VINTE E NOVE
FALSOS MESTRES PESSOA/GRUP
O PREVISÃO
Watch & Be
Ready Essa literatura mórmon afirmou que a Nova Jerusalém desceria do céu no ano 2000.
Ruth
Montgomery O eixo da Terra mudaria e o Anticristo se re velaria em 2000.
Sun Myung
Moon O Reino do Céu seria estabelecido no ano 2000.
Shoko Asahara - No ano 2000, 90 por cento da população do mundo seriam aniquilados por armas nucleares, biológicas e químicas.
Bhagwan Shree - No ano 2000, o mundo seria devastado pela AIDS. Depois disso, seria reconstruído por uma sociedade matriarcal pacífica.
Ca Van Lieng - Haveria uma inundação apocalíptica no ano 2000.
Bobby Bible - À meia-noite, na virada do ano 2000, Jesus desceria do céu e levaria consigo os fiéis.
Cerferino Quinte - O mundo seria destruído por uma chuva de fogo em 1o de janeiro de 2000.
Para sobreviver, os membros de sua seita construíram uma complexa rede de túneis e armazenaram alimentos suficientes para setecentas pessoas por um ano.
Ola Ilori - No ano 2000, a Terra passaria a girar ao contrário, fazendo a crosta rachar como uma casca de ovo.
Joseph Kibweteere - Previu o fim do mundo para junho de 2000. Mandou trancar seiscentos dos seus seguidores em uma igreja e atear fogo. Todos morreram queimados.
Gabriel de Sedona - A destruição da humanidade ocorreria entre 5 de maio de 2000 e 5 de maio de 2001. Apenas seu grupo de fiéis seria salvo por ovnis.
- Professor Murphy, não fizeram previsões sobre Jesus Cristo... Do tipo onde Ele nasceria, como morreria, centenas de anos antes do acontecimento?
-Boa pergunta. Houve mais de trezentas
previsões relativas à primeira vinda de Cristo. Quais as chances de alguém acertar todas essas profecias?
Murphy fez uma pausa para permitir que a pergunta fosse assimilada.
-Permitam-me ajudá-los. Um matemático
chamado Peter W. Stoner aplicou a teoria da probabilidade à chance de acerto de apenas oito das previsões sobre a vinda de Cristo. Ele documenta isso num livro intitulado Science
Speaks. Pediu a 12 classes, num total de
aproximadamente seiscentos alunos universitários, que calculassem essa probabilidade matemática. A conclusão final foi que a probabilidade de acerto para oito profecias seria de um para dez elevado à 28a
potência.
Murphy caminhou até o quadro branco.
-Para se ter uma idéia, deixe-me escrever dez
elevado à 28a potência.
Ele escreveu um 10 no quadro e passou a acrescentar zeros e mais zeros. Os alunos começaram a rir do número absurdamente longo. Por fim, lia-se: 10.000.000.000.000.000.000.000.000.000.
Era visível o espanto no rosto de alguns alunos. Murphy sacudiu os dedos teatralmente, como se estivessem doendo de tanto escrever zeros.
-O doutor Stoner tenta ajudar o leitor de seu
livro a compreender com uma ilustração visual esse resultado impressionante. Diz ele que isso seria como cobrir todo o estado do Texas com pouco mais de meio metro de dólares de prata. Uma dessas moedas está pintada de azul. Mistura-se tudo com uma colher gigante. Ven- da-se um homem, que toma a direção que bem entender, e só pode fazer uma tentativa de encontrar a moeda de prata pintada de azul. A probabilidade seria essa.
Murphy, mais uma vez, fez uma pausa para deixar que os alunos assimilassem a grandeza do número.
-O doutor Stoner prosseguiu o estudo
calculando a probabilidade de acerto de 48 das profecias relativas a Cristo. O resultado foi de um para dez elevado à 157a potência. Ele disse
que já não seria possível usar dólares de prata. Seria preciso algo muito menor, como um elétron. Imagine uma bola de elétrons que se estende em todas as direções, a partir da Terra, espaço afora, viajando a quase 300 mil quilômetros por segundo, vezes o número de segundos em um ano. Pinta-se um elétron de azul. Misturam-se todos os elétrons com uma colher gigante. Venda-se um homem, que toma a direção que bem entender, e ele só fará uma tentativa. Essas seriam as probabilidades de
acerto de apenas 48 profecias. Notem que Jesus Cristo cumpriu literalmente mais de 109 previsões acerca de sua primeira vinda. Há 321 previsões de sua segunda vinda!
Murphy olhou para o relógio. A campainha estava prestes a tocar.
-Com probabilidades dessa ordem, quando
Cristo retornar, não creio que haverá alguma dúvida. Então, reflitam sobre a importância de seguir um verdadeiro mestre, em comparação a um falso. Isso afetará o futuro de cada um de vocês.
A campainha tocou e os alunos aplaudiram de pé a aula particularmente inspirada que Murphy acabara de dar. Ele corou e acenou com a cabeça, agradecendo.
Olhou para Shari. Ela sorria, e também aplaudia.
TRINTA E UM
MURPHY ENTROU NO laboratório e encontrou Shari
profundamente concentrada num velho manuscrito. Enquanto a observava, alheia à sua chegada, viu o rosto de testa franzida transformar-se com um sorriso.
-É isso! - ela exclamou. -Isso o quê?
Ela ergueu o olhar, prendendo o fôlego.
-Murphy! Quase me matou de susto!
-Desculpe. O que a deixou tão animada?
-O papiro que você descobriu. Aquele da loja de
Murphy acenou com a cabeça.
-E então?
-Descobri que foi escrito pelo historiador
Mamonte.
-Eu sabia que era antigo, mas não de dois
séculos antes de Cristo. Conseguiu decifrá-lo?
-Em grande parte. Basicamente, registra vários
eventos históricos. Coisas como incêndios, inundações e outros desastres. Há algo que achará muito interessante, creio.
-O quê?
-Uma breve menção à captura da Câmara de
Ouro de Deus dos israelitas.
Murphy tomou fôlego rapidamente.
-A Arca da Aliança?
-Parece que sim. Fala de dois objetos mágicos
retirados debaixo dos querubins depois que várias pessoas morreram de uma doença estranha. Acha que pode ser uma referência ao que ocorreu em Ashdod e no Templo de Dagon?
-É bem provável. Deixe-me dar uma olhada.
-Talvez seja melhor você deixar isso para
depois. Você tem uma aula de adestramento de feras agora.
-Como assim?
-Você recebeu uma ligação de seu melhor
amigo aqui na universidade. Murphy olhou-a intrigado.
-Fallworth?
-Acertou! E ele não parecia feliz.
-Acho melhor eu resolver isso logo - disse
-Aliás, soube da última a respeito dele? -Creio que não.
-Como o reitor Carver está se aposentando, o
conselho de diretores cogita colocá-lo como novo reitor da universidade.
Murphy sentiu o estômago revirar-se.
-Seria um erro colossal.
-Sem comentários - disse Shari.
Murphy entrou em seu escritório à procura de uns papéis. Já que precisava visitar o covil do leão, ao menos não iria desarmado.
Fallworth comportou-se como um verdadeiro homem de negócios.
-Talvez ainda não saiba, mas o reitor Carver
está se aposentando e os administradores provavelmente me escolherão para substituí-lo. Murphy sentiu-se grato por Shari tê-lo alertado. Em sua arrogância, Fallworth queria observar algum tipo de reação em Murphy. Mas este se recusou a lhe dar esse prazer.
-Ah! - respondeu simplesmente.
Fallworth pareceu um pouco desapontado.
-Gostaria de deixar claro para você que, se eu
me tornar reitor, talvez seu curso de arqueologia bíblica seja cancelado.
-Poderia me dizer por quê, Archer?
-Já lhe disse. Religião não tem lugar na sala de
aula!
-E também qualquer coisa relacionada a
religião?
-Bem, deixe-me ver se entendi direito. No curso
de história dos Estados Unidos devemos deixar de lado a influência do padre Junípero Serra e as primeiras missões católicas? No curso de histó- ria europeia devemos omitir todas as referências às grandes controvérsias religiosas da Idade Média? Devemos ignorar a Reforma Protestante? Devemos eliminar quaisquer comentários sobre a luta pela liberdade religiosa nos tempos coloniais? Devemos descartar A Última Ceia, de Da Vinci?, o Moisés, de Michelangelo, a Missa Solemnis, de Beethoven, A Valquíria, de Wagner? Será que entendi direito?
Fallworth revirou os olhos.
-Você sabe o que quero dizer, Murphy
-Não, receio que não. Como um professor pode
eliminar algo que faz parte da história? O que há de temível em ensinar aquilo em que as pessoas acreditam e como isso influenciou a humanidade? Se eu ouvir que alguém acredita em ovni, não me sentirei ameaçado. Se acreditam que um grande meteorito atingiu a Terra e causou a extinção dos dinossauros, não tenho de concordar com eles. De que você tem medo? Da honestidade intelectual?
-A religião deve ser ensinada só nas igrejas.
-É mesmo? Então permita-me uma pergunta.
Acredita em obediência às decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos?
-Claro que sim. Mas eles não dizem que é
Primeira Emenda à Constituição afirma que "o Congresso não deve fazer leis quanto a estabelecer uma religião ou proibir seu livre exercício...".
-Achei mesmo que poderíamos entrar nesse
assunto, Archer, então peguei algumas informações de meus arquivos para você. Com relação à Primeira Emenda, que você citou, há um caso que a invoca. Está no processo Abington School District v. Schemmp. Nos comentários sobre
oposição à religião e ao estudo da Bíblia, o juiz Clark afirma o seguinte:
... Claro... o Estado não pode estabelecer uma "religião de secularidade", no sentido de afirmar oposição ou demonstrar hostilidade à religião, dando com isso "preferência aos que não acreditam em religião alguma, em detrimento dos que acreditam" (Zorach v. Clauson) (...) Além disso,
pode-se muito bem dizer que uma educação não está completa sem um estudo comparativo da religião, da história da religião e de como se relaciona com o avanço da civilização. Certamente pode-se dizer que a Bíblia é digna de estudo por suas qualidades literárias e his- tóricas. Nada do que dissemos aqui indica que esse estudo da Bíblia ou da religião, quando apresentado de forma objetiva, como parte de um programa de educação secular, não pode ser realizado em consonância com a Primeira Emenda.
Fallworth não respondeu. Murphy diria que ele não gostou do que tinha acabado de ouvir.
-No tocante ao ensino de religião, ciências
sociais e ciências humanas, o juiz Brennan fez os seguintes comentários:
A posição do Tribunal, hoje, claramente não proíbe o ensino das Sagradas Escrituras ou sobre as diferenças entre seitas religiosas nas aulas de literatura ou história. Com efeito, quer se trate ou não da Bíblia, seria impossível ensinar de forma significativa muitos assuntos relativos a ciências sociais ou humanas sem mencionar a religião.
-Já o juiz Goldberg - prosseguiu Murphy - falou
sobre a hostilidade passiva e ativa à religião e ao ensino religioso do ponto de vista de valores jurídicos, políticos e pessoais:
Nem o Estado nem este Tribunal pode ou deve ignorar a importância do fato de que grande parte do povo acredita em Deus e o cultua, e de que muitos de nossos valores legais, políticos e pessoais derivam historicamente de en- sinamentos religiosos. O governo deve, inevitavelmente, tomar conhecimento da existência da religião e, aliás, em certas circunstâncias, a Primeira Emenda pode exigir que o faça. Parece a mim evidente, com base em pareceres constantes em casos presentes e passados, que o Tribunal reconheceria a legitimidade da existência de capelães militares