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CAPÍTULO I – HOMICÍDIOS INTRAFAMILIARES

1.3. Sobre o crime de homicídio

1.3.1. Factos e números

Sobre o prisma dos números, as ciências sociais ajudam a separar os mitos dos factos (Wormer & Roberts, 2009). Para tal, em sede de violência intrafamiliar existe um conjunto de mitos que decorrem da leitura seca das estatísticas oficiais com base em frequências que importa desde já analisar, quer ao nível da caracterização e da compreensão

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do fenómeno, quer ao nível da intervenção e da criação de políticas públicas com eficácia e impacto positivo, para que se possam prevenir homicídios, homicídios–suicídios e contribuir para uma leitura credível e exata deste tipo de crime.

As investigações nacionais sobre avaliação de risco, sobre violência intrafamiliar, e sobre homicídios em contexto familiar, consultadas nesta temática versam outras ou realidades conexas.

Segundo o relatório denominado Global Study on Homicide 201324 onde se retrata o panorama mundial sobre o crime de homicídio, em 2012 o número de homicídios cifrou– se em 437.000 mil, sendo que cerca de 80% das vítimas e 95% dos ofensores são do sexo masculino. Por outro lado, 15% (30 590), da totalidade daqueles homicídios estão relacionados com a violência intrafamiliar no contexto doméstico.

A taxa estimada de 28,8 mortes violentas por 100 mil habitantes no ano de 2000, em índice mundial, ajustado por idade, reflete que 49,1% são por suicídios; 31,3% são por homicídios; 18,6% são por guerras; e 91,1% do total dessas mortes ocorreram em países em vias de desenvolvimento.

O relatório mundial sobre homicídios (UNODC, 2011) refere que em 2010, 36% dos homicídios a nível mundial foram praticados em África, seguido de 31% dos homicídios que tiveram lugar no continente Americano, seguido pela Ásia em terceiro lugar, com 27 %, enquanto Europa e Oceânia juntos chegaram apenas a uns 6%.

Observando estas diferenças, a questão dos motivos ou causas que inevitavelmente surgem e podem acionar este tipo de crime violento com mais frequência em algumas áreas do que noutras do globo, torna–se evidente que carecem de estudo. Mas, também aqui os dados são numa primeira análise agregados com maior detalhe e rigor e, não desagregados. No entanto, servem–nos como indicadores deveras importantes.

Ainda segundo o relatório da WHO (2002) mais de quinhentos e quarenta adolescentes e jovens adultos morrem diariamente (dados a nível mundial), como resultado de violência interpessoal, significa mais de vinte mortes por hora; em cada 40 segundos, uma pessoa suicida–se em todo o mundo; uma em cada 4 mulheres experienciam abuso sexual pelo parceiro ao longo da sua vida; uma em cada 2 mulheres assassinadas foram–no pelo seu parceiro, a maior parte das vezes numa relação de continuados abusos; mais de 1,6 milhões de pessoas morrem por violência por ano o que significa que mais de 4 400 mortes

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por dia; um em cada 20 idosos são vítimas de abusos dentro das suas próprias casas; mais de oitocentas pessoas morrem por dia como resultado direto de um conflito violento o que significa mais de trinta mortes por hora; milhões de crianças são abusadas e negligenciadas pelos seus próprios pais e outros cuidadores.

Os homens jovens, na América latina são as vítimas em maior percentagem e também são eles os perpetradores dos homicídios dolosos, em grande parte devido ao crime organizado e ao narcotráfico. Os fenómenos de violência contra as mulheres e a violência intrafamiliar estão na origem de uma parte significativa das mortes. De acordo com o relatório do observatório de Segurança Hemisférica da Organização de Estados Americanos 2012 (OEA), as mortes das mulheres representam 11% dos homicídios no total daqueles países. As taxas de homicídios femininos, femicídio, são elevadas, mas de uma maneira ou de outra, são desvalorizadas quando comparadas com as taxas de homicídio masculino que são de facto muito elevadas, daí ser considerado por algumas regiões um problema, mas menor.

A probabilidade é alta de que os jovens morram assassinados em lugares públicos, as mulheres na maioria dos casos costumam ser vítimas da família ou conhecidos, casais ou ex– casais, nas suas próprias casas. Muitos destes homicídios poderiam ser evitados se o registo das ocorrências de violência intrafamiliar fosse mais significativo, e as denúncias a tempo permitiriam tomar medidas de proteção para este tipo de violência intrafamiliar (CEPAL, 2011).

Sobre o fenómeno da criminalidade existem grandes diferenças nas várias regiões do mundo como na Europa, África ou Ásia e Américas, e existem também diferenças nas mesmas regiões e até mesmo no interior dos países. No entanto parece–nos haver uma tendência na constância das taxas de homicídio intrafamiliar, quer entre países, quer entre regiões, sendo porém diferentes em comparação com o ratio da população de cada país ou de cada região. O fenómeno, contudo, parece–nos ter características semelhantes em termos de prevalência e constância.

Os dados oficiais de acordo com Srur (2013), no seguimento do relatório do Banco

Interamericano de Desarrollo, sobre seis países da América Latina permite caracterizar o

contexto dos homicídios em seis países latino–americanos para determinar tendências, fatores de risco e políticas públicas que os governos da região têm vindo a implementar para reduzir o impacto da violência homicida. No documento diferentes variáveis

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epidemiológicas (tempo, lugar e sujeitos) são analisadas a nível nacional e por cada uma das capitais da Colômbia, Costa Rica, Chile, Jamaica, Honduras e República Dominicana.

Analisando as estatísticas por mortes violentas, percebe–se que as mulheres correspondem a uma parcela significativamente inferior à população masculina. Não é portanto, em termos de mortalidade que a violência contra a mulher se expressa nas estatísticas de saúde–doença, embora se deva realçar que entre os homicídios que atingem a população feminina, em cerca de 70% a 80% das situações, os companheiros são os autores do crime (Global Homicide Book, 2013).

Nos últimos anos em Portugal, entre 2009 a 2012 (vide tabela 1), os crimes contra as pessoas (contra a vida, contra a integridade física, contra a liberdade pessoal, contra a liberdade e autodeterminação sexual, contra a honra, contra a reserva da vida privada, contra outros bens jurídicos pessoais, outros) representam o segundo grupo de crimes mais significativos, do total de crimes praticados em Portugal previstos no CP. Os condenados por crimes contra a vida representam, para os anos de 2009 a 2012, cerca de 5% a 6 % do total dos crimes contra as pessoas, e os condenados por crimes contra a integridade física representam cerca de 63% a 65% do total de condenados dos crimes contra as pessoas.

Tabela 1–Total de Crimes contra as pessoas /Crimes contra a vida/Crimes contra Integridade Física Condenados25 Ano Condenados Crimes contra pessoas Condenados Crimes contra a vida Condenados Crimes contra a integridade física 2009 11537 687 (5,95%) 7369 (63,87%) 2010 11489 598 (5,20%) 7539 (65,61%) 2011 11446 611 (5,33%) 7338 (64,10%) 2012 11680 641 (5,48%) 7432 (63,63%)

Fonte: Autor adaptado de DGPJ/DGSP (13/10/2013)

Os crimes praticados por homens e mulheres, cidadãos nacionais e estrangeiros, julgados e condenados pelo Sistema Judicial Português. Destes, os condenados por crime contra a vida aparecem na quarta posição de sete, do grupo de condenados por crimes contra as pessoas (vide tabela 2) e tem vindo a aumentar nos últimos anos (2010–2012).

Optou-se, por uma questão de economia, na maioria das tabelas e, sempre que possível, agregar indicadores

por afinidade de assunto, facilitando a leitura comparativa. Os títulos descrevem de forma sumária os contéudos apresentados. Nem sempre foi possível de evitar quebrar as tabelas, dado o número de varíaveis em estudo.

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Tabela 2 – Condenados(as) Crimes contra a integridade física/contra liberdade pessoal/contra a honra/contra a vida

Ano Condenados

Integridade física Contra liberdade Condenados pessoal

Condenados

Contra a Honra Condenados Contra a vida

2009 7369 1196 1564 687

2010 7539 1226 1380 598

2011 7338 1414 1303 611

2012 7432 1489 1318 641

Fonte: Autor. Adaptado de DGPJ/DGSP (13/10/2013)

A evolução do número de homicídios revela alguma estabilidade ao longo dos últimos anos (vide gráfico 2). O número de homicídios reportados entre 2011 a 2012 sofeu um aumento para em 2013 sofrer um decréscimo a valores similares a 2011, os homicídios intrafamiliares acompanharam uma variação semelhante; já os homicídios conjugais/análogos, no mesmo período, revelam um aumento, e os homicídios a outros familiares ou parentes um decréscimo para o mesmo período de referência.

Fonte: Autor. Adaptado RASI (2013).

Gráfico 1–Homicídios (H.), H. Intrafamiliares, H. Intrafamiliares N/cônjuges

Concretamente se é verdade que o número de homicídios tem vindo a diminuir de 2008 (148) a 2011 (117), em 2012 (149) voltou a valores de 2008. Já o homicídio conjugal/análogos aumentou de 2011 (27) a 2013 (39), em dois anos aumentaram em 12 o número de homicídios conjugais. Se o “homicídio intrafamiliar” aumentou de 2011 (59) a 2012 (66), diminuiu em 2013 (45), em parte devido ao facto do homicídio noutros elementos da família que não cônjuges ou análogos ter diminuído drasticamente em 2013 (6) comparativamente a 2011 (32), com menos 26 “homicídios intrafamiliares” não conjugais. Em 2011, a percentagem de “homicídios intrafamiliares” representa cerca de

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50,42% (59) dos homicídios registados. Em 2012, representam cerca de 44% (66), e em 2013 representam cerca de 38,7% (45). Donde, apesar de ter havido aumento em número absoluto de “homicídios intrafamiliares”entre os anos de 2011 a 2012, a percentagem correspondente diminuíu de 50,42% para 44%, de acordo com o gráfico 1.

No que respeita ao homicídio conjugal, homicídio praticado em que a vítima é cônjuge ou companheiro, segundo a mesma fonte oficial, sobre os(as) condenados(as) que cometeram este tipo de homicídio no mesmo período de tempo (tabela 3) podemos verificar uma estabilização em números absolutos 36, 37, 37 de condenados(as) para os anos 2008, 2010 e 2012, havendo uma descida em 2011 (em número absoluto, 27 condenados(as)) comparativamente a 2009, com 43 pessoas condenadas por homicídio conjugal, voltando a aumentar o número de condenados em 2013 (39), na base de incidência do número total de homicídios condenados, apurados à data.

Tabela 3– Condenados(as) por Crime de “homicídio conjugal”

Ano N 2008 36 2009 43 2010 37 2011 27 2012 37 2013 39

Fonte: Autor adaptado de DGPJ/DGSP (13/10/2013)

Relativamente ao género destes condenados(as) por homicídio conjugal, a percentagem de pessoas condenadas do género feminino após um aumento percentual desde 2007 (4,7%), tem sido mantido estável de 2008 a 2011 (13,9% a 13,5%). Regista–se uma diminuição da percentagem das pessoas condenadas por homicídio conjugal, praticado por mulheres condenadas no valor de 3,7% (1), em 2012, valor esse inferior a 2007 que era de 4,7% (2), tal como podemos observar da tabela 4. Dito de outro modo, a redução é de uma condenada em 2012, para 2 condenadas em 2007. Mantem–se a tendência de o número de condenados por homicídio conjugal, em Portugal para os anos de 2007 a 2012, ser predominantemente masculino (86% a 96%) comparativamente às condenadas por homicídio conjugal (4% a 14%), tendência semelhante quer na Europa quer no resto do Mundo.

Vários são os fatores que têm contribuído para que o fenómeno da vitimização masculina em contexto familiar seja pouco conhecido. Há uma prevalência do sexo

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masculino em estatísticas policiais em quase todos os tipos de crime, incluindo na violência conjugal/análoga. A prevalência do sexo feminino é manifesta nas estatísticas de saúde, no que respeita a lesões e o medo reportado. Na maioria dos casos, as lesões físicas causadas pelos homens são mais graves que o dano físico infligido pelas mulheres.

Tabela 4– Crime de Homicídio Conjugal (condenados(as) por género)

Ano N Feminino Masculino

2007 43 4,7% (2) 95,3%(40) 2008 36 13,9%(5) 86,1%(31) 2009 43 11,6%(5) 88,4%(38) 2010 37 10,8%(4) 89;2%(33) 2011 37 13,5%(5) 86,5%(32) 2012 27 3,7(1) 96,3%(26)

Fonte: Autor adaptado de DGPJ/DGSP (13/10/2013)

Dos quarenta “homicídios intrafamiliares” do tipo conjugais/análogos registados em Portugal em 2013, trinta representam mulheres assassinadas e dez foram homens assassinados, quando comparados em igual período com a realidade espanhola, são em menor número. Na vizinha Espanha, cerca de cinquenta foram “homicídios intrafamiliares” de tipo conjugais, sendo que em todos eles, as vítimas eram mulheres (Quaresma, et al., 2014).

Em matéria de comparação, as realidades entre os dois países são distintas. Se à partida numa primeira análise, Espanha tem um valor absoluto superior a Portugal, não será exatamente assim em termos de taxa de homicídio conjugal, já que o número de mulheres em Portugal com 15 ou mais anos ascende a 4.747.248. Em Espanha, o número de mulheres com 15 ou mais anos é cerca cinco vezes superior e ascende a 20.493.732. Quando comparamos a taxa de homicídio conjugal de mulheres por milhão, em Portugal esta situa– se em 6,32 % e em Espanha, em 2,63%. Donde, a taxa de homicídio conjugal portuguesa é muito superior à de Espanha. No quantitativo dos homicídios conjugais acima descritos, em Espanha, somente 37% dos casos que culminaram em homicídio eram do conhecimento das autoridades policiais. Em Portugal, desconhece–se quantos daqueles tinham as autoridades policiais esse conhecimento prévio (Quaresma, et al., 2014).

Ora, da leitura destas estatísticas oficiais, não relevam os dados que respeitem aos outros homicídios intrafamiliares, isto é, os praticados para além dos homicídios conjugais ou entre relações análogas às dos cônjuges, nem os cometidos a outros elementos da família

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ou da então família, embora a maioria destes homicídios conjugais sejam condenados por homicídio qualificado26 e qualificado na forma tentada27 e, apesar de esta tipologia englobar

no seu nº 2, alínea b), as relações entre familiares ou parentes, contudo, as estatísticas oficiais não desagregavam até aqui esta informação, ou começam agora:

É suscetível de revelar a especial censurabilidade ou perversidade a que se refere o número anterior, entre outras, a circunstância de o agente: a) Ser descendente ou ascendente, adotado ou adotante, da vítima; b) Praticar o facto contra cônjuge, ex–cônjuge, pessoa de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação, ou contra progenitor de descendente comum em 1.º grau. (nº 2, alínea b) do art.º 132º do CP).

Em Portugal, os indicadores estatísticos oficiais que nos oferecem as evidências reportadas com interesse para a investigação são de um único tipo: o número de condenados em processos–crime, cujos dados da última atualização reportam a 13 de outubro de 2013 onde se agrega os dados nacionais de todas as fontes específicas (OPC) para o fim a que se destina, mantendo–se em atualização permanente.

Os dados desagregados com interesse para a esta pesquisa não foram possíveis de obter diretamente dos registos oficiais analisados, uma vez que o sistema de gestão de dados das entidades fornecedoras da informação não tratam os dados dessa forma.

26 Homicídio qualificado art.ºº 132 º do CP, LIVRO II - Parte especial TÍTULO I - Dos crimes contra as

pessoas CAPÍTULO I - Dos crimes contra a vida, Artigo 132.º - Homicídio qualificado, 1 - Se a morte for produzida em circunstâncias que revelem especial censurabilidade ou perversidade, o agente é punido com pena de prisão de doze a vinte e cinco anos. 2 - É suscetível de revelar a especial censurabilidade ou perversidade a que se refere o número anterior, entre outras, a circunstância de o agente: a) Ser descendente ou ascendente, adotado ou adotante, da vítima; b) Praticar o facto contra cônjuge, ex-cônjuge, pessoa de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação, ou contra progenitor de descendente comum em 1.º grau; c) Praticar o facto contra pessoa particularmente indefesa, em razão de idade, deficiência, doença ou gravidez; d) Empregar tortura ou ato de crueldade para aumentar o sofrimento da vítima; e) Ser determinado por avidez, pelo prazer de matar ou de causar sofrimento, para excitação ou para satisfação do instinto sexual ou por qualquer motivo torpe ou fútil; f) Ser determinado por ódio racial, religioso, político ou gerado pela cor, origem étnica ou nacional, pelo sexo, pela orientação sexual ou pela identidade de género da vítima; g) Ter em vista preparar, facilitar, executar ou encobrir um outro crime, facilitar a fuga ou assegurar a impunidade do agente de um crime; h) Praticar o facto juntamente com, pelo menos, mais duas pessoas ou utilizar meio particularmente perigoso ou que se traduza na prática de crime de perigo comum; i) Utilizar veneno ou qualquer outro meio insidioso; j) Agir com frieza de ânimo, com reflexão sobre os meios empregados ou ter persistido na intenção de matar por mais de vinte e quatro horas; l) Praticar o facto contra membro de órgão de soberania, do Conselho de Estado, Representante da República, magistrado, membro de órgão de governo próprio das Regiões Autónomas, Provedor de Justiça, governador civil, membro de órgão das autarquias locais ou de serviço ou organismo que exerça autoridade pública, comandante de força pública, jurado, testemunha, advogado, todos os que exerçam funções no âmbito de procedimentos de resolução extrajudicial de conflitos, agente das forças ou serviços de segurança, funcionário público, civil ou militar, agente de força pública ou cidadão encarregado de serviço público, docente, examinador ou membro de comunidade escolar, ou ministro de culto religioso, juiz ou árbitro desportivo sob a jurisdição das federações desportivas, no exercício das suas funções ou por causa delas; m) Ser funcionário e praticar o facto com grave abuso de autoridade.

27http://www.dgpj.mj.pt/sections/siej_pt/destaques4485/pessoas-condenadas-

por8217/downloadFile/file/Homicidios_conjugais_pessoas_condenadas2013.pdf?nocache=1385373425.24

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Assim, relativamente aos crimes contra as pessoas e no que à investigação diz respeito, destacamos os crimes contra a vida e os crimes contra a integridade física. Da informação disponível desde 1996 a 2012 constatou_se que somente algumas rubricas são

tratadas desde 1994, outras desde 1998 e, outras desde 2008, decorrente estas últimas das alterações às tipologias criminais que integram o próprio Código Penal. Dos registos constam processos transitados, e o indicador condenado, tem em conta, o crime mais grave.

Relativamente ao homicídio, quer simples ou qualificado, podemos constatar da informação, ora recolhida, uma estabilização, com ligeiras oscilações de ano para ano no número de condenados em processo–crime para os homicídios simples/qualificado e nas tentativas de homicídio, para o período de 1994 a 2012, tal como demonstra o gráfico 2, tendo em conta a excionalidade do registo anterior a 1994.

Fonte: Autor adaptado DGPJ (13/10/2013)

Gráfico 2– Condenados por processo–crime 1994–2012

Os registos sobre os condenados por maus tratos a cônjuge/análogo, violência doméstica a pessoa indefesa e a menores, e os condenados por outras situações de violência doméstica, revelam um crescendo desde o início dos anos 1999 até 2011. Há que referir, no entanto, que as alterações ao código penal (1982 – Crime de maus–tratos (menores/cônjuge); 2000 – Crime público; 2007 – A Violência doméstica, crime tipificado no CP (art.º 152.º); 2007 e 2009 – Violência doméstica crime de prevenção e investigação prioritária – Lei de Política Criminal; 2009 – Lei da Violência Doméstica (Lei 112/2009, de

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16/9); 2013 – Alteração ao art.º 152.º do CP (Namoro) têm consequências no registo das estatísticas oficiais.

A subida abrupta dos registos dos(as) condenados(as) por crime de violência doméstica dá–se a partir de 2008, com a respetiva alteração ao CP sobre esta tipologia criminal (artigo 152º do C.P.)

De 2011 até 2012 regista–se uma estabilização do número de registo de condenados (as) nas rubricas de violência doméstica cônjuge/análogos; violência doméstica contra menores; outras situações de violência doméstica.

O registo de condenados(as) por maus tratos a menores e a pessoa indefesa, e os maus tratos a cônjuge/análogo de 2011 a 2012 registam uma ligeira descida.

A média geral de condenados(as)/ano é de 147 condenados(as) por crime de homicídio simples/qualificado, no período referido (18 anos). A média geral dos condenados(as) por tentativa de homicídio é de 129 condenados(as) para o mesmo período.

A média de condenados(as) por violência doméstica contra cônjuge/análogo nos três anos de 2010 a 2012, é de 1256 condenados(as), tendo aumentado o registo de condenados(as) nos anos de 2010 a 2012.

O impacto da violência intrafamiliar é menos evidente e menos provável de deteção por um lado, por outro, a existência de normas culturais que toleram a violência masculina, a existência de estereótipos de género, e a falta ou distorção de informação sobre esta problemática disponibilizada à opinião pública, não refletem os registos das estatísticas oficiais.

A cobertura mediática da violência doméstica, na maior parte das vezes, reflete e reforça os estereótipos de género descritos anteriormente, como a baixa incidência de violência intrafamiliar do tipo conjugal contra os homens, o que dificulta o acesso a estimativas realistas. A dificuldade em aceitar que os homens podem ser vítimas de abuso eventualmente conduz à não denúncia da situação e ao pouco investimento em termos de recursos de apoio nesta área.

O “homicídio intrafamiliar” é um crime altamente mediático, como já referido, ao basear as leituras , ou retirar recomendações com base em conclusões sobre notícias da imprensa poderá revelar_se irrealidade, e contribuir para o alarme social, já que quando

analisamos este fenómeno da criminalidade na imprensa, de acordo com Rodrigues (2010), as organizações produtoras de notícias não apenas influenciam, mas são também elas

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influenciadas pela hierarquização de temas e acontecimentos no espaço público, não lhes