Capítulo 6. O hostel e o turismo jovem na cidade de Lisboa: análise dos resultados
6.1. O âmbito do segmento hostel em Lisboa
6.1.4. Factores críticos para os hostels de Lisboa
Os factores críticos para os hostels de Lisboa foram analisados com base na resposta dada pelos inquiridos, relativamente à importância no processo de escolha de um hostel.
Na perspectiva dos hóspedes inquiridos, 62% considerou o preço o factor mais importante. O facto de a esmagadora maioria dos inquiridos ter pernoitado num dormitório (87%) e os dormitórios de 8 ou 10 camas terem correspondido a 44% do volume da procura, veio de encontro a esta apreciação.
Para 52% dos inquiridos, a localização da unidade foi o factor mais importante para a sua escolha. Observou-se que a proximidade ao centro histórico e o acesso a transportes públicos foram os atributos considerados mais convenientes. Quanto à oferta, mais de 80% das unidades hostel inquiridas estavam localizadas junto dos principais transportes públicos da cidade e 90% estavam localizadas no centro histórico da cidade.
A recomendação positiva de outros hóspedes foi o elemento determinante na escolha da unidade para 49% dos inquiridos. O impacto de avaliações e comentários deixados pelos hóspedes nos sites de reserva reveste-se de grande importância, dado que 72% dos hóspedes inquiridos efectuou a sua reserva através deste meio, o que torna profícuo o escrutínio sistemático dos preços e do ranking de avaliação a que as unidades estão sujeitas, tornando este sector bastante concorrencial. No site hostelworld.com, as avaliações dos hóspedes resultam da apreciação de parâmetros como a atmosfera do hostel, a limpeza, o atendimento/staff, a localização, a segurança e o “carácter” da unidade. A recomendação positiva de outros hóspedes aumenta a segurança da compra do alojamento e reflecte também a importância dada a aspectos intangíveis (atendimento, atmosfera, carácter) no alojamento hostel, tão relevantes como alguns aspectos tangíveis, como as características dos quartos, os serviços e facilidades oferecidas.
Os serviços oferecidos pelo hostel foram o factor mais relevante para 33% dos inquiridos. Os serviços das unidades hostel mais valorizados pelos seus hóspedes foram o serviço de recepção 24 horas,
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cacifos individuais, depósito de bagagem, acesso à internet, casas de banho separadas por género, sala de convívio, quartos ensuite e informação turística local. A partir do levantamento efectuado às unidades, observou-se que todas incluem na sua oferta estes requisitos chave, exceptuando-se apenas o facto de apenas 62% das unidades disponibilizarem quartos ensuite e 76% disponibilizar casas de banho por género.
A esmagadora maioria dos hóspedes (85%) consideraram a experiência anterior positiva o factor menos relevante na escolha do hostel. Não obstante o grau de satisfação com a visita a Lisboa e com o hostel escolhido, a vontade de conhecer outros lugares sobrepôs-se à intenção de regresso, pelo menos num horizonte temporal próximo.
Analisando a distribuição das respostas onde os hóspedes atribuíram o primeiro lugar, na ordem de importância, aos factores mencionados (ver gráfico 8), podemos sistematizar que:
• O hóspede “short-break” revela maior sensibilidade ao preço e à localização da unidade de alojamento. No comportamento global de visita, é o turista que estima uma despesa mais elevada no destino Lisboa, na proporção dos gastos turísticos.
• O hóspede “gap year” enfatiza como aspecto crítico os serviços do hostel;
• O hóspede de “férias” atribui uma importância relativamente equilibrada pelos diferentes factores, notando-se contudo que o preço é um dos aspectos mais crítico;
• Os hóspedes com mais de 30 anos revelaram maior sensibilidade aos serviços do hostel e à recomendação positiva de outros hóspedes, distinguindo-se dos hóspedes mais jovens que valorizaram a localização da unidade.
Gráfico 8 - Distribuição dos hóspedes que colocaram o factor em primeiro lugar
Fonte: Elaboração própria
Observou-se que 87% dos inquiridos já havia pernoitado num hostel, tendo sido mencionados os hostels de Espanha, Reino Unido e França. Estes poderão ser os destinos alvo de acções de benchmarking, no sentido de apreciar o crescimento do sector, sobretudo nos destinos urbanos com uma oferta próxima da cidade de Lisboa.
10% 22% 40% 28% 33% 20% 20% 17% 23% 30% 16% 44% 20% 40% 31% 40% 11% 25% 30% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Férias Short-Break Gap Year 18-30 Mais de 30
Preço
Serviços do hostel Recomendação positiva Localização
128 6.1.5. Síntese da oferta de hostels na cidade de Lisboa
Relativamente à oferta de hostels na cidade de Lisboa, concluiu-se que o objecto de estudo é um fenómeno turístico recente na cidade de Lisboa, uma vez que as unidades hostel inquiridas iniciaram, maioritariamente a sua actividade em data posterior a 2009. Esta forma de alojamento representa, também, um nicho de mercado turístico, uma vez que a oferta de hostels satisfaz 4% da capacidade de alojamento turístico em Lisboa. A maior parte das unidades foram declaradas de gestão independente (86%) estando as restantes inseridas em cadeias. Devemos situá-lonum segmento de mercado turístico de baixo custo vocacionado para o segmento jovem. Embora 38% das unidades não tenha especificado um segmento-alvo concreto, declarando que se adequam a todo o tipo de turistas que pretendem visitar Lisboa, a maioria das unidades inquiridas (52%) definiu como target a faixa etária jovem, mencionando turistas entre os 18-30 anos e entre os 20-35 anos; “backpackers” e turistas “gap year” (19%).
A característica predominante é a oferta de camas em dormitório, que correspondeu a 79% do total de camas declaradas, e 32% das unidades inquiridas declarou recorrer apenas a este tipo de oferta. Quanto à composição da oferta de dormitórios, predominaram os dormitórios de 4 (34%) e 6 camas (34%) e em menor número a oferta de dormitórios de 8 camas (18%) e dormitórios com mais de 10 camas (12%), sendo estes referentes à gama de preços mais reduzida.
A grande maioria das unidades (76%) situou o preço médio de dormitório entre os 15-19€ e em relação ao preço médio do quarto privado, 47% das unidades situou-o entre os 55-79€. Comparativamente aos preços médios on-line praticados pelos empreendimentos turísticos na região de Lisboa (ver tabela 36), remetemos os hostels para um segmento de baixo custo.
Tabela 36 - Preços médios on-line praticados nos empreendimentos turísticos da região de Lisboa (Dezembro 2012)
Categoria Preço
Preço médio de aposento (B&B) 79,54€
Total Hotéis 80,05€ Hotéis 5* 113,75€ Hotéis 4* 80,16€ Hotéis 3* 63,91€ Pousadas 103,82€ Hotéis Rurais 20,27€ Hostels (dormitório) 15-19€ Hostels (quarto privado) 55-79€
Fonte: Quadros Estatísticos T.P. 201218
18 Disponível em
http://www.turismodeportugal.pt/Portugu%C3%AAs/ProTurismo/estat%C3%ADsticas/quadrosestatisticos/Docu ments/Pre%C3%A7os%20online/Tableau%202012%20dezembro%20-%20janeiro.pdf (consultado em
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As unidades que definiram o seu conceito de alojamento como “boutique hostel” ou “big city small hostel” (40%) enfatizaram o elevado cuidado na decoração, o conforto e pela experiência oferecida pelas suas unidades. As unidades que preferiram o rótulo de “backpacker hostel” (10%) associaram o seu conceito de alojamento à oferta de preço reduzidos e a oferta de dormitórios. Também se verificou que apenas 29% das unidades consideraram o preço reduzido de alojamento como um dos requisitos para potenciar o crescimento da oferta em Lisboa, tendo as restantes salientado aspectos associados às características das unidades, o serviço prestado ao nível do apoio personalizado ao hóspede, do entretenimento e da qualidade do serviço.
As unidades que conjugam o cuidado na decoração e design das instalações com a oferta de quartos privados, estão na condição de reforçar o seu posicionamento junto de outros segmentos, como casais jovens sem filhos, «interactive travellers», outras faixas etárias com rendimento médio-superior. Recorde-se que 11% das unidades declarou um preço médio do quarto privado superior a 80€, praticando tarifas próximas ao segmento hoteleiro de 3 e 4 estrelas.
Observou-se uma estreita relação do sector hostel inquirido com empresas de animação turística (76%) e empresas de rent-a-car (52%) e 12% das unidades reconheceram que esta colaboração contribui para a optimização da gestão das unidades e para o reforço da capacidade competitiva, através das experiências oferecidas.