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História e política

No documento Olivier Dekens -Compreender Kant (páginas 112-116)

A perspectiva teleológica está, sem dúvida, bastan te presente na terceira Crí

tica Mas a idêia de iuna história universal do ponto de vista cosrnopolitico

afirma mais explici tamen te a natureza daquilo que pode ser esperado da humanidade e a u tilidade de tal posição da finalidade histórica

Caos da história e consolação da filosofia

O ponto de partida do tex to expressa de imediato o que parece consti tuir o postulado fundamental do pensamen to kantiano da história: se o

desenvol- 173

Compreender

vimen to dos comportamen tos individuais parece proceder do mais completo caos, a história da humanidade em sua globalidade deve poder manifestar uma certa coerência O filósofo, submetido a essa obrigação de racionalidade, deve, pois, abandonar a consideração inútil das von tades particulares para ten tar ler nos acon tecimen tos a presença de um desígnio da natureza 2 Essa expressão não deve ser entendida como a crença, na verdade absurda, em um projeto de uma nat ureza toinada no sentido de uma pessoa; Kan t apenas queI mostrar que é preciso encon trar na história um fio condutor que lhe confira uma coe rência semelhan te àquela que uma vontade todo-poderosa poderia lhe dar

A primeira etapa dessa busca consiste em postular os dois princí pios seguin tes: de um lado, as disposições nat urais de uma criatura são sempre chamadas a se desenvolver in teiramen te; de outro, essas disposições nat urais, racionais, no homem, não pode1n se verificar senão no nivel da espécie, não no nível individ ual Com base nesses dois princípios, Kan t deduzirá o que poderia parecer proceden te de um otimismo ingênuo, indicando as modalidades do desenvolvimen to ela humanidade:

Cluis a natureza que o homem tirasse i n teirarnente de si mes1no tudo aquilo que ul tra passa o or denan1en to 1necânico de sua existência an in1al. e que não partici pa de nenhuma habilidade ou perfeição senão aquelas que ele n1esrno cdou para si, independentemen te do instin to, por sua própria razão 3

A natureza, ao exigir essa racionalidade do progresso, na realidade conde na o homem à infelicidade. Com efeito, a razão é particularmen te inapta para tornar feliz o homem Ela apenas pode torná-lo digno de ser feliz Ao mesmo tem po, não se pode esperar do homem que ele seja imediatamen te racional; a natureza vai ter que lu tar para obter de um ser não-razoável que este se com porte co1no se seus atos fossem racionais Dito de outro modo: o otimismo his tórico não pode repousar em uma concepção generosa da natureza humana; o homem é irracional, e ele não se submete espon taneamen te àquilo que a razão lhe apresenta como algo que deve ser realizado

A quarta proposição resolve esse problema: a na tureza irá se apoiar no ca

ráter híbrido do homem para obter dele o que responde à sua própria vocação O homem é dotado de uma insociável sociabilidade Ele tende naturalmen te a

2 Cf Idéia de uma história universal do ponto de vista cosmopolítico. AK VIU. 18; P II, p

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3 l bid , AK VIII, 19; P 11. p 190

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associar-se, 1nas resiste espon tanemente a essa tendência, buscando sempre singularizar-se Essa tensão interior do homem o coloca na obrigação de que rer dominar seus semelhan tes, desenvolvendo seus talentos, não por bondade ele alma, mas por ambição A humanidade em sua totalidade progride sob a influência dessa insociável sociabilidade: a exigência racional ai se realiza -a história é finalizada -, sem que seja preciso cair na ingenuidade de uma hu manidade concebida como agen te que realmente age com racionalidade

Kan t indica, em seguida, a forma institucional resultante dessa disposi ção da na tureza: a humanidade, forçada a disciplinar-se para sobreviver, irá se organizar politicamen te I n teriormen te, fundando uma sociedade civil juridi camen te estabilizada; ex teriormente, construindo uma sociedade das nações de modo a assegurar a paz coletiva Nos dois casos, não se pode esperar perfei ção ou progresso do próprio homem Deve1nos apenas esperar que uma me lhor construção jurídica impeça as pulsões humanas de obstar seu desenvol vimen to cul tural A formulação dessa organização finalizada da humanidade corresponde à de um plano oculto da na tureza Mas também ai o vocabulário kan tiano deve ser interpretado com prudência Kan t não diz que a natureza

deter1nina a história nesse sentido, o que equivaleria a atribuir a uma Idéia da

razão -os fins da natureza -o poder que somen te possuem os conceitos do entendimen to: determi nar positiva1nen te o inundo fenomenal

A Idéw de uma história universal deve, pois, ser tomada como texto teó rico Mesmo se Kan t menciona a u tilidade prática ela formulação de um fim da história, ela tem, antes de tudo, uma função reguladora, perm itindo uma apresen tação mais sistemática dos acon tecimen tos históricos Assim, ela abr e uma perspectiva consoladora, que nos convida a não descrer do homem Sua vocação não é apresentar uma norn1a real para a ação humana

Natureza e progresso político

Kan t u tiliza a tese de uma finalidade da história em um segundo con texto, bastan te diferen te A tese em si não foi modificada A questão ainda é afir mar que a na tureza orien ta os co1nportamen tos humanos para um objeto posi tivo, u tilizando o que aparen temen te procede de uma antropologia ne ga tiva Mas a função dessa formulação é, desta vez, bem mais prática:

Rumo à pa z per pétua irá, na verdade, fazer da finalidade da história um

motivo para esperar que a paz seja realmente possível, considerando que a nat ureza parece orien tar-se em sua direção

Compreender

A natureza não é, pois, apenas o conjunto dos fenômenos, como já vimos na Idéia de urna história universal Podemos, desde que se considere a

direção para a qual se orien ta, en tendê la como uma operária preocupada

com a efi ciência Em nosso caso, ela parece participar do estabelecimen to de relações harmoniosas entr e os ho1nens A natureza se faz providência se a concebemos nessa con tribuição pacien te e equilibrada para um objetivo racional Kan t não afirma que sua tese se apóia na experiência; ele faz dela

uma simples hipótese O estatuto desta é, todavia, bastan te singular Não se tra ta apenas de organi zar graças a ela o conhecimen to da natureza dos homens Ela é antes exigida pela própria razão, que deve poder encontrar-lhe um fundamento natural ao que é moralmente necessário O que será dito da natureza deve, pois, ser sub metido ao dever jurídico de estabelecimen to da paz, como fundamen to mecâ nico da liberdade dos indivíduos e das nações

Que fez, pois, a natureza, para apoiar o esforço da razão? Ela dispersou os homens por toda a superficie da terra, permitiu-lhes suportar todos os cli mas, conduziu-os a "contrai r relações rnais ou menos jurídicas"'1 Após alguns exemplos bem detalhados das capacidades de adaptação do homem, caracte rísticos de seu gosto pela geografia humana, Kan t afirma que a guerra é o meio escolhido pela natur eza para dispersar os homens pela totalidade elo globo E acrescen ta esta observação de bom senso: a natureza não teve que provocar a guerra, mas esta encon tra sua raiz na na tureza humana, o que se pode ver no valor e na e:1ergia que os ho1nens dedicam à guerra ·rudo isso, todavia, não

é essencial para o propósi to kan tiano A adaptação ao clima e a dispersão das populações são elemen tos que precedem a construção jurídica que i nteressa a Kant É preciso, pois, entender como a natureza pode conduzi r os homens à paz, mesrno que não queira1n. É aqui que será necessário apelar ao concei to de república, anteriormen te exposto por Kan t nesse texto e ao qual voltaremos Guardemos simplesmen te aqui o que depende ela teleologia

A natureza não pode favorecer a paz se os homens não erigem consti tui ções republicanas, como o primeiro ar tigo defini tivo bem demonstrou Po deriamas pensar que tal Constituição, "única que é totalmen te conforme aos direitos do homem"';, só é acessível a um povo moralmente perfeito Na rea lidade, o inverso está mais próximo da verdade Quan to mais os homens têm tendências egoístas e interesseiras, mais a injunção racional ao direito encon-

lJ Rumo à paz perpét11a. AK Vlll, 363; P III. p 356 5 lbid . AK VIII, 366; P Ili, p 359

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trará eco entre os individuas tornados infelizes por suas próprias tendências O homem politico deve simplesmen te organizar o Estado de tal maneira que o jogo das paixões individuais provoque mecanicamen te um equilíbrio com parável ao que a razão teria estabelecido se tivesse meios para tan to Trata-se unicamen te de tirar partido do mecanismo da natureza para obrigar, pela for ça do direito, um homem moralmen te ruim a ser um bom cidadão Mesmo um povo de demônios é capaz de fundar uma república, desde que a in teligência política auxilie a na tureza em seu curso ordinário

Curiosa1nente, I<:an t irá buscar em exemplos de política in ternacional a ilustração para aquilo que acaba de anunciar e que não dizia respei to senão à política in terna O paralelismo entre os dois níveis o au toriza e permi te a Kant abordar o que realmen te in teressa aqui Os Estados, considerados como i ndi víduos, não têm que progredir moralmen te para se organizar juridicamente de modo conforme à razão A natureza quer que o direi to domine: os indivíduos e as nações podem a isso se opor: nada consegui rão J(an t atenua sua afirmação rei terando a recusa de um Estado mundial que justificara um pouco an tes no texto Essa rejeição e o dever de construir uma federação de Estados são desta vez analisados não como obrigações racionais, mas como o resultado de u1na sábia disposição da nat ureza A lógica acima empregada é aqui retomada: a natureza, ao separar os homens pela diversidade das línguas e das religiões, auxilia a razão em sua recusa de um Estado de nações. Ao mesmo te1npo, ao fazer dos povos en tidades comerciais, ela torna necessária de fato uma fede ração dos povos que a

razão juríd:ca consideraria de direito co1no a condição essencial ele uma paz

perpét ua

O

acontecimento

O terceiro tex to que gostaríamos ele analisar aqui, O confli to das faculdades,

também aplica o conceito de finalidade em sua relação com o conceito de hu manidade Todavia, não se tra ta mais de ten tar estabelecer urna perspectiva fi nalizada da história permi tindo un1 conhecimen to rnais sintético, nem sequer de buscar no mecanis1no da natureza motivos para não descrer do homem O objeto do tex to é claro: Kan t quer, pela in terpretação de um acon tecimento histórico particular, decidir se o homem dispõe ou não de uma moralidade suscetivel de fazê-lo progredir O progresso que está aqui em jogo não se limita ao desenvolvimento da habilidade característica da civilização em geral. Está

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pelo de sinal histórico, designando este o indí cio procurado de um possível progresso moral da humanidade No horizon te dessa busca encon tr arnos a idéia racional de uma república conforme aos di rei tos dos homens; mas es ta idéia não é mais, aq ui, uma idéia simplesmen te reguladora ou o produ to mecânico da na tureza Ela é aquilo que será neces sário aplicar nas i nsti tuições concretas - O conflito das faculdades con ten ta se em indicar por

que o homem é no fundo capaz disso Kan t não rejeita a antropologia pessimista, que é o fundo comum de todas as suas obras sobre a história; ele antes a completa, mostrando que há, sem dúvida, no negro cora ção do homem uma disposição para o direito e para a justiça

O conjun to da segunda seção de O conflito das faculdades apresen ta-se

como uma vasta cenografia destinada a avaliar a marcha rumo ao progresso

da humanidade O mundo é, assim, um palco onde se passam enredos mais ou menos significativos: do ponto de vista teleológico, o comportamento do home m é bastante desolador, o historiador não pode considerá-lo senão com humor, já que o filósofo não lhe dá motivos de esperança, e sente-se até mes mo ten tado a desviar os olhos do espetáculo Do pon to de vista prático e mais propriamen te filosófico, o espetáculo pode ser ora igualmen te angustiante, se, como é o caso da concepção abderi tista de que Kant fala em primeiro lugar, se considera que os princípios bons e maus da ação humana se anulam e se aparen tam a um "simples jogo de marione tes""; mas pode também ser mui to mais in teressan te para o filósofo, e ser o indicio procurado do progresso A ce nografia filosófica é, assim, o procedimen to pelo qual Kan t analisa o conjunto da ação hu1nana, ao tnesmo ternpo a do ator, quer dizer, o palco propriamen te dito dos grandes acon tecimen tos da história, e a do espectador, que, na me

dida em que suas emoções podem ser elas também igualmen te significativas, tem um papel essencial no teatro

I<an t vai aqui em busca de um acon tecimento no tempo que con tém um poder de significação independente do tempo, e que possa até mesmo, por uma espécie de retroatividade, conferir um sentido e uma direção positiva a toda a história, inclusive a história passada O que se passa, na época, no palco do mundo? Uma revolução está em curso, a de um povo cheio de espírito, a França, uma revolução sobre a qual Kan t apressa-se em observar que ela não

ü O conflito das faculdades , AK V!l. 82; P I!l, p 891

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é o próprio acon teci men to significativo O quadro traçado por Kan t da Revo lução Francesa é essencialmen te nega tivo: refere-se a atos ou delitos impor tan tes, pelos quais "o que era grande torno u-se pequeno entre os homens ou o que era pequeno tornou-se grande"7 , uma mon tanha de n1iséria e ele crimes horrendos "a tal pon to que um homem prudente, se pudesse, ao empreendê-la pela segunda vez, esperando realizá-la com sucesso, decidiria, todavia, jamais arriscar tal experiência a preço tão al to"!I A Revolução em questão foi assim descri ta como um verdadei ro desastre Povo cheio ele egoísmo e de pre tensão à liberdade, os franceses manifestam, todavia, nas crueldades e apesar elos de li tos cometidos, uma cultura e uma aber tu ra ao direi to que l(an t acredi ta não poder encon trar em outra parte Suscitada pelo egoísmo e realizada no pathos

do entusiasmo, a Revol ução nada tem de moralmen te legitimável; todavia, ela é também o sinal de que um povo atingiu um nível ele cultura suficien temen te elevado para que, em meio às paL\'.ões, possa se manifestar uma aber t u ra às Idéias, a Idéia da liberdade e a Idéia do direito

Este primeiro momen to não con tém ainda o sinal procurado, que nos de monstraria a disposição ao progr esso moral em ação na h umanidade Tal sinal só aparece quando voltamos a atenção não mais para o palco, mas para a sala de espetáculos, para a atitude dos espectadores da Revolução a seu respeito

O acon tecimen to significativo não pode consisti r em ações ou ern deli tos im portan tes "Nada disso"', diz Kan t Pelo con trário:

T rata-se sin1plesmen te do niodo de pensar dos espectadores que se trai publica men te nesse jogo das grandes reviravol tas e que, n1esn10 apesa r do perigo de que tat parcialidade pudesse tornar·se pata eles muito pr ejudicial. manifesta. en tre tan to, uma tomada de posição tão un iversal e, de qualquer rnodo, desinteressada para os partici pan tes de uni partido con1parada aos do outrow O acon tecimen to não é uma manei ra de agir, mas de pensar, ou antes, de sentir uma emoção par ticular à vista de um espetárnlo determinado; não

é o conhecilnen to do fa to revolucionário, inas a aber tura do espírito de um homem, o espectador estr angeiro da Revolução, quando está em condições de elevar-se acima das condições subjetivas e ele aprovar essa Revolução, ape-

J lbicl O lbicl . AK VII. 85; P 111. p 895 9 lbid . AK VII. 85; P 111. p 894 10 lbid 179

r· 1

Compreender

sar do perigo e do pouco in teresse imediato que tem em fazê-lo A disposição

dos espectadores não é um dado exclusivo da sensibilidade, nem um juízo determinan te em vista de um saber, mas a emoção pela qual eles se pàem a pensar a partir ele um pon to de vista universal, estando ligados pela sensibi lidade à especificidade daquilo que se passa no palco O acontecimento que acena é uma modalidade do juízo, aqui em situação política, juízo que se tr ai publicamente e que, desse modo, adquire validade ao mesmo tempo moral e política, de acordo com o critério que Kan t conserva em Rtuno à paz per pétua 11 O cará ter significan te da publicidade é ainda aumen tado pelo fato

de induzir a certos riscos para o próprio espectador, sujeito de Estados que não aderem forçosamen te à política revolucionária, tendo a invocação do perigo a função de destacar o desin teresse do espec tador A maneira de

pensar dos espectado res poderia ser igualmen te o acon tecimen to que Kant busca sem esse perigo1 mas isso ocorre de modo mui to mais evidente quando aquele que afir1na sua aprovação arrisca realmen te sua vida ou seu conforto

A concordância no fato singular do entusiasmo, do desin teresse e da uni versalidade, possível na medida em que o espectador não está diretamente en volvido na Revolução, constitui seu caráter moral e sua potência significante; o que nele é revelado é a própria moralidade do homem e a possibilidade para a espécie de progredir, ou o movimen to em si para o progresso, já efetivo nesse pathos específico do ent usiasmo"

Nem a Revolução nem o entusiasmo são exatamente obras, que seriam simplesmen te o objeto de uma experiência estética a reconhecer no que vê, diretamen te e sem descon tinuidade, o ideal político encarnado: elas não são,

a f ortiori , belas obras, uma vez que precisamen te o que lhes confere um

poder indica tivo é sem dúvida da ordem do sublime Se o acon tecimen to acena em direção ao ideal, à Idéia de comunidade e à Idéia de república, jamais se encon trará, todavia, apresentação direta ou prova de tal Idéia: afirmar o contrário é ceder a uma ilusão transcenden tal e acreditar que se pode aplicar as formas da sensibilidade a uma Idéia da razão

Nem obra, nem esquema, nem verdadeiramen te símbolo: o aconteci tnento é ainda outra coisa, a apresen tação que há na Idéia a apresen tar do

inapresentável , que não pode mais se dar de ou tra forrna senão sob a forma

imperativa O concei to de direito -a república -surge então como aquilo

í1 Rumo â paz perpétua. AK Vll, 386; P [!!, p 382 í2 O co11(/ito das faculdades. AK Vil, 85; P li!, p 895

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que, não podendo encon trar urna forma para se manifestar na sensibilidade, consti tui-se como irrupção nessa sensibilidade, sern mediação, co1no Idéia O Estado de direi to é, nesse sentido, uma coisa em si: algo que não reside na experiência mas que não tem significado senão para a experiência, mesmo quando e precisamen te quando esta o con tradiz A idéia da república em cuja

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