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CAPÍTULO 3 METODOLOGIA DE PROJETO PARA A

3.2 Metodologia proposta

3.2.2 Fase 2: Projeto informacional

O objetivo desta fase é definir as especificações de projeto e as restrições de segurança relacionadas ao escopo em desenvolvimento.

Esta fase é composta por seis atividades (Figura 12), visando a busca e a caracterização das informações sobre o problema de projeto. Segundo Back et al. (2008), no projeto informacional ocorre o entendimento e a descrição do problema funcional, de modo quantitativo e qualitativo, fornecendo a base para os critérios de avaliação e das tomadas de decisão.

3.2.2.1 Atividade 2.1: Fatores de influência no projeto de cabines

A identificação dos fatores que interagem direta ou indiretamente com o produto que se pretende desenvolver pode ser considerada como uma das atividades mais importantes ao longo do desenvolvimento do projeto. Assim, para chegar aos objetivos a que ela se propõe, enfatizando o projeto de cabines de máquinas agrícolas, recomenda-se a realização de pesquisas relacionadas às informações técnicas do produto (Tarefa 2.1.1) e de normas para ergonomia e segurança (Tarefa 2.1.2).

Tarefa 2.1.1 – Pesquisar informações técnicas: busca, por meio do emprego da ferramenta F2 - Consulta a fornecedores e base de patentes, identificar parâmetros técnicos e de forma empregados em cabines de máquinas agrícolas como imagens, especificações técnicas e informações de patentes. Esses registros auxiliam na definição do produto meta a ser superado, dos parâmetros competitivos almejados (ALONÇO, 2004) e do desenvolvimento de novos conceitos, principalmente quanto à forma.

Tarefa 2.1.2 – Pesquisar normas para ergonomia e segurança do produto: corresponde ao estudo dos parâmetros normativos, visando identificar e caracterizar as categorias dos fatores de influência no projeto de cabines, bem como as relações

existentes entre os mesmos. Posteriormente, as informações relacionadas ao provimento da segurança do produto são transformadas em “restrições de segurança”, as quais devem ser de observância obrigatória (ALONÇO, 2004), não seguindo as atividades da fase informacional que passam por processos de hierarquização. Os demais parâmetros devem servir de embasamento para a formulação dos requisitos de projeto vinculados ao fator de influência correspondente.

Conforme o esquema apresentado na metodologia proposta (Figura 12), verifica-se a possibilidade de elaborar e/ou selecionar os procedimentos correspondentes a essa tarefa. Tal característica vincula-se ao desenvolvimento de um banco de informações, em que, uma vez efetuado o primeiro projeto de cabine, tais dados poderão ser utilizados em novos trabalhos.

Este aspecto abrange as categorias desenvolvidas para os fatores de influência e os seus respectivos requisitos de projeto e restrições de segurança. Neste sentido, as referidas informações podem ser visualizadas nos resultados do estudo de caso (Capítulo 5), como também nos apêndices deste trabalho.

3.2.2.2 Atividade 2.2: Caracterizar o ambiente operacional da cabine

Esta atividade é voltada a averiguar o comprometimento do produto dentro do sistema homem-máquina-ambiente com os aspectos relacionados à segurança e ergonomia (ALONÇO, 2004).

Tarefa 2.2.1 - Análise ergonômica: durante a atividade de caracterização preconiza-se a realização de análise ergonômica, verificando como o produto a ser aprimorado, no caso de um produto de evolução, vem atendendo as restrições de segurança e os requisitos de projeto levantados na atividade anterior. Na realização desta tarefa emprega-se a ferramenta F3 - Avaliação em campo.

Para o projeto de um produto novo, recomenda-se que essa avaliação seja realizada em sistemas concorrentes existentes no mercado, com intuito de confrontar as características adotadas com os respectivos desempenhos.

Dentre os fatores inerentes à avaliação no projeto de cabine, sugerem-se: A) Registro das informações técnicas - busca e armazenamento de dados técnicos da cabine em avaliação, assim como dos referentes à máquina.

B) Análise antropométrica dos operadores - coleta das medidas dos usuários diretos do produto para a posterior comparação com os parâmetros normativos estabelecidos, a fim de averiguar a compatibilidade entre os mesmos.

C) Forças para o acionamento dos controles - mede a resistência necessária à atuação dos controles no posto de operação.

D) Disposição dos controles e mostradores - analisa a distribuição espacial dos controles e mostradores, confrontando respectivamente com as zonas de acesso e as regiões de visão especificadas nas normas.

E) Avaliação das características dimensionais da cabine - averigua a compatibilidade das características dimensionais do espaço livre interno, acesso, assento e saída de emergência.

F) Nível de ruído - mede a exposição do operador ao ruído no posto de trabalho considerando a operação em diferentes cenários.

G) Campo de visão do operador - avalia as regiões inacessíveis à visão do operador na sua posição de trabalho.

H) Análise da simbologia empregada - verifica o emprego de ícones padronizados.

I) Avaliação das conformidades relativas às restrições de segurança - identifica a adoção das características para o provimento da segurança dos usuários do produto.

J) Condições climáticas - averigua as condições de temperatura, velocidade e umidade relativa do ar na cabine.

K) Vibração - avalia os níveis de vibração aos quais o operador está submetido.

L) Iluminação - quantifica a iluminância no interior da cabine.

Para a realização do item D, sugere-se o emprego das ferramentas virtuais FV1 (Regiões de visão), FV2 (Zonas de conforto e acesso) e FV5 (Campos visuais). Já para o item E, a FV3 (Zona de segurança) e a FV4 (Espaço livre interno). Tais ferramentas encontram-se especificadas no tópico 3.2.6 deste capítulo.

Ressalta-se que o uso das mesmas fica condicionado à obtenção de desenhos tridimensionais da cabine a ser avaliada e seus componentes, ou ao desenvolvimento, no ambiente tridimensional, das referências necessárias à avaliação, visto a necessidade de sobreposição das imagens para a análise.

Tarefa 2.2.2 - Registrar parâmetros de sucesso e fracasso de cabines avaliadas: objetiva o armazenamento das informações coletadas e trabalhadas, possibilitando a consulta de tais dados para futuros projetos. Para a sua realização utiliza-se a ferramenta F1.

3.2.2.3 Atividade 2.3 - Identificar as necessidades e requisitos dos clientes/usuários

Almeja, inicialmente, a identificação dos desejos e necessidades dos clientes/usuários de cabines de máquinas agrícolas, lapidando-as para uma linguagem mais condizente ao desenvolvimento do produto.

Tarefa 2.3.1 - Definir os clientes/usuários ao longo do ciclo de vida: identifica e registra os envolvidos ao longo dos diversos processos apresentados no ciclo de vida da cabine. Emprega-se a ferramenta F1 nesta tarefa.

Tarefa 2.3.2 - Coletar os desejos/necessidades dos clientes/usuários: busca captar as principais características a serem observadas, bem como avaliar as expectativas das partes envolvidas. Em sua realização, aplica-se a ferramenta F4 - Questionário estruturado.

Tarefa 2.3.3 - Estabelecer os requisitos dos clientes/usuários: transforma as necessidades em requisitos dos usuários, utilizando uma linguagem mais coerente com a da engenharia, procedimento em que se busca empregar frases simples e curtas com os verbos ser, ter ou estar anteriores aos substantivos. Nesta tarefa usa- se a ferramenta F1.

Tarefa 2.3.4 - Hierarquizar os requisitos dos clientes/usuários: visa valorar, por meio das ferramentas F1 e F5 - Diagrama de Mudge, os requisitos, de modo que sejam hierarquizados e priorizados de acordo com o grau de importância para o projeto.

3.2.2.4 Atividade 2.4 - Definir os requisitos de projeto

Nesta atividade devem ser estabelecidas as características de engenharia que se referem aos parâmetros, grandezas físicas, funções e demais declarações relacionadas ao produto (MARIBONDO, 2000). Estas visam determinar como atender cada requisito de cliente.

Tarefa 2.4.1 - Definir os requisitos de projeto não contemplados nos fatores de influência: com o emprego da ferramenta F1, a equipe de projeto deve confrontar a lista dos requisitos dos clientes/usuários do produto (tarefa 2.3.3) com a dos requisitos de projeto relacionados aos fatores de influência (tarefa 2.1.2), de modo a apurar os parâmetros de engenharia ainda não contemplados para o atendimento dos desejos/necessidades dos clientes/usuários do produto.

Tarefa 2.4.2 - Hierarquizar os requisitos de projeto: organiza os esforços da equipe de desenvolvimento do produto, evitando que se gaste muito tempo na elaboração de concepções que venham a contemplar os requisitos de projeto de pouca importância para o mercado (ROMANO, 2003). Para esta hierarquização, são usadas as ferramentas F1 e F6 - Matriz da casa da qualidade, buscando relacionar os QUE's com os COMO's.

3.2.2.5 Atividade 2.5 - Estabelecer as especificações de projeto

Esta atividade busca o detalhamento dos requisitos de projeto, atribuindo informações como os valores meta desejáveis, a forma de avaliação e os aspectos a serem evitados na implementação do requisito. Conforme Back et al. (2008), esta é uma das etapas mais importantes do desenvolvimento do produto.

Para a atribuição dos valores metas aos requisitos de projeto contemplados nos fatores de influência, a equipe de projeto deve utilizar como referência os parâmetros normativos já registrados (tarefa 2.1.2). Para os demais, devem ser consultados os resultados da tarefa 2.1.1, que apresenta informações técnicas de produtos disponíveis no mercado. Em tal procedimento, faz-se uso das ferramentas F1 e F2.

3.2.2.6 Atividade 2.6 - Selecionar/registrar as restrições de segurança relacionadas ao projeto

Considerando que a lista de restrições de segurança, provenientes da tarefa 2.1.2, baseia-se em normas com diferentes aplicabilidades de máquinas agrícolas, faz-se necessária a realização de uma filtragem direcionada ao escopo do projeto em desenvolvimento. Salienta-se que as características selecionadas devem ser de observância obrigatória, pois visam o provimento da segurança dos usuários do produto. Nesta atividade é utilizada a ferramenta F1.

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