do ‘Comportamento Organizacional’ ajustado a uma amostra de 209 colaboradores das Misericórdias revelou uma qualidade de ajustamento

sofrível (2/gl=4,545; CFI=0,890; GFI=0,840; PCFI=0,696; PGFI=0,547; RMSEA=0,131; P[rmsea≤0.05]=0,000; MECVI=1,174). Depois de correlacionados os erros do item “A Instituição movimenta-se constantemente em direção ao desenvolvimento de novas respostas” com o item “O apoio ao desenvolvimento de novas ideias está prontamente disponível por parte da Instituição” e do item “A Instituição está aberta a nova ideias” com os itens “A Instituição estabelece um conjunto realista de metas futuras para si mesma”, “A Instituição assegura efetivamente que todos os gestores e funcionários partilhem a mesma visão do futuro” e “A Instituição transmite um rumo no futuro bem claro aos seus funcionários/ colaboradores” e correlacionado o último item mencionado com “A Instituição tem uma visão realista quanto ao futuro dos sectores e colaboradores” pertencentes ao fator ‘Abertura Organizacional’ através da análise dos índices de modificação foi possível melhorar o ajustamento do modelo simplificado (2/gl=2,060; CFI=0,971; GFI=0,935; PCFI=0,671; PGFI=0,539; RMSEA=0,071; P[rmsea≤0.05]=0,060; MECVI=0,662) relativamente ao original. Adicionalmente, o modelo simplificado apresentou uma qualidade de ajustamento significativamente superior à do modelo original na amostra sob estudo (2dif(5)=117,16) bem como um MECVI menor (1,174 vs. 0,662).

Quadro 34 – Estatísticas e Índices de Ajustamento do instrumento de medida ‘Comportamento Organizacional’

Estatística /

Índices de ajustamento Valor Valores referência

2 2 (38)=78,269

p=0,000

Quanto menor melhor p>0.05 2 / gl 2,060 > 5 – mau ]2;5] – sofrível ]1;2] – bom ~ 1 – muito bom CFI GFI 0,971 0,935 < 0.8 – mau [0.8;0.9[ – sofrível [0.9;0.95[ – bom ≥ 0.95 – muito bom PCFI PGFI 0,671 0,539 < 0.6 – mau [0.6;0.8[ – bom ≥ 0.8 – muito bom RMSEA (I.C. 90%) e p-value (H0: rmsea ≤0.05) 0.071 > 0.10 – inaceitável ]0.05;0.10] – bom ≤ 0.05 – muito bom p-value ≥ 0.05 ( ≥ 0.5 segundo Jöreskog)

O fator ‘Abertura Organizacional’ apresenta como itens com maior peso fatorial os itens “O apoio ao desenvolvimento de novas ideias está prontamente disponível por parte da Instituição” com λ=0,836 seguido de “A Instituição assegura efetivamente que todos os gestores e funcionários partilhem a mesma visão do futuro” com λ=0,822, “Nesta Instituição as pessoas estão sempre à procura de novas formas de olhar os ‘problemas’” com λ=0,791, “A Instituição está aberta a nova ideias” com λ=0,775, “A Instituição tem uma visão realista quanto ao futuro dos sectores e colaboradores” com λ=0,771, “A Instituição transmite um rumo no futuro bem claro aos seus funcionários/ colaboradores” com λ=0,761 e “A Instituição estabelece um conjunto realista de metas futuras para si mesma” com λ=0,726. O item com menor peso fatorial neste fator é “A Instituição movimenta-se constantemente em direção ao desenvolvimento de novas respostas” com λ=0,710.

O fator ‘Tomada de Risco’ apresenta como item com maior peso fatorial “A Instituição acredita que vale a pena adotar grandes riscos para ter mais e melhores retornos” com λ=0,910, “A Instituição gosta de arriscar” com λ=0,607 e com menor peso fatorial o item “A Instituição incentiva novas estratégias, mesmo sabendo que algumas irão falhar” com λ=0,573.

A Figura 17 apresenta os valores dos pesos fatoriais estandardizados e a fiabilidade individual de cada um dos itens.

Figura 17 – Pesos fatoriais estandardizados e fiabilidade individual de cada um dos itens do fator ‘Comportamento Organizacional’

A fiabilidade compósita (FC) do fator ‘Abertura Organizacional’ é de 0,955, a do fator e a de ‘Tomada de Risco’ é de 0,828 pelo que a fiabilidade do constructo é adequada. De notar que, segundo Marôco (2010), FC deverá ser, regra geral, superior a 0,7 embora em certos casos possa ser ligeiramente inferior.

A variância extraída média (VEM), um indicador da validade convergente dos fatores, revelou-se também adequada, sendo de 0,727 para o fator ‘Abertura Organizacional’ e 0,626 para o fator ‘Tomada de Risco’ (VEM≥0,5).

O Quadro 35 apresenta os valores dos pesos fatoriais estandardizados, a fiabilidade compósita (FC) e a variância extraída média (VEM) do fator ‘Comportamento Organizacional’.

Quadro 35 – Pesos fatoriais estandardizados dos itens (λ), fiabilidade compósita (FC) e variância extraída média (VEM) do instrumento de medida ‘Comportamento Organizacional’

Fator Item λ FC VEM

Abertura Organizacional

O apoio ao desenvolvimento de novas ideias está

prontamente disponível por parte da Instituição 0,836

0,955 0,727 A Instituição assegura efetivamente que todos os

gestores e funcionários partilhem a mesma visão do futuro

0,822 Nesta Instituição as pessoas estão sempre à

procura de novas formas de olhar os ‘problemas’ 0,791 A Instituição está aberta a nova ideias 0,775 A Instituição tem uma visão realista quanto ao

futuro dos sectores e colaboradores 0,771 A Instituição transmite um rumo no futuro bem

claro aos seus funcionários/ colaboradores 0,761 A Instituição estabelece um conjunto realista de

metas futuras para si mesma 0,726 A Instituição movimenta-se constantemente em

direção ao desenvolvimento de novas respostas 0,710

Tomada de Risco

A Instituição acredita que vale a pena adotar

grandes riscos para ter mais e melhores retornos 0,910

0,828 0,626 A Instituição gosta de arriscar 0,607

A Instituição incentiva novas estratégias, mesmo

sabendo que algumas irão falhar 0,573

A validade discriminante dos fatores foi avaliada pela comparação das VEM com os quadrados da correlação entre fatores. Todos apresentaram validade discriminante pois o quadrado da correlação entre eles é consideravelmente inferior aos respetivos valores de VEM. Está assim confirmada a validade e fiabilidade dos fatores que constituem o instrumento de medida ‘Comportamento Organizacional’.

O Quadro 36 apresenta a correlação entre os fatores.

Quadro 36 – Correlações entre os fatores de ‘Comportamento Organizacional’’ Correlação

(r) r

2

p

Tomada Risco

Abertura Organizacional 0,657 0,432 *** ***p≤0,001