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F9-173 IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA

No documento Trabalho de Conclusão de Curso. (páginas 33-36)

Para Nietzsche, a noção tradicional de verdade se trata de um preconceito moralista inventado para legitimar a superioridade de determinados valores metafísicos em detrimento de outros. Para ele, a verdade absoluta não existe. Assim,

“Não existem fatos, apenas interpretações. ”

NIETZSCHE, F. FP 12: 7[60], Outono 1885 – outono 1887

Pois bem, se cada ser possui sua própria verdade, uma cidade é feita das infinitas interpretações que ela recebe. Essas verdades são a essência huma- na, em paralelo com as teorias de Jean-Paul Sartre, filósofo existencialista.

O conceito filosófico existencialista prega que a existência precede a es- sência, e assim o homem antes existe, e depois vai formando sua essência. Para os existencialistas, não existe uma natureza humana pré-estabelecida. Fica bastante claro a influência da fenomenologia em Sartre, que trata os fenômenos que aparecem à consciência como aqueles formadores do ser hu- mano.

“Consideremos um objeto fabricado, por exemplo, um livro ou um corta-papel; esse objeto foi fabricado por um artífice que se inspirou num conceito; tinha, como referencias, o conceito de corta-papel assim como determinada técnica de produção, que faz parte do conceito e que, no fundo, é uma receita. Desse modo, o corta-papel é, simultaneamente, um objeto que é produzido de cer- ta maneira e que, por outro lado, tem uma utilidade definida: seria impossível imaginarmos um homem que produzisse um corta-pa- pel sem saber para que tal objeto iria servir. Podemos assim afir- mar que, no caso do corta-papel, a essência – ou seja, o conjunto das técnicas e qualidades que permitem a sua produção e definição - precede a existência; e desse modo, também, a presença de tal corta-papel ou de tal livro na minha frente é determinada. “

Também nessa época, com movimentos como o levante de Maio de 68, surgiu a Internacional Situacionista, que instaurava uma forma diferenciada de fazer a cidade, através da criação de situações.

“A construção de situações começa após o desmoronamento moderno da noção de espetáculo. É fácil ver a que ponto está ligado à alienação do velho mundo o princípio característico do espetácu- lo: a não participação. Ao contrário, percebe-se como as melhores pesquisas revolucionárias na cultura tentaram romper a identifica- ção psicológica do espectador com o herói, a fim de estimular esse espectador a agir, instigando suas capacidades para mudar a pró- pria vida. A situação é feita de modo a ser vivida por seus constru- tores. O papel do ‘público’, se não passivo pelo mero figurante, deve ir diminuindo, enquanto aumenta o número dos que já não serão chamados atores mas, num sentido novo do termo, vivenciadores. ”

DEBORD, G., relatório sobre a construção de situações e sobre as con- dições de organização e de ação da tendência situacionista internacional.

Enfim, essas são algumas das experiências urbanas retratadas ao longo de pouco mais de um século. Vê-se em todas elas uma importância primordial da relação corpo-espaço, que ainda muitas vezes é deixada em segundo plano no entendimento contemporâneo de cidade.

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No documento Trabalho de Conclusão de Curso. (páginas 33-36)

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