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Factum rationi.

No documento Olivier Dekens -Compreender Kant (páginas 57-69)

A moral como reflexão sobre a consciência da obrigação

A hipótese que nos guiará ao longo desta travessia pela filosofia moral de

Kan t pode ser assim formulada: a moral kan tiana é uma reflexão sobre a consciência da lei, do mesmo modo que sua filosofia teórica é uma reflexão sobre a ciência Nos dois casos, o pon to de par tida não é questionado, ciência e consciência moral são considerados um fato eviden te, que será preciso ela borar e não legitimar

Compreender

O fato da consciência moral

No caso da moral, as coisas se tomam, é claro, ainda mais complicadas pela impossibilidade de demonstrar a existência de um só ato au tenticamen te mo ral Todavia, apenas a presença em nós da obrigação, ainda que jamais fosse acom panhada de efeitos, represen ta para Kan t o pon to de partida de toda filosofia prática, cará ter admirável da humanidade, analogon ético do céu es

trelado acima de nossas cabeças 1

A evidência da moral

Esse caráter fundamen tal do procedimen to kan tiano apar ece desde o texto de juven tude, de título sugestivo, consagrado à Investigação sobre a evidência dos princí pios da teologia natural e da moral (1763)2 Kan t mostra aqui que a filosofia, con trariamen te à matemática, deve parti r daquilo que parece evi den te, para analisá-lo ou even t ualmen te corrigi-lo. O fim do texto é bem claro a esse respei to: a consciência da obrigação é um dado indubi tável do espíri to humano, e as filosofias do sentimen to moral têm razão de insisti r sobre sua dime nsão ao mesmo tempo primitiva e universal Uma n1etafisica dos cos tumes apenas poderá aplicar a um tal sentime n to o poder do racio nal, a fim de distinguir o n úcleo a priori , o único capaz de resisti r às ten tações

do egoismo e do interesse

O primeiro grande texto da moral kan tiana -a Fundamentação da meta física dos costumes -retoma esse procedimento Kan t reconhece, com

efeito, que uma verdadeira fundação da metafisica dos costumes não pode ser senão o fato de uma Critica da razdo prática Mas, como no campo 1noral o

conheci mento comum já se encontra em grande parte na verdade, basta, ao

menos num primeiro tempo, formular e estruturar a evidência moral sempre presen-

1 Cf aqui a célebre conclusão da Critica da razão prática (CRPr) AK V 161; P II, p 801-

802: "Duas coisas enche1n o coração de uma admiração e de uma veneração sempre novas e sempre crescentes, na medida em que a reflexão nisso se detenha e refli ta: o céu estrelado sobre mim e a lei tnoral em mim Essas duas coisas, não é pr eciso que eu as procure ou que faça delas con jecturas além do meu horizon te, como se estivesse1n envoltas e111 trevas ou situadas em uma região transcendente: eu as vejo diante de mim e as associo imediatamen te à consciência de n1inba existência ·

2 Para rnais inforn1ações. remetemos à intiodução de Jean FERRARI na edição de La P!éia·

de (P 1. p 201-213)

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O lato do dever

te no julgamen to do povo. A busca do principio supremo da moralidade que

constituiu este primeiro texto é, além disso, explicitamente destinada a um público popular, considerando que a consciência comum tem mais necessidade de ser esclarecida e consolidada do que de ser instruída

A Fundamentação é uma cômoda porta de entr ada para a moral kantiana Mas a verdadeira elaboração dessa moral, no que possui de mais original, en contra-se, sem dúvida, na Crítica da razão prática Sem rnmper de modo

algum com o texto preceden te, Kan t formula muito claramente o principio do con junto de sua moral: a existência em nós de um fato misterioso, fato da razão, fato da lei, fato da liber dade

O fato da razão

O fato de a moralidade não se submeter aos critérios da razão teórica já apa rece, bem entendido, na Fundamentação da metafísica dos costumes, sobretudo

quando Kan t afirma que a inexistência de um único ato moral passível de com provação não invalida em absoluto a determinação racional feita a seu respei to Tódavia, a distinção entre razão prática e razão teórica in tervém apenas no momen to em que essa ausência de exemplo de ato moral é suprida pela po sição de um fato da moralidade a partir do qual pode se desenvolver uma crí tica da razão pr ática, paralela e comparável em sua estru tura à da razão pura Enquan to a Fundamentação da metafísica dos costumes , atendo-se sobretudo

à rejeição da experiência, deixa afinal em suspenso a questão propriamente transcendental da possibilidade do dever, a Crítica da razão prática admite, com

o fato da razão, uma transgressão da distinção racionalidade/sensibilidade para responder a essa pergunta a partir de uma experiência sem dúvida sin gular, porém real

Há a obrigação Uma crítica da razão prática, não é, pois, a demonstração da existência, no homem, de um conceito de dever; ela é a aplicação racional de um dado experimental ao mesmo tempo indubi tável e inexplicável: a cons ciência da lei moral Parte dai, logicamen te, o texto kantiano Na medida em que a nat ureza obedece a leis que a ciência determina por seu procedimen to cognitivo, o sujeito humano, como sujeito livre, não pode conceber a lei moral senão como uma regr a que pode ou não ser aplicada Não será, pois, questão de estudar a experiência dos costumes para determinar suas constantes, mas de enunciar simplesmen te aquilo que o sujeito deve fazer, quer ele o faça ou

Compreender

não O conceito kantiano corresponden te a essa regra prática, eventualmente seguida de efeitos, é o imperativo3 O dever moral, que formula o imperativo, provém da própria razão, não pode ser objetiva e universalmen te válido senão sob a condição de uma total abstração das circunstâncias subjetivas e contin gentes que cercam o ato propriamente dito O rigor e a severidade da moral kantiana não devem, pois, ser interpretados como a consequência filosófica de uma tendência psicológica do individuo Kan t, marcado pelo pietismo de sua educação ou pela rigidez de sua personalidade Estes são os instrumentos de uma completa análise daquilo que deve por princípio ser a moral, supondo-se que tal coisa seja possível

As primeiras páginas da analítica da razão pura prática, como de resto do essencial da Funda1ne11tação, consistem em uma paciente supressão dos elemen tos que a moral não pode integrar Assim, o primeiro teorema enuncia que:

todos os princípios práticos que supõe um objeto (matéria) da faculdade de de sejar como princípio determinante da von tade são em seu conjun to empiiicos e não podem servir como leis práticas 4

O homem é um ser de desejo Ele tende a querer realizar um cer to núme ro de objetivos, na medida em que essa r ealização lhe proporciona um senti mento de prazer Esse sentimento, embora legitimo, não pode de modo algum ser fonte de obrigação, pois depende da configuração subjetiva do indivíduo desejante, e, portan to, da experiência Como se poderia obter de tão frágil base a indispensável universalidade do dever? Kan t amplia imediatamente o alcance do argumento, assinalando que a totalidade dos princípios materiais fundados no prazer pode ser entendida como uma submissão da ação à busca da felicidade e ao amor de si5 Voltaremos a este pon to, mais detidamen te abordado na Fundamentação Lembremos apenas que Kant, longe de despre zar a felicidade, a exclui em virtude de sua simples inadequação teórica às necessidades de um fundamen to racional do dever

3 Cf CRPr, AK V, 20; P II. p 628: ""Ora, para um ser em quen1 a razão não é o ú nico prin cipio detern1inante da von tade. esta regra constitui um ilnperativo, quer dizer, uma regra que é deter rninada por um dever que expressa a exigência objetiva iinposta pela ação

4 lbid . AK V 21; P 11. p 630

5 Cf ibid . AK V 22; P l i, p 631:..todos os pr incipios práticos materiais pertencein, corno tais, em seu conjun to, a uma 111es1na e única espécie. e podem ser classificados sob o princípio geral do amor de si 1nesmo ou da felicidade pessoal'

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O fato do dever

O terceir o teorema tira as consequências dos dois primeiros Se toda a matéria da von tade é rejeitada na busca de um fundamen to do dever, só resta a própria forma de todo dever como conteúdo da obrigação moral:

Quando um ser razoável deve pensar suas máximas como leis gerais prdticas,

não pode pensá-las senão como máximas que encenam o princípio determinan te da von tade, não em r elação à matéria, mas somente quan to à formaG Dito de outro modo: a única matéria possível para uma obrigação moral de natureza universal é a própria forma da universalidade, quer dizer, a forma da legislação Kan t o diz de maneira notadamen te resumida:

uma lei pr ática que eu reconheça como tal deve ser própria para uma legislação universaF

Resta agora identificar tal lei e encontrar as palavras para descrevê-la An tes de seguir Kan t nesse esforço de explicitação do dever, é preciso que nos detenhamos no estatuto deste conceito de lei mor al, de um lado indicando por que ela se mostra como um fato e, de outro, mostrando como ela é, ao mesmo tempo, uma obra de nossa liberdade Parece-nos que o estudo do imperativo categórico que expressa a obrigação não tem sen tido senão se compreende mos previamente que a moral kan tiana não tem como objeto dizer aquilo que devemos fazer, mas, mais fundamentalmente, explicitar esse fato misterioso que nos leva a fazer, que somos obrigados e, portan to, livres

Vejamos, pois, o texto em detalhe A von tade deve ser pensada como de terminada pela simples forma da lei, pois todo o con teúdo iden tificável foi ex cluido Essa excl usão da matéria significa também que a experiência sensível, em sua totalidade, é aqui inútil e até mesmo perigosa Ao mesmo tempo, é pr eciso constatar que existe em nós uma consciência da lei, que nós enten demos que devemos, mesmo se nada fazemos. Kan t ataca, então, a questão propriamen te transcendental -como é possível um imperativo categórico?

-postulando, sem demonstrá-la, a existência de um fato da mzão:

Podemos chamar a consciência desta lei fundamental u111 fato da razão, por que não se pode deduzi-la, mesmo por sofis111as, dos dados anteriores da razão, por

B !bid . AK V 2 7; P li. p 638

J lbid

Compreender

exemplo da consciência da liberdade; e porque, ao contrário, ela se impõe a nós por si mesma, corno pr oposição sin tética a priori, que não se funda em nenhuma in tuição, seja ela pura, seja ela ernpíl'ica 6

A razão prática tem, em particular, o fato de afirmar a si mesma pelo fato', sem que tenha de submeter-se à demonstração de sua possibilidade ou à exibi ção de sua realidade A lei, enunciada na consciência que dela tem o ser razoável, escapa a toda determinação extrínseca, a toda consideração pelas conseqüên cias ou pela matéria do querer; ela instala no coração da natureza um Faktum especifico -nem dado da razão, nem in tuição empírica10

-que não se deixa deduzir, mas a partir do qual poderão ser deduzidos, sucessivamente, a liberda de como sua razão de ser, o bem e o mal como objetos desta, e o respeito como seu efeito O conjun to dessa construção obedece a uma exigência inversa àque la que se impõe à razão teórica: não considerar a experiência senão por aquilo que nela manifesta a lei; em seguida, a obrigação dando-se como fato, dai ex trair a cadeia completa das consequências, rejeitando radicalmente não apenas todo aporte sensível, mas também toda consideração que possa rein troduzir na razão prática aquilo que só pode valer para a teórica O Faktum é, assim, o único substituto desse substituto cômodo de que dispunha a razão teórica na existência verificada de uma ciência: ele possui sua realidade objetiva - ou melhor, é a realidade objetiva do puro querer -sem, no en tanto, adaptar-se às condições da objetividade teórica11 Ele transgride o corte sentimento/razão,

sem ja1nais renunciar à pureza de sua determinação prática

Liberdade e dever

O dever é um fato Dominado pela presença inquietante da lei, o kan tismo prático não parece, de início, oferecer um quadro muito favorável a uma teoria da liberd ade Todavia, como o próprio Kant afirma constantemen te, esse con-

B lbid . AK V 31; P li, p 645

9 Cf CRP1: AK V 3; P II, p 609: ..Pois se, como razão prática. ela ê realmen te prática.

ela prova sua realidade e a dos seus conceitos pelo fato e nenhuma astúcia pode contestar sua

possibilidade de ser prática· 10 lbid , AK V 31; P 11. p 644

11 Cf ibid , AK V 55; P H. p 674: "A realidade objetiva de uma vontade pura, ou. o que ê a mesma colsa. d:? uma razão pura prática, ê dada a priori na lei mora! de certo modo por um fato·

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O fato do dever

ceita de liberdade é o pilar de toda sua moral Como entender essa afirmação

e que sentido dar a essa palavra tão aviltada? .

A abordagem kantiana do problema da liberdade é, ao mesmo tempo, tradi

cional e original: tradicional quando se trata de analisar sua relação com o deter minismo causal que rege o mundo fisico; original quando afirmada como princi pio ontológico do dever moral Kant aborda o primeiro desses aspectos desde a c·ritica da razão pura , e em seguida na Pundan1entação da

n1etafisica dos costurnes

Na história da filosofia, a liberdade tem sido definida muito diversamen te Podemos, todavia, guardar como caracterização mínima sua descrição como o controle, pelo homem que age, do desenvolvimen to de sua ação Isso significa que se pode atribuir ao agente a responsabilidade por seu ato e que uma outr a escolha teria sido possível A questão tradicional consiste em se perguntar se a percepção que a ciência possui da realidade questiona ou não a possibilidade de tal poder Chama-se determinismo a afirmação segundo a qual as leis da natureza regem fenômenos de acordo com uma relação de causa-efeito fixa e imutável Que resta da liberdade do homem se cada uma de suas ações pode, na verdade, ser inteiramente previsivel? Eis o problema que, depois de muitos

outros, Kant irá enfrentar

Essa dificuldade aparece na Fundamentação , no inicio da terceira seção A liberdade é ai definida como a capacidade de poder agir independentemente das causas exteriores que a determinam Toda a moral esboçada nas seções prece dentes repousa, finalmente, no conceito de liberdade: agir por dever supõe, com efeito, que o ser razoável é capaz de ordenar sua ação em função de uma repre sentação da lei, e não somente de seguir mecanicamen te a causalidade natural Kant é assim obrigado, se quiser preservar seu sistema moral, a demonstrar que a liberdade é passive! O problema do determinismo não é, pois, colocado aqui por si mesmo, mas sim porque pode tornar a moral sem objeto

Essa dificuldade é muitas vezes resolvida pela simples rejeição do deter minismo causal E m Kant não pode ser este o caso, pois a Critica da razão

pura afirmara que os fenômenos sensíveis obedeciam a leis rigorosamen te

univer sais e necessárias A ciência física é, aliás, a descrição dessas leis, que não so frem exceções ou incertezas Do ponto de vista das sensações e da

faculdade de percepção, o homem é inegavelmente submetido a essa necessidade, como um fenômeno entre os fenômenos. Mas como ser razoável o homem tem o poder de não depender mais inteiramente do sensível, de agir espontanea mente e de maneira independente, de organizar

ele mesmo suas representa ções segundo as normas que dá a si mesmo O quadro da solução kantiana é

Compreender

estabelecido por essa distinção: a liberdade e o determinismo irão coexistir mas segundo dois pontos de vista diferentes. O homem como ser sensivel ser determinado por leis feno1nenais: o homem, pertencendo por sua razão a uma natureza inteligivel, será capaz de ser livre, quer dizer, estar ele mesmo na

origem de uma cadeia causal

A filosofia kan tiana dá, assim, vários sentidos ao termo "liberdade" Po demos distinguir três deles: a liberdade transcenden tal, a liberdade prática e a liberdade como autonomia. As duas primeiras são descri tas na Crítica da

razão pura; a última, na F'undan1entaçdo e na Critica da razão prática

A liberdade transcenden tal é o poder de começar por si mesmo um estado cuja causalidade não é submetida, por sua vez, segundo a lei da natureza, a uma outra causa que a determine temporalmen te Kan t defi ne a natureza como um conjun to de fenômenos condicionados pela causalidade. Há , pois, Imediatamen te um confli to entre natureza e liberdade, que Kant chama de antinomia Kan t faz então da liberdade transcenden tal uma Idéia , quer dizer, u_m conceito produzido pela razão, inteiramen te independen te da experiên Cia O sujei to que age é, pois, livre quando está no princípio de uma sucessão ca usal: mas o é apenas como noiunenon , causa incognoscivel dos fenômenos, O conflito é resolvido com a indicação de que repousava na ignorância da dis

tição crí tica en tre o que é objeto da experiência e cio conhecimen to e 0 que nao pode ser senão pensado

A segunda concepção da liberdade é determinada pela primeira. Se afi r mamos que o homem é, de certo pon to de vista, independen te dos fenômenos ele é capaz de agir e assim de inserir-se na experiência para modificar 0 se curso, dando-se regras de ação. Kan t qualifica de liberdade prática essa in ter pr etação da Lberdade: ele a considera uma aptidão antes de tudo psicológica, sem analisar m ten-amente a relação desta com a liberdade transcendental A doutrina kan tiana da liberdade não encontra, todavia, sua completa coerência senão na Critica da razão prática

A diferença de estatuto entre a liberdade transcendental e a liberdade como autonomia é mui to clara desde o prefácio deste úl timo tex to. E nquan to a primeira não é senão uma possibilidade exigida pela moral, a segunda é real e se dá pela própria lei moral. O texto é célebre e essencial, mesmo se Kan t curiosamen te o relega a uma nota:

Gostaria apenas de observar que a liberdade é possivelmen te a ratio essendi da lei moral, mas que a lei moral é a ratio cognoscendi da liberdade Com efei to, se a

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O falo do dever

lei moral não fosse primeiro claramen te concebida e1n nossa razão, jamais nos acharíamos autorizados a admitir uma coisa tal corno a liberdade (embora essa idéia não implique con tradição) Por outro lado, se não houvesse liberdade, a lei moral não poderia absolutarne11te ser encontrada dentro de nós12

Par a compreender este tex to é preciso lembrar aquilo que já dissemos do fato da razão A consciência da lei moral se dá em nós racionalmente; a partir desse fato inexplicável, pode-se deduzir -como sua condição de possibilida de -a liberdade Se esta funda no ser a realidade da consciência moral, esta última não tem sentido senão para um ser livre e constitui o revelador dessa liberdade A introdução do texto repete ainda de modo diferen te: a descoberta em nós da lei moral é um meio de demonstrar a existência da liberdade, que por sua vez torna concebível a própria idéia de uma moral 13

A lógica da Critica da razão prática pode, enfim, ser assim reconstituída: o prefácio e a introdução indicam por que a liberdade é o fundamento da moral; o primeiro capitulo da analítica estabelece pelo fato da razão que essa liberda de é real, e formula explicitamen te a obrigação moral; os capitulas seguintes estudam sua aplicação

A imbricação dos conceitos de dever e liberdade é aqui constante, como se Kant se dedicasse a aprofundar cada vez mais a relação esboçada na nota que acabamos de citar. Essa in timidade culmina no parágrafo in titulado "Da dedução dos principias da razão pura pr ática":

Essa analitica [ ] mostra, ao mesmo tempo, que esse fato está inseparavelmente ligado, e mesmo idêntico, à consciência da liberdade da vontade 14

A função da moral

Havíamos partido deste ponto: a moral é uma evidência A filosofia critica contentar-se-á em estabelecer a realidade desse fato, por um lado para expli-

No documento Olivier Dekens -Compreender Kant (páginas 57-69)

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